{"id":11396,"date":"2010-03-15T00:00:00","date_gmt":"2010-03-15T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/meninos-e-meninas\/"},"modified":"2010-03-15T00:00:00","modified_gmt":"2010-03-15T03:00:00","slug":"meninos-e-meninas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/meninos-e-meninas\/","title":{"rendered":"Meninos e meninas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Desde as civiliza\u00e7\u00f5es mais antigas at\u00e9 o momento, o tratamento \u00e0s pessoas \u00e9 feito de forma discriminat\u00f3ria, segundo o sexo, por raz\u00f5es religiosas, culturais, sociais e pol\u00edticas. Essa realidade \u00e9 encontrada nos costumes e lida na literatura de muitos povos. De fato, nesses ambientes, a crian\u00e7a \u00e9 aceita ou rejeitada, ao nascer, conforme o sexo. Isso acontece de forma velada ou expl\u00edcita, segundo os padr\u00f5es existentes. Em tempos passados, tamb\u00e9m em decorr\u00eancia desse substrato religioso, cultural, social e pol\u00edtico, por conta do desconhecimento do seu sexo, a expectativa do nascimento de uma crian\u00e7a expressava anseios e temores, especialmente nos pais e familiares. N\u00e3o deixa de ser um dado surpreendente o fato de se constatar esse fen\u00f4meno tanto em etnias ainda muito imperme\u00e1veis quanto em estratos muito esclarecidos da sociedade moderna. A discrimina\u00e7\u00e3o a uma pessoa \u00e9 inadmiss\u00edvel, sob qualquer aspecto, e a legisla\u00e7\u00e3o dos Estados modernos aplica penas pertinentes. Qualquer que seja a sua matriz, \u00e9 moralmente grave a discrimina\u00e7\u00e3o que se pratica contra fetos e rec\u00e9m-nascidos, em raz\u00e3o do seu sexo. Paradoxalmente, a legisla\u00e7\u00e3o de muitos pa\u00edses legitima essa injusti\u00e7a.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A discrimina\u00e7\u00e3o a meninos e meninas, por decis\u00f5es pol\u00edticas, \u00e9 uma das mais injustas e chocantes; por sinal, \u00e9 muito antiga e muito atual. Basta olhar a puni\u00e7\u00e3o do fara\u00f3 do Egito, o nazismo de Hitler na Alemanha e a pol\u00edtica da China contempor\u00e2nea. \u201cDepois o rei do Egito disse \u00e0s parteiras dos hebreus, chamadas Sefra e Fu\u00e1: \u2018Quando assistirdes as mulheres hebreias no parto e chegar o tempo do parto, se for menino, matai-o; se for menina, deixai-a viver.\u2019 Mas as parteiras tinham temor de Deus: n\u00e3o faziam o que o rei do Egito lhes tinha mandado e deixavam viver os meninos. Ent\u00e3o o fara\u00f3 deu esta ordem a todo o seu povo: \u2018Lan\u00e7ai ao rio todos os meninos rec\u00e9m-nascidos, mas poupai a vida das meninas\u2019.\u201d (Ex 1,15-17.22) Eis a raz\u00e3o da iniquidade do fara\u00f3: \u201c \u2018Olhai como a popula\u00e7\u00e3o israelita ficou mais numerosa e mais forte do que n\u00f3s. Vamos tomar provid\u00eancias em rela\u00e7\u00e3o a eles, para impedir que continuem crescendo e, em caso de guerra, se unam aos nossos inimigos, lutem contra n\u00f3s e acabem saindo do pa\u00eds.\u2019 \u201d (Ex 1,9-10)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O nazismo de Hitler n\u00e3o fazia discrimina\u00e7\u00e3o entre meninos e meninas, mas os discriminava por serem crian\u00e7as: \u201cOs nazistas n\u00e3o coagiam as detidas gr\u00e1vidas ao aborto, esperavam at\u00e9 o parto (penso que fossem simplesmente cientes da gravidade do trauma que o aborto representa para o organismo da m\u00e3e) e isso n\u00e3o por motivos altru\u00edstas, mas simplesmente para n\u00e3o reduzir a m\u00e3o de obra: esperavam o regular parto fisiol\u00f3gico, para n\u00e3o ter mulheres doentes. Depois do parto, aqueles meninos ou eram deixados na enfermaria, sem alimento, at\u00e9 a morte por inani\u00e7\u00e3o ou eram jogados vivos diretamente no \u2018Heizung\u2019.\u201d (\u201cNos fornos\u201d). A raz\u00e3o dessa atrocidade contra meninos e meninas devia-se ao fato de serem \u201cconsumidores in\u00fateis de comida\u201d. Na China, \u201cA \u2018pol\u00edtica do filho \u00fanico\u2019 implementada no in\u00edcio dos anos 80 para frear o crescimento demogr\u00e1fico do pa\u00eds mais populoso do mundo penaliza ter um segundo filho. Por esse motivo, \u00e9 freq\u00fcente que as fam\u00edlias chinesas, que valorizam mais o nascimento de um homem, abortem quando sabem que o feto \u00e9 uma menina.\u201d \u201cAs meninas s\u00e3o as maiores v\u00edtimas da press\u00e3o intoler\u00e1vel para limitar a fam\u00edlia. Na China rural, onde 80% da popula\u00e7\u00e3o vive, muitos camponeses acreditam que apenas os meninos podem levar a fam\u00edlia adiante e consideram que seria uma grande desonra para seus ancestrais se eles n\u00e3o terem (sic) um herdeiro.\u201d \u201cNormalmente, as filhas continuam vivendo com a fam\u00edlia depois do casamento e s\u00e3o consideradas um \u2018investimento perdido\u2019.\u201d Embora n\u00e3o seja por raz\u00f5es morais, hoje, j\u00e1 se faz uma leitura diferente dessa barbaridade,: \u201cAs conseq\u00fc\u00eancias sociais e econ\u00f4micas da pol\u00edtica do filho \u00fanico imposta h\u00e1 d\u00e9cadas na China est\u00e3o preocupando os peritos, pois o desequil\u00edbrio de sexos e o n\u00famero mais reduzido de jovens trar\u00e1 problemas ao sistema de pens\u00f5es e gerar\u00e1 24 milh\u00f5es de solteiros em 2020.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Deus n\u00e3o faz distin\u00e7\u00e3o entre homem e mulher porque os criou \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Genival Saraiva<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde as civiliza\u00e7\u00f5es mais antigas at\u00e9 o momento, o tratamento \u00e0s pessoas \u00e9 feito de forma discriminat\u00f3ria, segundo o sexo, por raz\u00f5es religiosas, culturais, sociais e pol\u00edticas. 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