{"id":11020,"date":"2009-03-20T00:00:00","date_gmt":"2009-03-20T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-vosso-corpo-e-templo-do-espirito-santo-1cor-619\/"},"modified":"2009-03-20T00:00:00","modified_gmt":"2009-03-20T03:00:00","slug":"o-vosso-corpo-e-templo-do-espirito-santo-1cor-619","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-vosso-corpo-e-templo-do-espirito-santo-1cor-619\/","title":{"rendered":"\u201cO vosso corpo \u00e9 templo do Esp\u00edrito Santo\u201d (1Cor 6,19)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Resumo: Proponho-me a refletir sobre alguns aspectos da sexualidade humana a partir do testemunho Paulino. A carne, sarx, assumida na encarna\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de ser a exalta\u00e7\u00e3o do humano \u00e9, tamb\u00e9m, sua possibilidade de autotranscend\u00eancia na for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo. \u00c9 nesta perspectiva que analiso a contribui\u00e7\u00e3o de Paulo para a sexualidade hoje.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Neste Ano Paulino, a literatura sobre o testemunho do Ap\u00f3stolo \u00e9 abundante. Pediram-me este artigo sobre ele a partir da minha sensibilidade. Aproveito, ent\u00e3o, para enfrentar o tema da sexualidade. Um tema controvertido e \u00e0s vezes pouco explorado. Desde logo confesso que n\u00e3o sou um exegeta especialista em Paulo. Sou apenas um padre que busca compreender, entre as linhas dos ensinamentos deste grande mission\u00e1rio, a revela\u00e7\u00e3o sempre desafiadora da presen\u00e7a de Jesus Cristo na carne e nos ossos de cada ser humano, sobretudo da minha pr\u00f3pria hist\u00f3ria de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com o t\u00edtulo deste artigo, proponho-me a fazer um breve itiner\u00e1rio pela sexualidade humana, deixando ressoar alguns ensinamentos paulinos. Contudo, foi o Evangelho de Jo\u00e3o que disse: \u201cO Verbo se fez homem\u201d (Jo 1,14), quer dizer, carne. A carne tem tudo a ver com nossa forma de ser no mundo, com nossas rela\u00e7\u00f5es mais intensas e mais veladas. Um dia, Deus tamb\u00e9m quis se fazer sarx (cf. Hb 1,1-14) para comunicar a si mesmo, depois de todas as formas que experimentou de comunica\u00e7\u00e3o. Agora, nos \u00faltimos tempos, \u00e9 Jesus esta carne. Assim, o pr\u00f3prio Deus se associou radicalmente \u00e0 nossa humanidade naquilo que ela tem de mais externo e material, mais transparente e secreto: sensibilidade e turbul\u00eancias do corpo, seus profundos desejos e frustra\u00e7\u00f5es, seus constantes prazeres e desprazeres, suas alegrias e dores (cf. Rm 7,14s). Esta realidade paradoxal \u00e9 uma heran\u00e7a da cultura judaico-sem\u00edtica e helen\u00edstico-romana que perpassou toda a compreens\u00e3o humana da revela\u00e7\u00e3o at\u00e9 nossos dias na literatura paulina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nesta significa\u00e7\u00e3o da nossa argumenta\u00e7\u00e3o, come\u00e7o dizendo que a virtude em Paulo tem algo de elevado, santo e divino; enquanto o prazer \u00e9 interpretado como baixo, fraco, demon\u00edaco e ef\u00eamero. Em G\u00e1latas 5,19-23 temos esta leitura: \u201cAs obras da carne est\u00e3o \u00e0 vista. S\u00e3o estas: fornica\u00e7\u00e3o, impureza, devassid\u00e3o, idolatria, feiti\u00e7aria, inimizades, contenda, ci\u00fames, f\u00farias, ambi\u00e7\u00f5es, disc\u00f3rdias, partidarismos, invejas, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes a estas. Por seu lado, \u00e9 este o fruto do Esp\u00edrito: amor, alegria, paz, paci\u00eancia, benignidade, bondade, fidelidade, mansid\u00e3o, autodom\u00ednio. Contra tais coisas n\u00e3o h\u00e1 lei\u201d. O texto \u00e9 denso e revela algo substancioso da nossa realidade crist\u00e3: no corpo, o crist\u00e3o \u00e9 chamado a transformar-se, direi at\u00e9, a transcender-se. Um corpo que deve ser assumido com todos os seus apelos, sem \u201cfuga mundi\u201d como no passado, mas na perspectiva do Conc\u00edlio de Calced\u00f4nia sobre a unidade do humano e divino em Jesus Cristo. Nele n\u00e3o