{"id":11291,"date":"2009-07-28T00:00:00","date_gmt":"2009-07-28T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-trabalho-pode-visar-lucro\/"},"modified":"2009-07-28T00:00:00","modified_gmt":"2009-07-28T03:00:00","slug":"o-trabalho-pode-visar-lucro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-trabalho-pode-visar-lucro\/","title":{"rendered":"O trabalho pode visar lucro?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Quando Jo\u00e3o Paulo II escreveu a enc\u00edclica social CENTESIMUS ANNUS, em 1992, um cl\u00e9rigo me falou amargurado: \u201cnunca mais a Igreja vai escrever uma enc\u00edclica social\u201d. Por que tamanha decep\u00e7\u00e3o? \u00c9 que ele pessoalmente queria a solu\u00e7\u00e3o socialista, matriz de uma verdadeira justi\u00e7a social, segundo entendia. E nesta enc\u00edclica o Pont\u00edfice fazia clara op\u00e7\u00e3o pela economia de mercado (com restri\u00e7\u00f5es), desclassificando\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 a economia estatal, que quer marcar todos os pre\u00e7os e determinar o que deve ser produzido (socialismo). Por que Jo\u00e3o Paulo II fez essa escolha, seguindo Le\u00e3o XIII? Porque, se a economia de mercado produz injusti\u00e7as, deixando muitas pessoas \u00e0 margem do progresso, o socialismo eleva as injusti\u00e7as ao quadrado. Ele torna a vida econ\u00f4mica uma camisa de for\u00e7a insuport\u00e1vel, e se torna malfeitor da humanidade, por n\u00e3o respeitar em grau\u00a0 m\u00ednimo a liberdade humana. O cl\u00e9rigo citado \u2013 cheio de nobres ideais \u2013 achava que as enc\u00edclicas anteriores, por condenarem a crueldade do capitalismo selvagem, eram a favor do socialismo. O que \u00e9 um erro de tamanho amaz\u00f4nico.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Agora vem Bento XVI, e nesta enc\u00edclica CARITAS IN VERITATE, confirma esse ensinamento tradicional (n\u00ba 35). Em outras palavras, ele ensina que as transa\u00e7\u00f5es financeiras precisam seguir as leis do mercado, entre as quais est\u00e1 presente a lei da oferta e da procura, e a busca do lucro justo. Aos olhos de muitos idealistas, o lucro seria uma busca perversa em si. Seria comportamento sat\u00e2nico. Mas n\u00e3o. Segundo o Pont\u00edfice Romano entende, o lucro \u00e9 um agente motivador para os empreendimentos econ\u00f4micos. Nos cora\u00e7\u00f5es mais nobres podem se sobrepor outros motivos mais sublimes: o amor \u00e0 humanidade, o progresso das comunidades, a busca do Reino de Deus. Se existe manifesta\u00e7\u00e3o a favor da economia de mercado, no pensamento papal, corre paralela a necessidade de o Estado coibir os abusos do lucro desenfreado. A pr\u00f3pria globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 aceita como fato positivo, desde que n\u00e3o crie camadas sociais \u00e0 margem do progresso, e que seus benef\u00edcios se estendam tamb\u00e9m \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 seguran\u00e7a&#8230;\u201dO bom pai \u00e9 aquele que tira do seu tesouro coisas novas e velhas\u201d (Mt 13, 52).<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Alo\u00edsio Roque Oppermann<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando Jo\u00e3o Paulo II escreveu a enc\u00edclica social CENTESIMUS ANNUS, em 1992, um cl\u00e9rigo me falou amargurado: \u201cnunca mais a Igreja vai escrever uma enc\u00edclica social\u201d. Por que tamanha decep\u00e7\u00e3o? \u00c9 que ele pessoalmente queria a solu\u00e7\u00e3o socialista, matriz de uma verdadeira justi\u00e7a social, segundo entendia. E nesta enc\u00edclica o Pont\u00edfice fazia clara op\u00e7\u00e3o pela &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-trabalho-pode-visar-lucro\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">O trabalho pode visar lucro?<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/11291"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=11291"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/11291\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=11291"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=11291"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=11291"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}