{"id":11054,"date":"2008-09-01T00:00:00","date_gmt":"2008-09-01T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/as-origens-da-cristologia-paulina\/"},"modified":"2008-09-01T00:00:00","modified_gmt":"2008-09-01T03:00:00","slug":"as-origens-da-cristologia-paulina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/as-origens-da-cristologia-paulina\/","title":{"rendered":"As origens da Cristologia Paulina"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 importante considerar, em primeiro lugar, o horizonte mais amplo do pensamento do ap\u00f3stolo Paulo, este se configura em torno da concep\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo como o Filho de Deus. Assim, sua Cristologia, permeia ent\u00e3o todo o seu pensamento e joga luzes em todas as dire\u00e7\u00f5es de sua abordagem teol\u00f3gica. H\u00e1 um exemplo interessante, entre outros, quando o ap\u00f3stolo, de maneira midr\u00e1schica, apresenta Jesus, dirigindo-se aos Cor\u00edntios, como aquela rocha da qual os Israelitas receberam a \u00e1gua durante sua peregrina\u00e7\u00e3o pelo deserto:<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201c\u2026todos beberam da mesma bebida espiritual; de fato, bebiam de uma rocha espiritual que os acompanhava. Essa rocha era o Cristo.\u201d (ICor, 10,4)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 muito claro que Paulo trabalha aqui a partir da compreens\u00e3o sapiencial que trata do papel personificado da sabedoria em Israel (Sb 11,2-4). O ap\u00f3stolo, na verdade, compreende que Cristo Jesus \u00e9 esta sabedoria de Deus vinda na carne, na condi\u00e7\u00e3o humana:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201c Mas para os que s\u00e3o chamados, tanto judeus como gregos, Cristo \u00e9 o poder de\u00a0\u00a0 Deus e sabedoria de Deus.\u201d (ICor 1,24)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">V\u00ea-se, ent\u00e3o, a largueza e o alcance da concep\u00e7\u00e3o paulina a respeito de Cristo, compreendendo, pois, que Ele estava envolvido nas coisas de Deus, antes de seu nascimento e de seu minist\u00e9rio terrestre. Assim, ao pensar as ra\u00edzes da Cristologia Paulina, pode-se detectar o seu longo alcance, permeando e fecundando toda a compreens\u00e3o teol\u00f3gica de Paulo, tornando-se a refer\u00eancia central de sua experi\u00eancia de f\u00e9, de sua compreens\u00e3o da vida na comunidade e de seus ensinamentos teol\u00f3gicos. Uma centralidade de Cristo que n\u00e3o apenas opera como for\u00e7a conceitual, mas, tem uma for\u00e7a experiencial determinante. Na verdade, \u00e9 o segredo transformador de sua experi\u00eancia de convers\u00e3o e a alavanca magn\u00edfica de sua invej\u00e1vel for\u00e7a no sustento de sua miss\u00e3o. Assim, ao considerar as origens da Cristologia Paulina, h\u00e1 de se considerar dois movimentos fortes. Um se encontra na dire\u00e7\u00e3o do que Paulo tinha como ra\u00edzes de conceitos e tradi\u00e7\u00f5es influenciando sua compreens\u00e3o e abordagem teol\u00f3gicas. Outra dire\u00e7\u00e3o \u00e9 aquela que faz Paulo, a partir de Cristo, como no exemplo acima, compreender toda a hist\u00f3ria e a vida.<\/p>\n<h4>A abordagem da origem da Cristologia Paulina<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Essa abordagem pode ser feita a partir de diferentes perspectivas, comprovando sua inquestion\u00e1vel e complexa riqueza de pensamento e articula\u00e7\u00e3o da sua compreens\u00e3o de Cristo Jesus. Tr\u00eas perspectivas importantes n\u00e3o podem deixar de ser consideradas para a comprens\u00e3o da sua cristologia: 1. o Juda\u00edsmo, lembrando Paulo como Fariseu e, conseq\u00fcentemente, a for\u00e7a e particularidades de sua cren\u00e7a a respeito da vinda do Messias. 2. o Helenismo, uma influ\u00eancia que n\u00e3o pode ser desconhecida e descartada. Quando se fala do t\u00edtulo Kyrios, a apropria\u00e7\u00e3o do conceito tem ra\u00edzes, obviamente, no sentido pag\u00e3o do uso de \u201cSenhor\u201d, com suas influ\u00eancias\u00a0 no pensamento crist\u00e3o dos in\u00edcios. 