{"id":10828,"date":"2009-03-31T00:00:00","date_gmt":"2009-03-31T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/desafio-a-nossa-sociedade\/"},"modified":"2009-03-31T00:00:00","modified_gmt":"2009-03-31T03:00:00","slug":"desafio-a-nossa-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/desafio-a-nossa-sociedade\/","title":{"rendered":"Desafio \u00e0 nossa sociedade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Est\u00e3o vindo a p\u00fablico dramas humanos de meninas que engravidam ap\u00f3s uma hist\u00f3ria de abusos por parte de padrastos e pais.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>A ferida aberta em nossa sociedade que deve ser compreendida em suas causas, implica\u00e7\u00f5es e respostas operativas para reduzir esses casos que constituem uma fonte de sofrimentos, humilha\u00e7\u00f5es e traumas tremendos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O drama vivido por essas meninas e suas fam\u00edlias nos provoca e questiona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O primeiro passo quando se enfrentam essas situa\u00e7\u00f5es, encaminhando-as para o que parece a melhor solu\u00e7\u00e3o do ponto de vista dos atores sociais, \u00e9 compartilhar a dor das pessoas envolvidas, acolhendo-as, ouvindo suas hist\u00f3rias de sofrimentos, procurando compreender quais circunst\u00e2ncias tornaram poss\u00edveis esses abusos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Resulta desumano reduzir esses fatos a material para defender bandeiras, para marcar pontos nas batalhas ideol\u00f3gicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tamb\u00e9m, a imposi\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00e3o por parte de alguns adultos que n\u00e3o t\u00eam nenhum compromisso maior com as pessoas envolvidas a n\u00e3o ser a emiss\u00e3o do parecer supostamente t\u00e9cnico e valorativamente neutro pode agravar ainda mais o sofrimento dessas pessoas, tratadas como objeto, primeiro por familiares que delas abusaram e agora por estranhos, com o sistema de sa\u00fade interferindo com o prop\u00f3sito de promover o aborto\u00a0 a fim de \u201cresolver\u201d o problema, at\u00e9 contra a vontade das pr\u00f3prias meninas m\u00e3es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vale a pena perguntar-se porque acontecem abusos e viol\u00eancias em muitas fam\u00edlias nos dias de hoje. Que valores movem uma pessoa que abusa de uma crian\u00e7a indefesa e vulner\u00e1vel ferindo-a no mais profundo de sua alma? Onde ter\u00e1 assimilado esses valores? Que escolas eles ter\u00e3o freq\u00fcentado, que programas de r\u00e1dio e de televis\u00e3o eles ter\u00e3o acompanhado, que igrejas eles ter\u00e3o seguido?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tenho certeza que uma fam\u00edlia cujos membros rezam juntos em casa ao come\u00e7ar o dia e de noite, preparando-se para dormir, que l\u00eaem o Evangelho, que procuram aprender a vida seguindo os ensinamentos de Jesus Cristo, que freq\u00fcentam uma comunidade crist\u00e3 ficaria livre desses problemas. Por isso a Igreja Cat\u00f3lica est\u00e1 preocupada com a evangeliza\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria em todo o Brasil, ali\u00e1s, em todo o Continente latino-americano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por outro lado, a figura do pai foi t\u00e3o desvalorizada e desprestigiada que pouco sobra hoje da nobreza de sua tarefa educativa. Se uma crian\u00e7a, um adolescente, um jovem, crescem entendendo que ser pai n\u00e3o significa nada al\u00e9m de fornecer os gametas para a reprodu\u00e7\u00e3o acontecer, se n\u00e3o associam mais \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o de pai uma tarefa de fundamental import\u00e2ncia, uma responsabilidade sagrada para introduzir a crian\u00e7a que geraram \u00e0 compreens\u00e3o da realidade e da vida, conduzindo-a e acompanhando-a at\u00e9 a maturidade, ent\u00e3o tudo pode acontecer. Faltando a compreens\u00e3o da pr\u00f3pria paternidade, a rela\u00e7\u00e3o pode decair e ser vivida como qualquer outra, n\u00e3o mais orientada pelo ideal da paternidade, mas movida pela busca de alguma vantagem ou de algum prazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Crian\u00e7as gravemente abusadas pelas pessoas que mais delas deveriam cuidar questionam a nossa maneira de construir a sociedade moderna, a obsess\u00e3o com a qual nos dedicamos a desconstruir tudo o que nos foi legado pela tradi\u00e7\u00e3o ou possa relembrar o horizonte religioso da vida. Pelo contr\u00e1rio, parece-me extremamente saud\u00e1vel olhar para a paternidade de Deus, o Criador, o amor com o qual acompanha a cada um, Ele que sabe at\u00e9 o n\u00famero dos cabelos que est\u00e3o em nossa cabe\u00e7a. Ele pese o nosso cora\u00e7\u00e3o segundo \u00e0 ternura e \u00e0 compaix\u00e3o com a qual pede o nosso cora\u00e7\u00e3o, muitas vezes ferido pelo \u00f3dio e pelo desamor, para cur\u00e1-lo. Mas, aqui se abre o misterioso espa\u00e7o da liberdade de cada pessoa, para responder ao Seu apelo ou recus\u00e1-lo. Jesus no livro do Apocalipse diz: \u201cEis que estou \u00e0 porta e bato; se algu\u00e9m ouvir a minha voz e abrir a porta, eu entrarei na sua casa e tomaremos a refei\u00e7\u00e3o, eu com ele e ele comigo\u201d (AP 3, 20). Ser\u00e1 verdade que para ser \u201cmoderno\u201d \u00e9 necess\u00e1rio recusar essa companhia potente e misericordiosa? N\u00e3o ser\u00e1 mais s\u00e1bio quem nele confia e constr\u00f3i sua vida sobre essa Rocha?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Neste quarto domingo da Quaresma, ouvimos o evangelho de Jo\u00e3o 12, 20-33: \u201cHavia alguns gregos que vieram \u00e0 Jerusal\u00e9m e aproximaram-se de Filipe e pediram: gostar\u00edamos de ver Jesus\u201d para ouvi-lo e quem sabe segui-lo. E n\u00f3s?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e3o vindo a p\u00fablico dramas humanos de meninas que engravidam ap\u00f3s uma hist\u00f3ria de abusos por parte de padrastos e pais.<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/10828"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=10828"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/10828\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=10828"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=10828"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=10828"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}