{"id":10836,"date":"2009-02-18T00:00:00","date_gmt":"2009-02-18T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/veio-a-jesus-um-leproso\/"},"modified":"2009-02-18T00:00:00","modified_gmt":"2009-02-18T03:00:00","slug":"veio-a-jesus-um-leproso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/veio-a-jesus-um-leproso\/","title":{"rendered":"Veio a Jesus um leproso"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Neste domingo lemos o evangelho de Marcos 1, 40-45: Jesus encontra um leproso, cura-o, e o restitui \u00e0 sociedade. Esta situa\u00e7\u00e3o de 2000 anos passados n\u00e3o perdeu a sua<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>atualidade, e nos rodeia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Existem no mundo algumas dezenas de milh\u00f5es de portadores da doen\u00e7a de lepra. A nossa sociedade, por\u00e9m, conta com numeros\u00edssimos desenraizados e exclu\u00eddos como eram os leprosos antigamente: barbudos, enfermos esquecidos nos hospitais, marginalizados nas barracas. A lepra tem um valor simb\u00f3lico: ataca o corpo como o pecado agride a alma, e nos recorda que nesse sentido somos todos um pouco leprosos. Oficialmente fingimos que n\u00e3o somos. Estamos diante de uma p\u00e1gina forte do evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O gesto de Jesus \u00e9 simples. Enviado a revelar \u00e0 humanidade o amor que o Pai celeste nutre pelas pessoas, deixa transparecer concretamente este amor: comove-se diante de um leproso, cura-o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No caso envolvendo Jesus, o leproso ousa avizinhar-se da gente, misturar-se com ela. Isso era gravemente proibido. Ele devia viver longe dos centros habitados, e, se por grave necessidade, fosse obrigado a avizinhar-se, devia dar um sinal e a gritar \u201cImundo\u201d. Assim os \u201csadios\u201d tinham tempo de precaver-se. A viola\u00e7\u00e3o dessa lei era tida como grave, punida com a lapida\u00e7\u00e3o. E o leproso encontrado por Jesus ousou transgredi-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tamb\u00e9m Jesus se macula com culpa grav\u00edssima: Jesus \u201cousa\u201d tocar o leproso. O medo do cont\u00e1gio era tanto que o doente era considerado intoc\u00e1vel, e quem o tocava passava a ser imundo e posto de lado. Mas Jesus prefere a lei da caridade, e toca o leproso intoc\u00e1vel. A lei! Ora, a lei! A lei dos homens que deveria ser do bem comum sem exclus\u00f5es, faz que os representantes do povo passem quase o tempo todo a s\u00f3 buscar o pr\u00f3prio benef\u00edcio ou dos seus grupos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Se por acaso um doente leproso fosse curado, devia apresentar-se aos sacerdotes, que naquela sociedade, pouco estruturada, o readmitiriam na comunidade. Jesus disse ao leproso para apresentar-se ao sacerdote, como\u00a0 prescrevia a lei. Mas lhe imp\u00f5e tamb\u00e9m de n\u00e3o dizer de quem obteve a cura. E o leproso fez exatamente o oposto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sem se preocupar, p\u00f5e-se a proclamar e a divulgar o fato para todos. Assim, de marginalizado e socialmente indesejado como era antes, agora se torna testemunha de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As tr\u00eas transgress\u00f5es revelam sentimentos profundos: desespero, amor, gratid\u00e3o. E conduzem \u00e0 descoberta de Jesus, o Filho de Deus. A sua natureza divina se revela por seus atos, n\u00e3o a pode esconder. O Senhor nos deu o exemplo, e espera que seus disc\u00edpulos se comportem com a mesma solicitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">S\u00e3o tr\u00eas os apelos que chegam a n\u00f3s crist\u00e3os de hoje, desde a cura operada por Jesus. Primeiramente, tenhamos presente que a lepra e tantos problemas na nossa sociedade n\u00e3o foram ainda resolvidos. As estat\u00edsticas revelam um dado desconcertante, mas apenas constatado: n\u00e3o obstante o empenho de muitos que a combatem, o n\u00famero de doentes no mundo continua a crescer. Como continuam a aumentar os que sofrem a fome. Os dois fen\u00f4menos resultam muitas vezes ligados entre si. Hoje, se sabe que o cont\u00e1gio da lepra \u00e9 muito raro. Mas de fato a pobreza, a falta de higiene, a desnutri\u00e7\u00e3o, a ignor\u00e2ncia das normas de preven\u00e7\u00e3o, favorecem ainda a difus\u00e3o do mal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ainda a mentalidade da gente n\u00e3o ajuda a cura. Alguns, por motivos religiosos, pensam que os leprosos merecem a lepra, que devem descontar nesta vida o mal que fizeram. Pensam que \u00e9 justo os leprosos terem o seu mal, que n\u00e3o h\u00e1 necessidade de cur\u00e1-los. Devem descontar. \u00c9 um pensamento c\u00f4modo, consente em desinteressar-se dos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em segundo lugar, a nossa sociedade exclui pessoas que n\u00e3o lhe interessam, persegue-as, quando n\u00e3o as desfruta. A cr\u00f4nica jornal\u00edstica est\u00e1 cheia de acontecimentos dolorosos desses nossos irm\u00e3os em Cristo, que o Cristo os tiraria de sua abje\u00e7\u00e3o, que hoje recebem dos que seguem a mentalidade e as opini\u00f5es pol\u00edticas e sociais dominantes, sobretudo, desprezo e condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Enfim, precisamos da interven\u00e7\u00e3o de Cristo, o salvador, que nos cure interiormente, nos converta, e talvez ent\u00e3o encontraremos a for\u00e7a e a alegria de ajudar os outros e de viver a solidariedade com os outros. A vida de Irm\u00e3 Dulce pode nos ajudar a seguir a Cristo, encontrando-O nos mais sofridos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste domingo lemos o evangelho de Marcos 1, 40-45: Jesus encontra um leproso, cura-o, e o restitui \u00e0 sociedade. 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