{"id":10792,"date":"2009-08-10T00:00:00","date_gmt":"2009-08-10T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/um-simples-padre-de-aldeia\/"},"modified":"2009-08-10T00:00:00","modified_gmt":"2009-08-10T03:00:00","slug":"um-simples-padre-de-aldeia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/um-simples-padre-de-aldeia\/","title":{"rendered":"Um simples padre de aldeia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">A Igreja recorda o 150o. anivers\u00e1rio da morte de S\u00e3o Jo\u00e3o Maria Vianney, o\u00a0 Cura de Ars, falecido em   <!--more-->  4 de agosto de 1859. Para a maioria dos leitores, certamente, trata-se de um ilustre desconhecido. Ent\u00e3o vamos situ\u00e1-lo no tempo e no espa\u00e7o: de fato, os \u201csantos\u201dcat\u00f3licos n\u00e3o s\u00e3o personagens imagin\u00e1rios nem produto da fantasia, mas pessoas reais e hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nasceu em 8 de maio de 1786, em Dardilly, ao norte de Lyon. Na Fran\u00e7a ouviam-se discursos inflamados por toda parte contra a burguesia e o regime absolutista, reclamando por uma nova ordem social e pol\u00edtica; a Bastilha j\u00e1 balan\u00e7ava e a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa estava para explodir. Tamb\u00e9m contra o clero as invectivas eram virulentas: no velho regime, boa parte dele formava uma classe \u00e0 parte e tinha muitos privil\u00e9gios. A bem da verdade, por\u00e9m, deve-se dizer que, na mesma \u00e9poca, na Fran\u00e7a, tamb\u00e9m floresciam por toda parte obras sociais suscitadas e mantidas pelo clero e pelas organiza\u00e7\u00f5es da Igreja para o benef\u00edcio do povo esquecido e explorado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nesse contexto, o jovem Vianney quis ser padre. N\u00e3o era sem riscos, pois a vigil\u00e2ncia da pol\u00edcia revolucion\u00e1ria estava por toda parte. Durante v\u00e1rios anos, favor\u00e1veis e contr\u00e1rios \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o dividiam dolorosamente a Igreja; s\u00edmbolos religiosos eram varridos dos espa\u00e7os p\u00fablicos por uma onda de intoler\u00e2ncia religiosa, em nome do Estado laico instaurado pela Revolu\u00e7\u00e3o; padres foram perseguidos, jogados na cadeia e tamb\u00e9m assassinados. Quando a paz voltou, Vianney, j\u00e1 com 20 anos, foi ser alfabetizado; queria estudar e na sua aldeia n\u00e3o havia escola. Teve s\u00e9rias dificuldades nos estudos, sobretudo por causa do latim, mat\u00e9ria obrigat\u00f3ria para os estudos eclesi\u00e1sticos e para o desempenho das fun\u00e7\u00f5es sacerdotais. J\u00e1 houve quem o descreveu como \u201cburrinho\u201d, talvez por desprezo, pois sem intelig\u00eancia ele n\u00e3o era. Ao visitar sua humilde casa paroquial em Ars, ainda hoje existente, eu mesmo pude observar ali v\u00e1rios livros bem volumosos, que lhe pertenceram, sublinhados e anotados \u00e0 margem. Eram at\u00e9 muitos para uma \u00e9poca em que os livros n\u00e3o eram abundantes nem acess\u00edveis, como hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Foi ordenado padre em 13 de agosto de 1815, com 29 anos de idade. Pouco mais tarde, o arcebispo de Lyon enviou-o para Ars, camponesa numa regi\u00e3o de bons vinhos, como o Beaujolais&#8230; N\u00e3o longe de l\u00e1, v\u00ea-se ainda o que sobrou da abadia beneditina de Cluny, important\u00edssimo na vida religiosa e civil da Fran\u00e7a durante v\u00e1rios s\u00e9culos. Foi destru\u00edda no tempo da Revolu\u00e7\u00e3o; depois, uma parte pequena foi reerguida, o resto continua em ru\u00ednas. Ars, com cerca de 370 habitantes, tinha fama de \u201cterra sem Deus\u201d, onde f\u00e9 crist\u00e3 e as pr\u00e1ticas religiosas tinham ca\u00eddo no esquecimento. Muitos padres largaram o servi\u00e7o da Igreja, trocando o altar pelas barricadas e o catecismo pelas baionetas; a mentalidade iluminista, o anti-clericalismo e os preconceitos contra a religi\u00e3o haviam lan\u00e7ado ra\u00edzes tamb\u00e9m naqueles ermos distantes de Paris.