{"id":1000898,"date":"2026-06-08T16:03:47","date_gmt":"2026-06-08T19:03:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=1000898"},"modified":"2026-06-08T16:04:17","modified_gmt":"2026-06-08T19:04:17","slug":"iniciacao-a-missao-no-brasil-encerramento-cenfi-129","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/iniciacao-a-missao-no-brasil-encerramento-cenfi-129\/","title":{"rendered":"Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 miss\u00e3o no Brasil: onde os caminhos do mundo se cruzam na f\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>\u201cUma jornada de mil milhas come\u00e7a sempre com um passo discreto\u201d, ensina a antiga sabedoria chinesa. Essa m\u00e1xima ecoou na voz do padre Ant\u00f4nio Valdeir Duarte de Queir\u00f3z, diretor-geral do Centro Cultural Mission\u00e1rio (CCM), durante o agradecimento que marcou o encerramento dos 90 dias de jornada formativa da 129\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Centro de Forma\u00e7\u00e3o Intercultural (Cenfi), um programa de inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 miss\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>O ciclo, conclu\u00eddo em clima de celebra\u00e7\u00e3o, havia come\u00e7ado bem antes: ao desembarcarem no Planalto Central no outono de 2026, o passo inaugural exigiu daqueles homens e mulheres mais do que a coragem de cruzar oceanos e fronteiras. Demandou a ousadia de despir-se do idioma nativo para habitar uma nova l\u00edngua. Vindos de quatro continentes \u2013 em uma Babel m\u00edstica-mission\u00e1ria composta por onze representantes da \u00c1frica, onze da Am\u00e9rica, tr\u00eas da \u00c1sia e dois da Europa \u2013, o grupo escolheu o Brasil n\u00e3o como mero destino, mas como p\u00e1tria para viver a miss\u00e3o de suas voca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3>Uma b\u00fassola para o envio<\/h3>\n<p>Durante a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica que marcou o encerramento do Cenfi, dom Ricardo Hoepers, bispo auxiliar de Bras\u00edlia, secret\u00e1rio-geral da CNBB e presidente do CCM, agradeceu profundamente aos religiosos e religiosas por abra\u00e7arem o Brasil como o solo sagrado de suas miss\u00f5es. Com sensibilidade pastoral, recordou que a conviv\u00eancia desses meses deixar\u00e1 marcas indel\u00e9veis: o tempo passa, mas o cora\u00e7\u00e3o guardar\u00e1 para sempre a mem\u00f3ria de cada partilha e o rosto de cada pessoa.<\/p>\n<p>Ao sintonizar a caminhada do grupo com a liturgia do dia 6 de junho, o bispo buscou na primeira leitura as palavras do ap\u00f3stolo Paulo para selar o envio daqueles homens e mulheres, oferecendo-as como uma b\u00fassola espiritual: \u201cTu, por\u00e9m, mostra vigil\u00e2ncia em tudo, suporta o sofrimento, desempenha o teu servi\u00e7o de pregador do evangelho, cumpre com perfei\u00e7\u00e3o o teu minist\u00e9rio\u201d.<\/p>\n<h3>O mosaico da chegada<\/h3>\n<p>O ponto de converg\u00eancia dessa odisseia, promovida pelo CCM \u2013 \u00f3rg\u00e3o vinculado \u00e0 Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) \u2013, teve in\u00edcio no dia 10 de mar\u00e7o, quando a sede em Bras\u00edlia abriu suas portas para acolher os primeiros vinte e um caminhantes. Semanas depois, j\u00e1 no segundo m\u00f3dulo, o grupo expandiu-se com a chegada de mais seis mission\u00e1rios, completando o mosaico humano que, at\u00e9 o dia 6 de junho de 2026, compartilhou o p\u00e3o, a gram\u00e1tica, a cultura de cada pa\u00eds \u2013 convergindo com a riqueza do Brasil \u2013 e o altar, nas celebra\u00e7\u00f5es e momento orantes.<\/p>\n<p>No princ\u00edpio, lembrou o padre Ant\u00f4nio Valdeir, a conviv\u00eancia teceu-se na timidez dos pequenos di\u00e1logos cotidianos. Pelos corredores do Centro, as vozes tateavam as texturas do portugu\u00eas atrav\u00e9s de express\u00f5es que, aos poucos, ganharam o calor do afeto. O formalismo dava lugar \u00e0 espontaneidade brasileira em fonemas curtos e profundos: \u201cBom dia!