h\u00e1 divis\u00e3o nem mistura, nem menos ou mais. Tudo \u00e9 completo. Ora, se nosso corpo \u00e9 templo da morada do Esp\u00edrito, e o Esp\u00edrito vem do Pai por media\u00e7\u00e3o de Jesus (cf. Jo 14,16s), ent\u00e3o, n\u00e3o pode haver a dualidade corpo e alma, carne e esp\u00edrito, mas um todo que se expressa na totalidade do nosso modo de ser e agir como pessoas. Assim sendo, as obras da carne e os frutos do Esp\u00edrito est\u00e3o no mesmo ser. O que Paulo nos ajuda a discernir \u00e9 que precisamos ter crit\u00e9rios de f\u00e9 para escolher na liberdade. Aqui o tema da encarna\u00e7\u00e3o resgata sua for\u00e7a, pois a transforma\u00e7\u00e3o, ou a configura\u00e7\u00e3o a Jesus Cristo, n\u00e3o pode ser isenta desta passagem. \u00c0s vezes sentida na carne, naquele espinho que penetra fundo at\u00e9 as profundezas no ser para depois libertar e santificar. Contudo, o que me intriga em Paulo, \u00e0s vezes, \u00e9 quando ele afirma que \u201cse Cristo est\u00e1 em voc\u00eas, o corpo est\u00e1 morto por causa do pecado, e o Esp\u00edrito \u00e9 vida por causa da justi\u00e7a\u201d (Rm 8,10). O que significa isto? O que \u00e9 corpo aqui? Parece-me que corpo n\u00e3o \u00e9 a mat\u00e9ria, mas as a\u00e7\u00f5es que negam a nova realidade do crist\u00e3o, ou seja, seu novo nascimento em Cristo. Pois \u201c\u00e9 Cristo ressuscitado que d\u00e1 vida aos corpos mortais\u201d (Rm 8,11). Nascer de novo seria, ent\u00e3o, o enigma da sexualidade em Paulo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por outro lado, sabemos que Jesus n\u00e3o pecou, mas experimentou a morte. Desceu \u00e0 mans\u00e3o dos mortos para trazer todos \u00e0 nova vida. Portanto, das obras da carne at\u00e9 os frutos do Esp\u00edrito n\u00e3o seria tamb\u00e9m este processo de morte e vida? O pr\u00f3prio Paulo n\u00e3o passou por isto quando, de perseguidor implac\u00e1vel, tombou diante da luz para descobrir os frutos do Esp\u00edrito? Para ser templo do Esp\u00edrito \u00e9 preciso ser pedra, massa, alicerce at\u00e9 tornar-se unidade da mat\u00e9ria e forma ideal planejada. A sexualidade humana \u00e9 carne em permanente constru\u00e7\u00e3o. \u00c9 um modo de ser, o todo f\u00edsico, social, pol\u00edtico e religioso; isto significa que n\u00e3o d\u00e1 para compreender o pensamento em G\u00e1latas 5 sem aceitar que passamos pelo crisol que nos molda at\u00e9 a morte. Sexualidade paulina \u00e9 assim a din\u00e2mica tens\u00e3o entre incertezas e serenidade, amor e \u00f3dio, buscas e desencontros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Numa sociedade de carne, do consumo narcisista como a nossa, considerar Paulo como o \u00edcone do disc\u00edpulo de Jesus Cristo fragilizado na carne e fortalecido no Esp\u00edrito \u00e9 um ganho que aproxima muito mais do desejo de santidade (cf. Rm 7,21). Ele mesmo nos diz: \u201cTudo me \u00e9 permitido, mas eu n\u00e3o me farei escravo de nada\u201d (1 Cor 6,12). Ele se refere \u00e0quela lista das obras da carne. Tudo \u00e9 poss\u00edvel, mas \u00e9 muito melhor ser livre. H\u00e1 uma for\u00e7a interna em Paulo que o empurra para o pecado, uma lei que luta contra a raz\u00e3o (cf. Rm 7,14-24), mas ele se coloca no dinamismo da constru\u00e7\u00e3o que somente o Esp\u00edrito realiza, \u201cpois fomos comprados por um alto pre\u00e7o\u201d (1 Cor 6, 20); o pre\u00e7o de uma morte cruenta, mas revelada como salva\u00e7\u00e3o. A sexualidade assim assumida n\u00e3o \u00e9 nega\u00e7\u00e3o do humano, como pareceu num tempo, n\u00e3o obstante suas reais ambig\u00fcidades, mas autonomia diante de tantos apelos modernos que nos encantam e seduzem. Fugir de si mesmo, com medo do que possa acontecer, n\u00e3o \u00e9 uma sexualidade relacional e prazerosa, e sim, de medos e castra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Pe. Jo\u00e3o Mendon\u00e7a, sdb<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resumo: Proponho-me a refletir sobre alguns aspectos da sexualidade humana a partir do testemunho Paulino. 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