{"id":11261,"date":"2008-07-28T00:00:00","date_gmt":"2008-07-28T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/imigracao-japonesa\/"},"modified":"2008-07-28T00:00:00","modified_gmt":"2008-07-28T03:00:00","slug":"imigracao-japonesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/imigracao-japonesa\/","title":{"rendered":"Imigra\u00e7\u00e3o japonesa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Aos 18 de junho comemoramos o centen\u00e1rio da imigra\u00e7\u00e3o de 781 japoneses que desembarcaram em 1908 no Porto de Santos, a bordo do navio \u201cKasato Maru\u201d. Como outros imigrantes da Europa, em \u00e9poca anterior e posterior, vieram tentar ganhar a vida por aqui \u201cfare l\u2019America\u201d, express\u00e3o equivalente \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma nova terra. Muitos n\u00e3o mais voltariam \u00e0s suas p\u00e1trias, sem perder sua originalidade cultural. A verdade \u00e9 que, com imigra\u00e7\u00e3o japonesa e europ\u00e9ia, foi possibilitado um feliz entrela\u00e7amento de desenvolvimento econ\u00f4mico, social e cultural. A resson\u00e2ncia salutar da imigra\u00e7\u00e3o \u00e9 louv\u00e1vel e reconhecida pelos v\u00e1rios pa\u00edses da \u00c1sia e da Europa.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No Sul e Sudeste do Brasil a presen\u00e7a japonesa trouxe a contribui\u00e7\u00e3o fundamental para o desenvolvimento econ\u00f4mico do Pa\u00eds, integrando as \u00e1reas empresariais, industriais, dotando-as de aparatos cient\u00edficos e tecnol\u00f3gicos de qualidade. O mesmo se diga para a agricultura e boa parte do com\u00e9rcio e constru\u00e7\u00e3o civil. No Nordeste a presen\u00e7a japonesa n\u00e3o foi expressiva e marcante como no Sudeste. Temos certeza que, se tivessem vindo para c\u00e1, ter\u00edamos nos desenvolvido bem mais em todos esses setores citados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A maior contribui\u00e7\u00e3o da imigra\u00e7\u00e3o japonesa foi n\u00e3o apenas a miscigena\u00e7\u00e3o do sangue e da ra\u00e7a e sim a mentalidade laborial, a disciplina perseverante, a metodologia operacional determinada, o modo como encaram a realidade, a filosofia de vida, enfim, um padr\u00e3o e um estilo que vem de uma cultura milenar, cheia de sabedoria! N\u00f3s, brasileiros, reconhecemos que em todos os locais dessa imensa na\u00e7\u00e3o onde os imigrantes e descendentes de japoneses se estabeleceram chegou um progresso maior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O s\u00e9culo XVI traz a marca dos colonizadores portugueses, voltados \u00e0 navega\u00e7\u00e3o, \u00e0s descobertas. A contribui\u00e7\u00e3o cultural que deles herdamos se soma a a\u00e7\u00e3o dos mission\u00e1rios jesu\u00edtas que, por sua vez, foram ardorosos evangelizadores tanto no Brasil quanto no Jap\u00e3o. H\u00e1 uma opini\u00e3o unilateralmente propagada com eivos de revolta e deboche contra a influ\u00eancia europ\u00e9ia e asi\u00e1tica. Divirjo dessa opini\u00e3o, identificando a cultura europ\u00e9ia ou asi\u00e1tica (no caso da influ\u00eancia japonesa e chinesa) com imposi\u00e7\u00e3o de modelos estranhos \u00e0 cultura ind\u00edgena ou a cultura aut\u00f3ctone brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sem negar os interesses de domina\u00e7\u00e3o esp\u00faria praticada pelos colonizadores portugueses e espanh\u00f3is, \u00e9 preciso reconhecer que chegaram junto aos colonizadores os padres jesu\u00edtas, que se demonstraram ex\u00edmios pedagogos. Gra\u00e7as a esses mission\u00e1rios, tamb\u00e9m gra\u00e7as aos religiosos de outras ordens, tornou-se poss\u00edvel a tentativa de integrar a f\u00e9 ao trabalho. Essa leg\u00edtima e feliz incultura\u00e7\u00e3o resultou na prosperidade temporal de muitas comunidades nativas. Sem d\u00favida houve contradi\u00e7\u00f5es e oportunismo entre as fac\u00e7\u00f5es colonizadoras. Contudo, nunca se confunda Cristianismo como sendo o bra\u00e7o secular do poder dominador dos colonizadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao reconhecer a contribui\u00e7\u00e3o legada pela imigra\u00e7\u00e3o japonesa, \u00e9 preciso saber que eles foram explorados ao chegarem, depositados nas fazendas de caf\u00e9, utilizados como m\u00e3o de obra barata. A t\u00eampera do japon\u00eas se sobrep\u00f4s aos interesses mesquinhos dos que os exploraram. Muitos desistiram e voltaram ao Jap\u00e3o. A maioria permaneceu. Sem perder sua esperan\u00e7a, deram provas da superioridade de sua \u00edndole e capacidade de \u201ctirar \u00e1gua de pedra, fazendo nascer verdura em deserto\u201d. Demonstraram que os arranjos produtivos s\u00e3o poss\u00edveis com a sabedoria do aprendizado, com as habilidades que nascem das mil tentativas sacrificadas. Onde n\u00e3o havia recursos t\u00e9cnicos e financeiros os japoneses encontraram. Milagre? N\u00e3o. Busca, inven\u00e7\u00e3o, perseveran\u00e7a, teimosia da perfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desde a primeira imigra\u00e7\u00e3o, posteriormente, o Jap\u00e3o foi sendo exaurido e extenuado pelas guerras mundiais. O Brasil, vocacionado \u00e0 hospitalidade, estendeu as m\u00e3os. Acolhemos desempregados e famintos. Oferecemos espa\u00e7os que os japoneses transformaram em novas oportunidades. Hoje eles nos superam em muitas dimens\u00f5es, principalmente nas esferas da organiza\u00e7\u00e3o de trabalho e sustentabilidade, metodologia cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica. Est\u00e3o presentes no processo de crescimento com desenvolvimento social. Ter\u00edamos muito mais a aprender com os japoneses do que simplesmente celebrar seu centen\u00e1rio.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Aldo Di Cillo Pagotto<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos 18 de junho comemoramos o centen\u00e1rio da imigra\u00e7\u00e3o de 781 japoneses que desembarcaram em 1908 no Porto de Santos, a bordo do navio \u201cKasato Maru\u201d. Como outros imigrantes da Europa, em \u00e9poca anterior e posterior, vieram tentar ganhar a vida por aqui \u201cfare l\u2019America\u201d, express\u00e3o equivalente \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma nova terra. 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