{"id":11272,"date":"2009-08-10T00:00:00","date_gmt":"2009-08-10T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dificuldades-a-vista\/"},"modified":"2009-08-10T00:00:00","modified_gmt":"2009-08-10T03:00:00","slug":"dificuldades-a-vista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dificuldades-a-vista\/","title":{"rendered":"Dificuldades \u00e0 vista"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Nada mais normal do que desejar estabelecer boas regras de conviv\u00eancia entre o Estado Brasileiro e a Santa S\u00e9. A Igreja Cat\u00f3lica, ap\u00f3s 5 s\u00e9culos de presen\u00e7a \u2013 e presen\u00e7a que marcou a nossa cultura \u2013 sente necessidade de fixar regras est\u00e1veis de conv\u00edvio civil. \u00c9 para \u201cdirigir os nossos passos no caminho da paz\u201d ( Lc 1, 79). Trata-se de um acordo, em\u00a0 que o mais forte (o Estado) se obriga a reconhecer certas prerrogativas do mais fraco (Igreja). \u00c9 bom lembrar que a Igreja n\u00e3o quer privil\u00e9gios \u2013 o que numa democracia seria odioso \u2013 mas sim, determina\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis e previs\u00edveis de comportamentos jur\u00eddicos. Esse acordo foi montado, por longos anos, por eminentes juristas do Itamaraty e profissionais escolhidos pela Igreja. Foi tudo minuciosamente discutido. Todos os itens, salvo algumas pequenas exce\u00e7\u00f5es, j\u00e1 est\u00e3o em vigor, na pr\u00e1tica. E uma vez aprovado pelo Congresso Nacional, esse acordo poder\u00e1 ser regulamentado em min\u00facias. Cito como exemplo, o estabelecimento de detalhes para se cumprir o direito do ensino religioso.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ocorre que est\u00e3o aparecendo duas dificuldades na aprova\u00e7\u00e3o desse instrumento de boa conviv\u00eancia. A primeira prov\u00e9m de parlamentares evang\u00e9licos. Estes est\u00e3o encorpando a voz, porque sup\u00f5em que \u00e9 uma\u00a0 ocasi\u00e3o para\u00a0 um tratamento\u00a0 paternalista do poder p\u00fablico. N\u00e3o queremos um tratado exclusivo. Todas as entidades religiosas podem celebrar acordos particulares, da mesma forma. S\u00f3 lhes desejo que n\u00e3o levem, como n\u00f3s, 509 anos para conseguir alguma coisa. O segundo grupo, bastante aguerrido, \u00e9 o dos que se batem pela laicidade do poder p\u00fablico. Est\u00e3o certos quando advogam que o Estado deve ser laico. Deve ser mesmo. Mas essa qualidade justamente reconhece que as convic\u00e7\u00f5es religiosas dos cidad\u00e3os devem ser reconhecidas. O Estado deve protege-las. Parece que o sangue da revolu\u00e7\u00e3o francesa \u2013 sangue velho, diga-se &#8211; ainda circula em suas veias. Mas a pr\u00f3pria Fran\u00e7a tem acordo com a Santa S\u00e9, como tamb\u00e9m muitos pa\u00edses mu\u00e7ulmanos, e a maioria dos pa\u00edses americanos e africanos. E n\u00e3o v\u00eaem nisso nada de errado. Ser\u00e1 que 500 anos de presen\u00e7a ben\u00e9fica da Igreja Cat\u00f3lica, no Brasil, n\u00e3o vai pesar nada na hora da vota\u00e7\u00e3o desse acordo da esperan\u00e7a?<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Alo\u00edsio Roque Oppermann<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nada mais normal do que desejar estabelecer boas regras de conviv\u00eancia entre o Estado Brasileiro e a Santa S\u00e9. 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