{"id":11053,"date":"2008-09-04T00:00:00","date_gmt":"2008-09-04T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-forca-estruturante-da-cristologia-no-pensamento-teologico-paulino\/"},"modified":"2008-09-04T00:00:00","modified_gmt":"2008-09-04T03:00:00","slug":"a-forca-estruturante-da-cristologia-no-pensamento-teologico-paulino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-forca-estruturante-da-cristologia-no-pensamento-teologico-paulino\/","title":{"rendered":"A for\u00e7a estruturante da Cristologia no pensamento teol\u00f3gico paulino"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">A Cristologia Paulina emerge da experi\u00eancia do encontro pessoal de Paulo com Cristo e da reflex\u00e3o a respeito dele. N\u00e3o bastaria ao ap\u00f3stolo o conhecimento que possu\u00eda da Sagrada Escritura e da pr\u00f3pria hist\u00f3ria humana para alavancar a rica abordagem cristol\u00f3gica por ele oferecida. A experi\u00eancia do encontro \u00e9 a fonte dessa compreens\u00e3o rica. Cristo \u00e9, pois, o centro de sua reflex\u00e3o. A centralidade de Cristo na sua reflex\u00e3o lhe permite a configura\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o do seu pensamento teologicamente complexo e de diferentes nuances.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Compreende-se, ent\u00e3o, que Cristo, no seu encontro pessoal com Ele, \u00e9 a chave hermen\u00eautica da constru\u00e7\u00e3o do seu patrim\u00f4nio conceitual teol\u00f3gico. Sua compreens\u00e3o de Cristo articula a novidade do seu pensamento e d\u00e1 luz nova \u00e0s ra\u00edzes judaicas do seu conhecimento. Alguns conceitos no seu horizonte de compreens\u00e3o revelam a asser\u00e7\u00e3o acima e comprovam a for\u00e7a estruturante de sua cristologia como base de seu pensamento teol\u00f3gico. Vale, pois, tomar os conceitos teol\u00f3gicos de Deus, Esp\u00edrito, Cruz, Igreja, Crist\u00e3o e dia final para perceber a riqueza sem\u00e2ntica usada por Paulo para explicitar a sua compreens\u00e3o de Jesus. Na verdade, ocorre, \u00e0 luz da compreens\u00e3o de Jesus, uma verdadeira nova sistematiza\u00e7\u00e3o do tecido da pr\u00f3pria compreens\u00e3o da f\u00e9, seja da f\u00e9 hebraica, seja da f\u00e9 crist\u00e3. Essa configura\u00e7\u00e3o singular vem da singularidade do mist\u00e9rio de Cristo que ele compreende e explicita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">DEUS: passa a ser compreendido n\u00e3o apenas como o Pai de Israel, o Deus do Shemah (Ex 4,22: Dt 32,6; Jr 3,4.19; Os 11,1), ou pai do Messias, ou ainda o pai no sentido gen\u00e9rico (ICr 29,10; Is 63,15 ou M 6,9). Paulo focaliza toda sua import\u00e2ncia maior na refer\u00eancia a Deus como \u201cO Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo\u201d (Rm 15,6; IICor 1,3; 11,31). Ele sublinha, de modo muito especial, a dimens\u00e3o relacional deste filho com o pai. O Pai envia ao Filho com a miss\u00e3o de realizar o ato central da hist\u00f3ria e de sua a\u00e7\u00e3o no mundo, a reden\u00e7\u00e3o. H\u00e1, nesse \u00e2mbito, uma perspectiva a ser sublinhada diferente da perspectiva presente na Haggadah pascal, presente em Dt 26,8, que pensa Deus como o Salvador, ele pr\u00f3prio, sem nenhuma media\u00e7\u00e3o. Cristo, o Filho Amado do Pai, \u00e9 o mediador. \u00c9 por meio dele \/ dia que o Pai realiza seu des\u00edgnio de salva\u00e7\u00e3o. Nesta rela\u00e7\u00e3o com o Pai, na morte de Cristo (Rm 7,4), na sua vida de ressuscitado (ICor 1,21), na sua prega\u00e7\u00e3o, e na condi\u00e7\u00e3o do crist\u00e3o, ele Cristo \u00e9 o mediador. \u00c9 por Ele que se chega a Deus. O uso de \u2018prosagog\u00e9\u2019, \u00fanico em toda a B\u00edblia Grega, ocorr\u00eancias na literatura paulina, em Rm 5,2 e Ef 2,18 e 3,12, acentua a perspectiva de que \u00e9 por meio de Nosso Senhor Jesus Cristo que chegamos \u00e0 gra\u00e7a na qual somos salvos. Esse verbo tem na sua significa\u00e7\u00e3o a nuance sem\u00e2ntica