{"id":10844,"date":"2008-10-21T00:00:00","date_gmt":"2008-10-21T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dai-a-cesar-o-que-e-de-cesar\/"},"modified":"2008-10-21T00:00:00","modified_gmt":"2008-10-21T02:00:00","slug":"dai-a-cesar-o-que-e-de-cesar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dai-a-cesar-o-que-e-de-cesar\/","title":{"rendered":"Dai a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Quiseram p\u00f4r Jesus \u00e0 prova para atac\u00e1-lo: \u201c\u00c9 l\u00edcito ou n\u00e3o pagar o tributo a C\u00e9sar?\u201d A resposta est\u00e1 ao final do texto de hoje do evangelho de Mateus 12,15-21: \u201cDa\u00ed a C\u00e9sar o<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>que \u00e9 de C\u00e9sar e a Deus o que \u00e9 de Deus\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o estamos divididos entre duas perten\u00e7as; n\u00e3o somos constrangidos a servir a dois patr\u00f5es. \u201cDar a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar\u201d significa portanto \u201cDar a C\u00e9sar aquilo que Deus mesmo quer seja dado a C\u00e9sar\u201d. \u00c9 Deus, o soberano \u00faltimo de todos, inclusive de C\u00e9sar. O crist\u00e3o \u00e9 livre de obedecer ao estado, mas tamb\u00e9m de resistir ao estado quando este se p\u00f5e contra Deus e a sua lei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Muitas vezes ouvem-se acusa\u00e7\u00f5es \u00e0 Igreja de ser intolerante, medieval e, sobretudo uma eterna inimiga da ci\u00eancia, que obstruiria a pesquisa cientifica e a reflex\u00e3o racional em nome da f\u00e9 e dos dogmas religiosos. \u00c8 a velha afirma\u00e7\u00e3o iluminista de que a f\u00e9 seria inimiga da ci\u00eancia e do progresso e,\u00a0 portanto, inimiga do homem, da sa\u00fade, da cura de doen\u00e7as, da liberdade. A maioria das vezes fala-se de progresso das ci\u00eancias quando ainda est\u00e3o ao in\u00edcio de pesquisas que v\u00e3o depender de muitos anos de trabalho, e batendo-se unicamente em pesquisas sobre c\u00e9lulas tronco de embri\u00f5es humanos que s\u00e3o sacrificados com completo desrespeito ao direito de viver de todo ser humano, uma vez concebido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A prop\u00f3sito do evangelho de hoje, \u00e9 oportuno falar de laicidade e laicismo, apenas para come\u00e7ar a tratar desse tema. Para isso valho-me da palavra do Papa Bento XVI, em Paris, no dia 12.09.08, lembrando o discurso do Presidente Sarkozy, da Fran\u00e7a, na Universidade Lateranense em Roma, no dia 04.01.08. Disse o Papa: \u201cAs ra\u00edzes da Fran\u00e7a, tal como as da Europa, s\u00e3o crist\u00e3s. \u00c9 suficiente um olhar \u00e0 Hist\u00f3ria para demonstrar: desde as origens, o seu Pa\u00eds recebeu a mensagem do Evangelho. O Presidente Sarkozy p\u00f4s em destaque a transmiss\u00e3o da cultura antiga atrav\u00e9s de monges, professores e copistas; atrav\u00e9s da forma\u00e7\u00e3o dos cora\u00e7\u00f5es e dos esp\u00edritos para o amor aos pobres e ajuda aos mais necessitados; atrav\u00e9s da funda\u00e7\u00e3o de numerosas congrega\u00e7\u00f5es religiosas; a contribui\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os para a realiza\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es da G\u00e1lia, e sucessivamente da Fran\u00e7a. Tudo isso \u00e9 demasiado conhecido para que me delongue mais. Milhares de capelas, igrejas, abadias e catedrais que ornamentam o centro das cidades ou a solid\u00e3o dos campos dizem quanto os vossos pais na f\u00e9 quiseram honrar Aquele que lhes dera a vida e que nos mantem na exist\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cNumerosas pessoas, mesmo aqui na Fran\u00e7a, detiveram-se a refletir sobre as rela\u00e7\u00f5es entre Igreja e Estado. Na verdade, sobre o problema das rela\u00e7\u00f5es entre esfera pol\u00edtica e esfera religiosa. Cristo j\u00e1 tinha oferecido o princ\u00edpio para uma justa solu\u00e7\u00e3o. F\u00ea-lo quando, respondendo a uma pergunta que lhe foi posta, afirmou: \u201cDa\u00ed a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar e a Deus o que \u00e9 de Deus\u201d.\u00a0 A Igreja na Fran\u00e7a goza atualmente de um regime de liberdade. A desconfian\u00e7a do passado transformou-se pouco a pouco num di\u00e1logo sereno e positivo, que se vai consolidando cada vez mais\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O presidente Sarkozi empregou a bela express\u00e3o \u201claicidade positiva\u201d para qualificar essa compreens\u00e3o mais aberta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Entende-se por laicidade a distin\u00e7\u00e3o entre a esfera pol\u00edtica e a religiosa. Chama-se Estado laico \u00e0quele que n\u00e3o \u00e9 confessional, isto \u00e9, que n\u00e3o adotou, como era comum em s\u00e9culos passados, uma religi\u00e3o como religi\u00e3o oficial do Estado (como hoje acontece nos estados isl\u00e2micos). A laicidade do Estado fundamenta-se na distin\u00e7\u00e3o entre os planos secular e religioso. O princ\u00edpio de laicidade comporta, portanto, em primeiro lugar, o respeito de todas as confiss\u00f5es religiosas por parte do Estado, o qual deve \u201cassegurar o livre exerc\u00edcio das atividades cultuais, espirituais, culturais e caritativas das comunidades dos crentes. Numa sociedade pluralista, a laicidade \u00e9 um lugar de comunica\u00e7\u00e3o entre as diferentes tradi\u00e7\u00f5es espirituais e a na\u00e7\u00e3o\u201d (Conc\u00edlio Vaticano II).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Jo\u00e3o Paulo II dizia em 24.01.2005 que o laicismo \u00e9 \u201cuma ideologia que leva gradualmente, de forma mais ou menos consciente, \u00e0 restri\u00e7\u00e3o da liberdade religiosa, at\u00e9 promover o desprezo ou a ignor\u00e2ncia de tudo o que seja religioso, relegando a f\u00e9 \u00e0 esfera do privado e opondo-se \u00e0 sua express\u00e3o p\u00fablica\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quiseram p\u00f4r Jesus \u00e0 prova para atac\u00e1-lo: \u201c\u00c9 l\u00edcito ou n\u00e3o pagar o tributo a C\u00e9sar?\u201d A resposta est\u00e1 ao final do texto de hoje do evangelho de Mateus 12,15-21: \u201cDa\u00ed a C\u00e9sar o<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/10844"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=10844"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/10844\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=10844"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=10844"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=10844"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}