3. a Convers\u00e3o de Paulo ou\u00a0 seu chamamento e a tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 primitiva. Nesses tr\u00eas \u00e2mbitos se concentram ra\u00edzes importantes, com ricos desdobramentos e informa\u00e7\u00f5es, de sua bem elaborada vis\u00e3o cristol\u00f3gica.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify\">\n<ol>\n<li>Quando se pensa, pois, o Juda\u00edsmo, \u00e9 inquestion\u00e1vel a for\u00e7a de sua influ\u00eancia na concep\u00e7\u00e3o que Paulo tem a respeito da vinda do Messias. Ele n\u00e3o fala t\u00e3o explicitamente da sua concep\u00e7\u00e3o a partir da matriz farisaica. N\u00e3o se det\u00e9m nessa explicita\u00e7\u00e3o. Obviamente que, na base de sua concep\u00e7\u00e3o messi\u00e2nica, est\u00e1 a convic\u00e7\u00e3o a respeito da vinda de um Messias, humano e de origem dav\u00eddica. \u00c9 claro que Paulo recebe muito destas concep\u00e7\u00f5es do messianismo judaico, particularmente do farisa\u00edsmo. A detec\u00e7\u00e3o desses estratos sup\u00f5e um percurso pr\u00f3prio e abordagens muito espec\u00edficas. Aqui, basta a refer\u00eancia incontest\u00e1vel da influ\u00eancia dessas concep\u00e7\u00f5es messi\u00e2nicas existentes e presentes, de maneira forte, no tempo precedente \u00e0 vinda de Cristo.<\/li>\n<li>Em se tratando do mundo do helenismo, \u00e9 incontest\u00e1vel que de l\u00e1 vieram muitos elementos influentes para o pensamento paulino como para os conceitos do cristianismo nascente. Essas averigua\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas especialmente por interm\u00e9dio da hist\u00f3ria das religi\u00f5es, quando se constata a presen\u00e7a de formas pr\u00f3prias advindas do mundo Greco-romano. Nesse sentido, o corpo liter\u00e1rio de Macabeus e Sir\u00e1cida atesta uma clara influ\u00eancia do helenismo no pensamento judaico em se tratando da concep\u00e7\u00e3o de Deus.<\/li>\n<li>Nas cartas paulinas e no seu pensamento, \u00e9 significativa a centralidade da refer\u00eancia \u00e0 sua convers\u00e3o\/chamamento, focalizando a relev\u00e2ncia do seu encontro e \u00e0 confiss\u00e3o da f\u00e9 crist\u00e3 nos in\u00edcios. A formula\u00e7\u00e3o de sua cristologia, ent\u00e3o, recebe dessa refer\u00eancia uma consider\u00e1vel e determinante influ\u00eancia. H\u00e1 de se considerar, pois, a relev\u00e2ncia de sua experi\u00eancia e a liga\u00e7\u00e3o desta com a confiss\u00e3o crist\u00e3 primitiva.<\/li>\n<\/ol>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">Em Gl 1,11-23 se encontra a mais antiga coloca\u00e7\u00e3o de Paulo a respeito de sua convers\u00e3o e suas conseq\u00fc\u00eancias. Ele destaca que n\u00e3o recebeu o evangelho por meio de seres humanos. Sua experi\u00eancia n\u00e3o \u00e9 fruto de interven\u00e7\u00f5es ou instru\u00e7\u00f5es humanas. Seu testemunho afirma que recebeu a revela\u00e7\u00e3o diretamente de Deus. \u00c9 claro que o mais importante, ele enfatiza, \u00e9 o Evangelho que recebeu, mais do que o fato de sua convers\u00e3o, como conseq\u00fc\u00eancia. Nesse sentido, verifica-se uma diferen\u00e7a entre a narrativa de G\u00e1latas e as narrativas dos Atos dos Ap\u00f3stolos, 9 e 22 que acentuam a perspectiva de sua convers\u00e3o. Em Atos 9, Ananias cumpre o que lhe \u00e9 designado de ir ao encontro de Saulo para lhe dar o sinal, ser batizado, enquanto em Atos 22, Ananias exp\u00f5e algo acerca do encargo do ap\u00f3stolo. Bem assim, como em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 narrativa de Atos 26. De qualquer forma, \u00e9 importante sublinhar que Paulo entende que sua miss\u00e3o, o encargo recebido e o conte\u00fado essencial de sua miss\u00e3o n\u00e3o vieram de seres humanos. \u00c9 muito claro que Ananias n\u00e3o foi a inst\u00e2ncia \u00faltima de instru\u00e7\u00e3o e encargo para Paulo na sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201c Mas o Senhor disse a Ananias: Vai, porque este homem \u00e9 um instrumento que escolhi para levar o meu nome \u00e0s na\u00e7\u00f5es pag\u00e3s e aos reis, e tamb\u00e9m aos israelitas.