O Encontro Nacional de Coordenadores de Pastoral, promovido pelo Secretariado Geral da CNBB, na Casa dom Luciano, em Brasília, terminou na manhã desta sexta-feira, 12 de julho, com a conferência do arcebispo de Goiânia e primeiro vice-presidente da CNBB, dom João Justino de Medeiros Silva
O Núncio Apostólico no Brasil, dom Giambattista Diquattro, celebrou missa na quarta-feira, 10 de julho, no Encontro Nacional de Coordenadores de Pastoral, promovido pelo secretariado geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O encontro acontece na Casa dom Luciano, em Brasília, até a sexta-feira, 12 de julho

ARTIGOS DOS BISPOS

Dom Anuar Battisti
Arcebispo Emérito de Maringá (PR) 

 


**15º Domingo do Tempo Comum – Ano B** 

Queridos irmãos e irmãs em Cristo, 

Hoje celebramos o 15º Domingo do Tempo Comum e as leituras deste dia nos convidam a refletir sobre a missão e o chamado de Deus em nossas vidas. Somos lembrados de que todos nós, como cristãos, somos enviados em missão, cada um com um propósito especial e único. 

Na primeira leitura, Amós 7,12-15, vemos o profeta Amós sendo chamado por Deus. Amós não era um profeta de profissão, mas um simples pastor e cultivador de sicômoros. Ele diz: “Eu não sou profeta, nem filho de profeta; sou pastor e cultivador de sicômoros. Mas o Senhor me tirou de junto do rebanho e me disse: Vai, profetiza ao meu povo de Israel” (Amós 7,14-15). Esse chamado nos mostra que Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos. Muitas vezes, podemos sentir que não estamos preparados ou qualificados para a missão que Deus nos dá, mas Ele nos capacita e nos guia no caminho. 

No Evangelho hodierno, Marcos 6,7-13, Jesus envia os doze apóstolos em missão. “Chamou os doze, e começou a enviá-los dois a dois, dando-lhes poder sobre os espíritos impuros. E ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, a não ser um cajado; nem pão, nem sacola, nem dinheiro na cintura” (Marcos 6,7-8). Isso nos ensina sobre a confiança total em Deus. Jesus queria que seus discípulos confiassem completamente na providência divina e se apoiassem uns nos outros. A missão dos apóstolos era pregar o arrependimento, curar os doentes e expulsar demônios. Eles foram chamados a ser testemunhas vivas do amor e da misericórdia de Deus. 

A segunda leitura, da Carta aos Efésios, nos lembra das bênçãos espirituais que recebemos em Cristo. “Bendito seja Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com toda a bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo. Pois ele nos escolheu nele antes da criação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença” (Efésios 1,3-4). Fomos redimidos pelo sangue de Cristo e recebemos a promessa do Espírito Santo. “Nele também vocês, depois que ouviram a palavra da verdade, o evangelho da salvação, e creram nele, foram selados com o Espírito Santo da promessa, que é a garantia da nossa herança até a redenção daqueles que pertencem a Deus, para o louvor da sua glória” (Efésios 1,13-14). Essas bênçãos nos dão força e coragem para cumprir nossa missão. 

Queridos irmãos e irmãs, hoje somos chamados a refletir sobre nossa própria missão. Deus tem um propósito para cada um de nós. Ele nos chama para sermos seus discípulos e testemunhas em nosso mundo, em nossas famílias, comunidades e locais de trabalho. Assim como Amós e os apóstolos, somos chamados a confiar em Deus e a depender de Sua providência. 

Que possamos, como comunidade de fé, apoiar uns aos outros em nossa jornada de fé. Que possamos ouvir o chamado de Deus e responder com generosidade e coragem. E que, em tudo o que fazemos, possamos ser sinais do amor e da misericórdia de Deus para todos ao nosso redor. 

Que Deus nos abençoe e nos guie em nossa missão. Amém! 