\u201d, \u201cOpa!\u201d, \u201cSim, sim!\u201d, o cauteloso \u201cVamos ver!\u201d, o tipicamente expressivo e de raiz brasileira \u201cAnram!\u201d, al\u00e9m dos afetuosos \u201cMeu amigo!\u201d, \u201cToma cuidado!\u201d e \u201cMuito bom!\u201d. S\u00e3o pequenas chaves lingu\u00edsticas que deixam de ser simples voc\u00e1bulos para se tornarem monumentos na mem\u00f3ria afetiva do grupo em miss\u00e3o \u2014 est\u00edmulos permanentes para desbravarem as entranhas culturais e eclesiais das Igrejas Locais onde ir\u00e3o servir.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cForam 90 dias de curso para o bem-estar de todos voc\u00eas. O Centro Cultural Mission\u00e1rio tem a miss\u00e3o de acolher, acompanhar, formar e enviar mission\u00e1rios de outros pa\u00edses para bem servir ao Povo de Deus. A presen\u00e7a de voc\u00eas \u00e9 sinal de uma Igreja viva, mission\u00e1ria e acolhedora. N\u00e3o tenham medo desse novo passo na jornada mission\u00e1ria! Voc\u00eas ser\u00e3o muito bem acolhidos nas diversas regi\u00f5es do Brasil. O povo brasileiro \u00e9 acolhedor e continuar\u00e1 ajudando voc\u00eas a aprofundarem a l\u00edngua portuguesa, a cultura e a religiosidade\u201d, refor\u00e7ou o diretor-geral.<\/p><\/blockquote>\n<h3>Atravessando os desertos do desterro<\/h3>\n<p>A travessia, contudo, n\u00e3o se faz sem desertos. O saudoso Papa Francisco, cujo magist\u00e9rio continua a iluminar os passos da Igreja, lembrava na exorta\u00e7\u00e3o Evangelii Gaudium que o verdadeiro mission\u00e1rio jamais deixa de ser disc\u00edpulo: ele sabe que Jesus caminha, fala, respira e trabalha ao seu lado, sentindo-O vivo no cora\u00e7\u00e3o da tarefa evangelizadora. \u201c\u00c9 essa certeza m\u00edstica que ancora voc\u00eas aqui no Brasil diante dos desafios inevit\u00e1veis do desterro: a solid\u00e3o das noites, a saudade, a tristeza sutil da dist\u00e2ncia, as perdas deixadas al\u00e9m-mar, os atritos naturais da conviv\u00eancia e as frustra\u00e7\u00f5es moment\u00e2neas que nascem do cansa\u00e7o di\u00e1rio\u201d, animou o diretor do CCM.<\/p>\n<p>Ele lembrou ainda que, ecoando essa mesma m\u00edstica, o Papa Le\u00e3o XIV, em sua mensagem para o 100\u00ba Dia Mundial das Miss\u00f5es celebrado neste ano, enfatizou que \u201cno centro da miss\u00e3o est\u00e1 o mist\u00e9rio da uni\u00e3o com Cristo\u201d. \u00c9 a uni\u00e3o \u00edntima com o Transcendente que resgata a alegria e transfigura as dificuldades em frutos maduros. Os vinte e sete rostos que agora se despedem de Bras\u00edlia s\u00e3o compreendidos pela Igreja que os acolhe como puros dons divinos \u2013 sementes vivas prontas para florescer e fecundar a f\u00e9 de tantas outras pessoas.<\/p>\n<h3>Vozes que contam a hist\u00f3ria<\/h3>\n<p>As narrativas particulares que se cruzaram no CCM traduzem a profundidade desses tr\u00eas meses. O Padre Joshua Tinourtob Bol, mission\u00e1rio do Verbo Divino vindo do Gana e cujo destino ser\u00e1 a Arquidiocese de Curitiba, no Paran\u00e1, resume a experi\u00eancia em tom de profunda gratid\u00e3o:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cFoi um tempo muito especial que marcou minha vida em tr\u00eas partes: l\u00edngua, miss\u00e3o e cultura. Experi\u00eancia com a l\u00edngua: minha professora Yasmin sempre dizia que o objetivo da l\u00edngua n\u00e3o \u00e9 ser perfeito, mas \u00e9 comunicar. Comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 entender, falar, escrever e ler. Estudar em grupo trouxe apoio e motiva\u00e7\u00e3o. Experi\u00eancia mission\u00e1ria: na entrada do CCM, h\u00e1 uma frase que diz: &#8216;O CCM \u00e9 um lugar onde a cultura encontra a miss\u00e3o&#8217;. Isso foi verdade