{"id":11211,"date":"2010-02-19T00:00:00","date_gmt":"2010-02-19T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/quaresma-a-caminho-da-pascoa\/"},"modified":"2010-02-19T00:00:00","modified_gmt":"2010-02-19T02:00:00","slug":"quaresma-a-caminho-da-pascoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/quaresma-a-caminho-da-pascoa\/","title":{"rendered":"Quaresma, a caminho da P\u00e1scoa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o entender\u00edamos a Quaresma se n\u00e3o pens\u00e1ssemos na P\u00e1scoa. Fazemos um caminho para alcan\u00e7ar uma meta. Sem objetivo o nosso caminhar fica cansativo e \u00e9 arriscado parar no meio, ou procurar atalhos e desvios mais atrativos. O acontecimento da P\u00e1scoa \u00e9 o centro da f\u00e9 crist\u00e3. Doutrinas e normas somente se entendem a partir da novidade da P\u00e1scoa de Jesus. A sua morte na cruz e a sua ressurrei\u00e7\u00e3o foram o primeiro an\u00fancio dos ap\u00f3stolos ap\u00f3s a chegada do Esp\u00edrito Santo, no dia de Pentecostes. Eles tiveram a coragem de gritar ao mundo o que tinha acontecido. Alguns acreditaram e mudaram de vida porque descobriram um novo sentido para a exist\u00eancia deles. Outros, na liberdade da busca, continuaram por outros caminhos.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 justamente para nos ajudar sempre a entender e a acreditar de maneira nova e melhor na P\u00e1scoa de Jesus, com mais entusiasmo e alegria, que a Igreja nos convida a viver intensamente o tempo da Quaresma. Quarenta dias para \u201crefazer\u201d um caminho. Para nos deixar questionar novamente pelo evento pascal. Ali\u00e1s esta \u00e9 a prova se acreditamos ou n\u00e3o, de verdade, e n\u00e3o somos meros seguidores de um costume herdado, mas talvez nunca questionado, ou nunca escolhido com a seriedade que merece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Come\u00e7amos a Quaresma com o sinal das cinzas em nossas cabe\u00e7as. Apesar de querermos esconder a verdade e nos deixarmos seduzir por muitas conversas e propagandas, estamos todos conscientes da nossa realidade mortal. As cinzas nos lembram a precariedade da vida. N\u00e3o somos t\u00e3o poderosos como pensamos ser e menos ainda imortais. Por mais que brilhe a nossa estrela, n\u00e3o brilhar\u00e1 para sempre. Contudo n\u00e3o \u00e9 para ficar tristes e nem desesperados. Um comportamento assim seria a conseq\u00fc\u00eancia l\u00f3gica de quem n\u00e3o tem f\u00e9 e n\u00e3o enxerga nada al\u00e9m do t\u00famulo. Ao contr\u00e1rio, tomar consci\u00eancia da nossa transitoriedade nos obriga e estimula a viver bem a vida dando-lhe um sentido profundo que nos fa\u00e7a, inclusive, ser felizes agora e sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Como? No in\u00edcio da Quaresma nos s\u00e3o propostas tr\u00eas \u201cobras\u201d quaresmais: a esmola, o jejum e a ora\u00e7\u00e3o. Tudo isso feito sem alarde para ser algo de gratuito; feito para agradar a Deus e n\u00e3o aos homens. Se chamarmos aten\u00e7\u00e3o, diz o evangelho, \u201cj\u00e1 recebemos a nossa recompensa\u201d: os aplausos e as manchetes dos homens!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A esmola nos obriga a avaliar os nossos relacionamentos\u00a0 com os outros. Podemos usar das nossas capacidades e dos nossos recursos materiais e espirituais para construir fraternidade, como tamb\u00e9m para explorar, enganar, buscar somente o nosso lucro e interesse. Nesse caso fica claro que a \u201cesmola\u201d deve ser entendida como uma verdadeira generosidade, uma aten\u00e7\u00e3o aos irm\u00e3os pobres e sofredores. Sem esse olhar carinhoso e sem essa sensibilidade a nossa vida ficar\u00e1 presa em n\u00f3s mesmos e em nosso ego\u00edsmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O jejum n\u00e3o tem nada ver com os regimes t\u00e3o badalados. Ele diz a respeito de n\u00f3s, da honestidade com a nossa pessoa. \u00c9 ren\u00fancia mesmo; \u00e9 escolha do que consideramos mais importante na nossa vida deixando de lado o que nos prende e condiciona, sufocando a nossa liberdade de fazer o bem. Para sermos livres precisamos poder escolher, mas n\u00e3o qualquer coisa e de qualquer jeito. Liberdade verdadeira \u00e9 saber escolher o bem conscientemente e fadigosamente. Se n\u00e3o sabemos dar um basta a certas situa\u00e7\u00f5es elas exigir\u00e3o cada vez mais de n\u00f3s, e ficaremos cada vez mais \u201cdependentes\u201d delas em lugar de ficarmos mais livres e felizes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por fim, a ora\u00e7\u00e3o. Ela diz a respeito do nosso relacionamento com Deus. Afinal quem \u00e9 Ele para n\u00f3s? O que representa na nossa vida? Se tivermos medo dele, cumpriremos obriga\u00e7\u00f5es e faremos esfor\u00e7os para agrad\u00e1-lo e conseguir favores. Um Deus \u201cinimigo\u201d, imprevis\u00edvel e caprichoso, que compete com o homem, n\u00e3o \u00e9 o Deus de Jesus Cristo. Ao contrario \u00e9 o Deus-amor que prefere morrer a matar os seus perseguidores. Um Deus que n\u00e3o se defende, porque se entrega at\u00e9 o fim. A ora\u00e7\u00e3o nos pede mais que palavras, mais que louvores cantados ou gritados, nos pede o sil\u00eancio da interioriza\u00e7\u00e3o, o sil\u00eancio do quarto \u2013 tamb\u00e9m da igreja e da liturgia &#8211; onde nos colocamos com a nossa pobreza na frente daquele que \u00e9 o Senhor da vida, porque, com a sua P\u00e1scoa venceu, uma vez por todas, a morte.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Pedro Jos\u00e9 Conti<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o entender\u00edamos a Quaresma se n\u00e3o pens\u00e1ssemos na P\u00e1scoa. Fazemos um caminho para alcan\u00e7ar uma meta. Sem objetivo o nosso caminhar fica cansativo e \u00e9 arriscado parar no meio, ou procurar atalhos e desvios mais atrativos. O acontecimento da P\u00e1scoa \u00e9 o centro da f\u00e9 crist\u00e3. 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