{"id":11011,"date":"2009-04-14T00:00:00","date_gmt":"2009-04-14T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-diario-de-viagem-2\/"},"modified":"2009-04-14T00:00:00","modified_gmt":"2009-04-14T03:00:00","slug":"o-diario-de-viagem-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-diario-de-viagem-2\/","title":{"rendered":"\u201cO Di\u00e1rio de Viagem (2)\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Em Mileto, Paulo mandou algumas pessoas a \u00c9feso para chamarem os Anci\u00e3os da Igreja. Quando chegaram, ele lhes disse: \u201cVoc\u00eas sabem como me comportei desde o primeiro dia em que pus os p\u00e9s na \u00c1sia, enquanto enfrentei dificuldades por causa dos compl\u00f4s dos judeus (At 20,17-19b). Agora, acorrentado pelo Esp\u00edrito, vou a Jerusal\u00e9m, sem saber o que acontecer\u00e1 (20,22). At\u00e9 o dia de hoje sou inocente do sangue de todos. N\u00e3o deixei de anunciar toda a vontade de Deus. Cuidem de voc\u00eas e de todo o rebanho sobre o qual o Esp\u00edrito Santo os estabeleceu como guardi\u00e3es, para apascentar a Igreja do Senhor que ele adquiriu para si por seu pr\u00f3prio sangue\u201d (20,26-28) Tendo dito isso, ajoelhou-se e rezou com todos eles (20,36).<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Depois que nos separamos, navegamos em linha reta para C\u00f3s, e no dia seguinte para Rodes, P\u00e1tara e Mira. Encontramos um barco que ia para a Fen\u00edcia. Embarcamos e nos fizemos ao mar. Passamos por Chipre deixando-a a nossa esquerda; seguimos para a S\u00edria e desembarcamos em Tiro, onde o navio devia ser descarregado (21,1-3). Conclu\u00edda a navega\u00e7\u00e3o, fomos de Tiro para Ptolemaida. Saudamos os irm\u00e3os e ficamos um dia com eles. Partimos no dia seguinte para Cesar\u00e9ia, e entramos na casa do evangelista Filipe, que era um dos Sete, e que tinha quatro filhas que profetizavam (21,7-9). Elas disseram a Paulo para n\u00e3o subir a Jerusal\u00e9m (21,4b). Quando ouvimos isso, n\u00f3s e os do lugar pedimos a ele que n\u00e3o subisse (21,12). Como n\u00e3o se deixou convencer, ficamos quietos dizendo: \u201cQue se fa\u00e7a a vontade de Deus\u201d. Depois de alguns dias, nos despedimos (21,14-15a). Chegamos a Jerusal\u00e9m. Os irm\u00e3os nos receberam com alegria (21,17b).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quando ficou decidido que embarcar\u00edamos para a It\u00e1lia (27,1a), fomos a Sidon (27,3a) e de l\u00e1, navegando sob o vento de Creta, chegamos a Bons Portos, perto de uma cidade. Muitos dias j\u00e1 se tinham passado, at\u00e9 mesmo o Dia do Jejum (Yom Kippur), e a navega\u00e7\u00e3o se tornava perigosa; Paulo ent\u00e3o aproximou-se e disse: \u201cGente, estou vendo que a viagem se far\u00e1 com muito esfor\u00e7o e com muita perda n\u00e3o somente para a carga e para o barco, mas tamb\u00e9m para as nossas vidas (27,7b-10). A maioria, por\u00e9m, foi de opini\u00e3o que se devia seguir viagem. Costeamos a ilha de Creta, com um vento do sul soprando levemente. Mas desencadeou-se do sudeste um vento de tempestade (27,12a-14). No dia seguinte, como o barco estava sendo muito sacudido, jogamos a carga no mar. A tempestade continuou durante muitos dias, e o sol e as estrelas n\u00e3o brilharam, a ponto de perdermos toda esperan\u00e7a de vida (27,18-20). \u00c9ramos cerca de setenta pessoas (27,37). Era grande a falta de alimento e, ent\u00e3o Paulo se p\u00f4s de p\u00e9 e disse: \u201cVoc\u00eas deviam ter confiado em mim e n\u00e3o ter sa\u00eddo de Creta em viagem e assim ter evitado todo esse esfor\u00e7o e essa perda. Agora eu os aconselho e ter coragem porque nenhum de n\u00f3s perder\u00e1 a vida (27,21-22a). Temos que ser arremessados a alguma ilha (27,26). O barco corria sob o vento e chegamos a uma ilha chamada Gaulos (27,15-16), e a\u00ed ficamos (27,17b). Os b\u00e1rbaros nos receberam (28,2) e nos cobriram de honrarias (28,10a). Embarcamos num navio alexandrino que havia passado o inverno na ilha (28,11). Chegamos a Roma e os irm\u00e3os, ficando sabendo, vieram ao nosso encontro (28,14b-15a).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Assim termina o Di\u00e1rio de Viagem. Nos Atos dos Ap\u00f3stolos, as passagens \u201cn\u00f3s\u201d, descritas com a participa\u00e7\u00e3o de quem est\u00e1 escrevendo, se apresentam em tr\u00eas se\u00e7\u00f5es. A primeira se encontra na segunda viagem mission\u00e1ria de Tr\u00f4ade at\u00e9 Filipos, com a convers\u00e3o de L\u00eddia e a cura da escrava que tinha o esp\u00edrito de Piton (At 16,9-17). A segunda marca todas as etapas da viagem de Filipos a Jerusal\u00e9m (At 20,5-21-18). A terceira conta a viagem de Cesar\u00e9ia a Roma sob a guarda de um centuri\u00e3o romano (27,1-28,16). Nesta \u00faltima se\u00e7\u00e3o percebe-se que Lucas juntou duas viagens, uma em estilo \u201celes\u201d e outra em estilo \u201cn\u00f3s\u201d. Na viagem em estilo \u201cn\u00f3s\u201d Paulo viaja como pessoa livre, em companhia de alguns irm\u00e3os, enquanto na outra ele viaja sob a cust\u00f3dia de um militar romano. Este dado e diversos outros d\u00e3o a entender que os redatores serviram-se das informa\u00e7\u00f5es do Di\u00e1rio, e com outras informa\u00e7\u00f5es, compuseram o relato dos gestos de Paulo nos Atos dos Ap\u00f3stolos.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">C\u00f4nego Celso Pedro<br \/>Arquidiocese de S\u00e3o Paulo<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Mileto, Paulo mandou algumas pessoas a \u00c9feso para chamarem os Anci\u00e3os da Igreja. 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