{"id":11051,"date":"2008-09-18T00:00:00","date_gmt":"2008-09-18T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/vocabulario-teologico-na-construcao-da-cristologia-paulina\/"},"modified":"2008-09-18T00:00:00","modified_gmt":"2008-09-18T03:00:00","slug":"vocabulario-teologico-na-construcao-da-cristologia-paulina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/vocabulario-teologico-na-construcao-da-cristologia-paulina\/","title":{"rendered":"Vocabul\u00e1rio teol\u00f3gico na constru\u00e7\u00e3o da Cristologia Paulina"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: justify\">5.1. Dez imagens marcantes da Cristologia Paulina<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>I. A justi\u00e7a de Deus se realiza mediante a f\u00e9 em Jesus Cristo \u2013 Rm\u00a0 3,21-31<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Rm 3,21 \u2013 21Mas agora, sem lei, se manifestou a justi\u00e7a de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas; 22justi\u00e7a de Deus mediante a f\u00e9 em Jesus Cristo, para todos e sobre todos os que cr\u00eaem; porque n\u00e3o h\u00e1 distin\u00e7\u00e3o,<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>II. Cristo morreu por n\u00f3s quando ainda \u00e9ramos pecadores \u2013 Rm\u00a0 5,1-11<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Rm 5,8 \u2013 8Mas Deus prova o seu pr\u00f3prio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por n\u00f3s, sendo n\u00f3s ainda pecadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>III. Cristo o novo Ad\u00e3o \u2013 Rm 5,12-21<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Rm 5,17 \u2013 17Se, pela ofensa de um e por meio de um s\u00f3, reinou a morte, muito mais os que recebem a abund\u00e2ncia da gra\u00e7a e o dom da justi\u00e7a reinar\u00e3o em vida por meio de um s\u00f3, a saber, Jesus Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>IV. Morremos com Cristo e viveremos com ele \u2013 Rm 6,1-11<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Rm 6, 8 \u2013 17Se, pela ofensa de um e por meio de um s\u00f3, reinou a morte, muito mais os que recebem a abund\u00e2ncia da gra\u00e7a e o dom da justi\u00e7a reinar\u00e3o em vida por meio de um s\u00f3, a saber, Jesus Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>V. A prega\u00e7\u00e3o da cruz como for\u00e7a de Deus \u2013 1Cor 1,18-31<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">1Cor 1,23-25 \u2013 22Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; 23mas n\u00f3s pregamos a Cristo crucificado, esc\u00e2ndalo para os judeus, loucura para os gentios; 24mas para que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus. 25Porque a loucura de Deus \u00e9 mais s\u00e1bia do que os homens; e a fraqueza de Deus \u00e9 mais forte do que os homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>VI. JESUS CRISTO, o \u00fanico alicerce \u2013 (1Cor 3,10-23)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">1Cor 3,11 \u2013 11Porque ningu\u00e9m pode lan\u00e7ar outro fundamento, al\u00e9m do que foi posto, o qual \u00e9 Jesus Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>VII. Os membros do corpo que formam um s\u00f3 conjunto &#8211; (1Cor 12,1-13,13)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">1Cor 12,12-13 \u2013 12Porque, assim como o corpo \u00e9 um e tem muitos membros, e\u00a0 todos os membros, sendo muitos, constituem um s\u00f3 corpo, assim tamb\u00e9m com respeito a Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">13Pois, em um s\u00f3 Esp\u00edrito, todos n\u00f3s fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos n\u00f3s foi dado beber de um s\u00f3 Esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>VIII &#8211; O glorioso minist\u00e9rio do Esp\u00edrito \u2013 o tesouro &#8211; (2Cor 3,4-5,21)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">2Cor 4,7 \u2013 7Temos, por\u00e9m, este tesouro em vasos de barro, para que a excel\u00eancia do poder seja de Deus e n\u00e3o de n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>IX \u2013 O Deus despojado (Kenosis) \u2013 (Fl 2,1-30)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Fl 2,7 \u2013 7antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhan\u00e7a de homens; e, reconhecido em figura humana, 8 a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente at\u00e9 a morte e morte de cruz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>X \u2013 Ele \u00e9 a cabe\u00e7a do corpo, que \u00e9 a Igreja \u2013 (Cl 1,9-2,23)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Cl 1,18 \u2013 18Ele \u00e9 a cabe\u00e7a do corpo, da igreja. Ele \u00e9 o princ\u00edpio, o primog\u00eanito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia, 19porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">T\u00edtulos cristol\u00f3gicos<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">A titula\u00e7\u00e3o cristol\u00f3gica na literatura paulina n\u00e3o inclui certos t\u00edtulos pr\u00f3prios da tradi\u00e7\u00e3o sobre Jesus, como mestre, profeta, filho do homem e servo. Paulo trabalha com tr\u00eas t\u00edtulos fundamentais, com desdobramentos cristol\u00f3gicos qualificativos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Entre os t\u00edtulos tradicionais est\u00e3o: Cristo\/ Christ\u00f3s; Senhor\/K\u00farios; Filho de Deus\/\u00d9i\u00f3s tou Theo\u00fa. Entre os t\u00edtulos novos, desdobrados destes tr\u00eas tradicionais est\u00e3o: \u00daltimo Ad\u00e3o\/ \u00f2 eschatos Adam; Imagem de Deus\/ Eik\u00f3n Theo\u00fa; Deus.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">a)\u00a0 Cristo\/Krist\u00f3s<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Este \u00e9 o t\u00edtulo mais freq\u00fcente, cerca de 270 ocorr\u00eancias, com mais outras 114 nas cartas deutero &#8211; paulinas. De certo modo, o grande n\u00famero de ocorr\u00eancias leva a uma qualifica\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo como nome pr\u00f3prio de pessoa, especialmente quando junto de Jesus, Rm 1,1, perdendo a for\u00e7a significativa de Messias. Parece que essa era j\u00e1 uma pr\u00e1tica antes de Paulo. Talvez em Rm 9,5\u00a0 e ICor 10,4 esteja presente no voc\u00e1bulo o sentido de t\u00edtulo. Contudo, \u00e9 observ\u00e1vel que Paulo nunca afirma explicitamente que Jesus \u00e9 o Cristo-Messias prometido no Antigo Testamento. Mas, parece que ele pressup\u00f5e o sentido de t\u00edtulo quando \u201cSenhor \u00e9 Jesus\u201d, Rm 10,9, ICor 12,3, ou o \u201cSenhor \u00e9 Jesus Cristo\u201d, Fl 2,11, ou\u00a0 \u201co Senhor nosso Jesus Cristo\u201d, nunca usando \u201cSenhor \u00e9 Cristo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A significa\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica desse t\u00edtulo se apreende no enunciado das f\u00f3rmulas de f\u00e9, refer\u00eancia aos conceitos relativos ao evento salv\u00edfico, como a cruz, os sofrimentos, a ressurrei\u00e7\u00e3o, corpo-sangue, o Esp\u00edrito, o \u00e1gape, a gl\u00f3ria, a liberta\u00e7\u00e3o, reconcilia\u00e7\u00e3o, justifica\u00e7\u00e3o, f\u00e9. Ele nunca diz \u2018os sofrimentos do Senhor ou do Filho\u2019. Ele sempre diz dos sofrimentos de Cristo, como em IICor 1,5 e Fl 3,10. Compreende-se que Cristo designa a pessoa do evento salv\u00edfico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O t\u00edtulo tamb\u00e9m aparece nas locu\u00e7\u00f5es eclesiol\u00f3gicas, seja em refer\u00eancias individuais, como ap\u00f3stolo, servo, di\u00e1cono. A refer\u00eancia \u00e9 sempre \u2018de Cristo\u2019. Ou em