{"id":10419,"date":"2013-11-08T00:00:00","date_gmt":"2013-11-08T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/meio-ambiente-desafia\/"},"modified":"2013-11-08T00:00:00","modified_gmt":"2013-11-08T02:00:00","slug":"meio-ambiente-desafia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/meio-ambiente-desafia\/","title":{"rendered":"Meio ambiente desafia"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: right\">Dom Walmor Oliveira de Azevedo<br \/>\nArcebispo de Belo Horizonte (MG)<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify\">O meio ambiente n\u00e3o \u00e9 simplesmente uma fonte de explora\u00e7\u00e3o, que existe com o prop\u00f3sito de sustentar uma produ\u00e7\u00e3o insaci\u00e1vel. A natureza \u00e9 generosa, mas n\u00e3o consegue acompanhar a din\u00e2mica que produz o ilimitado desejo de lucrar. A posi\u00e7\u00e3o de quem se fundamenta apenas pela l\u00f3gica do lucro, compreendendo-o como ideal de crescimento, produz um buraco que atinge o sentido indispens\u00e1vel e insubstitu\u00edvel da solidariedade. Deste modo, compromete o grande e \u00fanico rem\u00e9dio que garante o equil\u00edbrio da sociedade. <!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o incomum, de uma fam\u00edlia que se sustenta com uma quantia monet\u00e1ria significativa e, por um determinado motivo, precisa diminuir seus gastos, ilustra o argumento de que a gan\u00e2ncia que se estabelece a partir da l\u00f3gica do lucro desenfreado causa, na verdade, preju\u00edzos. \u00a0Quando, por algum fator ou injun\u00e7\u00e3o, esta fam\u00edlia precisa reduzir seus gastos porque teve diminu\u00edda sua renda, mesmo contando com mais recursos que uma fam\u00edlia pobre, instala-se uma crise de todo tamanho. A vida parece chegar ao fim, imposs\u00edvel de ser tocada adiante. N\u00e3o se consegue fazer um racioc\u00ednio que adote com facilidade, simplicidade e austeridade um modo diferente e adaptado de viver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nessa pir\u00e2mide injusta que configura o cen\u00e1rio das sociedades, prevalece o racioc\u00ednio de que \u00e9 preciso ganhar e ajuntar sempre mais. Uma din\u00e2mica que gera a frieza do materialismo, ilusoriamente produtor de prazeres e comodidades, que cega a compet\u00eancia cidad\u00e3 da solidariedade, a exig\u00eancia da f\u00e9 crist\u00e3 de uma vida simples, comprometida com o bem de todos, particularmente com as necessidades e urg\u00eancias que afligem os mais pobres e miser\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A explora\u00e7\u00e3o perversa do meio ambiente, tratamento inadequado da natureza, cria\u00e7\u00e3o e dom de Deus, \u00e9 resultado da necessidade impulsiva e descontrolada de satisfazer os prop\u00f3sitos de quem produz e de quem consome. As degrada\u00e7\u00f5es que se pode visitar e conhecer, nos diferentes cen\u00e1rios &#8211; da natureza devastada e at\u00e9 a miserabilidade social estabelecida &#8211; s\u00e3o frutos deste modo de tratamento. \u00c9 uma perda irracional do sentido mais aut\u00eantico da vida, constitu\u00eddo pela solidariedade. Nasce e se desenvolve assim a l\u00f3gica do lucro desenfreado, at\u00e9 com respaldo legal, por for\u00e7a de hermen\u00eauticas n\u00e3o suficientemente l\u00facidas quanto ao tratamento do meio ambiente, da explora\u00e7\u00e3o da natureza com a consequente cria\u00e7\u00e3o de estilos de vida que nos distanciam da nossa pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o humana, nos adoecendo em todos os sentidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Se somos um mundo mais desenvolvido, com mais facilidades e oportunidades, somos tamb\u00e9m um mundo mais doente. \u00a0E nossa vida est\u00e1 mais distante da indispens\u00e1vel proximidade com a natureza. Esta dist\u00e2ncia gera e alimenta a perversidade de tratamentos, a prioriza\u00e7\u00e3o de interesses mesquinhos e a constitui\u00e7\u00e3o de projetos que \u201cfazem figura\u201d, produzem \u201cvista grossa\u201d de \u00f3rg\u00e3os reguladores e controladores, um desrespeito ao sentido humano, espiritual e cultural que vem da hist\u00f3ria de um povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Qualquer projeto ambiental ou desenvolvimentista, mesmo antes de respaldo legal, at\u00e9 mesmo da sua intelig\u00eancia t\u00e9cnica, para n\u00e3o ser imposi\u00e7\u00e3o e n\u00e3o criar desconfortos e confrontos com o senso comum do povo, precisa se desenvolver a partir de um processo de escuta. \u00c9 necess\u00e1rio escutar mais, n\u00e3o simplesmente no contexto de uma audi\u00eancia p\u00fablica, valendo-se de informa\u00e7\u00f5es que precisam da checagem de sua exatid\u00e3o e veracidade. Esse exerc\u00edcio \u201cda escuta\u201d precisa ocorrer n\u00e3o apenas em inst\u00e2ncias governamentais ou jur\u00eddicas. A inst\u00e2ncia do senso comum que est\u00e1 na opini\u00e3o do povo \u00e9 um elemento insubstitu\u00edvel, que se n\u00e3o for respeitado pode transformar-se em manifesta\u00e7\u00f5es com o objetivo de conter perversidades, indiferen\u00e7as e autoritarismos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Royalties s\u00e3o necess\u00e1rios? Natureza, patrim\u00f4nio cultural, religiosidade, valores e vida simples s\u00e3o mais importantes. Em quest\u00e3o est\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o do homem com Deus; e n\u00e3o simplesmente do homem com seus interesses lucrativos. Na rela\u00e7\u00e3o com Deus, surge uma din\u00e2mica importante que pode fazer nascer a possibilidade \u00fanica de mudar cen\u00e1rios desumanos. Trata-se do caminho a ser seguido para que os projetos de explora\u00e7\u00e3o da natureza considerem as dimens\u00f5es todas, especialmente aquela que se refere ao respeito e preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Walmor Oliveira de Azevedo Arcebispo de Belo Horizonte (MG) O meio ambiente n\u00e3o \u00e9 simplesmente uma fonte de explora\u00e7\u00e3o, que existe com o prop\u00f3sito de sustentar uma produ\u00e7\u00e3o insaci\u00e1vel. A natureza \u00e9 generosa, mas n\u00e3o consegue acompanhar a din\u00e2mica que produz o ilimitado desejo de lucrar. 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