{"id":11267,"date":"2009-09-28T00:00:00","date_gmt":"2009-09-28T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/uma-nova-religiao\/"},"modified":"2009-09-28T00:00:00","modified_gmt":"2009-09-28T03:00:00","slug":"uma-nova-religiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/uma-nova-religiao\/","title":{"rendered":"Uma nova religi\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Na luta esfuziante sobre o acordo Brasil x Santa S\u00e9, \u201crevelaram-se os pensamentos de muitos cora\u00e7\u00f5es\u201d (Lc 2, 35). Muita gente perdeu a tramontana, e come\u00e7ou a expressar id\u00e9ias mais do que confusas. O importante era falar alguma coisa contra as pretens\u00f5es eclesiais. Parecia que est\u00e1vamos revivendo as id\u00e9ias dos enciclopedistas, em plena revolu\u00e7\u00e3o francesa. Os coment\u00e1rios eram acres, n\u00e3o poucas vezes eivados de desprezo pela intelig\u00eancia dos advers\u00e1rios.\u00a0 Manejaram, desajeitadamente, o conceito de Estado laico, dando-lhe um significado diferente daquele que lhe s\u00f3i ser atribu\u00eddo. Estou a favor de que o Estado seja laico, naquele sentido em que a Rep\u00fablica n\u00e3o assume nenhuma das religi\u00f5es, mas protege a todas, e lhes d\u00e1 status de liberdade. N\u00e3o assim pensam certos advers\u00e1rios (bem intencionados?). Cooptam a id\u00e9ia de laicidade, acrescentando-lhe astutamente, a qualidade de ate\u00edsmo. O Estado laico \u00e9 aquele que procura passar a id\u00e9ia de op\u00e7\u00e3o p\u00fablica pela n\u00e3o-cren\u00e7a, e que n\u00e3o admite presen\u00e7a de religi\u00e3o nenhuma na vida p\u00fablica, dizem.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Essa atitude, assim descrita, sup\u00f5e uma verdadeira \u201cmissionariedade\u201d estatal. O poder p\u00fablico n\u00e3o poderia admitir nenhum s\u00edmbolo religioso, mesmo sabendo que a hist\u00f3ria do povo brasileiro n\u00e3o pode ser entendida sem a religi\u00e3o cat\u00f3lica. N\u00e3o poderia permitir, em definitivo, que os alunos cat\u00f3licos recebessem ensino de sua religi\u00e3o, nem que os de confiss\u00e3o evang\u00e9lica tivessem qualquer not\u00edcia sobre a sua. A laicidade estatal teria a sua \u201cB\u00edblia\u201d, (certos livros de corte agn\u00f3stico ou francamente anti-te\u00edstas). Teria as suas festas (o domingo seria nivelado aos demais dias da semana). Teria tamb\u00e9m suas \u201ccoletas\u201d para sustentar os \u201cmission\u00e1rios\u201d. Teria os seus \u201csantos\u201d, os seus \u201canjos\u201d e os seus her\u00f3is. Mas o mais lament\u00e1vel seria a profiss\u00e3o de f\u00e9 no grande deus dessa nova religi\u00e3o. O onipotente, que deveria ser adorado e glorificado pela Rep\u00fablica, seria o \u201deu\u201d de cada pessoa. Esse seria o novo deus, centro do universo. Com isso a laicidade do Estado seria totalmente cooptada em favor de uma nova religi\u00e3o. Sabemos que isso de o poder p\u00fablico ser laico \u00e9 bem outra coisa. \u00c9 um benef\u00edcio. Mas isso que se prop\u00f5e est\u00e1 desfocado.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Alo\u00edsio Roque Oppermann<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na luta esfuziante sobre o acordo Brasil x Santa S\u00e9, \u201crevelaram-se os pensamentos de muitos cora\u00e7\u00f5es\u201d (Lc 2, 35). Muita gente perdeu a tramontana, e come\u00e7ou a expressar id\u00e9ias mais do que confusas. O importante era falar alguma coisa contra as pretens\u00f5es eclesiais. 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