{"id":10968,"date":"2010-02-02T00:00:00","date_gmt":"2010-02-02T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/teologia-da-libertacao-ou-do-conflito\/"},"modified":"2010-02-02T00:00:00","modified_gmt":"2010-02-02T02:00:00","slug":"teologia-da-libertacao-ou-do-conflito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/teologia-da-libertacao-ou-do-conflito\/","title":{"rendered":"Teologia da liberta\u00e7\u00e3o ou do conflito?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Por gra\u00e7a de Deus, recebi a ordena\u00e7\u00e3o presbiteral em meados de 1967, ano em que, na Igreja, desabrochavam dois \u201cfrutos do Esp\u00edrito\u201d: a Renova\u00e7\u00e3o Carism\u00e1tica Cat\u00f3lica e a Te-ologia da Liberta\u00e7\u00e3o. Se, numa avalia\u00e7\u00e3o superficial e apressada, podem parecer distantes e antag\u00f4nicas, na realidade, ambas surgiram para concretizar o Conc\u00edlio Vaticano II, que de-sejava uma Igreja mais pr\u00f3xima dos anseios e da realidade do povo.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Deixo para outras c\u00e1tedras se posicionarem sobre a Renova\u00e7\u00e3o Carism\u00e1tica Cat\u00f3lica. Quanto \u00e0 Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, fa\u00e7o minhas as palavras de Walter Altmann, Presidente da Igreja Evang\u00e9lica de Confiss\u00e3o Luterana no Brasil e membro do Comit\u00ea Central do Con-selho Mundial das Igrejas. Com rara perspic\u00e1cia, o renomado Pastor evidencia os aspectos fundamentais da aut\u00eantica Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o: \u00abDesde a queda do Muro de Berlim, muitos cr\u00edticos se precipitaram a declarar a morte da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o. A maioria o fez porque viu nela apenas uma apologia do socialismo de caduco estilo sovi\u00e9tico. No en-tanto, esse atestado de \u00f3bito parece ter sido emitido prematuramente. Se \u00e9 certo que os te\u00f3logos da liberta\u00e7\u00e3o \u2013 alguns mais do que outros \u2013 utilizaram categorias marxistas para a an\u00e1lise socioecon\u00f4mica e para a cr\u00edtica dos males do capitalismo, o marxismo nunca foi o elemento central da teologia da liberta\u00e7\u00e3o. Nela, o central \u00e9 a empatia com os pobres e com sua luta pela justi\u00e7a, inspirada pela vida e pelos ensinamentos de Jesus. O fundamento espiritual e a motiva\u00e7\u00e3o da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o radicam no encontro \u2013 que muda a vida \u2013 com Cristo como libertador, e com nosso pr\u00f3ximo necessitado, cujo sofrimento n\u00e3o \u00e9 uni-camente fruto do destino, mas resultado da opress\u00e3o e das injusti\u00e7as sistem\u00e1ticas que podem ser superadas atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o transformadora\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o parece necess\u00e1rio acrescentar mais nada, pois, como dizia h\u00e1 muitos anos o ent\u00e3o Cardeal Ratzinger, a \u00abliberta\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das mensagens centrais da Revela\u00e7\u00e3o\u00bb. Mas, j\u00e1 que toda medalha tem duas faces, em minha carta pastoral \u201cA Gra\u00e7a do Jubileu\u201d, escrita em 2006, tentei descobrir por que a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o encontrou tanta resist\u00eancia em al-guns setores da opini\u00e3o p\u00fablica: \u00abN\u00e3o \u00e9 nenhuma novidade dizer que a Igreja Cat\u00f3lica n\u00e3o \u00e9 mais a mesma depois da teologia da liberta\u00e7\u00e3o, que veio para ficar, questionar e renovar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Contudo, a meu ver, a teologia da liberta\u00e7\u00e3o n\u00e3o atingiu plenamente os seus objetivos. E por qu\u00ea? Em parte, porque se transformou numa ideologia, identificando-se com deter-minados paradigmas pol\u00edticos que pareciam a encarna\u00e7\u00e3o do Reino de Deus na sociedade; e, em parte, porque nem sempre conseguiu libertar os pr\u00f3prios libertadores, de modo que, n\u00e3o poucas vezes, era dif\u00edcil distinguir os opressores dos oprimidos. Talvez, sem o saber, ela se demonstrou um tanto pelagiana ao pretender renovar a sociedade com ideais mara-vilhosos, mas alicer\u00e7ada em for\u00e7as meramente humanas. O social amea\u00e7ou prevalecer sobre o \u00e9tico. A vida particular de quem lutava por uma nova ordem das coisas ficava em segundo plano\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Al\u00e9m de ao pelagianismo, algumas correntes da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o pagaram tri-buto a uma vis\u00e3o dualista da hist\u00f3ria, ao fazerem sua, e n\u00e3o apenas subliminarmente, a luta de classes do marxismo, transformando-a numa esp\u00e9cie de teologia do conflito. Dividindo a sociedade em categorias contrastantes, elas ressuscitaram o velho manique\u00edsmo, para quem o mundo \u00e9 dominado por duas entidades antag\u00f4nicas, o Bem e o Mal, sustentadas por uma guerra constante entre si. Nesta vis\u00e3o, o Bem seria constitu\u00eddo pelos oprimidos e o Mal pe-los opressores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No dia 5 de dezembro de 2009, falando a um grupo de bispos brasileiros, Bento XVI se referiu a essa heran\u00e7a que, n\u00e3o poucas vezes, atingiu at\u00e9 mesmo as Comunidades Eclesi-ais de Base, filhas primog\u00eanitas da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o: \u00abAs suas seq\u00fcelas, mais ou me-nos vis\u00edveis, feitas de rebeli\u00e3o, divis\u00e3o, dissenso, ofensa e anarquia, se fazem ainda sentir, criando nas comunidades diocesanas um grande sofrimento e uma grave perda de for\u00e7as vivas\u00bb. Era o que reconhecia, h\u00e1 anos, tamb\u00e9m o Cardeal Carlos Maria Martini, apesar das simpatias que nutria pela Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o: \u00abN\u00e3o basta deplorar e denunciar os males de nosso mundo. Nem basta falar de justi\u00e7a, de deveres, de bem comum, de projetos pastorais, de exig\u00eancias evang\u00e9licas. Precisamos falar de tudo isso, mas com um cora\u00e7\u00e3o cheio de amor compassivo, fazendo a experi\u00eancia da caridade que d\u00e1 com alegria e suscita entusiasmo. Precisamos irradiar a beleza daquilo que \u00e9 verdadeiro e justo na vida, pois s\u00f3 essa beleza arrebata realmente os cora\u00e7\u00f5es e os volta para Deus\u00bb.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por gra\u00e7a de Deus, recebi a ordena\u00e7\u00e3o presbiteral em meados de 1967, ano em que, na Igreja, desabrochavam dois \u201cfrutos do Esp\u00edrito\u201d: a Renova\u00e7\u00e3o Carism\u00e1tica Cat\u00f3lica e a Te-ologia da Liberta\u00e7\u00e3o. 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