{"id":11330,"date":"2008-10-13T00:00:00","date_gmt":"2008-10-13T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/inutil-discussao\/"},"modified":"2008-10-13T00:00:00","modified_gmt":"2008-10-13T03:00:00","slug":"inutil-discussao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/inutil-discussao\/","title":{"rendered":"In\u00fatil discuss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Nossa mentalidade, ap\u00f3s os solavancos filos\u00f3ficos de quatro s\u00e9culos, continua cartesiana.\u00a0 As \u201cid\u00e9ias claras\u201d exigem que coloquemos, numa ordem de preced\u00eancia, o amor a ser prestado a Deus, e o amor ao semelhante. Isso j\u00e1 Santo Agostinho, mente privilegiada, havia dirimido. Na import\u00e2ncia, e no seu valor intr\u00ednseco, &#8211; dizia o grande mestre &#8211; tudo cabe primeiramente a Deus. Mas na ordem pr\u00e1tica, mesmo na cronol\u00f3gica,\u00a0 a preced\u00eancia cabe ao pr\u00f3ximo. \u201cAmar\u00e1s a Deus sobre todas as coisas, e a teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo\u201d (Mt 22, 37. 39). O povo crist\u00e3o luta para entender isso. O Pai Eterno \u00e9 um ser amoroso e sumamente am\u00e1vel. Mas ele n\u00e3o admite que esque\u00e7amos os outros filhos seus.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os governos modernos, ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o francesa, se apoderaram da \u201ca\u00e7\u00e3o social\u201d do cristianismo. Hoje todos os poderes pol\u00edticos, fazem quest\u00e3o de serem \u201csociais\u201d. Isso foi muito bom, pois quem recolhe os impostos, portanto tem dinheiro para agir, \u00e9 o poder secular. O papel das nossas comunidades caritativas, se tornou supletivo. Mas n\u00e3o podemos esquecer, que a organiza\u00e7\u00e3o p\u00fablica jamais conseguir\u00e1 fazer tudo. Jesus j\u00e1 avisou: \u201cpobres sempre os tereis\u201d (Mt 26, 11), como se antecipando ao Bolsa Fam\u00edlia, cujo benef\u00edcio se estender\u00e1 a perder de vista. As nossas Par\u00f3quias sempre costumam ter alguma a\u00e7\u00e3o social. A maioria est\u00e1 na linha assistencial. Sempre h\u00e1 alguma sopa, alguma cesta b\u00e1sica, a constru\u00e7\u00e3o de alguma casinha, um socorro de rem\u00e9dios l\u00e1, uma concess\u00e3o de roupas acol\u00e1. Hoje n\u00e3o h\u00e1 mais espa\u00e7o para grandes obras, fora do Estado. \u00c9 evidente que as ajudas de particulares s\u00e3o modestas, tempor\u00e1rias, emergenciais. O perigo que reside na assist\u00eancia, venha de onde vier, \u00e9\u00a0 o famoso \u201cpaternalismo\u201d. \u00c9 o refr\u00e3o: \u201cpapai resolve\u201d, que reduz os beneficiados ao infantilismo. (Disso nem o \u201cBolsa Fam\u00edlia\u201d escapa). Melhor do que isso \u00e9 a promo\u00e7\u00e3o humana, por exemplo, atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o, e do aprendizado de profiss\u00f5es. E para quem tiver coragem para as incompreens\u00f5es, ainda existe espa\u00e7o para a caridade libertadora, pela qual n\u00e3o se trabalha para os pobres, mas com os pobres. O importante para todos \u00e9 aprender de Jesus a olhar com amor e simpatia os empobrecidos. Esse amor ensinar\u00e1 o caminho melhor da ajuda a ser prestada.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Alo\u00edsio Roque Oppermann<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nossa mentalidade, ap\u00f3s os solavancos filos\u00f3ficos de quatro s\u00e9culos, continua cartesiana.\u00a0 As \u201cid\u00e9ias claras\u201d exigem que coloquemos, numa ordem de preced\u00eancia, o amor a ser prestado a Deus, e o amor ao semelhante. Isso j\u00e1 Santo Agostinho, mente privilegiada, havia dirimido. 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