{"id":11311,"date":"2010-03-08T00:00:00","date_gmt":"2010-03-08T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/pao-e-parto\/"},"modified":"2010-03-08T00:00:00","modified_gmt":"2010-03-08T03:00:00","slug":"pao-e-parto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/pao-e-parto\/","title":{"rendered":"P\u00e3o e parto"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Um renomado cronista brasileiro, fazendo uma leitura da vida da popula\u00e7\u00e3o, escreveu, com uma particular percep\u00e7\u00e3o: \u201cNos planos de Deus, a vida seria de gra\u00e7a. Mas, depois daquela hist\u00f3ria da ma\u00e7\u00e3, o homem foi condenado a comer o p\u00e3o regado com o suor do rosto. E a mulher, a parir seus filhos com dor. Tanto o p\u00e3o quanto o parto custam caro.\u201d Parece que, no entendimento do cronista, se n\u00e3o fora o pecado, a vida humana na terra seria um \u201cdolce far niente\u201d, conforme a express\u00e3o italiana. Biblicamente, o p\u00e3o est\u00e1 associado ao trabalho; o \u201cganha p\u00e3o\u201d resulta do esfor\u00e7o, do suor do rosto de qualquer trabalhador.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Como ensina o Genesis, pelo lugar que ocupa no plano e no ato da cria\u00e7\u00e3o, Deus deu ao homem e \u00e0 mulher o poder de se multiplicar e de dominar peixes, aves, animais, sementes, \u00e1rvores, frutos. (cf Gn 1, 26-31) Obviamente, por sua natureza e condi\u00e7\u00e3o, o homem n\u00e3o se realizaria apenas tendo \u201csombra e \u00e1gua fresca\u201d. Portanto, a sobreviv\u00eancia seria conquistada com sua intelig\u00eancia, participa\u00e7\u00e3o, iniciativa, trabalho. Por\u00e9m a experi\u00eancia do pecado interferiu profundamente na condi\u00e7\u00e3o humana. (cf Gn 3, 1-13) O trabalho tornou-se um \u00f4nus para o homem. (cf Gn 3,17-18) Apesar disso, em qualquer tempo e, de maneira muito vis\u00edvel, nos dias atuais, a falta do trabalho constitui um peso maior do que aquele exigido pela mais dura atividade bra\u00e7al. A mulher, em particular, experimenta a dor do parto. (cf Gn 3, 16) Em que pese essa face da dor, o momento do nascimento de uma crian\u00e7a, expelida, naturalmente, ou extra\u00edda, cirurgicamente, \u00e9 uma experi\u00eancia impar, reservada unicamente \u00e0s mulheres, carregada de uma alegria imensa, por vir \u00e0 luz o fruto de suas entranhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os dois itens enfocados \u2013 p\u00e3o e parto \u2013 est\u00e3o entre aqueles que envolvem toda a popula\u00e7\u00e3o. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, estat\u00edsticas brasileiras, recentemente divulgadas, e depoimentos de \u201cdonas de casa\u201d em supermercados e feiras livres, confirmam o aumento dos pre\u00e7os na feira semanal ou mensal. Os produtos aliment\u00edcios t\u00eam uma contribui\u00e7\u00e3o destacada na contabilidade da infla\u00e7\u00e3o, n\u00e3o obstante a sua manuten\u00e7\u00e3o em patamares administr\u00e1veis, desde o in\u00edcio da ado\u00e7\u00e3o do Real, quando comparada com o descontrole de d\u00e9cadas passadas, com as conhecidas repercuss\u00f5es na vida da popula\u00e7\u00e3o. A alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 uma prioridade b\u00e1sica na vida de todos e para as camadas populares torna-se desafio da sobreviv\u00eancia. O outro item, que compreende gesta\u00e7\u00e3o, parto e p\u00f3s-parto, tamb\u00e9m pesa na contabilidade familiar. A assist\u00eancia dos Poderes P\u00fablicos \u00e9 reconhecidamente insuficiente e, em muitos lugares, inexistente. Os Planos de Sa\u00fade que, na pr\u00e1tica, est\u00e3o se universalizando, representam um encargo pesado nas contas dom\u00e9sticas. Ante a fragilidade da crian\u00e7a, todas as fam\u00edlias enfrentam custos especiais com a preven\u00e7\u00e3o e com a medica\u00e7\u00e3o; via de regra, a Sa\u00fade P\u00fablica n\u00e3o oferece um servi\u00e7o de qualidade nessa mat\u00e9ria. Enfim, todos sabem, por experi\u00eancia, que, al\u00e9m do p\u00e3o e do parto, itens como moradia, educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a, transporte e tantos outros incidem nos custos da vida e da sobreviv\u00eancia familiares; assim, \u201cViver custa caro.\u201d Mas, como n\u00e3o pode ser diferente, tudo isso faz parte da \u201cLuta pela vida\u201d, de que falava Hobbes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Diante dos custos cotidianos, afirmou o cronista: \u201cO consumidor final n\u00e3o pode estrilar. \u00c9 pagar ou morrer. Termina a vida pagando e morrendo. Em todo o caso, h\u00e1 uma lei compensat\u00f3ria nisso tudo. O presidente da Rep\u00fablica j\u00e1 estava no avi\u00e3o para ir a Davos e foi tirado de bordo por causa da press\u00e3o alta. Acredito que n\u00e3o tenha pago nada, tudo fica por conta da mordomia do Estado.\u201d<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Genival Saraiva<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um renomado cronista brasileiro, fazendo uma leitura da vida da popula\u00e7\u00e3o, escreveu, com uma particular percep\u00e7\u00e3o: \u201cNos planos de Deus, a vida seria de gra\u00e7a. Mas, depois daquela hist\u00f3ria da ma\u00e7\u00e3, o homem foi condenado a comer o p\u00e3o regado com o suor do rosto. E a mulher, a parir seus filhos com dor. 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