{"id":11427,"date":"2009-03-13T00:00:00","date_gmt":"2009-03-13T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-polemica-de-recife-o-anonimato\/"},"modified":"2009-03-13T00:00:00","modified_gmt":"2009-03-13T03:00:00","slug":"a-polemica-de-recife-o-anonimato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-polemica-de-recife-o-anonimato\/","title":{"rendered":"A Polemica de Recife: O Anonimato"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Todo o Brasil est\u00e1 envolvido numa pol\u00eamica impactante e inflamada pela emo\u00e7\u00e3o, onde se encontram v\u00e1rias pessoas em torno de uma menina de 9 anos e dos seus filhos (g\u00eameos) de 15 semanas de vida\u00a0 interrompida violentamente pelo aborto.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sabemos que para uma pessoa, independentemente das suas circunst\u00e2ncias, um nome \u00e9 uma identifica\u00e7\u00e3o importante para ela e para as outras pessoas que se relacionam com ela. Por raz\u00f5es legais \u2013 prote\u00e7\u00e3o da identidade de menores de idade \u2013 essa m\u00e3e-menina foi sempre apresentada de costas pela m\u00eddia nacional e internacional, e ningu\u00e9m que teve conhecimento desse infeliz e duro momento da sua vida pelos meios de informa\u00e7\u00e3o sabe como ela se chama; pelo menos para a popula\u00e7\u00e3o brasileira\u00a0 envolvida na pol\u00eamica de Recife essa menina de 9 anos passar\u00e1 a ser mais uma pessoa\u00a0 do grupo dos an\u00f4nimos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Entre as dores causadas por essa pol\u00eamica no \u00edntimo queria trazer \u00e0 considera\u00e7\u00e3o uma que talvez tenha sido intensa e irradiante, mas pouco refletida por causa da for\u00e7a emocional dos argumentos e tamb\u00e9m devido aos tons alarmantes das manchetes e das not\u00edcias veiculadas na televis\u00e3o e na internet. Refiro-me \u00e0 dor do anonimato, pois n\u00e3o nada mais doloroso para uma pessoa, especialmente que est\u00e1 no princ\u00edpio da sua caminhada de vida, do quer ser mais um n\u00famero na estat\u00edstica da viol\u00eancia \u2013 estupro e aborto \u2013, al\u00e9m de ser mais um caso para ser discutido pelos pol\u00edticos e pelas ONGS favor\u00e1veis ao controle da natalidade por meio do aborto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A menina de Alagoinhas com os seus g\u00eameos mortos n\u00e3o mereceriam ser vistos jamais dessa forma an\u00f4nima, pois tal vis\u00e3o por parte da m\u00eddia e de todas as pessoas que est\u00e3o discutindo \u201co caso\u201d relega essas criaturinhas de Deus ao plano inferior de todo ser humano, possuidor de uma dignidade elevada e intransfer\u00edvel: ser algu\u00e9m merecedora de respeito, de amor e de valoriza\u00e7\u00e3o pelo que \u00e9 em si mesma, e n\u00e3o pelo que aconteceu com ela e com seus filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Povo brasileiro, receptivo por natureza, acolhedor de tantos povos que aqui, nesse maravilhoso e imenso continente, encontre novamente esta sua voca\u00e7\u00e3o natural, que \u00e9 a de reconhecer a identidade pr\u00f3pria dos seus semelhantes bem como dos estrangeiros que aqui chegam a trabalho ou at\u00e9 para fazer turismo. O brasileiro naturalmente se dirige para pedir uma informa\u00e7\u00e3o de um modo muito peculiar: \u201cirm\u00e3o, amigo, meu querido, etc.\u201d, pois \u00e9 o estilo nacional de relacionar-se, que infelizmente est\u00e1 se perdendo e a pol\u00eamica de Recife demonstra mais uma vez esta dor do anonimato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A emo\u00e7\u00e3o inflamada sempre bloqueia a raz\u00e3o, e com o passar dos dias ainda se encontra levantada a poeira da discuss\u00e3o do \u201ccaso da menina de 9 anos\u201d, a pessoa \u201ccruel do Arcebispo de Recife\u201d (como se ele fosse mais uma pe\u00e7a do tabuleiro de xadrez e n\u00e3o tivesse sua identidade, n\u00e3o tivesse cora\u00e7\u00e3o, sensibilidade e n\u00e3o sofresse com tudo isso), e ningu\u00e9m, a n\u00e3o ser quem preserva e protege o seu bom senso, quer refletir sobre esta dor profunda de ser tratado como um an\u00f4nimo e como um tema pol\u00eamico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O POVO, jornal que quer informar e formar os seus leitores, recorreu a mim para escrever um artigo sobre a quest\u00e3o que remexeu no esp\u00edrito dos brasileiros, especialmente dos cat\u00f3licos, e como muito se falou e se escreveu, limitei-me a aborda-la dessa forma, porque uma coisa \u00e9 absolutamente certa e valiosa: para DEUS n\u00e3o existe an\u00f4nimos sobre a face da terra e esta verdade consoladora surge como uma luz poderosa para clarear a pol\u00eamica de Recife.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cEU TE CHAMEI PELO TEU NOME; TU \u00c9S MEU\u201d, lemos nas p\u00e1ginas da Sagrada Escritura, e a chamada divina foi dirigida a uma menina de 9 anos e aos seus g\u00eameos para que essas tr\u00eas pessoas fizessem os pol\u00edticos, os m\u00e9dicos, os padres e bispos, os intelectuais, os estrategistas de campanhas pr\u00f3-morte e pr\u00f3-vida, os comunicadores de massa, etc. pensarem na dor de quem n\u00e3o \u00e9 mais tratado como gente no nosso pa\u00eds.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Antonio Augusto Dias Duarte<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todo o Brasil est\u00e1 envolvido numa pol\u00eamica impactante e inflamada pela emo\u00e7\u00e3o, onde se encontram v\u00e1rias pessoas em torno de uma menina de 9 anos e dos seus filhos (g\u00eameos) de 15 semanas de vida\u00a0 interrompida violentamente pelo aborto.<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/11427"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=11427"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/11427\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=11427"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=11427"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=11427"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}