{"id":11029,"date":"2009-02-09T00:00:00","date_gmt":"2009-02-09T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/paulo-um-evangelizador-em-continua-e-profunda-conversao\/"},"modified":"2009-02-09T00:00:00","modified_gmt":"2009-02-09T02:00:00","slug":"paulo-um-evangelizador-em-continua-e-profunda-conversao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/paulo-um-evangelizador-em-continua-e-profunda-conversao\/","title":{"rendered":"Paulo, um evangelizador em cont\u00ednua e profunda convers\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Ao celebrar dois mil anos do nascimento do Ap\u00f3stolo Paulo, reconhecemos com mais consci\u00eancia a import\u00e2ncia de sua atua\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria nas origens do cristianismo e a luz que nos vem do seu testemunho de viver sempre aberto ao Esp\u00edrito. Nascido em Tarso, capital da Cil\u00edcia, Paulo foi criado dentro das exig\u00eancias da Lei de Deus e da mem\u00f3ria hist\u00f3rica do seu povo. Ele mesmo afirma que \u201cprogredia no juda\u00edsmo mais do que muitos compatriotas da sua idade, distinguindo-se no zelo pelas tradi\u00e7\u00f5es dos seus antepassados\u201d (Gl 1,14). Foi no seio da sua fam\u00edlia e na escola judaica da sinagoga que Paulo adquiriu esses conhecimentos. Quando completou sua forma\u00e7\u00e3o em Tarso, Paulo foi para Jerusal\u00e9m e especializou-se no juda\u00edsmo, tendo como orientador o ilustre Rabi Gamaliel (cf. At 22,3).<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Depois da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, formam-se as primeiras comunidades crist\u00e3s em Jerusal\u00e9m e surge um conflito entre crist\u00e3os hebreus e helenistas (cf. At 6,1). Paulo passa a perseguir quem seguia o \u201ccaminho\u201d, desviando-se das normas judaicas. A afirma\u00e7\u00e3o de que um crucificado era o Messias prometido, o Ungido de Deus, escandalizava os judeus que consideravam maldito quem fosse pendurado num madeiro (cf. Dt 21,22-23). Al\u00e9m disso, no discurso de Est\u00eav\u00e3o (cf. At 7,2-53) transparece a postura de judeus da di\u00e1spora que relativizam o templo de Jerusal\u00e9m e os sacrif\u00edcios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Paulo se coloca ent\u00e3o a servi\u00e7o do sin\u00e9drio para ir a Damasco e \u201ctrazer presos a Jerusal\u00e9m os que l\u00e1 encontrasse pertencendo ao caminho, fossem homens ou mulheres\u201d (At 9,2). Estando em viagem, teve um inesperado e luminoso encontro com Jesus Ressuscitado que o enviou a evangelizar os gentios (cf. At 9,3-18; Gl 1,16). Paulo deixa-se tocar por este encontro e, ap\u00f3s sua convers\u00e3o, o zeloso e apaixonado judeu transformou-se no l\u00edder de um movimento que anunciava a morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus tamb\u00e9m aos pag\u00e3os. Nessa \u00e9poca, o cristianismo era ainda um movimento de abertura dentro do juda\u00edsmo, comunicado a partir das sinagogas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Da mesma maneira como viveu sua juventude como um judeu apaixonado pela Lei, Paulo entrega-se \u00e0 nova voca\u00e7\u00e3o que recebeu de Deus, em Cristo Jesus (cf. Fl 3,14; 1Cor 9,25). N\u00e3o se limitou a ser um simples participante da comunidade nova que se formava, mas tornou-se um audacioso e convicto evangelizador, indo pregar nas sinagogas da Ar\u00e1bia (cf. Gl 1,17) (por volta de 32-35 d.C). S\u00f3 voltou de l\u00e1 porque estourou uma guerra entre nabateus e galileus e teve que fugir para n\u00e3o ser preso (cf. 2Cor 11,32-33). Voltando para Antioquia da S\u00edria, Paulo visita Jerusal\u00e9m durante quinze dias (cf. Gl 1,18) e passa a viajar pelas grandes cidades da \u00c1sia Menor, Gr\u00e9cia e Maced\u00f4nia anunciando o evangelho de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Acontece, ent\u00e3o, outra profunda convers\u00e3o na vida de Paulo. Em Atenas, percorrendo a cidade e observando seus monumentos, \u201cPaulo discutia em pra\u00e7a p\u00fablica com aqueles que ia encontrando e anunciava-lhes Jesus e An\u00e1stasis, isto \u00e9, Ressurrei\u00e7\u00e3o\u201d (At 17,17-18). Convidado pelos fil\u00f3sofos, Paulo prepara com muito cuidado um discurso, usando as regras da ret\u00f3rica, preocupado em impressionar os gregos com sua sabedoria (cf. At 17,22-31). Mas, em seu discurso Paulo n\u00e3o pronuncia o nome de Jesus nem fala da Cruz. Fala somente da An\u00e1stasis, isto \u00e9, da Ressurrei\u00e7\u00e3o. Para a cultura plat\u00f4nica dos gregos, a Ressurrei\u00e7\u00e3o era um absurdo. Por isso, quando ouviram falar da ressurrei\u00e7\u00e3o, disseram-lhe: \u201cAt\u00e9 logo! N\u00f3s ouviremos voc\u00ea falar disso em outra ocasi\u00e3o!\u201d (At 17,32). Pouca gente se converteu (cf. At 17,34).