Na tarde da quinta-feira, 22 de feveiro, o secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers, recebeu a visita de representantes da Associação dos Municípios das Missões (AMM), da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) e da Organização das Cidades Brasileiras Patrimônio Mundial (OCBPM)
O simpósio  se debruçou sobre a Teologia Ecumênica no magistério da Igreja e fixou uma maior atenção na Dimensão Pastoral do ecumenismo,  à luz das recentes reflexões do Sínodo sobre a Sinodaldade. O assessor da Comissão, padre Marcus Barbosa, afirmou ser uma graça de Deus ver tantos irmãos e irmãs interessados e empenhados na causa ecumênica e inter-religiosa
O vencedor do concurso será anunciado no dia 2 de abril por meio do portal da Pascom Brasil e das redes sociais. O cartaz vencedor deverá incluir, além da figura criada ou fotografia autoral, os seguintes textos: “58º Dia Mundial das Comunicações Sociais“, “12 de maio de 2024” e “Inteligência artificial e sabedoria do coração: por uma comunicação plenamente humana!”
O tema está em comunhão com o 6º Congresso Missionário Americano (CAM6), que acontece em Porto Rico, em novembro deste ano. O lema foi escolhido pelo Papa Francisco para ser a inspiração do Dia Mundial das Missões em 2024. A atividade acontece no dia 26 de maio e convida as crianças e adolescentes de todas as dioceses do Brasil a refletir o tema “IAM: com a força do Espírito, testemunhas de Cristo”

ARTIGOS DOS BISPOS

Dom Leomar Antônio Brustolin 
Arcebispo de Santa Maria (RS)

Na quarta-feira de cinzas de 2024 foi lançada, em todo o Brasil, a Campanha da Fraternidade sobre amizade social, cujo lema é “Vós sois todos irmãos”.  Seu objetivo é despertar para a beleza da fraternidade humana, promovendo e fortalecendo os vínculos da amizade social, para que, em Jesus Cristo, a paz seja realidade entre todos.  

Entre seus propósitos, está a missão de compreender como a mentalidade de divisão está afetando o conjunto da vida, inclusive a dimensão religiosa, e identificar as principais causas da atual mentalidade de oposição e conflito, que gera a incapacidade de ver nas outras pessoas um irmão e irmã. Pretende-se, também, conscientizar sobre a necessidade de superar as divisões e polarizações, construindo a unidade em meio à pluralidade. 

O texto-base destaca os Sinais de predisposição à fraternidade e amizade social, e afirma que a fraternidade inscrita em nossa natureza humana a partir da comum filiação divina impele-nos constantemente, apesar dos desequilíbrios causados pelo pecado original, a viver a amizade social querida por Deus. 

Outro dado a ser considerado é a solidariedade que caracteriza o povo brasileiro e que se manifesta de forma gratuita e voluntária nas grandes tragédias, sejam elas naturais ou criminosas, quando as comunidades se mobilizam, organizam-se e colocam em comum bens e serviços necessários para o socorro das vítimas, realizando, mesmo que temporariamente, a fraternidade e amizade social querida por Deus em todo tempo e lugar. 

Também é mencionada a sadia e complementar pluralidade existente entre todos os seres humanos nas suas mais diversas expressões, dom da multiforme fecundidade do Criador para promover a integração e o crescimento da família humana, a partir da valorização de nossas diferenças.  

Mas o texto também alerta sobre os riscos de nosso tempo, como o uso e a exploração do outro, a indiferença generalizada, os julgamentos precipitados, a rejeição gratuita, o ódio desmedido, o combate a pessoas e não a ideias ou propostas, a morte sem sentido, como aquelas das crianças nas creches e escolas atacadas por jovens e adultos armados. Tudo isso nos leva a crer que o mal de que padece a nossa sociedade é o da alterofobia, ou seja, medo, rejeição, aversão a tudo aquilo que é outro, que não sou eu mesmo. Vivemos fisicamente próximos, mas absolutamente distantes. 

Tornamo-nos incapazes de nos colocar no lugar do outro, incapazes do que Jesus chama no Evangelho de compaixão, de padecer o sofrimento alheio. Vivemos um agudo processo de subjetivação, isto é, a única ótica que importa é a minha. E ignoramos o que o refrão cantado durante o Sínodo da Amazônia nos ensinou: “tudo está interligado como se fôssemos um, tudo está interligado nessa Casa Comum”. 

 

 

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ) 

 

 

Com a Quarta-Feira de Cinzas, começa oficialmente o tempo da Quaresma e o Ciclo Pascal. Quaresma, uma vez mais. Tempo forte na caminhada do ano eclesiástico. Convite e apelo para o silêncio, a prece, a conversão. E quando se fala em quaresma, geralmente a gente tem uma ideia de uma coisa negativa, como antigamente. 

