{"id":10782,"date":"2009-08-19T00:00:00","date_gmt":"2009-08-19T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/diversos-tipos-de-fome\/"},"modified":"2009-08-19T00:00:00","modified_gmt":"2009-08-19T03:00:00","slug":"diversos-tipos-de-fome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/diversos-tipos-de-fome\/","title":{"rendered":"Diversos tipos de fome"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">O m\u00e1ximo desejo do cora\u00e7\u00e3o humano \u00e9 uma vida sem fim, a eternidade, a felicidade. Ele \u00e9 ating\u00edvel   <!--more-->  somente por quem se nutre com o alimento que Cristo lhe dar\u00e1, o seu corpo e o seu sangue.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pelo quarto domingo consecutivo, lemos o cap\u00edtulo 6\u00ba do evangelho de Jo\u00e3o onde, como parte central, est\u00e1 o discurso de Jesus sobre o p\u00e3o da vida. \u00c9 oportunidade para interrogar-nos sobre os desejos do nosso cora\u00e7\u00e3o, se entre eles est\u00e1 a fome de Deus, e a que ponto esse desejo se encontra na escala dos valores\u00a0 que contam de verdade. \u00c0s vezes temos dificuldade de olhar para o alto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desejo \u00e9 a fome de um cora\u00e7\u00e3o insaci\u00e1vel. Come\u00e7a j\u00e1 desde a inf\u00e2ncia. A fome do desejo se manifesta tamb\u00e9m quando se est\u00e1 satisfeito. Muitas vezes esse cont\u00ednuo desejo \u00e9 causa de infelicidade.\u00a0 S\u00e1bios antigos nos deixaram senten\u00e7as a esse respeito: \u201cQuem muito tem, deseja mais\u201d (S\u00eaneca). \u201cAs coisas dos outros s\u00e3o as que mais nos agradam, e as nossas aos outros\u201d (Publilio Siro). \u201c\u00c9 sempre m\u00edsero aquele que deseja (Claudiano). \u201cNa vida, as coisas que desejamos t\u00eam a especialidade de chegar muito tarde\u201d (Isaac B. Singer). \u201cColoque em uma caixinha um desejo; abre-a; encontrar\u00e1s um desengano\u201d (Pirandello). \u201cCem desejos, cem dores\u201d (Buda).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Existem sem d\u00favida desejos n\u00e3o bons. No Novo Testamento, na carta de Tiago 4, 1-2), encontramos a explica\u00e7\u00e3o: \u201cDe onde v\u00eam as guerras? De onde vem as brigas entre v\u00f3s? N\u00e3o v\u00eam precisamente das paix\u00f5es que est\u00e3o em conflito dentro de v\u00f3s? Cobi\u00e7ais, mas n\u00e3o conseguis ter. Matais, fomentais inveja, mas n\u00e3o conseguis \u00eaxito. Brigais e fazeis guerra, mas n\u00e3o conseguis possuir\u201d. No Dec\u00e1logo existem dois mandamentos: \u201cN\u00e3o desejar a mulher do pr\u00f3ximo\u201d, \u201cN\u00e3o desejar as coisas alheias\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Poderia ent\u00e3o perguntar-se: \u00c9 melhor n\u00e3o desejar? Miguel de Cervantes escreveu: \u201cN\u00e3o desejes, e ser\u00e1s o homem mais rico do mundo\u201d. Tamb\u00e9m o s\u00e1bio S\u00f3crates advertia os atenienses: \u201cMenos desejos temos, e mais nos assemelhamos aos deuses!\u201d Mas no desejo parece que esteja alguma utilidade: Os grandes desejos s\u00e3o necess\u00e1rios \u00e0 humanidade: d\u00e3o-lhe movimento e vida. Gustavo Flaubert dizia: \u201cUma alma se mede pelas dimens\u00f5es de seus desejos, como se julga uma catedral pela altura de seus campan\u00e1rios\u201d. Melhor ainda, pela qualidade dos desejos: \u201cDizei-me que coisa desejas, e eu direi quem \u00e9s\u201d. Por isso \u201cnossos desejos nos definem: somos mais ou menos o que desejamos\u201d (Agostinho Guillerand).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Descobrimos que n\u00e3o temos somente desejos maus, podemos ter tamb\u00e9m uma fome nobre, digna da condi\u00e7\u00e3o humana. N\u00e3o podemos ser sen\u00e3o assim, dado que nascemos do desejo de Deus. Ele nos desejou, e criou-nos \u00e0 sua imagem, por isso capazes do desejo. O pecado nos impele ao mal, mas nos sentimos tamb\u00e9m e sempre reanimados pelo que \u00e9 belo e bom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00f3s nos tocamos sobretudo quando conseguimos fazer um pouco de sil\u00eancio em torno de n\u00f3s. Algo conforme escreveu santo Agostinho no livro das Confiss\u00f5es: \u201cTu nos fizeste para ti, Senhor, e o nosso cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 inquieto enquanto n\u00e3o repousa em ti\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Somos chamados a fazer a grande descoberta: Jesus veio para saciar nosso desejo de Deus, nossa fome de infinito. Jesus, na sinagoga de Cafarnaum, depois do discurso sobre o p\u00e3o da vida, ficou sozinho com os Doze. Perguntou-lhes como provoca\u00e7\u00e3o: \u201cTamb\u00e9m v\u00f3s me quereis deixar\u201d. Coube a Pedro, o costumeiro Pedro dos momentos dif\u00edceis, dar a resposta exata: \u201cMestre, a quem queres que andemos? Somente tu tens palavras de vida eterna\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As palavras de vida eterna, as mais expl\u00edcitas, Jesus as pronunciou na Quinta Feira Santa, antes de ser tra\u00eddo. Palavras sempre desconcertantes: \u201cTomai, comei, bebei: isto \u00e9 o meu corpo, o meu sangue\u201d. Depois acrescentou: \u201cFazei isso em mem\u00f3ria de mim\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00f3s sacerdotes continuamos a repetir as palavras decisivas de Jesus, porque ele as prop\u00f4s, ele no-las deu: \u201cTomai e comei\u201d. Sabendo que cont\u00eam e exprimem um mist\u00e9rio insond\u00e1vel. O mist\u00e9rio de amor de Deus que se d\u00e1. Satisfaz os nossos desejos melhores e sacia a nossa fome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Procuremos ir ao encontro do Senhor com a fome e o desejo de Deus, de coisas limpas, de uma vida em harmonia com os outros, de um encontro com Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Cristo que nos nutre e nos torna melhores com a sua palavra que se faz alimento para a vida deste mundo e a vida eterna.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O m\u00e1ximo desejo do cora\u00e7\u00e3o humano \u00e9 uma vida sem fim, a eternidade, a felicidade. 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