{"id":11055,"date":"2008-08-28T00:00:00","date_gmt":"2008-08-28T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cristologia-paulina\/"},"modified":"2008-08-28T00:00:00","modified_gmt":"2008-08-28T03:00:00","slug":"cristologia-paulina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cristologia-paulina\/","title":{"rendered":"Cristologia Paulina"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: justify\">Considera\u00e7\u00f5es Preliminares<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">A Cristologia \u00e9 o centro da prega\u00e7\u00e3o p\u00f3s-pascal. \u00c9 determinante, nesse contexto, uma hermen\u00eautica cristol\u00f3gica. Foi esse o caminho da prega\u00e7\u00e3o e da literatura paulina. Paulo arquiteta, na sua Cristologia, uma estrutura de pensamento muito aprofundada, complexa e especulativa. Ele usa um vocabul\u00e1rio rico e de variadas nuances filos\u00f3ficas. Ele, tamb\u00e9m, conhece muito bem o corpo de doutrina acerca do Messias, existente no Juda\u00edsmo. Tratava-se de algo, tamb\u00e9m, extremamente bem elaborado. Esta \u00e9 uma refer\u00eancia fundamental no seu trabalho de elabora\u00e7\u00e3o da sua Cristologia, colaborando na compreens\u00e3o da riqueza do seu pensamento cristol\u00f3gico, extenso e muito profundo.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Essa extens\u00e3o e profundidade n\u00e3o permitem, pois, uma abordagem r\u00e1pida para tocar, ao mesmo tempo, e, num \u00fanico conjunto, a globalidade do seu pensamento cristol\u00f3gico. \u00c9 importante elaborar, portanto, uma compreens\u00e3o do conjunto das quest\u00f5es abordadas, como a constitui\u00e7\u00e3o de instrumento, para se poder fazer uma garimpagem nas minas ricas desse seu pensamento cristol\u00f3gico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esta abordagem aqui ser\u00e1 mais de car\u00e1ter hermen\u00eautico teol\u00f3gico, assentada em argumenta\u00e7\u00f5es exeg\u00e9ticas, menos de car\u00e1ter hist\u00f3rico-teol\u00f3gico. Isto \u00e9, a meta posta \u00e9 configurar uma compreens\u00e3o do conjunto daquilo que constitui a Cristologia Paulina, sem exames exeg\u00e9ticos detalhados de textos em particular, tomando, no entanto, alcance de sua significa\u00e7\u00e3o para configurar a compreens\u00e3o buscada. Em raz\u00e3o da exig\u00fcidade do espa\u00e7o n\u00e3o se faz abordagem abundante de quest\u00f5es de car\u00e1ter mais hist\u00f3rico-teol\u00f3gico ou hist\u00f3rico-liter\u00e1rio, como \u00e9 o caso da evolu\u00e7\u00e3o do pensamento paulino no processo de reda\u00e7\u00e3o de suas cartas ou mesmo a quest\u00e3o importante da tradi\u00e7\u00e3o paulina relacionada com a tradi\u00e7\u00e3o de Jesus nos evangelhos, considerado como contexto pr\u00e9-pascal, centrado na mensagem do Reino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 importante, ainda sublinhar que esta riqueza de pensamento na configura\u00e7\u00e3o da cristologia paulina n\u00e3o se trata de uma simples id\u00e9ia especulativa. O ap\u00f3stolo elabora sua cristologia como fruto de uma experi\u00eancia real. Suas elabora\u00e7\u00f5es nascem da convic\u00e7\u00e3o do seu encontro pessoal com o Cristo Vivo. Sua Cristologia se constr\u00f3i a partir desta experi\u00eancia. Na verdade, ela \u00e9 uma aut\u00eantica linguagem da experi\u00eancia. Foi o encontro pessoal com Cristo que transformou sua vida. A for\u00e7a dessa transforma\u00e7\u00e3o, ele advoga, vem da significa\u00e7\u00e3o real