Quarenta dias antes da Páscoa, a Igreja abre solenemente o tempo de penitência, chamado Quaresma, em preparação para a celebração da Páscoa. É a Quarta-feira de Cinzas, entre nós bastante prejudicada pelo carnaval. 

Neste dia, após a Liturgia da Palavra, em que se proclama o trecho do Evangelho em que Cristo recomenda a oração, o jejum e a esmola como exercícios de conversão (cf. Mt 6,1-18), realiza-se o rito da imposição das cinzas. Elas são sinal de penitência, no sentido de conversão. A conversão consiste, sobretudo, no reconhecimento de nossa condição de criaturas limitadas, mortais e pecadoras. No gesto de imposição das cinzas sobre a cabeça das pessoas, o sacerdote ou o ministro diz: “Convertei-vos e crede no Evangelho”. A conversão consiste em crer no Evangelho. Crer é aderir a ele, viver segundo os ensinamentos do Senhor Jesus. Pode-se usar também a fórmula tradicional: “Lembra-te que és pó e ao pó hás de voltar”. Numa das orações de bênção das cinzas se diz: “Reconhecendo que somos pó e que ao pó voltaremos, consigamos, pela observância da Quaresma, obter o perdão dos pecados e viver uma vida nova, à semelhança do Cristo ressuscitado”. 

As Cinzas têm um significado bíblico. A Bíblia nos conta que, certa vez, o general Holofernes, com um grande exército, marchou contra a cidade de Betúlia. O povo da cidade, aterrorizado, reuniu-se para rezar a Deus. E todos cobriram de cinzas as suas cabeças, pedindo o perdão e a misericórdia de Deus. E Deus salvou o povo pelas mãos de Judite. A cinza, por sua leveza, é figura das coisas que se acabam e desaparecem. É usada como um sinal de penitência e de luto. Nós a usamos hoje, nesta Quarta-feira de Cinzas, o primeiro dia da Quaresma, reconhecendo que somos pecadores e pedindo perdão de Deus, desejosos de mudarmos de vida. 

As cinzas são preparadas pela queima de palmas usadas na procissão de Ramos do ano anterior. Lembram, portanto, o Cristo vitorioso sobre a morte. A palma é símbolo de vitória e de triunfo. Assim, se os cristãos aceitam reconhecer sua condição de criaturas mortais, e transformar-se em pó, ou seja, passar pela experiência da morte, a exemplo de Cristo, pela renúncia de si mesmos, participarão também da vida que ressurge das cinzas. 

Esta Páscoa se vive na conversão, através dos exercícios da oração, do jejum e da esmola. A imposição das cinzas não constitui um mero rito a ser repetido a cada ano. É celebração da vocação do ser humano, chamado à imortalidade feliz, contanto que realize o mistério pascal de morte e vida em sua vida fraterna. 

O tempo da Quaresma é o momento oportuno para que olhemos mais profundamente para o Mistério da Cruz. Olhar para a Cruz, contemplar esse Mistério é ir ao porquê de tudo aquilo que nós faremos durante a Quaresma. As orações, os jejuns e esmolas têm sentido porque nos põem em contato com a Cruz do Senhor. Além do mais, nós recebemos do Mistério da Cruz a força para unir-nos à mesma Cruz, ou seja, aquilo que Deus nos pede, Ele nos concede: Deus pede que rezemos? Ele nos dá a graça da oração. Deus nos pede que façamos penitência? Ele nos dá a graça para realizá-la? Deus pede que partilhemos e que não sejamos egoístas? Ele nos dá a graça da generosidade e da esmola. O que está por detrás de tudo isso é a primazia da graça de Deus na nossa vida. Quando dirigimos o nosso olhar contemplativo ao mistério da Cruz do Senhor surge em nós o desejo de fazer aquilo que São Paulo fazia: “o que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja” (Cl 1,24). 

Queremos estar sempre com o Senhor, a nossa vida só encontra sentido N’Ele. Que nada nos separe de Deus! E, se por acaso, estamos longe, aproximemo-nos da Misericórdia. Com a celebração de hoje, inicia-se o Tempo da Quaresma, um espaço que a Igreja nos concede para que nos convertamos um pouquinho mais através da oração e da penitência mais intensas. Um tempo precioso para aproveitarmos a graça da reconciliação que o Senhor derrama sobre toda a Igreja e, para isso, vamos começar de uma maneira bem concreta: com o jejum e a abstinência. 