refer\u00eancias de car\u00e1ter comunit\u00e1rio como a express\u00e3o t\u00edpica \u2018corpo de Cristo\u2019, significando perten\u00e7a e ao que \u00e9 constitutivo da vida crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tamb\u00e9m, o t\u00edtulo Cristo aparece nas par\u00eaneses, enquanto o ap\u00f3stolo recomenda o acolhimento ou gestos fraternos e solid\u00e1rios como Cristo. Isso evoca o fundamento cristol\u00f3gico da \u00e9tica e sua import\u00e2ncia na obra salv\u00edfica de Cristo. Neste mesmo \u00e2mbito aparecem refer\u00eancias mais de tipo m\u00edstico como aquela de Gl 2,20: \u201cN\u00e3o sou eu quem vive, \u00e9 Cristo quem vive em mim\u201d ou \u201cpara mim viver \u00e9 Cristo\u201d (Fl 1,21). Outras ocorr\u00eancias aparecem em refer\u00eancia \u00e0 parusia quando se refere ao \u2018dia de Cristo\u2019, em Fl 1,6.10; 2,16.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Conclui-se que a significa\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica da refer\u00eancia Cristo \u00e9 consistente e pr\u00f3pria. \u00c9 diferente da compreens\u00e3o sem\u00e2ntica presente na ling\u00fc\u00edstica messi\u00e2nica do Juda\u00edsmo, contexto do qual ele procede. Cristo \u00e9, pois, \u00e9 a refer\u00eancia que significa a indica\u00e7\u00e3o daquele que \u00e9 o protagonista dos eventos salv\u00edficos, o objeto essencial da f\u00e9 e o elemento distintivo da identidade crist\u00e3.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">b) Senhor\/K\u00farios<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">S\u00e3o 190 ocorr\u00eancias deste t\u00edtulo nas cartas aut\u00eanticas e 82 nas deutero-paulinas, sendo que uma boa parte \u00e9 refer\u00eancia a Deus, de modo semelhante \u00e0 compreens\u00e3o de sua tradi\u00e7\u00e3o judaica. Isso se torna, naturalmente, um desafio hermen\u00eautico. Quando, ent\u00e3o, o t\u00edtulo Senhor se une ao t\u00edtulo Cristo o sentido cristol\u00f3gico \u00e9 incontestavelmente evidente. S\u00e3o 64 ocorr\u00eancias, como em Rm 14,14, quando Paulo diz: \u201cEu sou e fui persuadido pelo Senhor Jesus\u201d, ou I Cor 9,1: \u201cN\u00e3o vi o Senhor?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u2018Senhor\u2019, como refer\u00eancia de significa\u00e7\u00e3o cristol\u00f3gica, tem este sentido quando o t\u00edtulo aparece inserido em frases como:\u00a0 ICor 2,9 \u201c&#8230;n\u00e3o crucificaram o Senhor da Gl\u00f3ria?\u201d; ICor 6,14: \u201c Deus ressuscitou o Senhor\u201d; ICor 7,10: \u201cordeno n\u00e3o eu mas o Senhor\u201d. Rm 14,6-9 o t\u00edtulo \u2018Senhor\u2019 aparece por seis vezes em refer\u00eancia ao tema pascal do morrer-viver em Cristo. Compreende-se que dele como Senhor \u00e9 que vem o sentido da vida e da morte do crist\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u2018Em Cristo\/ \u00e9n K\u00fary\u00f3\u201d ocorre cerca de 30 vezes com um evidente sentido cristol\u00f3gico, com alguma nuance tomada do Antigo Testamento, como em ICor 1,31 e II Cor 10,17, em refer\u00eancia a Jer 9,23, mas em paralelo\u00a0 ao sintagma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em algumas cita\u00e7\u00f5es b\u00edblicas o t\u00edtulo se refere a Deus e a Cristo, como em Rm 10 citando Jl 3,5; I Cor 1,31 citando Jer 9,23; I Cor\u00a0 2,16 citando Is 40,13; I Cor 10,26 citando Sl 24.