O Núncio Apostólico no Brasil, dom Giambattista Diquattro, celebrou missa na quarta-feira, 10 de julho, no Encontro Nacional de Coordenadores de Pastoral, promovido pelo secretariado geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O encontro acontece na Casa dom Luciano, em Brasília, até a sexta-feira, 12 de julho

ARTIGOS DOS BISPOS

Dom Carlos José
Bispo de Apucarana (PR)

 

“Tudo o que pedirdes a meu Pai em meu nome Ele vos dará” (Jo 15, 16-17). A oração e a vida cristã são inseparáveis, por isso somos chamados a ‘orar sem cessar, sempre e em tudo dando graças a Deus Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo’ conforme 1Ts 5, 17. A oração exige um esforço e uma luta constante entre nós mesmos e as artimanhas do inimigo, que quer a todo custo nos afastar do amor do Pai, provocando em nós a falta de vontade de orarmos, colocando obstáculos vários para que posterguemos o momento da nossa oração e acabemos por não fazê-la. É preciso rezar, mesmo sem ter vontade de fazê-lo, isso se chama perseverança. Criar o hábito saudável de nos colocarmos diante de Jesus e com Ele, através Dele, nos dirigirmos ao Pai, que Ele mesmo nos apresentou! Um coração vazio de oração se afasta de Deus e, onde Deus não está, o Espírito Santo não age. Sem a ação do Espírito Santo, nada podemos fazer.

Em preparação ao Ano Jubilar 2025, fomos convidados pelo Papa Francisco a rezarmos intensa e incessantemente a oração que Jesus mesmo nos ensinou: o Pai-Nosso. Assim, chegaremos ao Ano Jubilar mais conscientes da nossa origem divina: fomos criados por Deus, desejados por Ele, pertencemos a Ele, nosso Pai. Os discípulos de Jesus pediram a Ele que os ensinassem a orar e Ele os ensinou (Mt 6, 9-13). Também somos seus discípulos, portanto a oração ensinada por Cristo chega a nós, não como uma fórmula mágica ou como palavras que apenas se repetem, mas como uma perfeita orientação de como devemos nos dirigir ao Pai, que é Deus. Jesus nos ensina, carinhosamente, a chamar Deus de “Pai”. Podendo ter usado qualquer outro título, como ‘senhor’, ou ‘rei’, Jesus usou “Pai”, o que significa que não há pai sem filhos, podendo um senhor ou um rei não ter filhos, não é mesmo? Sendo Deus, o Pai Criador de todas as coisas e eternamente Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, é Pai de todos os seres criados. Fomos acolhidos por Ele como filhos. Amados como filhos. O desejo de Deus é ter um íntimo relacionamento conosco! Dizemos: “Pai Nosso”, não Pai meu, ou seja, Deus é Pai de todos nós, assim nos ensinou Jesus, significando que somos uma grande família, uma comunidade de irmãos. E, como irmãos de fé, devemos rezar uns pelos outros em unidade com Cristo e sua Igreja.

Em nossas orações mais solitárias, súplicas individuais podemos sim usar ‘meu Pai’, ‘Paizinho’, numa intimidade mais afetiva ainda; porém não podemos nos esquecer que Deus não é um Pai exclusivo ou particular. Toda humanidade goza dessa filiação divina, pois formamos uma só família, com Cristo e em Cristo, na unidade do Espírito Santo. Rezemos o Pai-Nosso em unidade com a Virgem Senhora de Lourdes, para que Ela nos ajude a vivermos o Jubileu de 2025 mais próximos do Pai de todos nós!

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)

 

A tragédia que se abateu recentemente sobre o Rio Grande do Sul, produzindo destruição e mortes requer reflexão e coragem para possíveis decisões a fim de promover o necessário respeito e cuidado para com o meio ambiente. Eventos meteorológicos com chuvas intensas, prolongadas e em grande volume, ou períodos de seca prolongados e calor intenso sempre aconteceram; são fenômenos naturais! No entanto, a frequência maior de tais eventos suscita particular atenção, pois são expressão de uma doença silenciosa que afeta a todos! O aquecimento global não é uma ideologia! São visíveis os sinais de um desequilíbrio ambiental!

