{"id":1000809,"date":"2026-06-05T10:49:09","date_gmt":"2026-06-05T13:49:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=1000809"},"modified":"2026-06-05T11:11:41","modified_gmt":"2026-06-05T14:11:41","slug":"dom-rodolfo-weber-segue-me","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dom-rodolfo-weber-segue-me\/","title":{"rendered":"\u201cSegue-me!\u201d"},"content":{"rendered":"<p><strong>Dom Rodolfo Lu\u00eds Weber <\/strong><br \/>\n<strong>Arcebispo de Passo Fundo (RS)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Depois de celebrarmos o Tempo da P\u00e1scoa, retornamos na liturgia ao Tempo Comum com o convite de Jesus: \u201cSegue-me!\u201d (Oseias 6,3-6, Salmo 49(50), Romanos 4,18-25 e Mateus 9,9-13). A presen\u00e7a de Jesus, seus convites e ensinamentos introduzem novidades e esperan\u00e7a, em todos os ambientes, seja na Igreja ou no mundo. As not\u00edcias sobre o mal feito e cat\u00e1strofes chamam aten\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, n\u00e3o faltam not\u00edcias de a\u00e7\u00f5es boas que despertam otimismo. \u00c9 neste ambiente de m\u00e1s e boas not\u00edcias que vivem os crist\u00e3os. Sua miss\u00e3o \u00e9 seguir Jesus e transformar vidas a partir dele.<\/p>\n<p>\u201cJesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: \u201cSegue-me!\u201d Mateus levantou-se e seguiu-o. O convite de Jesus a Mateus, o sentar-se \u00e0 mesa com ele e outros \u201ccobradores de impostos e pecadores\u201d provocou os fariseus. Jesus que n\u00e3o perdia a oportunidade para ensinar, mesmo em ambiente adverso, faz tr\u00eas afirma\u00e7\u00f5es fundamentais para seus disc\u00edpulos e para n\u00f3s: \u201cAqueles que t\u00eam sa\u00fade n\u00e3o precisam de m\u00e9dico, mas sim os doentes\u201d. \u201cQuero miseric\u00f3rdia e n\u00e3o sacrif\u00edcio\u201d. \u201cEu n\u00e3o vim para chamar os justos, mas os pecadores\u201d.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, chama Mateus que \u00e9 um publicano cobrador de impostos. A sua atividade profissional era cobrar impostos para os romanos que ocupavam o territ\u00f3rio. Uma pessoa duplamente detest\u00e1vel: recolhe impostos, porque ningu\u00e9m paga imposto voluntariamente e faz isto em favor do invasor pag\u00e3o. Estes cobradores, aliados dos opressores, eram classificados de imundos, pecadores detest\u00e1veis e sem esperan\u00e7a de mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c9 para o pecador Mateus que Jesus dirige o olhar e a palavra. Mateus escuta e olha para Jesus. Segui-lo se torna o novo objetivo da vida. Abandona os opressores que servia para receber Jesus em sua casa. Acolhe aquele que o acolheu. Jesus considera Mateus como um irm\u00e3o e outros tantos pecadores que Mateus convidou para estarem com Ele. A Igreja n\u00e3o se constitui de puros, mas de pecadores acolhidos pela miseric\u00f3rdia divina. Esta atitude de Jesus \u00e9 o norte para todos os participantes da Igreja. Sempre se faz necess\u00e1rio acolher de forma misericordiosa todos os pecadores, transmitindo o perd\u00e3o do Pai. Para participar \u201cdignamente\u201d do sacramento da Eucaristia n\u00e3o se exige que as pessoas sejam \u201cjustas, perfeitas\u201d, mas sim que reconhe\u00e7am ser pecadores. No come\u00e7o de cada missa, atrav\u00e9s do rito penitencial, a comunidade celebrante reconhece a sua condi\u00e7\u00e3o pecadora, pede perd\u00e3o e bendiz o Deus misericordioso. Depois, quando se aproxima a comunh\u00e3o diz novamente: \u201cSenhor, eu n\u00e3o sou digno que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo\u201d.<\/p>\n<p>Na refei\u00e7\u00e3o onde estava Mateus, Jesus, publicanos tamb\u00e9m tinha fariseus. Estes se consideram puros, sadios e perfeitos. Na Igreja convivem os que se consideram \u201cpuros\u201d e pecadores. Isto traz tens\u00f5es e conflitos. \u00c9 a presen\u00e7a permanente de Jesus nesta comunidade que permite a conviv\u00eancia fraterna. \u201cEle odeia o pecado e ama ternamente o pecador, porque est\u00e1 doente, mesmo, e sobretudo, quando n\u00e3o sabe. N\u00f3s, pelo contr\u00e1rio, somos duros com os pecadores, porque se parecem com o mal, que consideramos como bem\u201d, explica o biblista Silvano Fausti.<\/p>\n<p>\u201cQuero miseric\u00f3rdia e n\u00e3o sacrif\u00edcio\u201d. Jesus cita o ensinamento do profeta Oseias. Toda a\u00e7\u00e3o lit\u00fargica \u00e9 mais agrad\u00e1vel a Deus quanto mais for express\u00e3o da viv\u00eancia da fraternidade, da justi\u00e7a, do perd\u00e3o e da miseric\u00f3rdia. A liturgia louva o bem realizado e educa para viv\u00eancia\u00a0da vida nova em Cristo. \u201cMiseric\u00f3rdia: \u00e9 o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 esperan\u00e7a de sermos amados para sempre, apesar da limita\u00e7\u00e3o do nosso pecado\u201d nos ensinou o Papa Francisco.<\/p>\n<p>\u201cEu n\u00e3o vim chamar os justos, mas os pecadores\u201d. Nenhum de n\u00f3s \u00e9 justo. N\u00e3o temos uma rela\u00e7\u00e3o perfeita com Deus e o pr\u00f3ximo. Somente Deus \u00e9 justo que n\u00e3o tem medo de aproximar-se, de sujar-se com os pecadores como Mateus e n\u00f3s, oferecendo a acolhida do perd\u00e3o e do amor que transforma. Esta \u00e9 uma bela surpresa e sempre uma boa not\u00edcia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Rodolfo Lu\u00eds Weber Arcebispo de Passo Fundo (RS) &nbsp; Depois de celebrarmos o Tempo da P\u00e1scoa, retornamos na liturgia ao Tempo Comum com o convite de Jesus: \u201cSegue-me!\u201d (Oseias 6,3-6, Salmo 49(50), Romanos 4,18-25 e Mateus 9,9-13). 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