Desejo a todos uma Santa e abençoada Quaresma! Tempo de oração, jejum, penitência e de solidariedade social com fraternidade humana. Que Deus nos ilumine neste tempo de Quaresma que se inicia, que possamos fazer e cumprir com os nossos propósitos para assim termos um coração cada dia mais preparado para o Senhor e para ser fermenta neste mundo que tanto necessita do amor e da misericórdia de Deus. 

 

 

 

Dom Messias dos Reis Silveira
Bispo de Teófilo Otoni (MG)

 

A partir de Quarta-feira de Cinzas, a Igreja vai nos ajudar a fazermos um caminho   místico  na vivência do tempo litúrgico da  Quaresma. Trata-se de um tempo muito especial e propício para trabalharmos, com mais intensidade, contra todas as situações de pecado que tendem  entranhar em nossas vidas,  nos   desviando do  caminho desejado por Deus e concretizado de maneira especial na pessoa do seu filho Jesus. É um tempo de reflexão que deve nos levar ao entendimento de que não estamos sozinhos, neste mundo, mas  caminhamos juntos e, cada um  têm o seu valor. 

Neste tempo de Quaresma a Igreja nos convida a rever algumas práticas, dentre elas: a nossa vida de oração, a nossa capacidade de superação dos nossos desejos através da prática fervorosa do jejum, da penitência e da esmola  que podemos traduzir, com tranquilidade, para a virtude da caridade, que é o olhar para o irmão. 

Ao  receber as cinzas, nós sinalizamos que estamos abertos a compreender a fugacidade da vida,  que  só tem sentido no seu Criador. A Quaresma se torna para nós um caminho espiritual de preparação para a Páscoa, pois no final deste tempo renovador brilhará para nós a luz da vitória, na ressurreição de Jesus, o filho de Deus. 

Quaresma não é  uma atitude individualista, ou intimista, mas é uma atitude comunitária. Quem entendeu muito bem esta realidade foi dom Eugênio Sales que no ano de 1962, na Arquidiocese de Natal (RN), deu início à Campanha da Fraternidade,  no território em que ele pastoreava. Mas foi no ano de 1964 que Dom Hélder Câmara com a aprovação dos Bispos, a implantou em nível nacional. Iniciou-se um caminho gerando um ambiente quaresmal que pudesse alcançar o coração de todos os cristãos levando-os ao coração do Evangelho. 

Há uma tendência muito grande em todos nós de nos fecharmos. Esse fechamento tem sinais desde o princípio nos conflitos elucidados pelas Sagradas Escrituras, mas não é este o desejo de Deus, pois ele deseja uma humanidade aberta em que todos possam  se amar.  

Cada ser humano que está neste mundo tem o seu valor. Numa sociedade em que tudo se torna descartável,  é dolorido perceber que muitas pessoas são descartadas por qualquer motivo. Qual é o valor do ser humano para Deus e para nós? Para  Deus o ser humano tem o valor de filho, por isso é herdeiro e habitado pelo seu imenso amor, a ponto mesmo de ser salvo pelo derramamento do sangue do seu Filho Jesus. Para nós, perdidos nas pequenas experiências de nossas vidas, corremos o risco de nos fecharmos valorizando apenas a nós mesmos. 

Por isso, neste ano de 2024, a Igreja que já vem ha 60 anos, celebrando a Campanha da Fraternidade, traz o tema da Fraternidade e Amizade Social iluminado pelo lema “Vós sois todos irmãos e irmãs” (Cf.  Mt 23,8). 

É um tema profundamente necessário e importante para ser trabalhado e vivenciado não só na Quaresma, mas ao longo do ano. Esta campanha mantém  uma abertura para o infinito, onde todos são chamados a viverem numa comunhão profunda entre si e com a Trindade Santa. 

Entremos,  com amor no tempo quaresmal procurando o vivenciar na prática do jejum, da esmola, da oração e da amizade social, pois quando se refere a amizade social se refere de maneira especial ao amor desejoso de abraçar a todos, comunicar, ir além das fronteiras, romper os isolamentos, viver a vocação para formar uma comunidade feita de irmãos, alargar o coração e o círculo das amizades fazendo com que o amor esteja presente em todas as relações sociais. 

O ponto de partida para vivência deste tema dentro da Campanha da Fraternidade e da Quaresma é: O quanto vale um ser humano? Para Deus ele tem um valor infinito e, para nós? 

Na vivência deste tema vamos descobrir a beleza de sermos criados por Deus, o quanto ele nos ama e onde a criação está ferida e precisa ser curada. A Quaresma e a Campanha da Fraternidade nos levem a vivermos uma experiência profunda de amor, compromisso, justiça e paz. 

 

 

 

 

 

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