{"id":10384,"date":"2009-01-31T00:00:00","date_gmt":"2009-01-31T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/povos-de-vida-coletiva-sao-os-que-mais-preservam-o-meio-ambiente-afirma-antropologo\/"},"modified":"2009-01-31T00:00:00","modified_gmt":"2009-01-31T02:00:00","slug":"povos-de-vida-coletiva-sao-os-que-mais-preservam-o-meio-ambiente-afirma-antropologo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/povos-de-vida-coletiva-sao-os-que-mais-preservam-o-meio-ambiente-afirma-antropologo\/","title":{"rendered":"Povos de vida coletiva s\u00e3o os que mais preservam o meio ambiente, afirma antrop\u00f3logo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">O antrop\u00f3logo e professor na Universidade Federal da Amaz\u00f4nia, Alfredo Wagner, afirmou que os povos de forma de vida coletiva como os ind\u00edgenas, quilombolas,<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">quebradeiras de coco, ribeirinhos, peconheiros, pia\u00e7abeiros, ciganos s\u00e3o os que mais preservam o meio ambiente. \u201cAs empresas mineradoras s\u00e3o as que mais estragam o meio ambiente\u201d, disse Wagner.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O antrop\u00f3logo participou ontem do painel \u201cTerritorialidade e Popula\u00e7\u00f5es tradicionais no Brasil\u201d, promovido pela Tenda Ir. Dorothy, no F\u00f3rum Social Mundial. O painel foi organizado pelo Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (CIMI) e pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Wagner \u00e9 respons\u00e1vel pela pesquisa de mapeamento social das novas identidades coletivas que est\u00e1 sendo feita pela UFAM. De acordo com o professor, a pesquisa procura saber como esses povos vivem e como fazem para defender seus direitos, sua etnia e seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A procuradora da rep\u00fablica, D\u00e9bora Duprat, mostrou a diferen\u00e7a entre terra e territ\u00f3rio. \u201cTerrit\u00f3rio \u00e9 espa\u00e7o de acolhimento, terra, de beliger\u00eancia\u201d, disse. Segundo afirmou, o territ\u00f3rio est\u00e1 fora do conceito pol\u00edtico, econ\u00f4mico e jur\u00eddico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;Est\u00e1 fora do conceito pol\u00edtico porque, em quest\u00e3o de direitos humanos, a maioria n\u00e3o pode decidir pela minoria\u201d, explicou. \u201cEst\u00e1 fora tamb\u00e9m do conceito econ\u00f4mico porque as terras n\u00e3o podem ser alienadas e do jur\u00eddico porque o direito fundamental n\u00e3o pode ser restringido por nenhuma lei\u201d, completou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Duprat mostrou-se preocupada com a a\u00e7\u00e3o do judici\u00e1rio nestas quest\u00f5es. \u201cO judici\u00e1rio trata os territ\u00f3rios como se fossem terras privadas\u201d, observou, apontando, como exemplo, as 18 condicionantes que o STF est\u00e1 colocando no julgamento da homologa\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas Raposa Serra do Sol.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify\">Ind\u00edgenas<\/h5>\n<p style=\"text-align: justify\">O l\u00edder ind\u00edgena Dionito Jos\u00e9 Macuxi, de Roraima, explicou a import\u00e2ncia da terra para os povos ind\u00edgenas e protestou contra o julgamento da Terra Ind\u00edgena Raposa Serra do Sol pelo Supremo Tribunal Federal. \u201cA terra est\u00e1 sendo julgada no STF como se os \u00edndios fossem bandidos\u201d, reclamou. Ele rebateu, tamb\u00e9m, os que contestam a demarca\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas. \u201cCom rel\u00f3gio ou sem rel\u00f3gio, eu sou \u00edndio, mas sem a terra, deixo de ser \u00edndio\u201d, destacou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Dionito ressaltou a presen\u00e7a e o apoio da Igreja Cat\u00f3lica \u00e0 causa dos ind\u00edgenas. \u201cSomente a Igreja Cat\u00f3lica ajudou o \u00edndio a reconhecer sua cultura e n\u00e3o arredou o p\u00e9 um s\u00f3 minuto\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O presidente do CIMI, dom Erwin Krautler, tamb\u00e9m defendeu o direito \u00e0 terra dos ind\u00edgenas. \u201cOs \u00edndios t\u00eam direito \u00e0s suas terras ancestrais. Isso est\u00e1 garantido na Constitui\u00e7\u00e3o Federal, no artigo 231\u201d, disse dom Erwin.