{"id":1003182,"date":"2026-07-27T12:47:37","date_gmt":"2026-07-27T15:47:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/?p=1003182"},"modified":"2026-07-27T12:49:04","modified_gmt":"2026-07-27T15:49:04","slug":"partilhar-sempre-o-pao-nosso-de-cada-dia-a-luz-do-xviii-domingo-t-comum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/partilhar-sempre-o-pao-nosso-de-cada-dia-a-luz-do-xviii-domingo-t-comum\/","title":{"rendered":"Partilhar sempre o p\u00e3o nosso de cada dia \u00e0 luz do XVIII Domingo do Tempo Comum"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>Dom Vilson Dias de Oliveira<\/strong><br \/>\n<strong>Bispo Em\u00e9rito de Limeira (SP)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste m\u00eas de agosto, no qual a Igreja no Brasil nos convida a meditar sobre o M\u00eas Vocacional, a liturgia do XVIII Domingo do Tempo Comum coloca diante de nossos olhos uma das imagens mais belas e provocadoras do Evangelho: um altar erguido no deserto, onde quem alimenta a multid\u00e3o \u00e9 o pouco partilhado pelos mais simples. Jesus acaba de receber a not\u00edcia da morte violenta de Jo\u00e3o Batista. Sentindo o peso do luto, Ele busca o sil\u00eancio, mas a multid\u00e3o o alcan\u00e7a no deserto. Ali, entre homens, mulheres e crian\u00e7as que n\u00e3o tinham recursos para comprar nada, d\u00e1-se a grande revela\u00e7\u00e3o do Reino de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando os disc\u00edpulos prop\u00f5em uma solu\u00e7\u00e3o tipicamente mercadol\u00f3gica, sugerindo despedir o povo para que este v\u00e1 \u00e0s aldeias comprar comida, Jesus rompe a l\u00f3gica do consumo e decreta: &#8220;Dai-lhes v\u00f3s mesmos de comer.&#8221; Ao olhar para aquele deserto, os disc\u00edpulos viram apenas escassez, mas Jesus olha para a periferia da sociedade e enxerga nela o germe do Reino. Os cinco p\u00e3es e dois peixes n\u00e3o vieram dos banquetes dos pal\u00e1cios de Herodes, nem das bolsas dos grandes comerciantes de Jerusal\u00e9m, vieram da bolsa de quem caminhava a p\u00e9, de quem sabia o que era a incerteza do amanh\u00e3, de quem conhecia o sabor do suor do pr\u00f3prio rosto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Reino de Deus n\u00e3o \u00e9 constru\u00eddo a partir do topo da pir\u00e2mide. A sociedade verdadeiramente sonhada por Deus n\u00e3o nasce das decis\u00f5es dos grandes conglomerados ou do luxo dos poderosos, mas da solidariedade silenciosa, resistente e generosa das camadas mais populares e perif\u00e9ricas. S\u00e3o as m\u00e3os calejadas dos trabalhadores que ensinam \u00e0 Igreja e ao mundo o verdadeiro significado da palavra partilha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 luz desta cena do deserto, a Palavra de Deus nos faz um alerta prof\u00e9tico e urgente sobre o modo como vivemos a nossa f\u00e9 e celebramos os nossos ritos sagrados. Vivemos tempos em que a l\u00f3gica perversa do grande Mercado tenta se infiltrar at\u00e9 mesmo no santu\u00e1rio. Aos poucos, corre-se o risco de transformar a Casa de Deus em uma esp\u00e9cie de shopping center espiritual, onde a f\u00e9 vira mercadoria, a b\u00ean\u00e7\u00e3o vira produto e a Santa Missa se reduz a um passeio de domingo, algo que j\u00e1 se pode ver com facilidade em certos \u201ctemplos\u201d e supostas \u201ccatedrais\u201d erguidos para as celebra\u00e7\u00f5es com tra\u00e7os do \u201cneopentecostalismo\u201d Brasil afora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal reflex\u00e3o \u00e9 extremamente necess\u00e1ria, pois, se a l\u00f3gica do mercado toma conta da comunidade, a Eucaristia \u00e9 desfigurada. Onde deveria haver um altar de irm\u00e3os, cria-se uma vitrine de ostenta\u00e7\u00e3o, onde os lugares de destaque parecem reservados \u00e0queles que ostentam roupas de grife e perfumes caros. O irm\u00e3o mais pobre \u00e9 constrangido: homens e mulheres em situa\u00e7\u00e3o de rua, trabalhadores com suas roupas simples e p\u00e9s cansados olham para dentro de templos opulentos e se sentem intimidados, como se a Casa do Pai n\u00e3o lhes pertencesse. A f\u00e9 se torna higienizada: foge-se do conv\u00edvio com a carne sofredora de Cristo para buscar uma religiosidade est\u00e9tica, confort\u00e1vel e distante do cheiro do povo. Mas o Evangelho de hoje grita o contr\u00e1rio!