da aproxima\u00e7\u00e3o, num movimento semelhante ao do barco que se aproxima do porto; semelhante a algu\u00e9m que \u00e9 introduzido para audi\u00eancia na presen\u00e7a do rei ou daquele que se aproxima do altar para fazer a sua oferta. Cristo,\u00a0 como mediador de Deus, seu Filho Redentor, elimina toda dist\u00e2ncia e sentimento de estranheza em se tratando da rela\u00e7\u00e3o com Deus. Por Cristo, e com Cristo todo homem pode olhar a Deus face a face e dele se aproximar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Esp\u00edrito era uma refer\u00eancia para falar de Deus, o Santo. Paulo o compreende e o qualifica como Esp\u00edrito de Cristo (Rm 8,9), do Filho (Gl 4,6, de Jesus Cristo (Fl 1,19). \u00c9 grande a import\u00e2ncia do aug\u00fario trinit\u00e1rio de IICor 13,13:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cA gra\u00e7a do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunh\u00e3o do Esp\u00edrito Santo estejam com todos v\u00f3s.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 \u00e0 luz da gra\u00e7a de Nosso Senhor Jesus Cristo que se pode compreender e experimentar o amor de Deus Pai e a comunh\u00e3o do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Cruz, na compreens\u00e3o paulina, tem seu sentido explicitado pela moldura que recebe do horizonte da cristologia. Ao falar de cruz, ele fala da cruz de Cristo, por isso tem sentido o convite de carregar a pr\u00f3pria cruz. Pois que a cruz com Cristo se torna fonte de reden\u00e7\u00e3o. A cruz de Cristo \u00e9 o instrumento de sua oferta redentora. Por isso, o crist\u00e3o dela participa enquanto imers\u00e3o no mist\u00e9rio da morte de Cristo, partilhando secundariamente dos seus sofrimentos. Por isso mesmo, Paulo compreende que os sofrimentos da miss\u00e3o apost\u00f3lica significam essa participa\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria no sofrimento de Cristo. S\u00e3o os sofrimentos suportados pelo bem do an\u00fancio do Evangelho de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Igreja \u00e9 entendida, \u00e0 luz da Cristologia, como Corpo de Cristo (ICor 12,27). Para al\u00e9m de um poss\u00edvel sentido de compara\u00e7\u00e3o metaf\u00f3rica, o ap\u00f3stolo sublinha especialmente o sentido de que a Igreja n\u00e3o existe e n\u00e3o subsiste sem um especial relacionamento e refer\u00eancia a Cristo. \u00c9 dele que vem a sua identidade. Uma identidade que sustenta o verdadeiro sentido de Povo de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Bem assim, o Crist\u00e3o s\u00f3 define sua fei\u00e7\u00e3o autenticamente na medida em que vive sua vida \u2018em Cristo Jesus\u2019 e na medida em que nele Cristo vive. Esta vida do crist\u00e3o, na perspectiva do dia final, \u2018o dia do Senhor\u2019, \u00e9 compreendido como um momento decisivo vivido em Cristo e para Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 inquestion\u00e1vel, pois, que Paulo configura sua teologia a partir da sua f\u00e9 cristol\u00f3gica. N\u00e3o \u00e9 um segundo Deus, embora trabalhe de maneira clara sua pr\u00f3pria ontologia pessoal. Sua condi\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria \u00e9 esta: reconduzir o homem a uma nova e profunda comunh\u00e3o com Deus. Assim, seu senhorio realiza no mundo o senhorio de Deus. Cristo \u00e9, portanto o mediador entre Deus e o homem.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Walmor Oliveira de Azevedo<br \/>Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Cristologia Paulina emerge da experi\u00eancia do encontro pessoal de Paulo com Cristo e da reflex\u00e3o a respeito dele. N\u00e3o bastaria ao ap\u00f3stolo o conhecimento que possu\u00eda da Sagrada Escritura e da pr\u00f3pria hist\u00f3ria humana para alavancar a rica abordagem cristol\u00f3gica por ele oferecida. A experi\u00eancia do encontro \u00e9 a fonte dessa compreens\u00e3o rica. 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