{"id":10785,"date":"2009-07-28T00:00:00","date_gmt":"2009-07-28T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/multiplicar-o-pao\/"},"modified":"2009-07-28T00:00:00","modified_gmt":"2009-07-28T03:00:00","slug":"multiplicar-o-pao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/multiplicar-o-pao\/","title":{"rendered":"Multiplicar o p\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Por cinco domingos nossas comunidades eclesiais v\u00e3o ler e meditar o cap\u00edtulo 6\u00ba do evangelho narrado   <!--more-->  por Jo\u00e3o, come\u00e7ando pela multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es realizada por Jesus, seguida por longo discurso sobre o p\u00e3o da vida na sinagoga de Cafarnaum, com todas as conseq\u00fc\u00eancias tamb\u00e9m para n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No gesto de Jesus que fez a gente sentar-se em torno dele, tomou cinco p\u00e3es e os distribuiu a cinco mil pessoas, vemos o amor de um Deus que veio para estar perto de n\u00f3s querendo preencher com a sua presen\u00e7a o vazio do nosso cora\u00e7\u00e3o, para enriquecer nossas intelig\u00eancias com os valores do Esp\u00edrito, e dar o significado profundo de nossa vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Depois do milagre, a multid\u00e3o queria faz\u00ea-lo rei. Um belo sonho teriam os governantes para resolver os problemas econ\u00f4micos do pais, com a conseq\u00fcente coroa\u00e7\u00e3o do taumaturgo. J\u00e1 o imperador Nero oferecia p\u00e3o e circo para o povo. Mas Jesus pensava e ensinava diversamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Alguma vez a gente n\u00e3o compreendia Jesus. Um risco que tamb\u00e9m n\u00f3s corremos. De fato, com Jesus, caminhamos no sentido de compreender o mist\u00e9rio do seu amor. O verbo de Deus feito homem vindo habitar entre n\u00f3s \u00e9 realidade que ultrapassa a nossa compreens\u00e3o, as nossas expectativas, sobretudo nossos programas humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por que Jesus teve esse gesto de multiplicar os p\u00e3es e os peixes? Por solidariedade com a gente? Certamente. Jesus se comovia diante das multid\u00f5es que lhe pareciam como rebanho sem pastores. Mas n\u00e3o terminava a\u00ed. H\u00e1 algo que a gente n\u00e3o podia atingir, como n\u00e3o compreendiam ainda os ap\u00f3stolos naquele momento. Depois de dois mil anos, podemos entender melhor que, com o milagre da multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es, Jesus queria preparar seus disc\u00edpulos para acolher o mist\u00e9rio indiz\u00edvel da Eucaristia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Verbo encarnado queria tornar-se o Deus \u2018conosco\u2019 para sempre, e a Eucaristia seria a misteriosa modalidade. Jesus queria reunir os seus amigos na maravilhosa realidade social e espiritual que ser\u00e1 a Igreja. E pensou que o banquete eucar\u00edstico deve ser o lugar da unidade. Os seus amigos, encontrando-se com ele e entre si na Eucaristia, teriam depois em si a for\u00e7a e a coragem de mudar o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Jesus deu cumprimento pleno a esse projeto revolucion\u00e1rio na \u00faltima ceia da Quinta Feira Santa, pronunciando as palavras que, por sua ordem, repetimos na missa: \u201cTomai e comei, tomai e bebei: isto \u00e9 meu corpo, este \u00e9 o c\u00e1lice do meu sangue.\u201d Mas para levar seus disc\u00edpulos a acolher o mist\u00e9rio, devia prepar\u00e1-los. E a multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es, gesto simb\u00f3lico, foi o primeiro passo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Se considerarmos com aten\u00e7\u00e3o esse epis\u00f3dio, notamos muitos elementos que evocam a Eucaristia, a missa. A nossa missa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">H\u00e1 o reunir-se de muitas pessoas entorno de Jesus. Vieram para ouvi-lo, para acolher a sua palavra. E Jesus est\u00e1 ali para elas, para escut\u00e1-las, para falar-lhes. Depois executa o gesto. Distribui o p\u00e3o para criar comunh\u00e3o. Um menino p\u00f5e \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o o que tem, p\u00e3o simples, o p\u00e3o dos pobres. Jesus aceita o dom de boa vontade da gente, e cria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Cria algo que nutre todos. Com abund\u00e2ncia. Com despropor\u00e7\u00e3o. Disse o ap\u00f3stolo Filipe: \u201cDuzentos dinheiros de p\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o suficientes. Um dinheiro, moeda, era o sal\u00e1rio de um dia de trabalho. Era necess\u00e1rio muito p\u00e3o. Mas bastou para todos, e houve sobra que encheu doze cestos. Parece a generosidade de nossas m\u00e3es que trazem \u00e0 mesa o alimento a fim de que todos se sirvam e ainda sobre. Assim Jesus preparava seus amigos a compreender o mist\u00e9rio eucar\u00edstico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Jesus dir\u00e1 com poucas palavras simples a seus disc\u00edpulos, e diz tamb\u00e9m a n\u00f3s: \u201cEu sou o p\u00e3o vivo descido do c\u00e9u. A minha carne \u00e9 verdadeiro alimento, meu sangue \u00e9 verdadeira bebida. Quem vem a mim n\u00e3o ter\u00e1 mais fome, quem cr\u00ea em mim n\u00e3o ter\u00e1 mais sede\u201d. Um discurso perempt\u00f3rio para quem escuta: aceit\u00e1-lo ou recus\u00e1-lo. Quem escuta se p\u00f5e pr\u00f3 ou contra Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Muitos se colocam contra Jesus e at\u00e9 querem corrigir o evangelho. E o abandonam. Jesus pergunta: \u201cE v\u00f3s n\u00e3o quereis tamb\u00e9m deixar-me?\u201d E vem a resposta decisiva de Pedro, homem de f\u00e9, homem dos momentos dif\u00edceis: \u201cA quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna\u201d. O significado da distribui\u00e7\u00e3o do p\u00e3o \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o do amor, para os males do mundo a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o: o di\u00e1logo, a verdade, a justi\u00e7a, o perd\u00e3o, a miseric\u00f3rdia, a solidariedade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por cinco domingos nossas comunidades eclesiais v\u00e3o ler e meditar o cap\u00edtulo 6\u00ba do evangelho narrado<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/10785"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=10785"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/10785\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=10785"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=10785"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=10785"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}