 

 

 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)

 

Este é um convite em tom de convocação e advertência, do Papa Francisco, em mensagem por ocasião do Dia Mundial da Paz de 2016. Sabe-se que o berço da indiferença é o coração humano, onde também pode residir sentimentos que afrontam os mais necessitados de solidariedade. É preciso, pois, redobrar atenção ao que ocorre no mundo contemporâneo, para que este convite – supere a indiferença – seja acolhido e novo rumo possa ser dado à sociedade, a partir do dia a dia de cada cidadão, nos seus compromissos sociais, políticos, culturais e religiosos. Importante lembrar que o convite do Papa Francisco para superar a indiferença, se acolhido, pode levar à conquista da paz e da solidariedade – que é a cura para o veneno da indiferença.  

A ausência de paz leva a prejuízos amargos e de todo tipo – inviabiliza o desenvolvimento integral, promove o adoecimento das pessoas e da sociedade, tornando distantes os ideais de bem-estar e de uma vida qualificada. E a paz não convive com a indiferença. O ponto de partida para se alcançar uma sociedade mais pacífica é lembrar: “Deus não é indiferente; importa-lhe a humanidade”.  Essa afirmação do Papa Francisco precisa emoldurar o sentido da vida humana, que não pode ser substituído por outros sentidos. Reconhecer e priorizar o sentido da vida humana leva ao fortalecimento da fraternidade universal – esperança que precisa ser vetor de diferentes atitudes, para superar lacunas humanitárias muito graves. Há de se despertar e cultivar a consciência cidadã que leva a reconhecer: a paz é dom de Deus que precisa ser cultivado, permanentemente, em grandes projetos, mas também nos gestos simples, nas ações cordiais do cotidiano – cumprimentos, a oferta de uma ajuda, a partilha de uma palavra, a gentileza de se ceder um lugar.  

A fé cristã ajuda a compreender sobre a importância do semelhante. Deve, pois, auxiliar o ser humano a enfrentar diferentes tipos de indiferença – que alimentam guerras, terrorismos, pobreza, abandono e a morte do espírito de solidariedade, causando desastres humanos e naturais, pesando especialmente sobre os ombros dos pobres e vulneráveis da terra. O mal da indiferença cria raízes de muitas formas, podendo ser cultivado por certa comodidade e até por interesses que afrontam o bem comum, na contramão da postura altruísta de se dedicar a projetos humanitários e culturais que garantam o bem coletivo. A indiferença enjaula o ser humano na mesquinhez, condenando-o a ficar preso apenas aos cálculos que almejam somente o acúmulo de seu próprio patrimônio. Uma ambição desmedida, que o faz buscar riquezas para além de suas necessidades, desconsiderando até mesmo que a própria trajetória encontrará o seu fim no desafiador fenômeno da morte.   

Urgente é cultivar um coração humilde e compassivo, para se interessar e considerar como próprias as alegrias e esperanças, tristezas e angústias dos semelhantes. Assim são encontradas as razões para o exercício da solidariedade. Cada pessoa é desafiada a se sensibilizar com o que ocorre nas periferias existenciais – dedicando atenção aos que convivem na sua própria casa, contexto religioso, no ambiente de trabalho e em outros campos de relacionamento social. Um caminho para potencializar, conforme lembra o Papa Francisco, a capacidade da civilização contemporânea de se dedicar aos mais fragilizados do planeta e de defender o bem comum.  O Papa lembra que, na raiz da vocação humana fundamental à fraternidade e à vida comum, está a solidária corresponsabilidade.  

Importa, pois, levar mais dignidade às relações interpessoais, buscando assumir compromissos que sejam contraponto à indiferença. É preciso curar os corações que não se interessam pelo que ocorre ao seu redor, que se esquivam com medo de deixar a própria zona de conforto, que se deixam presidir pela soberba ou pela perversidade. Especialmente grave é a indiferença em relação a Deus, raiz para o descaso dedicado ao semelhante e à casa comum. A indiferença em relação a Deus ocorre quando o ser humano se julga autor de sua própria vida, tentando prescindir do Pai Criador. Ao desconsiderar Deus, o ser humano torna-se soberbo, acreditando que não precisa respeitar ninguém. Incapacita-se para enxergar os direitos de seus semelhantes. E a indiferença em relação ao semelhante promove todo tipo de injustiça, cria cegueiras para a importância do sentido da gratuidade e da solidariedade.   

