{"id":11326,"date":"2008-11-14T00:00:00","date_gmt":"2008-11-14T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/democracia-na-igreja\/"},"modified":"2008-11-14T00:00:00","modified_gmt":"2008-11-14T02:00:00","slug":"democracia-na-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/democracia-na-igreja\/","title":{"rendered":"Democracia na Igreja?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Antes de tudo, por uma quest\u00e3o de lealdade, considero que o sistema de governo democr\u00e1tico, n\u00e3o est\u00e1 com essa bola toda como se procura insinuar. Ademais, tal regime de governo n\u00e3o se encontra, em estado quimicamente puro, em lugar nenhum. Em alguns pa\u00edses se fala, com boca redonda, em democracia. Mas o que vige \u00e9 o uso mais sem cerim\u00f4nias, da for\u00e7a bruta; a compra de votos; o desprezo pelas minorias; os golpes de esperteza; a sedu\u00e7\u00e3o dos menos instru\u00eddos; a engana\u00e7\u00e3o mais pura. Todas as democracias do mundo tem v\u00edcios horrorosos, mesmo entre os americanos. Estes interv\u00e9m em v\u00e1rios pa\u00edses, n\u00e3o levados por sentimentos de justi\u00e7a apenas, mas tamb\u00e9m por interesses, os mais reles. \u201cA democracia \u00e9 um fracasso universal. A come\u00e7ar pela Europa e pela Am\u00e9rica do Norte\u201d (P.Comblin). A atenuante que existe a seu favor, \u00e9 que qualquer outro regime em funcionamento, \u00e9 muito pior que o democr\u00e1tico. A democracia deve ser aperfei\u00e7oada at\u00e9 atingir n\u00e3o s\u00f3 o lado pol\u00edtico, mas tamb\u00e9m o social e o econ\u00f4mico. O caminho \u00e9 \u00edngreme e longo.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cO que vos parece?\u201d (Mt 17, 25), pergunta Jesus aos seus interlocutores. Como bom pedagogo, nas suas par\u00e1bolas n\u00e3o entrega uma historia pronta. O seu ensinamento \u00e9 participativo. A Igreja durante muitos s\u00e9culos usou o m\u00e9todo monocr\u00e1tico. As novas situa\u00e7\u00f5es eram resolvidas pela interven\u00e7\u00e3o costumeira do Papa, ou dos Bispos. Mesmo em Conc\u00edlio, tudo ficava reservado para uns poucos. Mas aten\u00e7\u00e3o. Mesmo com essa maneira de governar, as pessoas que sempre receberam as maiores refer\u00eancias n\u00e3o era a hierarquia, mas os Santos e as Santas, cujo prest\u00edgio sempre ficou muito acima de qualquer autoridade. Vivendo no meio do mundo moderno a Igreja aprendeu a lidar com Conselhos, Assembl\u00e9ias, S\u00ednodos, Grupos, Tribunais Eclesi\u00e1sticos. \u00c9 o que se depreende dos Planos de Pastoral das Dioceses. O Bispo, em vez de chamar especialistas, com encargo de escrever a programa\u00e7\u00e3o das Par\u00f3quias, estabelece um di\u00e1logo construtivo com todos os diocesanos, para em conjunto, se chegar \u00e0s melhores conclus\u00f5es. Mesmo aqui os assuntos precisam ser definidos pelas prefer\u00eancias. A Igreja, no entanto, olha para mais longe: queremos ultrapassar a democracia e alcan\u00e7ar o que se chama de comunh\u00e3o. \u00c9 o regime mais perfeito, porque se alcan\u00e7a o consenso, sem humilhar ningu\u00e9m. \u00c9 esse regime que costuma vigorar dentro das boas fam\u00edlias.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Alo\u00edsio Roque Oppermann<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes de tudo, por uma quest\u00e3o de lealdade, considero que o sistema de governo democr\u00e1tico, n\u00e3o est\u00e1 com essa bola toda como se procura insinuar. Ademais, tal regime de governo n\u00e3o se encontra, em estado quimicamente puro, em lugar nenhum. Em alguns pa\u00edses se fala, com boca redonda, em democracia. 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