da vida e da pessoa de Cristo. \u00c9 o que ele ensina e constitui como caminho para a viv\u00eancia aut\u00eantica da f\u00e9 para aqueles que cr\u00eaem em Cristo. Por isso, Paulo elabora sua Cristologia com um profundo entrela\u00e7amento da hist\u00f3ria de Cristo com a hist\u00f3ria do homem. N\u00e3o \u00e9, pois, uma compreens\u00e3o especulativa de uma pessoa, mas experiencial. O conjunto das argumenta\u00e7\u00f5es revela, pois, a magnanimidade de Deus ao enviar seu Filho Amado. A vida da humanidade tem, ent\u00e3o, em Cristo o seu significado. Sem Ele esta n\u00e3o tem significado. Assim, se o homem n\u00e3o \u00e9 filho de Deus, n\u00e3o \u00e9 autenticamente homem. A entrada de Cristo na hist\u00f3ria humana \u00e9 a garantia dessa conquista e de sua consolida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 determinante considerar no pensamento de Paulo a focaliza\u00e7\u00e3o que ele faz em se tratando da vida individual de Jesus. Jesus se imola. Nessa sua imola\u00e7\u00e3o ele abre um caminho novo na rela\u00e7\u00e3o com a humanidade e com Deus. Seu minist\u00e9rio terrestre e sua morte, prostrando por terra todos os inimigos, por \u00faltimo a morte, abrem um caminho interior novo para os cora\u00e7\u00f5es, sendo refer\u00eancia essencial no pensamento de Paulo. Ele frisa a import\u00e2ncia da morte de Cristo, na sua for\u00e7a redentora, n\u00e3o menos a for\u00e7a \u00e9tica do seu exemplo e dos seus ensinamentos, como processo de configura\u00e7\u00e3o da vida crist\u00e3. Essa refer\u00eancia \u00e9tica \u00e9 tamb\u00e9m uma confirma\u00e7\u00e3o do conhecimento que Paulo tem do Jesus dos evangelhos. Nesta dire\u00e7\u00e3o \u00e9 importante considerar o Evangelho de Lucas, tendo presente este colaborador de Paulo, que no seu trabalho, certamente, visa ao atendimento de uma necessidade eclesial importante no que se refere \u00e0 demanda espec\u00edfica entre os gentios. Assim, pois, um caminho tamb\u00e9m muito rico \u00e9 o de articular as categorias do pensamento paulino e o conte\u00fado da vida humana de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A compreens\u00e3o da abordagem da vis\u00e3o de Paulo, marcada com os tra\u00e7os da universalidade, tem import\u00e2ncia pr\u00f3pria na articula\u00e7\u00e3o desta com o que \u00e9 pr\u00f3prio da narrativa do Evangelho, enquanto mostra Jesus Cristo na sua longa peregrina\u00e7\u00e3o e rica miss\u00e3o. Paulo ajuda a compreender, pois, que essa importante miss\u00e3o \u00e9 sustentada por um ato vivido de liberta\u00e7\u00e3o na vida humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Paulo \u00e9 um pensador muito criativo. Certamente, o mais criativo das origens crist\u00e3s. Ele se beneficia, pois, das matrizes do juda\u00edsmo de origem e do cristianismo anterior a ele. Sua imposta\u00e7\u00e3o perpassa tr\u00eas refer\u00eancias tem\u00e1ticas fundamentais: 1- Cristo como autor da salva\u00e7\u00e3o: I e II Ts; I Cor 15, acentuando a perspectiva escatol\u00f3gica; 2- O dom de Cristo: I e II Cor, Gl e Rm, sublinhando a soteriologia, enquanto focaliza a participa\u00e7\u00e3o do crist\u00e3o na vida do ressuscitado; 3- O mist\u00e9rio de Cristo: Fl, Ef e Cl, focalizando a identidade pessoal de Cristo, particularmente a sua divindade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 verdade que a experi\u00eancia pessoal de Paulo contextualiza seu pensamento cristol\u00f3gico. Contudo, \u00e9 importante ter presente que sua Cristologia tem objetividade pr\u00f3pria. Portanto, sua Cristologia n\u00e3o \u00e9, simplesmente, uma hermen\u00eautica de sua experi\u00eancia pessoal vivida na estrada de Damasco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A compreens\u00e3o da pr\u00e9-exist\u00eancia de Cristo \u00e9 determinante no pensamento paulino, segundo o que aparece no hino pr\u00e9-paulino de Fl 2,6-11.