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O bispo condenou as \u201cfal\u00e1cias\u201d que s\u00e3o divulgadas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s terras ind\u00edgenas. \u201cMuitos dizem: \u2018\u00e9 muita terra para pouco \u00edndio\u2019. Isso \u00e9 uma fal\u00e1cia. Para eles, a terra \u00e9 m\u00e3e, e n\u00e3o se parte a m\u00e3e ao meio\u201d. Outra fal\u00e1cia, segundo dom Erwin, \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o de que a demarca\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas coloca em risco a soberania nacional. \u201cIsso \u00e9 uma mentira. As terras ind\u00edgenas nunca deixaram de ser brasileiras\u201d.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify\">Quilombolas<\/h5>\n<p style=\"text-align: justify\">Do Maranh\u00e3o vieram as experi\u00eancias dos Quilombolas e das Quebradeiras de Coco. A ex-vereadora Eunice contou sua luta pelo reconhecimento do territ\u00f3rio Quilombola onde mora. Por causa de sua milit\u00e2ncia, sofreu amea\u00e7as, mas afirma que n\u00e3o tem medo. \u201cQuem tem consci\u00eancia, n\u00e3o tem medo\u201d, diz com convic\u00e7\u00e3o. Com muita consci\u00eancia pol\u00edtica, \u00e9 contra o agroneg\u00f3cio. \u201cEsses projetos de agroneg\u00f3cio n\u00e3o trazem vida para ningu\u00e9m\u201d.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify\">Quebradeiras de Coco<\/h5>\n<p style=\"text-align: justify\">Maria Ala\u00eddes \u00e9 l\u00edder das Quebradeiras de Coco Baba\u00e7u no interior do Maranh\u00e3o. Ela explicou a organiza\u00e7\u00e3o e a resist\u00eancia das mulheres na preserva\u00e7\u00e3o de seu trabalho por causa do latif\u00fandio na regi\u00e3o. \u201cTivemos que enfrentar a pol\u00edcia para preservar o baba\u00e7ual. Houve muito sangue derramado\u201d, recorda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sua milit\u00e2ncia a levou ao engajamento pol\u00edtico e foi vereadora em seu munic\u00edpio durante dois mandatos. Na C\u00e2mara Municipal, conseguiu a aprova\u00e7\u00e3o da Lei Baba\u00e7u Livre que considera a atividade das Quebradeiras de Coco como extrativista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">J\u00e1 Maria de Jesus, ou simplesmente Dij\u00e9, como faz quest\u00e3o de ser chamada, arrancou aplausos da assembl\u00e9ia ao falar de sua participa\u00e7\u00e3o na organiza\u00e7\u00e3o das Quebradeiras de Coco. \u201cEstou com 58 anos e pensava: \u2018quando minha filha ca\u00e7ula tiver 15 anos, j\u00e1 n\u00e3o precisarei mais lutar por esta causa\u2019. Mas vi que agora \u00e9 que minha luta come\u00e7ou\u201d, disse entusiasmada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cN\u00f3s (Quebradeiras de Coco) temos tr\u00eas identidades: somos mulher, somos negras, mas precisamos descontruir o conceito de negritude imposto pela escola, e temos uma profiss\u00e3o: somos quebradeiras de coco\u201d, afirmou orgulhosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sobre a dificuldade de conseguir e manter as terras de baba\u00e7u, Dij\u00e9 n\u00e3o vacila. \u201cPrecisamos de terra para viver, ningu\u00e9m vive no ar\u201d. Os enfrentamentos pela conquista deste direito tamb\u00e9m foi ressaltado por Dij\u00e9. \u201cAntes, eles mandavam a pol\u00edcia porque era a ditadura, agora \u00e9 porque vivemos numa falsa democracia\u201d, disse sob os aplausos entusiasmados da assembl\u00e9ia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O antrop\u00f3logo e professor na Universidade Federal da Amaz\u00f4nia, Alfredo Wagner, afirmou que os povos de forma de vida coletiva como os ind\u00edgenas, quilombolas,<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[829],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/10384"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=10384"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/10384\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=10384"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=10384"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=10384"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}