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao ser nomeado, o Cura recebeu esta recomenda\u00e7\u00e3o: \u201cem Ars n\u00e3o h\u00e1 muito amor a Deus, mas o senhor o despertar\u00e1!\u201d Era como ser mandado ao deserto, para faz\u00ea-lo reflorir&#8230; O Cura n\u00e3o se deixou desanimar e acolheu o encargo como miss\u00e3o recebida de Deus, pondo-se logo a trabalhar. Visitava as fam\u00edlias e as pessoas doentes, rezava muito, estava sempre na igreja, dentro da qual at\u00e9 instalou seu simples dormit\u00f3rio, celebrava as missas, atendia as confiss\u00f5es&#8230; No in\u00edcio, ficava praticamente sozinho; aos poucos, por\u00e9m, o povo reconheceu nele um homem de Deus. Nos \u00faltimos anos de sua vida chegava a passar 16 horas por dia no confession\u00e1rio. Seu modo de falar de Deus (le bon Dieu), sua f\u00e9 l\u00edmpida e a bondade no trato com todos chamaram a aten\u00e7\u00e3o. Seu amor pelos pobres era concreto: dava-lhes tudo, at\u00e9 suas roupas, e o dinheiro nem esquentava em suas m\u00e3os, mas era passado logo aos pobres. Em 1824, fundou a Casa da Provid\u00eancia, inicialmente, uma escola para meninas em geral e, em seguida, s\u00f3 para meninas abandonadas; nesta obra, Vianney conseguiu agregar a solidariedade de muitas pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A obscura aldeia de Ars, aos poucos, tornou-se conhecida em toda a regi\u00e3o e at\u00e9 nos pal\u00e1cios de Paris. O povo chegava em peregrina\u00e7\u00f5es para ver e ouvir o humilde Cura. Eram pessoas simples e tamb\u00e9m instru\u00eddas, que n\u00e3o mediam sacrif\u00edcios para ouvirem suas prega\u00e7\u00f5es e conselhos, para receberem sua b\u00ean\u00e7\u00e3o, rezarem com ele&#8230; Outros famosos talvez ostentavam obras bem mais vistosas, faziam discursos eruditos, contavam com o poder do dinheiro e da for\u00e7a pol\u00edtica. Ele n\u00e3o tinha nada disso para impressionar as massas. Por qual motivo, ent\u00e3o, o povo o procurava? Por qual desejo esperavam horas e horas na fila para se confessarem com ele? Em 1830 passaram por Ars quase 30 mil pessoas, querendo encontrar o Cura; em 1840 come\u00e7ou a funcionar diariamente um servi\u00e7o de dilig\u00eancias, que partiam diretamente de Lyon para Ars. Por que o povo queria ir para Ars? Para ver o qu\u00ea?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para alguns, a resposta a estas perguntas intrigantes pode ser ainda mais intrigante: para ver um simples padre de aldeia, que lhes falava do \u201cbom Deus\u201d. Sem milagres nem mistifica\u00e7\u00f5es. Ele mesmo era um homem de Deus, que comunicava o fasc\u00ednio do amor de Deus \u00e0s pessoas e diante do qual at\u00e9 os pecadores mais empedernidos ca\u00edam de joelhos, pediam o perd\u00e3o de seus pecados e recebiam a paz da consci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por decis\u00e3o de Bento XVI, Vianney \u00e9 o patrono de todos os sacerdotes, comemorado cada ano no dia 4 de agosto. Ainda hoje, muitos padres, a exemplo do Cura de Ars, nos campos e nas metr\u00f3poles, gastam a vida falando do bom Deus e servindo aos irm\u00e3os. Foi pensando neles que escrevi este artigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Igreja recorda o 150o. anivers\u00e1rio da morte de S\u00e3o Jo\u00e3o Maria Vianney, o\u00a0 Cura de Ars, falecido em<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/10792"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=10792"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/10792\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=10792"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=10792"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=10792"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}