{"id":11213,"date":"2010-02-19T00:00:00","date_gmt":"2010-02-19T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/um-sonho-diante-da-dura-realidade\/"},"modified":"2010-02-19T00:00:00","modified_gmt":"2010-02-19T02:00:00","slug":"um-sonho-diante-da-dura-realidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/um-sonho-diante-da-dura-realidade\/","title":{"rendered":"Um sonho diante da dura realidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Os meios de comunica\u00e7\u00e3o noticiaram nesta semana, em alguns de seus tele-jornais e na imprensa escrita, o assassinato do estudante de biomedicina Alcides do Nascimento Lins, de 22 anos, na madrugada do s\u00e1bado (6) de fevereiro, em frente a sua resid\u00eancia.\u00a0 Alcides morava na zona Norte de Recife. Negro, filho de empregada dom\u00e9stica, \u00e9 um daqueles raros casos de jovens da sua condi\u00e7\u00e3o social que consegue entrar em uma universidade p\u00fablica, num dos cursos mais concorridos. A sua aprova\u00e7\u00e3o foi tamb\u00e9m noticiada pela imprensa.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Algu\u00e9m poderia dizer que fora coincid\u00eancia o mesmo jovem sobre quem a TV Globo noticiou, quando havia passado no vestibular, agora estar em rede nacional como v\u00edtima de um crime est\u00fapido. Num pa\u00eds aonde a popula\u00e7\u00e3o afro-descendente chega a 50%, n\u00e3o deveria ser motivo de not\u00edcia nacional a entrada de um jovem negro no curso de biomedicina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As estat\u00edsticas demonstram que o \u00edndice de jovens negros assassinados no Brasil \u00e9 muito alta, na propor\u00e7\u00e3o de tr\u00eas por um, em rela\u00e7\u00e3o aos jovens brancos. Contudo, a imprensa dificilmente aborda este assunto. A mortalidade de jovens negros pode ser compreendida como \u201cnormalidade\u201d. Alcides morreu porque era um negro, pobre, filho de empregada dom\u00e9stica, condi\u00e7\u00e3o de muitos jovens afro-brasileiros. Morava em um bairro marcado pela viol\u00eancia, consumo e tr\u00e1fico de drogas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sonhava com uma vida melhor. O curso universit\u00e1rio poderia ajudar a concretizar este sonho. Muitos jovens sonham todos os dias com a possibilidade de freq\u00fcentar uma universidade, realidade que vem mudando, favorecidas, pelo sistema de cotas. Alguns pensam que as cotas n\u00e3o sejam a melhor forma de ingressar na universidade. Afirmam que o estudante tem que entram por m\u00e9ritos pr\u00f3prios, o que, no Brasil, poder ser traduzido por \u201ccondi\u00e7\u00f5es financeiras de pagar uma escola particular de boa qualidade ou um curso pr\u00e9-vestibular\u201d. N\u00e3o compreendemos isto por m\u00e9rito.\u00a0 Outros n\u00e3o querem perder a chance de continuar garantindo a Universidade p\u00fablica apenas para os brancos e \u201cbem nascidos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por\u00e9m, o que se pode constatar \u00e9 que, mesmo cursando biomedicina por seu esfor\u00e7o, e de sua m\u00e3e, Alcides trazia na cor da pele a marca hist\u00f3rica da sua condi\u00e7\u00e3o social. Morando num bairro pobre, de fam\u00edlia humilde, como alguns outros raros casos, seu curso mudaria sua vida, mas n\u00e3o a vis\u00e3o preconceituosa de uma sociedade que se nega enxergar as v\u00edtimas do sistema escravocrata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esse caso refor\u00e7a a id\u00e9ia de que as cotas, mesmo n\u00e3o sendo o modelo ideal, constituem um instrumento para corrigir a deforma\u00e7\u00e3o educacional no nosso pa\u00eds, quando pensamos a situa\u00e7\u00e3o dos jovens afro-brasileiros. As \u00faltimas avalia\u00e7\u00f5es afirmam que os jovens que entraram nas universidades, via sistema de cotas, imprimiram uma qualifica\u00e7\u00e3o significativa nos processos de ensino e contribu\u00edram para dar aos Campi Universit\u00e1rios o rosto real do Brasil, ou seja, um rosto negro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A como\u00e7\u00e3o tomou conta dos colegas, professores e reitor da Universidade. Eles acompanharam de perto a luta daquele jovem, por\u00e9m, \u00e9 preciso que as universidades criem possibilidades do ingresso universit\u00e1rio aos milh\u00f5es de jovens que est\u00e3o \u00e0s suas portas e que n\u00e3o conseguir\u00e3o fazer parte desse grupo seleto, se essa abertura n\u00e3o ocorrer atrav\u00e9s de cotas ou outras formas de repara\u00e7\u00e3o da d\u00edvida do nosso pa\u00eds com os afro-descendentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Temos pela frente, dentre tantos desafios, a tarefa de gritar contra a viol\u00eancia que atinge a juventude, especialmente os jovens negros. Temos tamb\u00e9m a tarefa de lutar pelo acesso democr\u00e1tico ao Ensino Universit\u00e1rio p\u00fablico gratuito.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Pe Ivaldir Camaroti<br \/> Pe Ari Ant\u00f4nio dos Reis<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os meios de comunica\u00e7\u00e3o noticiaram nesta semana, em alguns de seus tele-jornais e na imprensa escrita, o assassinato do estudante de biomedicina Alcides do Nascimento Lins, de 22 anos, na madrugada do s\u00e1bado (6) de fevereiro, em frente a sua resid\u00eancia.\u00a0 Alcides morava na zona Norte de Recife. 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