\u201d (At 9,15)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cEle (Ananias), ent\u00e3o, me disse: O Deus de nossos pais escolheu-te para conheceres a sua vontade, veres o Justo e ouvires a sua pr\u00f3pria voz.\u201d (At 22,14)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cTodos n\u00f3s ca\u00edmos por terra. Ent\u00e3o, ouvi uma voz que me dizia, em hebraico: Saul, Saul, por que me persegues? \u00c9 in\u00fatil teimares contra o ferr\u00e3o! Eu respondi: Quem \u00e9s, Senhor? E o Senhor me respondeu: Eu sou Jesus, aquele que est\u00e1s perseguindo. Mas, agora, levanta-te e fica de p\u00e9\u2026\u201d ( At 26,14-16)<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\">Elementos referenciais importantes<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">Nesse \u00e2mbito est\u00e3o alguns elementos de refer\u00eancia, muito importantes, a serem considerados: o Evangelho de Cristo, Cristo Ressuscitado e Exaltado, a corporalidade de Cristo, Cristo Salvador.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify\">\n<ol>\n<li>Paulo insiste no conte\u00fado do Evangelho e se preocupa com ele. N\u00e3o \u00e9 sua preocupa\u00e7\u00e3o mostrar provas da autenticidade de sua condi\u00e7\u00e3o de crist\u00e3o. Ora, ele identifica o seu Evangelho com o \u201cEvangelho de Cristo\u201d, Gl 1,7, isto \u00e9, o Evangelho que vem de Cristo, Cristo \u00e9 o seu conte\u00fado. Por isso, ele acentua o querer de Deus na revela\u00e7\u00e3o do seu filho a ele, Gl 1,15-16. O Filho de Deus \u00e9, pois, o conte\u00fado desta revela\u00e7\u00e3o. Isso comprova o seu testemunho de que n\u00e3o foi Ananias quem lhe ensinou algo sobre Cristo. Ananias lhe faz uma revela\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica, sem nenhuma instru\u00e7\u00e3o ou conselho oferecidos. Contudo, \u00e9 importante ter presente que Paulo testemunha ter recebido tradi\u00e7\u00f5es e ensinamentos sobre Jesus advindos de outros crist\u00e3os, como \u00e9 o caso de Pedro, quando ele visitou Jerusal\u00e9m, Gl 1,18, bem como testemunha em Gl 2,1-10.<\/li>\n<li>Cristo Ressuscitado e Exaltado: o ap\u00f3stolo aprendeu que Cristo estava vivo. Ele era um fariseu e acreditava na ressurrei\u00e7\u00e3o. Sem dificuldade, compreendeu que os crist\u00e3os professavam essa verdade da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. Na 1\u00aa Carta aos Cor\u00edntios, ele sublinha essa perspectiva:<\/li>\n<\/ol>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cEu n\u00e3o vi o Senhor ressuscitado?\u201d (ICor 9,1) e ICor 15,8: \u201c\u2026por \u00faltimo, apareceu tamb\u00e9m a mim, que sou como um aborto.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Paulo compreende que Jesus Ressuscitado, vivo no c\u00e9u, \u00e9 o ungido de Deus. Sua morte vitoriosa o entroniza como o ungido de Deus. Ele se fez maldi\u00e7\u00e3o por todos a fim de redimir todos do jugo da lei. Assim, a ressurrei\u00e7\u00e3o ilumina toda a compreens\u00e3o de Paulo a respeito de Jesus e sua crucifix\u00e3o\u00a0 (ICor 12,3) Foi a sua experi\u00eancia no caminho de Damasco que iluminou essa sua compreens\u00e3o de Jesus. Anteriormente, ele via Jesus do ponto de vista meramente humano (IICor 5,16), jamais como o messias judeu. Sua experi\u00eancia o leva a ver Cristo Jesus como o Filho de Deus, naturalmente sustentado pelas tradi\u00e7\u00f5es apost\u00f3licas compartilhadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sua experi\u00eancia no caminho de Damasco o leva a compreender que Jesus \u00e9 plena e estreitamente identificado com os crist\u00e3os. O Senhor ressuscitado pergunta a Paulo: \u201cPor que me persegues? \u2026 Eu sou Jesus a quem est\u00e1s perseguindo (At 9,4-5; At 22,7-8; At 26,14-15). H\u00e1, pois, uma conseq\u00fcente compreens\u00e3o e conclus\u00e3o de que os crist\u00e3os formam o povo de Deus. Deus estava muito pr\u00f3ximo daquele povo perseguido por Saulo. Com esse povo, o Senhor se identificava. Assim, perseguir