{"id":10987,"date":"2009-06-13T00:00:00","date_gmt":"2009-06-13T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/pascoa-a-vista\/"},"modified":"2009-06-13T00:00:00","modified_gmt":"2009-06-13T03:00:00","slug":"pascoa-a-vista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/pascoa-a-vista\/","title":{"rendered":"P\u00e1scoa \u00e0 vista!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Passadas as efervescentes brincadeiras do Carnaval, nossos olhos se voltam para o Oriente, porque daqui a uns 40 dias, vai renascer o Sol da Justi\u00e7a. \u00c9 a festa das festas que vem a\u00ed: a Festa da P\u00c0SCOA!<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A palavra &#8220;p\u00e1scoa&#8221;, de origem hebraica, \u00e9 irm\u00e3 da portuguesa &#8220;passagem&#8221;. E p\u00e1scoa quer dizer &#8220;a passagem de Deus&#8221;! Sim, porque Deus passa, est\u00e1 passando na hist\u00f3ria da Humanidade, na vida da gente&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas a gente n\u00e3o se d\u00e1 conta. Foi preciso, ent\u00e3o, que Deus passasse de maneira espetacular, escandalosa at\u00e9, para que, pelo menos uma por\u00e7\u00e3o de gente se tocasse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E foi assim: JESUS DE NAZAR\u00c9, um carpinteiro, que, mais de 2000 anos atr\u00e1s, nascera de um casal pobre e vivera num lugarejo do interior da Palestina, ao 30 anos de idade, come\u00e7ou a anunciar o Reino de Deus!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para pertencer a este Reino, as pessoas precisavam mudar de vida: &#8211; Quem tinha conhecimentos devia partilhar com os desinformados&#8230; &#8211; Quem tinha dinheiro, deveria repartir com os necessitados&#8230; &#8211; Quem tinha poder, devia colocar-se a servi\u00e7o dos exclu\u00eddos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Era como se o mundo tivesse que virar de cabe\u00e7a para baixo! Uma revolu\u00e7\u00e3o, sim, mas que deveria come\u00e7ar no cora\u00e7\u00e3o de cada um, de cada uma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para os pobres, era uma BOA NOT\u00ccCIA, aquilo que eles mais gostariam de ver acontecer. E \u00e9 isso que quer dizer &#8220;evangelho&#8221;, palavra grega, sin\u00f4nimo de &#8220;boa nova&#8221;, boa novidade. Mas para os ricos era subvers\u00e3o, perturba\u00e7\u00e3o da ordem, ou, como muita gente hoje em dia ainda diz, isso era &#8220;comunismo&#8221;!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">At\u00e9 os pobres, iludidos pela conversa mole dos ricos e poderosos, foram na onda deles e ficaram contra Jesus. S\u00f3 sei que, por conta dessa hist\u00f3ria, Jesus terminou preso, foi condenado e morreu crucificado entre dois marginais. Mas, quando os poderosos menos imaginavam, os poucos seguidores de Jesus de Nazar\u00e9 foram perdendo o medo e fizeram o maior reboli\u00e7o na cidade: sa\u00edram anunciando que Deus havia ressuscitado seu Mestre! Jesus vivia, isto \u00e9, Deus deu raz\u00e3o a ele!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ele morreu pela causa de povo, sobretudo dos pobres, seu sangue foi derramado para que uma nova Humanidade come\u00e7asse a se organizar, os entendidos se colocassem a servi\u00e7o dos sem instru\u00e7\u00e3o, os ricos se colocassem a servi\u00e7o dos empobrecidos, os poderosos se colocassem a servi\u00e7o do povo, e todos se juntassem numa grande irmandade, uma fam\u00edlia de irm\u00e3os e irm\u00e3s, simples como as crian\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E como a causa pela qual Jesus morrera era justamente a causa de Deus, o que Deus mais queria que acontecesse, por esse motivo, Deus passou no t\u00famulo onde Jesus foi sepultado, e o arrancou do poder da morte. Deus aprovou a vida e a mensagem de Jesus! Portanto, pregavam seus disc\u00edpulos, est\u00e1 na hora de aceitar sua mensagem libertadora, de fazer parte do Reino por ele anunciado&#8230; Chegou o momento de cada um, de cada uma, deixar Deus passar na sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">P\u00c1SCOA \u00e9 isso: Deus passando na historia de Jesus de Nazar\u00e9, e o reconhecendo como seu Filho! Deus querendo passar na vida de cada um da gente, na medida em que a gente entrar na jogada de Jesus, e se tornar assim um filho, uma filha de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">S\u00f3 sei que, quem ia acreditando em Jesus, atrav\u00e9s da mensagem dos disc\u00edpulos, tomava um banho, para mostrar que estava come\u00e7ando uma vida nova, limpa de todas as maldades e sujeiras. E esse banho passou a chamar-se de Batismo. Os disc\u00edpulos (seguidores), agora chamados &#8220;ap\u00f3stolos&#8221;, que dizer &#8220;enviados&#8221;, colocavam as m\u00e3os sobre a cabe\u00e7a dos que se &#8220;batizavam&#8221; e eles e elas recebiam um nova energia, um esp\u00edrito novo, que chamavam de ESP\u00ccRITO SANTO!