{"id":10704,"date":"2008-09-19T00:00:00","date_gmt":"2008-09-19T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/caminhos-da-missao-em-mocambique-1\/"},"modified":"2008-09-19T00:00:00","modified_gmt":"2008-09-19T03:00:00","slug":"caminhos-da-missao-em-mocambique-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/caminhos-da-missao-em-mocambique-1\/","title":{"rendered":"Caminhos da miss\u00e3o em Mo\u00e7ambique"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Um m\u00eas j\u00e1 se passou na miss\u00e3o em mossa Igreja irm\u00e3 de Mo\u00e7ambique. Escrever em meio a tantas experi\u00eancias \u00e9 f\u00e1cil e complexo. F\u00e1cil porque tenho necessidade<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">de relatar tantas novidades, complexo porque \u00e9 arriscado em t\u00e3o pouco tempo traduzir em palavras o que vejo, ou\u00e7o e sinto. Fico tamb\u00e9m imaginando no que pensar\u00e3o os leitores destas cartas. Quais seriam suas d\u00favidas? O que diriam se estivem aqui?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na conversa com o arcebispo de Nampula, Dom Tom\u00e9, fiquei impressionado com o cen\u00e1rio de atendimento \u00e0s par\u00f3quias. Das quarenta e duas, quinze est\u00e3o sem padre, algumas a mais de dez anos. Aqui as par\u00f3quias s\u00e3o realmente grandes em n\u00famero de comunidades e dist\u00e2ncias. Claro que o cen\u00e1rio \u00e9 outro e tamb\u00e9m os desafios pastorais s\u00e3o distintos dos nossos no sul do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Eu e o padre Fabiano, atendemos duas par\u00f3quias com cento e quarenta comunidades. Gostaria de apresentar alguns dados para compreenderem esta realidade. S\u00f3 na par\u00f3quia de Micane que atendemos existem quatorze mil crist\u00e3os, o que representa seis por cento da popula\u00e7\u00e3o. Os demais s\u00e3o praticamente todos mul\u00e7umanos e de outras igrejas evang\u00e9licas. O nome crist\u00e3o aqui significa e se identifica com o batismo e participa\u00e7\u00e3o na comunidade atrav\u00e9s dos minist\u00e9rios e partilha no dizimo. Todos os crist\u00e3os s\u00e3o dizimistas e participantes das celebra\u00e7\u00f5es. Aqui n\u00e3o h\u00e1 o termo cat\u00f3lico n\u00e3o praticante, todos cat\u00f3licos praticam a sua f\u00e9. Nesta par\u00f3quia s\u00f3 nestes \u00faltimos oito meses o Pe.Fabiano realizou mil batismos. Sendo setenta por cento de adultos n\u00e9o convertidos que participaram quatro anos da catequese de inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3. No distrito de Moma onde residimos a m\u00e9dia de crist\u00e3os cai para dois e meio por cento. H\u00e1 mesquistas em toda parte, havendo boa conviv\u00eancia entre as religi\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na sombra\u00a0 das mangueiras, celebramos os sacramentos e temos momentos de intensa conviv\u00eancia. S\u00e3o visitas preparadas e esperadas a longo tempo. Na chegada da equipe mission\u00e1ria a comunidade entoa: \u201cChegou o dia prometido\u201d. Preparam tudo em clima de festa. Oferecem o que tem de melhor. As fam\u00edlias trazem seus alimentos para serem preparados e partilhados. \u00c9 bonito de ver a partilha acontecendo. Ao redor do mesmo prato de karacata preparado a base mandioca seca, est\u00e3o crian\u00e7as, jovens e adultos. A chegada dos mission\u00e1rios \u00e9 sempre na v\u00e9spera dos sacramentos. H\u00e1\u00a0 pouco tempo para conviver, contudo muito intenso. Quando sa\u00edmos, n\u00e3o sabemos quando ser\u00e1 a pr\u00f3xima visita. Talvez depois de um ano ou mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nestas visitas me marcam de forma particular a maneira com que somos esperados e visados. Todos os olhos, desde a crian\u00e7a at\u00e9 idosos, est\u00e3o fixos em n\u00f3s. \u00c9 uma esp\u00e9cie de fato que se torna acontecimento. Qualquer gesto, palavra ou mesmo fotografia que registramos tornam-se evento \u00fanico que desperta naquela multid\u00e3o um mistura de curiosidade e alegria pela visita t\u00e3o diferente. Algumas crian\u00e7as correm de medo e choram pela presen\u00e7a de um branco na comunidade, mucunha como costumam chamar. Dedico muito tempo em inventar brincadeiras e tentar qualquer tipo de comunica\u00e7\u00e3o com eles, j\u00e1 que n\u00e3o falo a l\u00edngua Makua. Ao se verem nas fotos ficam perplexos. \u00c9 algo inexplic\u00e1vel a repercuss\u00e3o de nossas visitas. Sentem-se reconhecidos pela nossa simples presen\u00e7a. L\u00e1 n\u00e3o chegam autoridades civis, enfermeiros ou m\u00e9dicos. As curtas estradas que cortam as ro\u00e7as costumam s\u00f3 passar o carro da equipe mission\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Daqui de nossa pobre Igreja irm\u00e3, dirijo meu apelo a Igreja do Rio Grande do Sul que pense, neste tempo de despertar da consci\u00eancia mission\u00e1ria, no envio de novos mission\u00e1rios e mission\u00e1rias, leigos(as), religiosos (as) de modo particular presb\u00edteros que ousam percorrer caminhos da radicalidade evang\u00e9lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pe. Maur\u00edcio da Silva Jardim<br \/>Mission\u00e1rio em Mo\u00e7ambique<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um m\u00eas j\u00e1 se passou na miss\u00e3o em mossa Igreja irm\u00e3 de Mo\u00e7ambique. Escrever em meio a tantas experi\u00eancias \u00e9 f\u00e1cil e complexo. 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