{"id":11182,"date":"2009-07-24T00:00:00","date_gmt":"2009-07-24T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-experiencia-do-dom\/"},"modified":"2009-07-24T00:00:00","modified_gmt":"2009-07-24T03:00:00","slug":"a-experiencia-do-dom","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-experiencia-do-dom\/","title":{"rendered":"A experi\u00eancia do dom"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">O Papa Bento XVI, na sua terceira Carta Enc\u00edclica, Caridade na Verdade, ilumina as reflex\u00f5es acerca da fraternidade, desenvolvimento econ\u00f4mico e sociedade civil com a admir\u00e1vel experi\u00eancia do dom. Este \u00e9 um contraponto imprescind\u00edvel como reverso de uma vis\u00e3o meramente produtiva e utilitarista da exist\u00eancia. N\u00e3o se pode, pois, repensar din\u00e2micas e esquemas em busca da supera\u00e7\u00e3o das crises por novas configura\u00e7\u00f5es prescindindo da verdade central da f\u00e9 crist\u00e3 &#8211; tal o princ\u00edpio de que o ser humano est\u00e1 feito para o dom.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A compreens\u00e3o de si como dom \u00e9 que exprime e realiza a dimens\u00e3o da transcend\u00eancia. Prescindir desta dimens\u00e3o \u00e9 cair no vazio produzido por um humanismo sem refer\u00eancias a valores que se ancoram para al\u00e9m do dinheiro e do mercado. H\u00e1 quem pense que partir do bojo da genuinidade \u00e9tica \u00e9 caminhar na dire\u00e7\u00e3o apenas de uma maestria sem vigor de profecia. H\u00e1, na verdade, a demanda de uma profecia que s\u00f3 nasce desta fonte \u00e9tica, com propriedade para sustentar na profecia e na a\u00e7\u00e3o os caminhos novos da conduta humana. N\u00e3o bastaria simplesmente analisar e apontar criticamente os percal\u00e7os sem a cria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es pessoais e humanit\u00e1rias capazes de manter noutras dire\u00e7\u00f5es os rumos das sociedades. Isto \u00e9, as dire\u00e7\u00f5es da justi\u00e7a e do respeito aos direitos. Quem e o que sustentar\u00e1 as pr\u00e1ticas humanas que podem antecipar as fei\u00e7\u00f5es dos novos c\u00e9us e da nova terra? Oxal\u00e1 as indispens\u00e1veis an\u00e1lises e as configura\u00e7\u00f5es de sistemas pudessem dar, por si mesmas, este sustento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o deixou e n\u00e3o deixa de existir sistemas que t\u00eam essa pretens\u00e3o, perdendo de vista o limite de sua territorialidade e a for\u00e7a de que disp\u00f5em para realiza\u00e7\u00e3o de tarefa t\u00e3o exigente. Por isso, sistemas se dissolveram &#8211;\u00a0 permanecem com suas teorias apenas os laivos te\u00f3ricos sem as efetiva\u00e7\u00f5es prometidas, cometendo barb\u00e1ries de desrespeitos aos direitos humanos e mantendo a liberdade humana ref\u00e9m de ideologias que se esvaem pelas condi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias dos seus limites. Abordar e configurar no horizonte das crises contempor\u00e2neas, na verdade uma crise de civiliza\u00e7\u00e3o, a experi\u00eancia do dom \u00e9 proposta prof\u00e9tica de mudan\u00e7a de paradigma. A resist\u00eancia para aceita\u00e7\u00e3o da indica\u00e7\u00e3o \u00e9 grande.