{"id":10965,"date":"2010-02-02T00:00:00","date_gmt":"2010-02-02T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-discipulo-do-avarento\/"},"modified":"2010-02-02T00:00:00","modified_gmt":"2010-02-02T02:00:00","slug":"o-discipulo-do-avarento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-discipulo-do-avarento\/","title":{"rendered":"O disc\u00edpulo do avarento"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Certa vez um homem avarento ouviu falar que tinha outro homem muito mais avarento do que ele. Ent\u00e3o decidiu ir \u00e0 sua casa com a inten\u00e7\u00e3o de tornar-se seu disc\u00edpulo. O costume exigia que o novo aluno levasse um presente para o mestre. Assim ele levou uma bilha de \u00e1gua, e dentro colocou com um peda\u00e7o de papel cortado na forma de um peixe. O grande avarento, por\u00e9m, n\u00e3o estava em casa e foi a mulher dele que acolheu o novo disc\u00edpulo.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u2013 Eis um peixe, humilde presente do vosso novo aluno \u2013 disse o rec\u00e9m-chegado. A mulher do avarento recebeu o peixe e agradeceu. Mandou o novato sentar-se e depois lhe trouxe uma x\u00edcara vazia, convidando-o a tomar o ch\u00e1. Em seguida, ap\u00f3s ter tomado o ch\u00e1, a mulher do avarento desenhou dois c\u00edrculos no ar e o convidou a comer um doce. Justamente naquele momento estava entrando o grande avarento e, vendo a mulher desenhar os dois c\u00edrculos no ar, gritou irritado: &#8211; Que desperd\u00edcio \u00e9 este? Dois doces? Meio c\u00edrculo era mais do que suficiente!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A avareza \u00e9 terr\u00edvel. Quem tem a doen\u00e7a supervaloriza o que \u00e9 dele e despreza o que \u00e9 dos outros. Nunca se desfaz de alguma coisa e vive com o pavor de ser roubado. Pode parecer rico, mas no final \u00e9 um pobre infeliz. Possui muitos bens, mas n\u00e3o quer us\u00e1-los porque de fato, s\u00e3o os bens que mandam e desmandam nele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Isso \u00e9 s\u00f3 um exemplo. Muitas outras situa\u00e7\u00f5es nos parecem favor\u00e1veis e por elas, muitas vezes, agradecemos \u00e0 vida. Na realidade, podem ser armadilhas ou correntes que nos prendem cegando os nossos olhos e amarrando o nosso cora\u00e7\u00e3o. \u00c9 a situa\u00e7\u00e3o de certos ricos que fazem coincidir a felicidade deles com o tamanho das suas riquezas. Na mesma ilus\u00e3o podem cair os que est\u00e3o na fartura. Pensam que nunca vai lhes faltar alguma coisa. Tamb\u00e9m os que vivem correndo atr\u00e1s das divers\u00f5es, do prazer e da adrenalina podem estar equivocados. Rir \u00e9 bom, mas rir sempre pode ser uma mol\u00e9stia grave. Pior de tudo s\u00e3o os que sempre querem ser elogiados, querem sempre ser os vencedores. Nunca admitem uma cr\u00edtica, ou que lhes seja encontrado um defeito. Acostumaram-se com os aplausos. O sil\u00eancio ou o descaso ao redor deles, os faz sentir in\u00fateis. Caem no desespero. Para tentar sair, s\u00e3o obrigados a criar ilus\u00f5es, a vender promessas, a planejar cada vez coisas maiores, sempre insatisfeitos, mas fartos das suas pr\u00f3prias palavras retumbantes. S\u00e3o obrigados a rir para n\u00e3o chorar. S\u00e3o obrigados a fazer barulho para n\u00e3o ouvir os gritos dos exclu\u00eddos. Devem manter a fachada brilhante, para que n\u00e3o seja descoberta a farsa. Fazem de conta que est\u00e3o alegres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Se acreditarmos que \u201cquem avisa amigo \u00e9 \u201ddevemos entender que Jesus pronunciando os famosos \u201cais\u201d e opondo-os \u00e0s bem-aventuran\u00e7as, n\u00e3o quis amea\u00e7ar ou amedrontar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ele quis alertar os que vivem somente atr\u00e1s da riqueza, da fartura, da festan\u00e7a e do sucesso. Todas essas situa\u00e7\u00f5es podem mudar pelas pr\u00f3prias circunst\u00e2ncias da vida, mas somente quem percebe o quanto s\u00e3o ilus\u00f3rias procura se libertar buscando a verdadeira felicidade. A turma dos \u201cgozadores\u201d s\u00f3 pode sair da rede trai\u00e7oeira na qual caiu se come\u00e7ar a se interessar pelos pobres, pelos famintos, pelos que choram e aprender a dar ouvido \u00e0 boa not\u00edcia anunciada pelos verdadeiros profetas da paz, da justi\u00e7a e do amor. S\u00f3 com a partilha e a fraternidade ficaremos livres dos sofrimentos causados pela falta do necess\u00e1rio, pela injusta distribui\u00e7\u00e3o dos bens da terra, pela confus\u00e3o dos valores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As palavras de Jesus continuam ecoando; cabe a n\u00f3s crist\u00e3os provar que acreditamos nelas praticando o que ele ensinou. Cada um de n\u00f3s deve refletir sobre o seu jeito de juntar e gastar o dinheiro. Deve avaliar se aprendeu a consolar e a enxugar as l\u00e1grimas dos que sofrem. Deve provar com a sua generosidade que acredita que \u201ch\u00e1 mais alegria em dar do que em receber\u201d (cfr. Atos 20,35). Tamb\u00e9m os ainda muito grandes problemas sociais devem ser olhados do mesmo ponto de vista. A gan\u00e2ncia, o desperd\u00edcio, a desonestidade e a exalta\u00e7\u00e3o de alguns, n\u00e3o podem prejudicar o bem-estar, a seguran\u00e7a e a qualidade de vida dos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o basta tra\u00e7ar dois c\u00edrculos no ar para dizer que \u00e9 um bolo. Precisa aprender a produzi-lo de verdade e a oferec\u00ea-lo de cora\u00e7\u00e3o at\u00e9 que o sorriso da esperan\u00e7a apare\u00e7a no rosto dos exclu\u00eddos da vida. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel sempre fazer de conta que somos todos felizes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Certa vez um homem avarento ouviu falar que tinha outro homem muito mais avarento do que ele. Ent\u00e3o decidiu ir \u00e0 sua casa com a inten\u00e7\u00e3o de tornar-se seu disc\u00edpulo. O costume exigia que o novo aluno levasse um presente para o mestre. Assim ele levou uma bilha de \u00e1gua, e dentro colocou com um &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-discipulo-do-avarento\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">O disc\u00edpulo do avarento<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/10965"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=10965"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/10965\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=10965"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=10965"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=10965"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}