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na for\u00e7a dessa nova energia, \u00e9 que o pessoal continuava se reunindo, escutando a mensagem dos Ap\u00f3stolos sobre Jesus, repartir, entre todos, os seus bens, de tal forma que ningu\u00e9m passava necessidade entre eles e elas. E esse ajuntamento de gente, convocada pela Palavra de Deus, chamou-se de IGREJA.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O que mais chamava a aten\u00e7\u00e3o do povo era a alegria com que eles comiam a Ceia do P\u00e3o e do Vinho, em mem\u00f3ria de Jesus: era o jeito de eles se sentirem em comunh\u00e3o de vida com o seu Mestre. Era como se o corpo de Jesus passasse a se manifestar na carne deles e delas&#8230; Era como se o sangue de Jesus passasse a correr nas veias deles e delas&#8230; Era Jesus que passava a viver neles e nelas&#8230; Era o Reino de deus que come\u00e7ava a acontecer &#8220;assim na terra como no c\u00e9u!&#8221; E essa Igreja era, assim, o ensaio, a amostra de um MUNDO NOVO!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 por causa dessa historia, que os crist\u00e3os e crist\u00e3s de todos os tempos, todo ano, a certa altura do m\u00eas de abril, celebram a Festa da P\u00e1scoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Valeria a pena a gente pensar numa &#8220;Festa da P\u00e1scoa&#8221; entre n\u00f3s aqui? Que sentido teria? Apenas recordar o que aconteceu h\u00e1 mais de 200 anos atr\u00e1s? Ser\u00e1 que a P\u00e1scoa, de alguma maneira, estar\u00e1 acontecendo na vida da gente, hoje, aqui e agora, e, por isso, vale a pena celebr\u00e1-la?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Talvez seja quest\u00e3o de ter olhos de ver olhos capazes de enxergar Deus passando na vida de cada um, de cada uma da gente&#8230; na vida do povo<\/p>\n<div style=\"text-align: justify\">\n<ul>\n<li>Quando algu\u00e9m de n\u00f3s sai da solid\u00e3o, do isolamento, e tem oportunidade de se encontrar com outras pessoas, de conversar suas coisas, de sentir-se escutado(a), levado(a) em conta&#8230; de poder descobrir seus valores e suas potencialidades&#8230; come\u00e7ar a gostar de si mesmo(a), a gostar da vida, a levantar a cabe\u00e7a, a encantar-se com o que \u00e9 belo, a querer o que \u00e9 bom, a sonhar com um mundo diferente, de amor, alegria e felicidade&#8230; n\u00e3o \u00e9 como se nascesse de novo?&#8230;<\/li>\n<li>Quando a gente tem oportunidade de partilhar id\u00e9ias, sugest\u00f5es e iniciativas entre a gente&#8230; de brincar e jogar juntos&#8230; de aprender coisas juntos&#8230; de cantar, tocar e dan\u00e7ar juntos&#8230; de praticar algum tipo de arte ou desporte&#8230; de organizar passeios e festas&#8230; superando, aos poucos, o individualismo ou a desesperan\u00e7a&#8230; dando uma finalidade construtiva \u00e0 pr\u00f3pria agressividade&#8230; canalizando suas energias para o que nos dignifica como seres humanos e nos faz felizes&#8230; desenvolvendo um novo jeito de conviver, crescendo em amizade e companheirismo&#8230; n\u00e3o \u00e9 uma nova conviv\u00eancia que est\u00e1 desabrochando?&#8230;<\/li>\n<li>Quando a gente tem oportunidade de conhecer a historia e as tradi\u00e7\u00f5es do povo da gente, as riquezas e belezas do folclore, as coisas bonitas que o povo do bairro faz, o jeito caracter\u00edstico do povo desta cidade viver e festejar&#8230; e vai trocando as coisas que v\u00eam de fora pelas coisas nossas&#8230; e vai come\u00e7ando a gostar da nossa m\u00fasica de raiz&#8230; e vai passando a preferir um suco das nossas frutas \u00e0 coca-cola, uma comida tradicional da gente a uma Mac-burger qualquer&#8230; e por a\u00ed vai crescendo no amor a esta cidade, a come\u00e7ar pelo seu bairro&#8230; N\u00e3o \u00e9 isso identidade perdida que est\u00e1 se resgatando?