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Paulo sofreu ao experimentar esse fracasso! Havia preparado com muita consci\u00eancia e dedica\u00e7\u00e3o seu discurso. A elite de Atenas reuniu-se no are\u00f3pago para ouvi-lo, cheia de curiosidade! Mas, quase ningu\u00e9m quis levar em conta a mensagem do evangelho que ele veio trazer aos gregos! Abatido, Paulo saiu de Atenas e foi para Corinto (cf. 1Cor 2,1-5). L\u00e1, junto de \u00c1quila e Priscila (cf. At 18,1-3) ele toma um tempo para aprofundar o que havia acontecido. Descobre que n\u00e3o se pode falar de Ressurrei\u00e7\u00e3o sem falar da Cruz e que a Cruz n\u00e3o tem l\u00f3gica, nem existem discursos capazes de explic\u00e1-la! (cf. 1Cor 1,18-25). Desde ent\u00e3o, centraliza sua prega\u00e7\u00e3o no Messias Crucificado e na maneira como Jesus anunciava a Boa Not\u00edcia do Reino, com exemplos do cotidiano das comunidades que viviam no interior da Palestina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ora, Paulo era da cidade e havia convivido com uma grande diversidade cultural em Tarso. Usando linguagem simples, com exemplos tirados da vida nas cidades helenistas, como o da constru\u00e7\u00e3o civil (cf. 1Cor 3,10-17); dos jogos ol\u00edmpicos (cf. 1Cor 9,24-27); da compra e resgate dos escravos no mercado (cf. 1Cor 6,20; 7,23; Gl 3,13-14), etc. Paulo passa a anunciar a Boa Nova de Jesus sem usar os recursos da orat\u00f3ria (cf. 1Cor 2,4). Al\u00e9m disso, aproxima-se dos pobres. Faz-se um deles, trabalhando com as pr\u00f3prias m\u00e3os (cf. 1Cor 4,12; At 18,3), o que era inaceit\u00e1vel para a elite grega.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas, h\u00e1 ainda uma outra grande convers\u00e3o que pode ser percebida na vida de Paulo. A partir da forma\u00e7\u00e3o que recebeu desde a inf\u00e2ncia, e da cultura das pessoas que participavam das comunidades helenistas, Paulo pede que \u201cas mulheres fiquem caladas nas assembl\u00e9ias, pois n\u00e3o lhes \u00e9 permitido tomar a palavra. Devem ficar submissas como diz a Lei\u201d (1Cor 14,34). Esta era a vis\u00e3o da maioria das pessoas naquela \u00e9poca. Pensavam que a mulher era inferior ao homem e que, por isso, devia ser-lhe submissa. Mas, quando Paulo chegou a Filipos, foi ao encontro das mulheres que se reuniam aos s\u00e1bados na beira do rio para rezar (cf. At 16,13). Entre elas estava L\u00eddia, que se converteu com toda a sua casa (cf. At 16,15), local onde come\u00e7ou a comunidade crist\u00e3 de Filipos (cf. At 16,40). Al\u00e9m disso, quando lemos o cap\u00edtulo 16 da carta aos romanos, escrita por Paulo cerca de dois anos mais tarde, encontramos muitos nomes de mulheres que ele cita com reconhecimento e carinho pela contribui\u00e7\u00e3o que elas deram no an\u00fancio do evangelho (cf. Rom 16,1-16). Esta longa refer\u00eancia a mulheres e homens mostra o relacionamento de Paulo com suas companheiras e companheiros de miss\u00e3o. Entre ele e elas existe uma rela\u00e7\u00e3o de igualdade, afeto e respeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Paulo insiste na Boa Nova da igualdade entre todas as pessoas que seguem Jesus. Sejam escravos ou livres, mulheres ou homens, judeus ou gentios, todos t\u00eam a mesma dignidade e foram batizados em um mesmo Esp\u00edrito (cf. Gl 3,26-28; 1Cor 12,13; Fm 15-16). Esta rela\u00e7\u00e3o nova caracteriza o discipulado de Jesus e sinaliza para a presen\u00e7a do Reino de Deus no mundo. Paulo resgata as rela\u00e7\u00f5es de igualdade entre participantes das comunidades crist\u00e3s, porque elas mostram, de maneira convincente, como o Reino de Deus est\u00e1 acontecendo na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No contexto atual em que a complexidade das grandes metr\u00f3poles desafia nossa capacidade de evangeliza\u00e7\u00e3o, precisamos resgatar n\u00e3o somente a metodologia usada por Paulo para anunciar o Evangelho nas grandes cidades da sua \u00e9poca. Necessitamos de uma entrega apaixonada no an\u00fancio do Reino, deixando-nos mover pelos acontecimentos, para viver em um cont\u00ednuo processo de convers\u00e3o.\u00a0 Olhando para o testemunho de Paulo, aprender que a miss\u00e3o precisa ser realizada atrav\u00e9s de um afetuoso e efetivo trabalho de equipe, em cont\u00ednua comunica\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o, superando todo tipo de preconceito.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Ir. Mercedes Lopes, mjc<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao celebrar dois mil anos do nascimento do Ap\u00f3stolo Paulo, reconhecemos com mais consci\u00eancia a import\u00e2ncia de sua atua\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria nas origens do cristianismo e a luz que nos vem do seu testemunho de viver sempre aberto ao Esp\u00edrito. 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