{"id":11166,"date":"2009-11-09T00:00:00","date_gmt":"2009-11-09T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/vida-e-fe-no-areopago\/"},"modified":"2009-11-09T00:00:00","modified_gmt":"2009-11-09T02:00:00","slug":"vida-e-fe-no-areopago","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/vida-e-fe-no-areopago\/","title":{"rendered":"Vida e f\u00e9 no are\u00f3pago"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">O mundo sempre foi um are\u00f3pago. O lugar de produ\u00e7\u00e3o da vida e do seu sentido, com o desafio permanente de compreender sua origem e seu destino. De onde? Para onde? Por qu\u00ea? Para qu\u00ea? E a hist\u00f3ria da humanidade se escreve enquanto gravita entre estas perguntas. A intelig\u00eancia das respostas define horizontes, produz conquistas, origina tradi\u00e7\u00f5es ou explicam fracassos e atentados contra a vida. O mundo contempor\u00e2neo, particularmente nas \u00faltimas d\u00e9cadas, \u00e9 um grande are\u00f3pago de muitos are\u00f3pagos. Linguagens, comunica\u00e7\u00e3o, autonomias e liberdades, desenvolvimento e participa\u00e7\u00e3o, confrontos pol\u00edticos e prioridades econ\u00f4micas, um turbilh\u00e3o de coisas, pontos de vista e escolhas determinando a vida.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O mundo, a vida, a sociedade, are\u00f3pagos, lugares de discuss\u00f5es e embates, com o desafio da polissemia da linguagem, configura\u00e7\u00f5es diversificadas nos modos de compreens\u00e3o com consequ\u00eancias sobre o modo de se viver. Na contram\u00e3o desta diversifica\u00e7\u00e3o vem o rolo compressor de uma globaliza\u00e7\u00e3o pretensiosa que tenta igualar tudo &#8211; produzindo a morte de culturas, padronizando esquemas, atingindo a cultura da vida e o tesouro da f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 conhecido o epis\u00f3dio, narrado por S\u00e3o Lucas nos Atos dos Ap\u00f3stolos, no cap\u00edtulo 17. O ap\u00f3stolo Paulo estava em Atenas e ficou revoltado ao ver aquela cidade entregue \u00e0 idolatria. Por isso, frequentava a sinagoga discutindo com os de sua estirpe religiosa e com os que adoravam a Deus. Tamb\u00e9m, discutia em pra\u00e7a p\u00fablica com os que l\u00e1 se encontravam. Fil\u00f3sofos epicureus e est\u00f3icos vinham conversar com ele. Alguns at\u00e9 diziam: o que est\u00e1 querendo dizer esse tagarela? Outros diziam: parece ser um pregador de divindades estrangeiras. Levado ao are\u00f3pago, Paulo era interrogado: \u201cPodemos saber qual \u00e9 a nova doutrina que est\u00e1s expondo? De fato, as coisas que dizes soam estranhas para n\u00f3s. Queremos saber o que significam\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esse saber \u00e9 o grande desafio no mundo contempor\u00e2neo de cen\u00e1rios marcados pela multiplicidade, rapidez, utilidade. A\u00ed se estabelece um grande confronto entre f\u00e9 e raz\u00e3o. Este confronto se explicita de muitas maneiras nas diferentes circunst\u00e2ncias da vida contempor\u00e2nea. Dos exageros da indiferen\u00e7a e do fanatismo fundamentalista, passando pelas reivindica\u00e7\u00f5es do direito de respeito \u00e0 pr\u00f3pria escolha religiosa, at\u00e9 o entendimento de que \u00e9 preciso exilar a religi\u00e3o, sua confessionalidade, para n\u00e3o ferir a integridade da laicidade do Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A compreens\u00e3o sobre a laicidade do Estado est\u00e1 atribuindo a este a posse, por si, de uma fonte \u00e9tica capaz de alimentar e sustentar o seu compromisso primeiro, pela pol\u00edtica, o de realizar a justi\u00e7a. Ora, os ordenamentos p\u00fablicos, mais do que uma simples t\u00e9cnica na busca do equil\u00edbrio econ\u00f4mico e supera\u00e7\u00e3o das vergonhosas exclus\u00f5es sociais, devem ser resultados da raz\u00e3o pr\u00e1tica no entendimento da justi\u00e7a. Pois a compreens\u00e3o e a garantia da justi\u00e7a batalham e sofrem injun\u00e7\u00f5es vindas, incontestavelmente, da cegueira \u00e9tica derivada do interesse e do poder. A natureza espec\u00edfica da f\u00e9, experi\u00eancia do encontro com o Deus Vivo, abre horizontes novos e espec\u00edficos que ultrapassam o \u00e2mbito da pr\u00f3pria raz\u00e3o e tem for\u00e7a purificadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Partir da perspectiva de Deus n\u00e3o \u00e9 estreitamento, como se pode verificar no entendimento de aspectos da laicidade do Estado. O Papa Bento XVI, na Carta Enc\u00edclica Deus \u00e9 Amor, n. 28, afirma que \u201ca f\u00e9 consente \u00e0 raz\u00e3o de realizar melhor a sua miss\u00e3o e ver mais claramente o que lhe \u00e9 pr\u00f3prio\u201d. Por isso, argumenta a verdade de que o desconhecimento de Deus torna a realidade um enigma indecifr\u00e1vel. H\u00e1, pois, o estabelecimento de um clima cultural relativista. As consequ\u00eancias s\u00e3o desastrosas para a vida quando se desclassifica o patrim\u00f4nio da f\u00e9. Ou quando ele \u00e9 igualado em lei geral de religi\u00f5es. Ou, ainda, quando se pretende um tipo de nivelamento nos direitos de professar a f\u00e9 pela proibi\u00e7\u00e3o, em \u00e2mbitos p\u00fablicos, da singularidade de seus gestos, ritos e s\u00edmbolos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o se pode fazer padroniza\u00e7\u00f5es superficiais, quando se trata da tradi\u00e7\u00e3o e das ra\u00edzes cat\u00f3licas que permanecem na arte, linguagem e estilo de vida, com um lastro hist\u00f3rico de promo\u00e7\u00e3o e sustenta\u00e7\u00e3o da vida. \u00c9 arriscado, na avalanche das discuss\u00f5es travadas no are\u00f3pago do mundo deste tempo, prescindir da f\u00e9. O risco \u00e9 o assoreamento das fontes \u00e9ticas que disponibilizam \u00e0 racionalidade lucidez e equil\u00edbrio pr\u00f3prios. Ser\u00e1 sempre grande o comprometimento da fraternidade universal. A economia, refer\u00eancia em torno da qual o conjunto da vida e a pol\u00edtica gravitam, n\u00e3o tem for\u00e7a moral regulat\u00f3ria pr\u00f3pria. Tem apenas para os n\u00fameros e para a produtividade. Os sistemas econ\u00f4micos, sociais e pol\u00edticos n\u00e3o podem prescindir da f\u00e9, sob pena de n\u00e3o conseguirem assegurar a justi\u00e7a que prometem e t\u00eam o dever de realizar na vida dos cidad\u00e3os e das sociedades.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Walmor Oliveira de Azevedo<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mundo sempre foi um are\u00f3pago. O lugar de produ\u00e7\u00e3o da vida e do seu sentido, com o desafio permanente de compreender sua origem e seu destino. De onde? Para onde? Por qu\u00ea? Para qu\u00ea? E a hist\u00f3ria da humanidade se escreve enquanto gravita entre estas perguntas. 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