{"id":11157,"date":"2009-10-15T00:00:00","date_gmt":"2009-10-15T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-sentido-de-uma-festa\/"},"modified":"2009-10-15T00:00:00","modified_gmt":"2009-10-15T03:00:00","slug":"o-sentido-de-uma-festa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-sentido-de-uma-festa\/","title":{"rendered":"O sentido de uma festa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Desde aquele long\u00ednquo outubro de 1717, em torno da tosca imagem de madeira, despeda\u00e7ada, enegrecida pelo limo, que tr\u00eas pescadores, em um dia de afli\u00e7\u00e3o, retiram das \u00e1guas do Rio Para\u00edba, cresce um especial culto por aquela que come\u00e7am a chamar simplesmente a Aparecida. Bem antes, por\u00e9m, de 1717, e do extraordin\u00e1rio aparecimento, j\u00e1 havia no cora\u00e7\u00e3o do povo brasileiro uma indescrit\u00edvel devo\u00e7\u00e3o \u00e0 Santa M\u00e3e de Deus. N\u00f3s a herdamos de nossos ancestrais portugueses. Mas lhe demos, no correr dos anos, um jeito nosso de nos exprimir e inserir na vida.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quem hoje estuda a \u201creligiosidade ou piedade popular\u201d brasileira, e a investiga sem preconceitos nem ju\u00edzos formados, mas aberto aos valores que ela decerto encerra, descobre logo que a devo\u00e7\u00e3o a Nossa Senhora \u00e9 componente especial desta piedade. Celebrando a festa da nossa Padroeira, fazemos um gesto profundamente brasileiro. Pois vamos ao encontro de um genu\u00edno movimento da alma de nosso povo. E associamo-nos, malgrado a dist\u00e2ncia, \u00e0 multid\u00e3o de pessoas de todas as camadas sociais que enchem a cidadezinha do Vale da Para\u00edba de cores e ru\u00eddos, de cantos, mas, sobretudo, de ora\u00e7\u00e3o e de f\u00e9. De uma f\u00e9 simples: uma busca de Deus, sincera, arraigada, capaz de sacrif\u00edcios. Uma busca de Deus atrav\u00e9s de Nossa Senhora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas que elementos podemos desentranhar do mais fundo desse gesto de celebra\u00e7\u00e3o da Padroeira?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 um gesto de f\u00e9: esta \u00e9 a primeira dimens\u00e3o sem a qual a festa n\u00e3o teria o menor sentido. Um gesto de f\u00e9 que se situa para al\u00e9m do quantific\u00e1vel, do que se v\u00ea e se apalpa, das coisas percept\u00edveis apenas materialmente. Algo que encontra sua compreens\u00e3o no dom\u00ednio do mist\u00e9rio de Deus. Algo que lan\u00e7a ra\u00edzes em certezas profundas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No caso deste patroc\u00ednio de Maria sobre uma Na\u00e7\u00e3o, quais seriam essas certezas? Certeza de que Maria se encontra para sempre junto de Deus e de que ela \u00e9 capaz de interceder por n\u00f3s com a mesma for\u00e7a com que, um dia, numa festa de casamento, em Can\u00e1 da Galileia, ela obteve de seu Filho, Seu primeiro gesto misterioso e milagroso para que n\u00e3o esmorecesse a alegria dos convidados. Certeza de que esta Virgem Maria n\u00e3o \u00e9 um ser legend\u00e1rio ou uma entidade abstrata, mas mulher nascida de nossa ra\u00e7a, e que levou para bem perto de Deus nossos valores humanos. Ela teve tamb\u00e9m uma p\u00e1tria, pertenceu a um povo, aos quais amou e pelos quais sofreu. Ela experimentou esta realidade humana que \u00e9 o patriotismo, conhece o seu sentido mais profundo e sabe o que pedir por n\u00f3s e como proteger-nos junto de Deus. Ela diz a cada momento melhor que Ester a palavra que se l\u00ea precisamente no \u201cLivro de Ester\u201d: \u201cS\u00f3 te pe\u00e7o, \u00f3 rei, que salves o meu povo!\u201d Certeza de que objeto do patroc\u00ednio de Maria, sob seu t\u00edtulo de Aparecida, muito mais do que uma geografia \u2013 quil\u00f4metros quadrados de terra, florestas e rios \u2013 \u00e9 um povo, a gente de uma Na\u00e7\u00e3o: seu destino humano, seus esfor\u00e7os e lutas, aspira\u00e7\u00f5es e esperan\u00e7as, problemas, iniciativas, reclamos, realiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Certeza enfim de que este patroc\u00ednio n\u00e3o \u00e9 algo de m\u00e1gico que acontece sem n\u00f3s. \u00c9, ao contr\u00e1rio, algo que sup\u00f5e nosso livre consentimento cada dia renovado. Sup\u00f5e que o pe\u00e7amos, que nos fa\u00e7amos dignos dele, que o encaremos num compromisso pessoal e coletivo. E esta \u00e9 precisamente a segunda dimens\u00e3o do mist\u00e9rio do patroc\u00ednio de Maria sobre o Brasil: ele inclui de nossa parte um compromisso. Compromisso exigente em sua simplicidade, mas ao mesmo tempo gratificante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Podemos descrev\u00ea-lo em seus dois aspectos fundamentais. No plano religioso, \u00e9 o compromisso de assumirmos com verdadeiro esp\u00edrito pastoral a imemorial devo\u00e7\u00e3o mariana herdada de nossos antepassados. Procurar compreend\u00ea-la no seu enraizamento mais profundo. Desvendar seus valores. Captar seu significado. N\u00e3o rejeit\u00e1-la em nome de princ\u00edpios que podem ser frequentemente abstratos e desencarnados. Mas (como por toda a parte se faz hoje, pela redescoberta da religiosidade popular) acolh\u00ea-la purificando-a e orientando-a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No plano civil ou social: um compromisso para darmos as m\u00e3os uns aos outros, no esfor\u00e7o para que o Pa\u00eds se converta naquilo mesmo que Maria quer que ele seja, uma vez que ela o adotou como seu. Que seja uma terra onde imperem a cordialidade, a capacidade de dialogar, de compor, mais do que de opor. Onde haja cada vez mais, entre pessoas e os grupos, a justi\u00e7a, a igualdade, o respeito \u00e0 dignidade. Onde reinem o esp\u00edrito fraternal e a paz.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Washington Cruz<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde aquele long\u00ednquo outubro de 1717, em torno da tosca imagem de madeira, despeda\u00e7ada, enegrecida pelo limo, que tr\u00eas pescadores, em um dia de afli\u00e7\u00e3o, retiram das \u00e1guas do Rio Para\u00edba, cresce um especial culto por aquela que come\u00e7am a chamar simplesmente a Aparecida. 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