para mim. Aprender portugu\u00eas me ajudou a viver a miss\u00e3o de forma mais simples e bonita. Descobri que a miss\u00e3o \u00e9 escutar e caminhar ao lado das pessoas que sempre me receberam com carinho. Experi\u00eancia cultural: conhecer tradi\u00e7\u00f5es e costumes do Brasil foi muito legal. Participei de festas. Provei comida t\u00edpica do Brasil com feijoada, p\u00e3o de queijo e ouvi m\u00fasica brasileira. Vi como cada regi\u00e3o tem sua beleza. Isso me ensinou a respeitar a diferen\u00e7a e a valorizar as belezas da cultura brasileira. Ent\u00e3o, esse tempo foi mais do que aprender uma l\u00edngua. Foi uma experi\u00eancia de crescimento, servi\u00e7o e integra\u00e7\u00e3o cultural. Sou muito grato pela oportunidade. Eu quero levar esses aprendizados para futuras miss\u00f5es. Muito obrigado!\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Da mesma forma, a leiga hondurenha Lilian Azucena Sanches Herrera, membra da Sociedade de Miss\u00f5es Estrangeiras e que agora parte para os desafios amaz\u00f4nicos na arquidiocese de Manaus (AM), sintetiza sua viv\u00eancia sob a \u00f3tica da vida comunit\u00e1ria:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cMeu sentimento \u00e9 de gratid\u00e3o por tudo o que eu aprendi da l\u00edngua portuguesa, pelas experi\u00eancias mission\u00e1rias nas par\u00f3quias e com as fam\u00edlias. Isso me ajudar\u00e1 na integra\u00e7\u00e3o com a realidade local no Brasil. Sou muito agradecida pela viv\u00eancia comunit\u00e1ria, no interc\u00e2mbio entre participantes de diferentes culturas, nos momentos de ora\u00e7\u00e3o juntos e juntas. Foi maravilhoso ter essas experi\u00eancias de rela\u00e7\u00f5es fraternas. Deus aben\u00e7oe, gratid\u00e3o para cada uma das pessoas que estavam presentes para que n\u00f3s tiv\u00e9ssemos tudo o que precis\u00e1vamos. Deus aben\u00e7oe, boa miss\u00e3o!\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Ao final do ciclo, o Centro Cultural Mission\u00e1rio cumpre mais uma vez o seu destino de ser porto e farol. Os vinte e sete mission\u00e1rios deixam Bras\u00edlia munidos n\u00e3o apenas de conhecimento, mas de uma nova identidade cultural. O sotaque ainda estrangeiro agora carrega a do\u00e7ura e o vigor da terra brasileira. Eles partem convictos de que a l\u00edngua aprendida j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma barreira, mas o sacramento da comunh\u00e3o e do caminhar conjunto com o Povo de Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<pre>Por Osnilda Lima<\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Bras\u00edlia, a 129\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Centro de Forma\u00e7\u00e3o Intercultural encerra ciclo de noventa dias, transformando vinte e sete vozes estrangeiras em uma s\u00f3 melodia brasileira: viver a anunciar o Evangelho. Celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica marcada pelo agradecimento foi presidida por dom Ricardo Hoespers, secret\u00e1rio-geral da CNBB<\/p>\n","protected":false},"author":38,"featured_media":1000899,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[871,1841],"tags":[1173,4570],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/1000898"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/38"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=1000898"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/1000898\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1000901,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/1000898\/revisions\/1000901"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media\/1000899"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=1000898"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=1000898"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=1000898"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}