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Cristologia Paulina, portanto, nos escritos de Paulo, n\u00e3o \u00e9 tratada como uma tem\u00e1tica \u00e0 parte. De tal modo que sua abordagem n\u00e3o \u00e9 mais conveniente quando se trata, por exemplo, carta por carta. Assim, sua Cristologia \u00e9 a premissa indiscut\u00edvel para a abordagem de todas as outras quest\u00f5es e tem\u00e1ticas, tal como a soteriologia. Sua Cristologia, ent\u00e3o, nasce da considera\u00e7\u00e3o que ele tem de Jesus Cristo como o dado determinante do seu discurso, a partir de uma compreens\u00e3o que se tem d\u2019Ele. O desafio que permanece sempre na abordagem cristol\u00f3gica \u00e9, exatamente, o de garimpar sempre, com precis\u00e3o, os conte\u00fados das cartas e enuclear as elabora\u00e7\u00f5es explicitadoras do significado de Cristo. Pode-se admitir que solus Christus \u00e9 o princ\u00edpio hermen\u00eautico e propulsor do pensamento paulino. Isto \u00e9, sem Cristo, Paulo n\u00e3o teria tomado, de modo t\u00e3o denodado, a atividade mission\u00e1ria, nem mesmo teria repensado e reorganizado o patrim\u00f4nio cultural-religioso que possu\u00eda como um fariseu fiel. Assim, Paulo n\u00e3o trabalha como um fil\u00f3sofo que, no escrit\u00f3rio, explicita conceitos. Na verdade, ele interpreta uma hist\u00f3ria que tem como centro a morte-ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, sua experi\u00eancia pessoal na estrada de Damasco e a situa\u00e7\u00e3o vivida pelas Igrejas \u00e0s quais ele dirige sua mensagem e ensinamentos. De tal modo que o discurso sobre Cristo n\u00e3o \u00e9 apenas um discurso informativo, mas performativo. Ressalta-se, ent\u00e3o, a singularidade da experi\u00eancia do encontro pessoal com o Cristo que marcou o sentido decisivo e novo da vida do ap\u00f3stolo e o sentido de sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tais aspectos abordados, e tantos outros, permitem perceber a riqueza e complexidade da Cristologia Paulina. Ao mesmo tempo confirma que s\u00f3 por esse prisma de leitura e compreens\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel alcan\u00e7ar o sentido e a singularidade de sua abordagem, possibilitando, no alcance de sua experi\u00eancia como ap\u00f3stolo e mission\u00e1rio, a todos os crentes conquistarem a grandeza do que o mobilizou profundamente e fez dele aquele de quem disse o Pe. Lagrange: \u201c Depois de Cristo, Paulo \u00e9 \u00fanico\u201d.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Walmor Oliveira de Azevedo<br \/>Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Considera\u00e7\u00f5es Preliminares A Cristologia \u00e9 o centro da prega\u00e7\u00e3o p\u00f3s-pascal. \u00c9 determinante, nesse contexto, uma hermen\u00eautica cristol\u00f3gica. Foi esse o caminho da prega\u00e7\u00e3o e da literatura paulina. Paulo arquiteta, na sua Cristologia, uma estrutura de pensamento muito aprofundada, complexa e especulativa. Ele usa um vocabul\u00e1rio rico e de variadas nuances filos\u00f3ficas. 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