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u2018Dia do Senhor\u2019\/ \u00e9m\u00e9ra K\u00faryou tem ra\u00edzes no Antigo Testamento, mantendo algumas vezes o sentido teol\u00f3gico original de \u2018dia de ira e da manifesta\u00e7\u00e3o do ju\u00edzo de Deus\u2019, como em Rm2,5. A conota\u00e7\u00e3o cristol\u00f3gica \u00e9 evidente quando se usa a express\u00e3o \u201cdia do Senhor nosso Jesus Cristo ( ICor 1,8; IICor 1,14), ou \u201cdia de Cristo\u201d (Fl 1,6.10 e 2,16), ou ainda o uso tradicional de \u201cdia do Senhor\u201d (ICor 5,5; ITs 5,2.4). Isso se confirma quando aparece em correla\u00e7\u00e3o \u00e0 parusia, dita de Cristo (I Cor 15,23), ou do Senhor Jesus (ITs 2,19; 3,13; 5,23), ou do Senhor (ITs 4,15). Ou tamb\u00e9m nas refer\u00eancias \u00e0s vindas futuras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 importante sublinhar, nesse contexto, entre outros aspectos, a grande novidade crist\u00e3 quando se trata do Shem\u00e1, a confiss\u00e3o fundamental da f\u00e9 hebraica, Dt 6,4. Em Flp 2,11 o estrito monote\u00edsmo hebraico \u00e9 enriquecido pela introdu\u00e7\u00e3o da qualifica\u00e7\u00e3o \u201cDeus\u201d e \u201cSenhor\u201d, com uma evidente coincid\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em s\u00edntese, a sem\u00e2ntica crist\u00e3 da significa\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo ocorre especialmente quando se trata de aclama\u00e7\u00f5es, quando os crist\u00e3os firmam sua identidade reconhecendo o Cirsto como seu Senhor e Senhor do mundo (Rm 10,9; ICor 8,6); e nas exorta\u00e7\u00f5es paren\u00e9ticas, quando se firma que o batizado n\u00e3o tem outro Senhor a n\u00e3o ser Jesus Cristo, no compromisso de viver toda a sua exist\u00eancia buscando agrad\u00e1-lo (ICor 7,10.32)<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">c)\u00a0\u00a0\u00a0 Filho de Deus\/\u00d9i\u00f3s to\u00fa Theo\u00fa<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Este \u00e9 um t\u00edtulo raro nos escritos paulinos, embora de grande peso sem\u00e2ntico. S\u00e3o 15 ocorr\u00eancias ( Rm 1,3.4.9; 8,3.29.32; ICor 1,9; 15,28; IICor 1,19; Gl 1,16; 2,20; 4,4.6; ITs 1,10; al\u00e9m de Col 1,13 e Ef 4,13).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No contexto pr\u00e9-paulino, Rm 1,3b-4a, a \u00f3tica \u00e9 de uma cristologia \u2018adocionista\u2019, ligada \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o como entroniza\u00e7\u00e3o real. Paulo ajusta essa perspectiva mostrando que Jesus \u00e9 Filho desde sempre, como se v\u00ea em ITs 1,10.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A significa\u00e7\u00e3o aparece quando as f\u00f3rmulas s\u00e3o de miss\u00e3o, (Rm 8,3; Gl 4,4) refer\u00eancia \u00e0 condi\u00e7\u00e3o divina do Filho de Deus pressupondo, pois, a sua pr\u00e9-exist\u00eancia. Os verbos usados (Ecsap\u00e9steilen e P\u00e9mpsas) evocam as ocorr\u00eancias de Sab 9,10.17 quando se pede o envio da Sabedoria dos c\u00e9us. O envio da Sabedoria significa a reden\u00e7\u00e3o da Lei, em Rm 8,3, agravada por sua conex\u00e3o com o pecado. O resultado \u00e9 a conquista da condi\u00e7\u00e3o de filhos adotivos. \u00c9, pois, total a confian\u00e7a depositada no Filho. Tamb\u00e9m aparece esta significa\u00e7\u00e3o quando do uso das f\u00f3rmulas de doa\u00e7\u00e3o. Sublinha-se o gesto de benevol\u00eancia. \u00c9 o gesto de doa\u00e7\u00e3o que Cristo faz de si, no esquema judaico da \u2018\u00e1qed\u00e1h. Assim, Jesus \u00e9 o conte\u00fado do Evangelho, como aparece nas narrativas da experi\u00eancia na estrada de Damasco; a comunh\u00e3o com o Filho traz a novidade antropol\u00f3gica da constitui\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia de Deus, referindo-se aos batizados, entre os quais Jesus tem o papel de primog\u00eanito, Rm 8,29. Ainda, a significa\u00e7\u00e3o aparece na refer\u00eancia \u00e0 parusia, sublinhando a perman\u00eancia de uma comunh\u00e3o que sustenta o crist\u00e3o diante da ira de Deus (ICor,19; ITs 1,10, bem como a submiss\u00e3o escatol\u00f3gica do Filho ao Pai mostrando o que se chama\u00a0 \u2018teoarquismo\u2019 e \u2018teotelismo\u2019 do Pai no processo de salva\u00e7\u00e3o (ICor 15,28).