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A celebra\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio de Deus exige sobriedade, dignidade, f\u00e9 e, acima de tudo, comunh\u00e3o. A Santa Missa n\u00e3o \u00e9 um espet\u00e1culo para ser assistido por uma elite, mas o Banquete do Reino, onde o \u00fanico terno exigido \u00e9 a veste da caridade e da humildade. N\u00e3o podemos aceitar uma f\u00e9 manipulada por investidas comerciais, desvinculadas do prior da Caridade. Isto conduziria o templo a um lugar de exclus\u00e3o social. Se os nossos ritos n\u00e3o nos abrirem para o abra\u00e7o ao irm\u00e3o de rua, se a nossa comunh\u00e3o no altar n\u00e3o nos fizer combater a injusti\u00e7a que gera a fome, ent\u00e3o a nossa celebra\u00e7\u00e3o corre o risco de se tornar um teatro social e vazio, pois a dignidade da liturgia n\u00e3o est\u00e1 no luxo das pedras ou no ouro das molduras, mas na verdade dos cora\u00e7\u00f5es que se re\u00fanem em torno da Mesa, em torno do Altar; est\u00e1 na acolhida fraterna ao que nada tem, no olhar sem preconceito, no abra\u00e7o da paz que n\u00e3o escolhe classe social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste m\u00eas vocacional, onde renovamos o nosso compromisso de crist\u00e3os que somos, que o Evangelho da multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es nos desinstale, de modo a rejeitarmos veemente a religiosidade do consumo, cientes de que a Deus n\u00e3o se compra, antes se encontra no Cristo vivo que se doa no P\u00e3o e que se revela no irm\u00e3o. Que aprendamos com o Santo Evangelho a edificar uma Igreja de portas abertas, de modo que nossas comunidades e par\u00f3quias sejam lugares onde o pobre se sinta em casa, onde o trabalhador seja respeitado e onde a simplicidade seja a nossa maior beleza. Que cres\u00e7amos na valoriza\u00e7\u00e3o e no reconhecimento da for\u00e7a perif\u00e9rica, a qual, mesmo no &#8220;pouco&#8221;, sabe colocar tudo nas m\u00e3os de Deus, confiante de que Ele multiplica e n\u00e3o deixa faltar o arroz e o feij\u00e3o de cada dia. Que o Senhor purifique a nossa f\u00e9, nos afaste de todas as ilus\u00f5es da ostenta\u00e7\u00e3o e nos fa\u00e7a, a exemplo dos disc\u00edpulos no deserto, construtores de um Reino onde ningu\u00e9m passe fome e onde todos tenham lugar no banquete do Senhor. Am\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Vilson Dias de Oliveira Bispo Em\u00e9rito de Limeira (SP) &nbsp; Neste m\u00eas de agosto, no qual a Igreja no Brasil nos convida a meditar sobre o M\u00eas Vocacional, a liturgia do XVIII Domingo do Tempo Comum coloca diante de nossos olhos uma das imagens mais belas e provocadoras do Evangelho: um altar erguido no &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/partilhar-sempre-o-pao-nosso-de-cada-dia-a-luz-do-xviii-domingo-t-comum\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Partilhar sempre o p\u00e3o nosso de cada dia \u00e0 luz do XVIII Domingo do Tempo Comum<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":157,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"rs_blank_template":"","rs_page_bg_color":"","slide_template_v7":"","site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/1003182"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/157"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=1003182"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/1003182\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1003185,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/1003182\/revisions\/1003185"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=1003182"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=1003182"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=1003182"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}