&#8230;<\/li>\n<li>Quando a gente tem oportunidade de encarar o seu ambiente de vida, com novas informa\u00e7\u00f5es e inquieta\u00e7\u00f5es sobre higiene, limpeza p\u00fablica, reciclagem de lixo, import\u00e2ncia do verde, da mata, do mangue, da \u00e1gua, do ar, do silencio, da preserva\u00e7\u00e3o ambiental&#8230; e come\u00e7a a tomar cuidados e iniciativas em casa, na escola ou quando vai pela rua&#8230; e come\u00e7a a preocupar-se com arboriza\u00e7\u00e3o e jardinagem&#8230; com reciclagem de pl\u00e1stico e papel, com coleta seletiva&#8230; com a limpeza das canaletas e canais&#8230; com o volume de som das radiolas e televis\u00f5es&#8230; com tudo quanto incomoda e prejudica o ambiente em que se vive&#8230; e passa a ser multiplicador(a) de uma nova mentalidade a respeito dessas coisas no dia-a-dia das pessoas&#8230; N\u00e3o \u00e9 isso um mundo diferente que est\u00e1 surgindo?&#8230;<\/li>\n<li>Quando a gente tem oportunidade de perceber que a cidade \u00e9 feita por todos os que nela habitam&#8230; que ser cidad\u00e3o, cidad\u00e3, \u00e9 querer bem a seu peda\u00e7o e se responsabilizar por ele, para que seja o melhor lugar do mundo, a cidade mais bonita e feliz&#8230; onde todos, de m\u00e3os dadas, vivem num mutir\u00e3o sem fim, cuidando de tudo, para que tudo d\u00ea certo, para o bem de todos&#8230; onde o prazer maior \u00e9 poder, no fim de semana, festejar com canto e dan\u00e7a a fraternidade cidad\u00e3 exercida ao longo de toda a semana&#8230; N\u00e3o \u00e9 isso um mundo novo que est\u00e1 despontando?<\/li>\n<\/ul><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">Para quem tem olhos de ver, \u00e9 por a\u00ed, quem sabe, que Deus est\u00e1 passando, nos arrancando da morte para a Vida&#8230; \u00e9 por a\u00ed que o Sangue de Jesus est\u00e1 circulando e o Esp\u00edrito de Deus est\u00e1 soprando e tudo vai se transformando nos indiv\u00edduos e na sociedade, e a P\u00e1scoa vai acontecendo e o mundo se salvando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Se for assim, se assim estiver sendo, ser\u00e1 que n\u00e3o vale a pena celebrar a P\u00e1scoa, a passagem de Deus em nossas vidas, na vida da gente e do povo?&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E agora Jos\u00e9, e agora Maria, como vamos fazer para que nossos Grupos, Movimentos, Organiza\u00e7\u00f5es e Comunidades cheguem \u00e0 gostosa descoberta deste &#8220;Mist\u00e9rio&#8221; maravilhoso que se esconde em suas vidas, mas que precisa se manifestar aos olhos deles e delas, aos de todos?&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Como fazer para que esta descoberta se torne motivo de festa e desencadeie toda uma criatividade, no sentido de todos se darem as m\u00e3os na prepara\u00e7\u00e3o de um evento capaz de fazer brilhar esta vida nova, este mundo novo, que est\u00e1 acontecendo no dia-a-dia da gente e do povo, como Festa da Vida como um grande louvor ao Deus da Vida que assim como passou na hist\u00f3ria de Jesus, est\u00e1 passando nas historias bonitas da gente, hoje, aqui e agora?&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A P\u00e1scoa est\u00e1 \u00e0 vista!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Como vamos fazer?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Feliz P\u00e1scoa!<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Reginaldo Veloso (artigo publicado no site ADITAL, 15\/03\/2009)<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passadas as efervescentes brincadeiras do Carnaval, nossos olhos se voltam para o Oriente, porque daqui a uns 40 dias, vai renascer o Sol da Justi\u00e7a. \u00c9 a festa das festas que vem a\u00ed: a Festa da P\u00c0SCOA!<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"rs_blank_template":"","rs_page_bg_color":"","slide_template_v7":"","site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/10987"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=10987"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/10987\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=10987"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=10987"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=10987"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}