No mundo contemporâneo, todos recebem uma avalanche de informações, mas há grave carência de sentimentos humanitários. As consciências parecem anestesiadas pelo intenso fluxo informacional, incapazes de alcançar respostas para misérias e exclusões. Existem também aqueles que optam por manter-se distantes das informações que poderiam gerar incômodo, encastelando-se em uma mesquinha zona de conforto. É preciso reagir, pois a indiferença ameaça a paz. E não basta buscar aliviar a própria consciência com a participação em ações emergenciais. A interpelação é para combater a indiferença, reconhecendo-a e debelando-a com adequada sensibilidade social. Assim é possível ir além de ações assistencialistas, para alcançar atitudes efetivas capazes de levar a sociedade aos trilhos da justiça e do amor. O primeiro e decisivo passo é investir, seriamente, na conversão do próprio coração. Cada ser humano aceite ser protagonista desse importante processo de conversão, derrubando os muros da soberba, assumindo com coragem o compromisso de superar as mais variadas formas de indiferença.  

 

 

Dom Carlos José
Bispo de Apucarana (PR)

 

“Tudo o que pedirdes a meu Pai em meu nome Ele vos dará” (Jo 15, 16-17). A oração e a vida cristã são inseparáveis, por isso somos chamados a ‘orar sem cessar, sempre e em tudo dando graças a Deus Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo’ conforme 1Ts 5, 17. A oração exige um esforço e uma luta constante entre nós mesmos e as artimanhas do inimigo, que quer a todo custo nos afastar do amor do Pai, provocando em nós a falta de vontade de orarmos, colocando obstáculos vários para que posterguemos o momento da nossa oração e acabemos por não fazê-la. É preciso rezar, mesmo sem ter vontade de fazê-lo, isso se chama perseverança. Criar o hábito saudável de nos colocarmos diante de Jesus e com Ele, através Dele, nos dirigirmos ao Pai, que Ele mesmo nos apresentou! Um coração vazio de oração se afasta de Deus e, onde Deus não está, o Espírito Santo não age. Sem a ação do Espírito Santo, nada podemos fazer.

Em preparação ao Ano Jubilar 2025, fomos convidados pelo Papa Francisco a rezarmos intensa e incessantemente a oração que Jesus mesmo nos ensinou: o Pai-Nosso. Assim, chegaremos ao Ano Jubilar mais conscientes da nossa origem divina: fomos criados por Deus, desejados por Ele, pertencemos a Ele, nosso Pai. Os discípulos de Jesus pediram a Ele que os ensinassem a orar e Ele os ensinou (Mt 6, 9-13). Também somos seus discípulos, portanto a oração ensinada por Cristo chega a nós, não como uma fórmula mágica ou como palavras que apenas se repetem, mas como uma perfeita orientação de como devemos nos dirigir ao Pai, que é Deus. Jesus nos ensina, carinhosamente, a chamar Deus de “Pai”. Podendo ter usado qualquer outro título, como ‘senhor’, ou ‘rei’, Jesus usou “Pai”, o que significa que não há pai sem filhos, podendo um senhor ou um rei não ter filhos, não é mesmo? Sendo Deus, o Pai Criador de todas as coisas e eternamente Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, é Pai de todos os seres criados. Fomos acolhidos por Ele como filhos. Amados como filhos. O desejo de Deus é ter um íntimo relacionamento conosco! Dizemos: “Pai Nosso”, não Pai meu, ou seja, Deus é Pai de todos nós, assim nos ensinou Jesus, significando que somos uma grande família, uma comunidade de irmãos. E, como irmãos de fé, devemos rezar uns pelos outros em unidade com Cristo e sua Igreja.

Em nossas orações mais solitárias, súplicas individuais podemos sim usar ‘meu Pai’, ‘Paizinho’, numa intimidade mais afetiva ainda; porém não podemos nos esquecer que Deus não é um Pai exclusivo ou particular. Toda humanidade goza dessa filiação divina, pois formamos uma só família, com Cristo e em Cristo, na unidade do Espírito Santo. Rezemos o Pai-Nosso em unidade com a Virgem Senhora de Lourdes, para que Ela nos ajude a vivermos o Jubileu de 2025 mais próximos do Pai de todos nós!

 

 

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