{"id":11164,"date":"2009-11-16T00:00:00","date_gmt":"2009-11-16T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-civilizacao-da-economia\/"},"modified":"2009-11-16T00:00:00","modified_gmt":"2009-11-16T02:00:00","slug":"a-civilizacao-da-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-civilizacao-da-economia\/","title":{"rendered":"A civiliza\u00e7\u00e3o da economia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Os rumos da vida e as suas din\u00e2micas na sociedade dependem dos princ\u00edpios \u00e9ticos e morais adotados como crit\u00e9rios de ju\u00edzo, decis\u00e3o e escolhas. O que \u00e9 n\u00e3o se tornou assim simplesmente por acaso. As escolhas s\u00e3o emolduradas e balizadas por princ\u00edpios e crit\u00e9rios que definem os desdobramentos e os resultados que configuram cen\u00e1rios na ordem social, pol\u00edtica, econ\u00f4mica e religiosa.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A economia, vetor determinante na vida da sociedade, advoga o Papa Bento XVI, na sua Carta Enc\u00edclica \u2018Caridade na Verdade\u2019, carece de uma civiliza\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria para mudar rumos perversos e desastrosos que a l\u00f3gica de mercado tem determinado como horizonte para a sociedade contempor\u00e2nea &#8211; gerando d\u00e9ficits e lacunas em detrimento de seus considerados avan\u00e7os e conquistas agrupadas no \u00e2mbito do que se entende por desenvolvimento. Aqui est\u00e1, portanto, a discuss\u00e3o em torno da quest\u00e3o dos princ\u00edpios escolhidos para nortear o entendimento e a concretiza\u00e7\u00e3o dos processos econ\u00f4micos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os resultados e os rumos da economia indicam que, para al\u00e9m do tratamento dos seus n\u00fameros nos \u00e2mbitos pr\u00f3prios, \u00e9 preciso refletir sobre as quest\u00f5es de princ\u00edpio. Aqui se localizam os horizontes que possibilitar\u00e3o o desabrochar pr\u00f3prio da economia, sem perder os seus indispens\u00e1veis elementos regulat\u00f3rios e apontando para o permanente desafio de superar a exclus\u00e3o social, a discrimina\u00e7\u00e3o classista e a divis\u00e3o do mundo entre os que podem, os que podem tudo e os que podem pouco ou nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A gratuidade, argumenta o Papa Bento XVI, \u00e9 uma refer\u00eancia regulat\u00f3ria de grande import\u00e2ncia. Ela aponta raz\u00f5es e argumentos que ultrapassam simplesmente a l\u00f3gica, por exemplo, de n\u00fameros que podem cegamente avan\u00e7ar na dire\u00e7\u00e3o do lucro e das vantagens em preju\u00edzo da vida e da humaniza\u00e7\u00e3o, que deve ser o capital mais importante na considera\u00e7\u00e3o do desenvolvimento. O cap\u00edtulo terceiro da Carta Enc\u00edclica, versando sobre fraternidade, desenvolvimento econ\u00f4mico e sociedade civil, contracena o confronto indispens\u00e1vel entre a gratuidade presente na vida sob m\u00faltiplas formas e a vis\u00e3o meramente produtiva e utilitarista da exist\u00eancia. Aqui reside uma quest\u00e3o de princ\u00edpio norteador de desdobramentos, de escolhas e de resultados no entendimento e na concretiza\u00e7\u00e3o dos processos do desenvolvimento econ\u00f4mico e de sua complexa malha de rela\u00e7\u00f5es com o tecido social e pol\u00edtico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao mesmo tempo em que s\u00e3o muitos os avan\u00e7os e sinais de modernidade, no reverso se alojam fragilidades de sistemas, inconsist\u00eancias governamentais e comprometimentos nas compet\u00eancias pr\u00f3prias. A l\u00f3gica de estrat\u00e9gias que move complexa m\u00e1quina da sociedade n\u00e3o \u00e9 de simples entendimento. Na busca de um funcionamento capaz de articular o desenvolvimento e a exist\u00eancia como experi\u00eancia de um dom, n\u00e3o se pode dispensar, para al\u00e9m das urg\u00eancias dos n\u00fameros e dos resultados, a refer\u00eancia insubstitu\u00edvel que est\u00e1 numa compreens\u00e3o n\u00e3o simplesmente mercantilista da sociedade, de sua organiza\u00e7\u00e3o e de seus funcionamentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o se pode, \u00e9 verdade, abandonar as an\u00e1lises que evidenciam perspectivas e horizontes a partir da contribui\u00e7\u00e3o de leituras e interpreta\u00e7\u00f5es da realidade, advindas do que \u00e9 pr\u00f3prio da sociologia, economia, pol\u00edtica. Mas, n\u00e3o se pode desconsiderar, sob pena de grandes preju\u00edzos e perda de dire\u00e7\u00f5es clarividentes, o que nasce do cora\u00e7\u00e3o de imposta\u00e7\u00f5es e abordagens que contemplam valores e princ\u00edpios antes mesmo do que \u00e9 determinado por n\u00fameros e mecanismos de funcionamento social, econ\u00f4mico e pol\u00edtico. O Papa Bento XVI, nesta dire\u00e7\u00e3o, recorda na sua Carta Enc\u00edclica o risco, com consequ\u00eancias nefastas, quanto \u00e0 autossufici\u00eancia do homem contempor\u00e2neo convicto de que pode simplesmente por sua a\u00e7\u00e3o eliminar o mal presente na hist\u00f3ria. Esta convic\u00e7\u00e3o induz o homem a identificar a felicidade e a salva\u00e7\u00e3o como formas imanentes de bem-estar material e a\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o menos grave, aponta o Papa, \u00e9 a convic\u00e7\u00e3o da exig\u00eancia de autonomia para a economia, entendida como inst\u00e2ncia que n\u00e3o deve aceitar influ\u00eancias de car\u00e1ter moral, o que gera abusos no uso de seus instrumentos, at\u00e9 mesmo de forma destrutiva. Por isso, o cen\u00e1rio est\u00e1 povoado de preju\u00edzos advindos dos sistemas econ\u00f4micos, sociais e pol\u00edticos espezinhando a liberdade da pessoa e dos corpos sociais. A consequ\u00eancia \u00e9 a incapacidade de assegurar a justi\u00e7a que prometem, que \u00e9 o m\u00ednimo a ser alcan\u00e7ado como compromisso desses sistemas. A civiliza\u00e7\u00e3o da economia n\u00e3o pode prescindir da solidariedade que nasce da gratuidade. \u00c9 indispens\u00e1vel a convic\u00e7\u00e3o de que todos s\u00e3o respons\u00e1veis por todos, caminho solid\u00e1rio para a civiliza\u00e7\u00e3o da economia.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Walmor Oliveira de Azevedo<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os rumos da vida e as suas din\u00e2micas na sociedade dependem dos princ\u00edpios \u00e9ticos e morais adotados como crit\u00e9rios de ju\u00edzo, decis\u00e3o e escolhas. O que \u00e9 n\u00e3o se tornou assim simplesmente por acaso. 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