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esse t\u00edtulo configura a proximidade e afinidade de Jesus Cristo com Deus, um relacionamento de gera\u00e7\u00e3o e n\u00e3o de ado\u00e7\u00e3o. Contudo, este t\u00edtulo que ocorre t\u00e3o pouco n\u00e3o s\u00f3 ele diz tudo da afirma\u00e7\u00e3o da divindade de Jesus. Na verdade, o t\u00edtulo Kyrios \u00e9 que sugere e sublinha a equipara\u00e7\u00e3o de Jesus com Deus. O t\u00edtulo Filho de Deus expressa o conceito de uma rela\u00e7\u00e3o que une Jesus a Deus, impedindo que Ele como Senhor venha ser considerado como um segundo Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Outros t\u00edtulos ocorrem como \u201c\u00daltimo Ad\u00e3o\u201d ( ICor 15,45), quando Paulo acentua a tipologia antit\u00e9tica Ad\u00e3o-Cristo, em ICor 15,21-22.45-49, focalizando a morte f\u00edsica e a ressurrei\u00e7\u00e3o de todos; e em Rm 5,12-21, com uma perspectiva sobre o pecado, focalizando o resultado danoso do pecado e sua reden\u00e7\u00e3o. Observa-se que Paulo usa nessa tipologia Ad\u00e3o e n\u00e3o Mois\u00e9s, acentuando a dimens\u00e3o universal e menos aquela nacionalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Entre estes outros t\u00edtulos, \u201cImagem de Deus\u201d, IICor 4,4, uma refer\u00eancia a Gn 1,26; 9,6, falando da imagem e semelhan\u00e7a; Sab 7,26 em refer\u00eancia \u00e0 Sabedoria como reflexo da luz perene e espelho da luz sem mancha da atividade e da bondade de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 um t\u00edtulo rico de significa\u00e7\u00f5es. Cristo n\u00e3o \u00e9 uma c\u00f3pia, mas um representante vivo de Deus, por isso digno do culto de adora\u00e7\u00e3o religiosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os Crist\u00e3os s\u00e3o chamados a ser \u2018conforme a imagem do Filho de Deus\u2019 ( Rm 8,29). Isso significa dizer, um chamado \u00e0 participa\u00e7\u00e3o efetiva na filia\u00e7\u00e3o de Cristo, uma refer\u00eancia \u00fanica para configurar sua identidade nesta e na outra vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u2018Deus\u2019 \u00e9 tamb\u00e9m uma qualifica\u00e7\u00e3o referida a Cristo, Rm 9,5, o Deus bendito nos s\u00e9culos. Ele est\u00e1 acima de qualquer coisa. Ele n\u00e3o usa o t\u00edtulo Deus para qualificar a Cristo. Em I Cor 8,6 distingue claramente entre \u2018um s\u00f3 Deus\u2019, refer\u00eancia ao Pai, e \u2018um s\u00f3 Senhor\u2019, em refer\u00eancia a Cristo. N\u00e3o \u00e9 que venha negada a divindade de Cristo. Ela \u00e9 afirmada\u00a0 especialmente com os tr\u00eas conceitos tradicionais referidos anteriormente.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Walmor Oliveira de Azevedo<br \/>Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>5.1. Dez imagens marcantes da Cristologia Paulina I. A justi\u00e7a de Deus se realiza mediante a f\u00e9 em Jesus Cristo \u2013 Rm\u00a0 3,21-31 Rm 3,21 \u2013 21Mas agora, sem lei, se manifestou a justi\u00e7a de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas; 22justi\u00e7a de Deus mediante a f\u00e9 em Jesus Cristo, para todos e sobre &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/vocabulario-teologico-na-construcao-da-cristologia-paulina\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Vocabul\u00e1rio teol\u00f3gico na constru\u00e7\u00e3o da Cristologia Paulina<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/11051"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=11051"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/11051\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=11051"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=11051"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=11051"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}