O desenvolvimento tecnológico e as alterações climáticas, com suas consequências para todos, são certamente um dos principais desafios que a sociedade e a comunidade global terão de enfrentar com objetividade, coragem e determinação. O impacto das mudanças climáticas prejudicará cada vez mais a vida de muitos. As consequências atingirão os âmbitos da saúde, emprego, acesso a recursos, habitação, migrações forçadas, entre outros.

Os recursos naturais necessários para os avanços da tecnologia não são ilimitados. Provavelmente pela primeira vez na história do gênero humano, os seres humanos estão, na prática, sendo postos diante da tarefa de assumir a responsabilidade solidária pelos efeitos de suas ações em um parâmetro que envolve todo o planeta. Trata-se de uma crise. E “a ideia (pode-se dizer o modo de proceder!) que criou a crise não será a mesma que nos tirará dela; temos que mudar” (A. Einstein).

A cultura atual, marcada por enormes avanços tecnológicos, exalta a democracia e a liberdade, sem, no entanto, considerar a necessidade de discernimento e responsabilidade. Ora, Cultura é liberdade que respeita e cultiva paridade e fraternidade. “Democracia é resolver ‘juntos’ os problemas de todos” (Papa Francisco). Liberdade é filha do conhecimento, proporcionado pela razão; é colocar-se a serviço uns dos outros!

A razão moderna que tudo determina, deve reconhecer seus limites, caso contrário não pode se considerar inteligente. A implementação de programas de adaptação para reduzir os efeitos da alteração climática em curso, exigirá estadistas, nobreza política, espírito autenticamente democrático, humildade, coragem, liberdade, discernimento e responsabilidade.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba (MG)

 

A convocação supõe um chamado, uma resposta e um envio para alguma missão dentro do contexto da vida natural da pessoa. A resposta deve ser fruto de decisão e determinação, para realizar os objetivos da convocação, mesmo sabendo das fragilidades que acompanham o ser humano em sua própria individualidade. É como um “sim”, dado para construir algo causador de realização pessoal. 

Todo ser humano é convocado, pela sua própria natureza, a ser construtor, a ser fecundo, a multiplicar seus dons e submeter a terra ao seu domínio (cf. Gn 1,28). Portanto, ter o coração inflamado de interesse e compromisso na construção do bem como expressão do dom da caridade e do amor ao outro. Realizar o mal é trair a inviolabilidade individual depositada na pessoa pelo Criador. 

 Cumprir uma missão pode ser embrenhar-se por caminho desafiador, principalmente quando afeta o brio do outro. É o caso de exercer uma profecia, quando mostra os atos de injustiça praticados. Foi o que aconteceu na trajetória do profeta Amós, porque suas palavras incomodavam autoridades desonestas (cf. Am 7,10). Ele teve uma postura coerente com as exigências da Palavra de Deus. 

Assim a pessoa humana tem a marca da dignidade ilimitada e é convocada para fazer o bem. Na palavra, “bem”, está englobada a universal possibilidade da vida em plenitude, da felicidade e do bem estar. Mas não é o que normalmente acontece na sociedade com tanta violência e desajuste pessoal. Gosto de um ditado popular amineirado, que diz: “Vida é bela, nós é que bagunça ela”.  

A convocação é um processo de conversão que, às vezes, exige mudança de direção. É deixar uma forma de vida para assumir uma outra de maneira bem concreta. Isto acontece quando a pessoa se apropria de uma profissão, de um compromisso pontual de realizar algo na sociedade. O detalhe principal é agir de forma coerente, com a autenticidade e, principalmente, com verdadeiro testemunho. 

Existe um apelo natural para a realização da vida de forma saudável. Na dimensão cristã, isto é muito forte, porque condiz com os princípios da Palavra de Deus. A convocação para a missão supõe partir, caminhar de maneira livre e de coração aberto em direção a algo importante para o bem de todos. Assim falamos de vocação cristã como impulso para a missão de evangelizar. 

 

 

 

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