{"id":10791,"date":"2009-09-14T00:00:00","date_gmt":"2009-09-14T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-fe-as-obras-e-o-ramada\/"},"modified":"2009-09-14T00:00:00","modified_gmt":"2009-09-14T03:00:00","slug":"a-fe-as-obras-e-o-ramada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-fe-as-obras-e-o-ramada\/","title":{"rendered":"A f\u00e9, as obras e o ramad\u00e3"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Na Missa dos domingos passados lemos, como 2\u00aa. leitura, a Carta de S\u00e3o Tiago. De um lado, ela faz   <!--more-->  um convite \u00e0 perseveran\u00e7a e a ficar firmes na f\u00e9 em meio \u00e0s prova\u00e7\u00f5es; por outro lado, \u00e9 uma chamada \u00e0 viv\u00eancia crist\u00e3 aut\u00eantica, \u00e0 supera\u00e7\u00e3o de certas incoer\u00eancias no comportamento que n\u00e3o ficam bem para os disc\u00edpulos de Cristo, como ter a \u201cl\u00edngua solta\u201d para as maledic\u00eancias ou inj\u00farias contra o pr\u00f3ximo (cf 1,26s; 3,6s).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas ela traz tamb\u00e9m uma forte chamada para a caridade e a justi\u00e7a, como dimens\u00f5es fundamentais da vida crist\u00e3; n\u00e3o se pode ser bom crist\u00e3o, desprezando os pobres ou fechando o cora\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades do pr\u00f3ximo: \u201cmas v\u00f3s desprezais o pobre!\u201d (2,6). A uma comunidade que fazia discrimina\u00e7\u00e3o de pessoas, tratando bem os ricos e desconsiderando os pobres, Tiago recorda as conseq\u00fc\u00eancias concretas do mandamento do amor ao pr\u00f3ximo ensinado por Jesus. Por isso, esta Carta poderia ser considerada a primeira \u201cenc\u00edclica social\u201d do Cristianismo. O papa Bento XVI, de modo semelhante, nos recorda as conseq\u00fc\u00eancias sociais da nossa f\u00e9 num mundo globalizado, na recente enc\u00edclica Caritas in veritate.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas a Carta de S\u00e3o Tiago traz tamb\u00e9m o tema da f\u00e9, que conta alguma coisa, e a f\u00e9 vazia, s\u00f3 de palavras. \u00c9 um tema antigo e sempre atual; nele est\u00e1 o crit\u00e9rio da autenticidade da religi\u00e3o. \u201cIrm\u00e3os, que adianta algu\u00e9m dizer que tem f\u00e9, se n\u00e3o a p\u00f5e em pr\u00e1tica?\u201d pergunta ele (2,14). De fato, dizer \u201csou cat\u00f3lico, mas n\u00e3o sou praticante\u201d, \u00e9 uma contradi\u00e7\u00e3o. \u201cA f\u00e9, se n\u00e3o se traduz em obras, por si s\u00f3 est\u00e1 morta\u201d (2,17). Tiago refere-se \u00e0s \u201cobras da f\u00e9\u201d, que traduzem a f\u00e9 em vida e comportamentos coerentes; sobretudo as atitudes de amor a Deus e ao pr\u00f3ximo, o respeito \u00e0 verdade e \u00e0 honestidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os mu\u00e7ulmanos est\u00e3o na conclus\u00e3o do m\u00eas do jejum sagrado (Ramad\u00e3), durante o qual praticam o jejum, rezam com mais intensidade, v\u00e3o \u00e0s mesquitas ouvir as prega\u00e7\u00f5es e realizam outras atividades religiosas. Algo semelhante \u00e0quilo que os cat\u00f3licos s\u00e3o convidados a fazer durante a Quaresma&#8230; Isso nos questiona, se n\u00f3s tamb\u00e9m realizamos as obras da f\u00e9 t\u00edpicas da f\u00e9 cat\u00f3lica, e n\u00e3o apenas durante a quaresma, mas habitualmente? \u201cMostra-me a tua f\u00e9, sem as obras, que eu te mostrarei a minha f\u00e9 pelas obras\u201d (2,18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Algumas pr\u00e1ticas da nossa f\u00e9 precisam ser recuperadas, se n\u00e3o queremos que o catolicismo fique dilu\u00eddo num discurso gen\u00e9rico, talvez at\u00e9 bonito. Por exemplo, a santifica\u00e7\u00e3o do domingo e a missa dominical: indo \u00e0 igreja, damos testemunho p\u00fablico de nossa f\u00e9 em Deus, alimentamos a vida crist\u00e3 na ora\u00e7\u00e3o, na escuta da Palavra de Deus e na Eucaristia e nos animamos para a viv\u00eancia da esperan\u00e7a e da caridade. Mas tamb\u00e9m o exerc\u00edcio di\u00e1rio da ora\u00e7\u00e3o, como \u00e9 ensinado pela Igreja e de acordo com as devo\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas. E ler a B\u00edblia, Palavra de Deus, com o interesse de quem quer ouvir Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A f\u00e9 cat\u00f3lica, sem a caridade, n\u00e3o \u00e9 aut\u00eantica. Por isso, ela precisa ser traduzida nas pr\u00e1ticas cotidianas de caridade para com o pr\u00f3ximo; \u201cse algu\u00e9m possui riquezas neste mundo e v\u00ea seu irm\u00e3o em necessidade, mas diante dele fecha o cora\u00e7\u00e3o, como pode o amor de Deus permanecer nele? Filhinhos, n\u00e3o amemos s\u00f3 com palavras e de boca, mas com a\u00e7\u00f5es e de verdade\u201d (1Jo 3,17-18). A esmola, a ajuda concreta aos necessitados, o al\u00edvio das dores de quem sofre, o empenho pela justi\u00e7a social e a defesa da dignidade da pessoa e de seus direitos, tudo isso s\u00e3o express\u00f5es concretas da f\u00e9, que opera pela caridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Igreja recomenda, de maneira s\u00e1bia, a pr\u00e1tica das obras de miseric\u00f3rdia, que d\u00e3o um car\u00e1ter concreto \u00e0 nossa f\u00e9: dar de comer a quem tem fome; dar de beber a quem tem sede; vestir quem est\u00e1 sem roupa; abrigar os que n\u00e3o t\u00eam teto; visitar os doentes e os presos, consolar os aflitos, sepultar os mortos&#8230; Ainda recordamos essas coisas, ou achamos que s\u00e3o atitudes \u201cassistencialistas\u201d e, com isso, nos damos por justificados? Mas essas s\u00e3o justamente as obras cobradas no cap\u00edtulo 25 de S.Mateus, na cena do grande julgamento final, quando Jesus dir\u00e1: \u201cfoi a mim que o fizestes&#8230; ou n\u00e3o o fizestes\u201d!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por falar nisso, quando foi a \u00faltima vez que dei uma esmola a algu\u00e9m? Ou visitei um doente? Um preso? Quando foi que socorri algu\u00e9m necessitado?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Missa dos domingos passados lemos, como 2\u00aa. leitura, a Carta de S\u00e3o Tiago. 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