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Certamente, porque \u00e9 mais f\u00e1cil ou habitual o caminho das considera\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias de uma vis\u00e3o meramente produtiva e utilitarista da humanidade. A humanidade n\u00e3o se sustenta apenas se o planeta, em si mesmo, se salvar. H\u00e1 um sentido, como for\u00e7a imprescind\u00edvel, que sustenta e fecunda o processo de busca dessa salva\u00e7\u00e3o ao planeta. Ou a conquista de uma nova ordem econ\u00f4mica, sentido que vem da considera\u00e7\u00e3o \u00e9tica, criando lastros na cultura, da exist\u00eancia como dom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Bento XVI, por isso mesmo, recorda que, erroneamente, o homem moderno se pensa como \u00fanico autor de si mesmo, da sua vida e da sociedade. A an\u00e1lise da realidade \u00e9 um insubstitu\u00edvel instrumental para indentifica\u00e7\u00e3o de mecanismos que precisam ser desmontados, reconfigurados ou substitu\u00eddos. Precisa, no entanto, de indica\u00e7\u00f5es, caminhos e experi\u00eancias que, permanentemente, desmontem o fechamento ego\u00edsta no qual o cora\u00e7\u00e3o humano facilmente se enclausura. \u00c9 sempre oportuno ter presente que n\u00e3o se pode ignorar a natureza humana ferida, inclinada para o mal. Ignorar essa perspectiva na busca de supera\u00e7\u00e3o da grande crise de civiliza\u00e7\u00e3o no cen\u00e1rio contempor\u00e2neo \u00e9 dar lugar, reafirma o Papa no horizonte da doutrina cat\u00f3lica, a graves erros no dom\u00ednio da educa\u00e7\u00e3o, da pol\u00edtica, da a\u00e7\u00e3o social e dos costumes. Isto significa dizer,\u00a0 que na economia, como noutros campos, os efeitos perniciosos s\u00e3o consequ\u00eancias do pecado. Persiste ainda a pretens\u00e3o humana, com for\u00e7a de convic\u00e7\u00e3o, da auto-sufici\u00eancia, pretendendo eliminar o mal presente na hist\u00f3ria apenas com a pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No \u00e2mbito da economia, sublinha o Papa Bento XVI, est\u00e1 presente a convic\u00e7\u00e3o de que a exig\u00eancia de autonomia n\u00e3o deve aceitar influ\u00eancias de car\u00e1ter moral. A\u00ed est\u00e1 uma explica\u00e7\u00e3o, pensando especificamente o \u00e2mbito da economia, porque ocorre usos abusivos e destrutivos dos instrumentos econ\u00f4micos. Fica claro porque sistemas econ\u00f4mico, sociais e pol\u00edticos, diz o Papa, espezinharam a liberdade da pessoa e dos corpos sociais, permanecendo incapazes de assegurar a justi\u00e7a que prometiam. O servi\u00e7o ao desenvolvimento humano integral n\u00e3o se esgotar\u00e1 jamais na acuidade de an\u00e1lises, por mais que adentrem os seus rec\u00f4nditos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">H\u00e1 recursos que est\u00e3o na compreens\u00e3o, pois, da exist\u00eancia como dom. \u00c9 importante ter presente, afirma Bento XVI, na Carta Enc\u00edclica, que o dom ultrapassa o m\u00e9rito. A sua regra \u00e9 a gratuidade. Na exist\u00eancia como dom, a verdade n\u00e3o \u00e9 produzida, simplesmente, pela pessoa. A verdade \u00e9 dada, encontrada, recebida. Tal como o amor, ele recorda, a verdade n\u00e3o nasce da intelig\u00eancia e da vontade, mas de certa forma imp\u00f5e-se ao ser humano. H\u00e1 uma l\u00f3gica pr\u00f3pria do dom. Deve ser explicitada para levar \u00e0 experi\u00eancia.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Walmor Oliveira de Azevedo<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Papa Bento XVI, na sua terceira Carta Enc\u00edclica, Caridade na Verdade, ilumina as reflex\u00f5es acerca da fraternidade, desenvolvimento econ\u00f4mico e sociedade civil com a admir\u00e1vel experi\u00eancia do dom. Este \u00e9 um contraponto imprescind\u00edvel como reverso de uma vis\u00e3o meramente produtiva e utilitarista da exist\u00eancia. 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