{"id":11388,"date":"2010-03-11T00:00:00","date_gmt":"2010-03-11T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/filhos-irmaos-ou-inimigos\/"},"modified":"2010-03-11T00:00:00","modified_gmt":"2010-03-11T03:00:00","slug":"filhos-irmaos-ou-inimigos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/filhos-irmaos-ou-inimigos\/","title":{"rendered":"Filhos: irm\u00e3os ou inimigos?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">A par\u00e1bola dos dois filhos e do pai misericordioso \u00e9, sem d\u00favida, uma das p\u00e1ginas mais tocantes do evangelho de Lucas. A encontramos neste quarto domingo da Quaresma, na nossa caminhada rumo \u00e0 P\u00e1scoa. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio contar novamente a hist\u00f3ria, basta apenas lembrar alguns t\u00f3picos principais que deveriam ajudar na nossa convers\u00e3o e na convers\u00e3o comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os dois filhos representam duas atitudes opostas, as quais ignoram, de fato, o pai. O primeiro filho sente-se mal na casa paterna. Quer crescer por sua pr\u00f3pria conta, acertar o seu caminho, n\u00e3o depender de uma autoridade que, na sua percep\u00e7\u00e3o, o sufoca. Pede a parte que lhe cabe da heran\u00e7a para se sentir livre; e vai longe, para n\u00e3o ter mais nada a ver com o pai. Quer talvez esquecer de onde veio, onde foi criado e a quem deveria agradecer. O sonho dele \u00e9 a liberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O outro filho, aparentemente, \u00e9 o servidor obediente. Cumpre tudo o que o pai manda. Contudo n\u00e3o pensa que a casa e os bens do pai sejam seus tamb\u00e9m. Reclama porque nunca recebeu do pai um cabrito para fazer festa com os amigos. Em poucas palavras, para o primeiro filho o pai \u00e9 um autorit\u00e1rio que o prende, por isso precisa se libertar dele. Para o segundo filho, o pai \u00e9 um patr\u00e3o exigente ao qual obedece por medo e rever\u00eancia, sonhando estar, um dia, no lugar dele. A\u00ed sim ser\u00e1 o dono de tudo e se sentir\u00e1 livre. Nenhum dos filhos entendeu o amor do pai. Esse amor se manifesta na espera paciente da volta do primeiro filho, na festa da acolhida e na s\u00faplica para que o filho mais velho participe, tamb\u00e9m, da festa em homenagem ao filho-irm\u00e3o perdido que voltava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 bastante f\u00e1cil enxergar nas atitudes e pensamentos dos dois filhos a situa\u00e7\u00e3o de tantas pessoas, no que diz a respeito \u00e0 pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o com Deus. Alguns acham necess\u00e1rio se livrar dele, negando-o. Vivendo como se Deus n\u00e3o existisse, como se n\u00e3o houvesse nenhuma proposta de vida e de valores. Muitos hoje vivem ignorando ou fingindo ignorar a quest\u00e3o de Deus na pr\u00f3pria vida. Nunca t\u00eam tempo, t\u00eam outros projetos; pensam que deixar entrar Deus na pr\u00f3pria vida signifique\u00a0 assumir um monte de obriga\u00e7\u00f5es e de proibi\u00e7\u00f5es. Para essas pessoas Deus \u00e9 um empecilho \u00e0 pr\u00f3pria liberdade, um obst\u00e1culo, um inimigo a ser derrotado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Outros est\u00e3o do lado oposto, mas, infelizmente, o resultado final \u00e9 o mesmo.\u00a0 Pensam ter acolhido a Deus, porque obedecem a todas as normas,\u00a0 acreditam, de fato, ter direitos com Ele. A obedi\u00eancia \u00e0s leis n\u00e3o \u00e9 gratuita, \u00e9 interesseira. Agradam a Deus para poder ter algo de volta: sa\u00fade, bens materiais, vida boa e tranq\u00fcila. A seguran\u00e7a deles n\u00e3o \u00e9 Deus em si, s\u00e3o as benesses que pensam ter neste mundo e, talvez, tamb\u00e9m no outro. Aparentemente s\u00e3o modelos de filhos. Na pr\u00e1tica s\u00f3 se preocupam em n\u00e3o desagradar ao chefe, para continuar a gozar da sua confian\u00e7a e dos seus favores. Mais uma vez estamos longe de algo que se assemelhe ao amor e \u00e0 gratuidade. Nenhum dos dois filhos entendeu o amor do pai. Um se sente oprimido, o outro se acha dono do cora\u00e7\u00e3o do pai, por isso fica revoltado quando este pai bondoso perdoa o filho desgarrado. Em nome da lei exige justi\u00e7a, esqueceu que o outro tamb\u00e9m \u00e9 filho, apesar dos erros cometidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Como podemos entender nessa par\u00e1bola n\u00e3o est\u00e1 em quest\u00e3o simplesmente o perd\u00e3o e a volta para casa do filho mais novo; est\u00e1 sendo apresentada a pr\u00f3pria bondade de Deus que \u00e9 magnificamente livre de amar e perdoar, porque n\u00e3o tem outra lei a n\u00e3o ser a do amor. O primeiro filho foi embora por n\u00e3o reconhecer o amor do pai, mas o segundo tamb\u00e9m nunca se sentiu amado e n\u00e3o aprendeu a amar e a perdoar. Deus Pai ama a todos os seus filhos e prop\u00f5e a todos o amor filial e fraternal. Enquanto dividirmos a humanidade em justos, obedientes e salvos de um lado e pecadores, errados e perdidos do outro, conforme os nossos crit\u00e9rios de justi\u00e7a e obedi\u00eancia, nunca entenderemos o amor do Pai de todos e a solidariedade que nos une \u2013 ou deveria nos unir \u2013 contra o mal. Enquanto n\u00e3o reconhecermos tamb\u00e9m os nossos erros e julgarmos apenas os outros, continuaremos a n\u00e3o entender e a n\u00e3o amar a um Pai que envia o seu Filho para nos ensinar o \u00fanico caminho capaz de nos resgatar das id\u00e9ias erradas sobre Deus e sobre a humanidade. N\u00e3o devemos competir entre n\u00f3s e com Deus, devemos sim nos unir como irm\u00e3os, porque o \u201cinimigo\u201d e o \u201cpatr\u00e3o\u201d\u00a0 n\u00e3o \u00e9 o Pai, mas o mal que nos torna orgulhosos, invejosos, incapazes de perdoar e acolher os pecados nossos e dos outros.\u00a0 Temos todos muito ainda a aprender.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Pedro Jos\u00e9 Conti<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A par\u00e1bola dos dois filhos e do pai misericordioso \u00e9, sem d\u00favida, uma das p\u00e1ginas mais tocantes do evangelho de Lucas. A encontramos neste quarto domingo da Quaresma, na nossa caminhada rumo \u00e0 P\u00e1scoa. 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