os crist\u00e3os, povo de Deus, era fazer oposi\u00e7\u00e3o a Deus. As afli\u00e7\u00f5es dos crist\u00e3os eram as afli\u00e7\u00f5es de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Jesus, Salvador, sua corporalidade: Paulo compreende que, independentemente de suas a\u00e7\u00f5es, Cristo o interpela e lhe abre, por gra\u00e7a, a chance da convers\u00e3o. A experi\u00eancia dessa gra\u00e7a indica que Paulo deveria assumir uma nova postura em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 lei. At\u00e9 ent\u00e3o, a lei tinha sido a refer\u00eancia central de sua vida religiosa. Cristo e sua experi\u00eancia se tornaram, ent\u00e3o, o centro de sua nova vida. Por isso, o ap\u00f3stolo compreende que Cristo \u00e9 o \u00e1pice da lei. Pela a\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a, ele \u00e9 capacitado para a obedi\u00eancia da f\u00e9. \u00c9 a obedi\u00eancia da f\u00e9 \u00e9 fruto de uma experi\u00eancia de gratuidade. N\u00e3o funciona mais aquela compreens\u00e3o em que a vida diante de Deus era vivida segundo o princ\u00edpio \u2018faz isto e viver\u00e1s\u2019. Obviamente que Paulo n\u00e3o desconsidera ou esvazia o sentido da lei mosaica. A lei mosaica \u00e9 justa, santa e boa, e tantas de suas instru\u00e7\u00f5es t\u00eam um precioso valor moral. Mas, na verdade, a lei n\u00e3o alcan\u00e7a mais do que a indica\u00e7\u00e3o do que \u00e9 bem e mal. Ela, em si, n\u00e3o capacita para a supera\u00e7\u00e3o do mal. S\u00f3 Cristo, por seu esp\u00edrito, pode garantir a for\u00e7a e a condi\u00e7\u00e3o para a supera\u00e7\u00e3o do mal. Compreendemos porque Paulo se concentra na prega\u00e7\u00e3o de Cristo crucificado e ressuscitado, pois \u00e9 Ele, Cristo, o evento que mudou a situa\u00e7\u00e3o humana diante de Deus. \u00c9 mediante a gra\u00e7a e a f\u00e9 que se alcan\u00e7a a salva\u00e7\u00e3o. Paulo est\u00e1 consciente da for\u00e7a decisiva da escolha e da gra\u00e7a que recebe por Cristo, quando afirma:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cQuando, por\u00e9m, \u00c0quele que me separou desde o ventre materno e me chamou por sua gra\u00e7a, agradou revelar-me o seu Filho, para que eu anunciasse aos pag\u00e3os, n\u00e3o consultei carne e sangue\u2026\u201d (Gl 1,15-16)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ele est\u00e1 convicto de que a sua convers\u00e3o tem tudo a\u00a0 ver com o seu chamado como mission\u00e1rio para anunciar o Evangelho de Jesus Cristo aos pag\u00e3os. Esse chamado compete a sua experi\u00eancia da gra\u00e7a de Deus. Por isso mesmo, entendendo que diante de Deus vale a for\u00e7a da gra\u00e7a, entende tamb\u00e9m que n\u00e3o justifica e n\u00e3o tem sentido que qualquer um fique fora da gra\u00e7a de Deus. Assim, \u00e9 de se pressupor que Paulo entende o cora\u00e7\u00e3o do seu Evangelho a partir da sua experi\u00eancia de convers\u00e3o. O Evangelho, \u00e9, pois, uma experi\u00eancia de convers\u00e3o. A revela\u00e7\u00e3o de Cristo para ele \u00e9, pois, a experi\u00eancia desta mudan\u00e7a, aquela luz que brilha e o cega. \u00c9 a luz do Cristo Ressuscitado, a gl\u00f3ria de Deus (Gl 1,12.16\/ IICor 4,6). Paulo entende, portanto, a revela\u00e7\u00e3o como a chegada da era escatol\u00f3gica, do tempo das coisas novas de Deus. Cristo se torna, ent\u00e3o, conseq\u00fcentemente, o centro da lei e da \u00e9tica. Por isso, ele rel\u00ea a hist\u00f3ria de Israel \u00e0 luz da hist\u00f3ria de Cristo.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Walmor Oliveira de Azevedo<br \/>Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 importante considerar, em primeiro lugar, o horizonte mais amplo do pensamento do ap\u00f3stolo Paulo, este se configura em torno da concep\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo como o Filho de Deus. Assim, sua Cristologia, permeia ent\u00e3o todo o seu pensamento e joga luzes em todas as dire\u00e7\u00f5es de sua abordagem teol\u00f3gica. 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