{"id":11433,"date":"2010-03-15T00:00:00","date_gmt":"2010-03-15T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/experiencia-da-carne-experiencia-de-deus\/"},"modified":"2010-03-15T00:00:00","modified_gmt":"2010-03-15T03:00:00","slug":"experiencia-da-carne-experiencia-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/experiencia-da-carne-experiencia-de-deus\/","title":{"rendered":"Experi\u00eancia da carne &#8211; experi\u00eancia de Deus"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Quem fez estas experi\u00eancias de modo original foi Santo Agostinho. Ele as relata no seu livro \u201cOs Convertidos\u201d. S\u00e3o poucos os que querem ir contra a corrente do costume e da moda escreve Agostinho. No mundo antigo as fraquezas humanas eram um culto aos deuses para que os v\u00edcios n\u00e3o parecessem v\u00edcios e quem as praticasse estaria agradando aos deuses. Quando estamos no pecado as pessoas gritam \u201cbem, muito bem\u201d para que ningu\u00e9m se envergonhe de ser pecador e de correr atr\u00e1s do barro.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sujei-me e embruteci-me, diz Agostinho, para satisfazer meus desejos e agradar aos homens. Andava obcecado pela carne e n\u00e3o sabia mais o que era a verdadeira amizade. Abrasado por essa obsess\u00e3o, fervia no desejo de fornicar, cheio de soberba, agita\u00e7\u00e3o, nervosismo e inquieta\u00e7\u00e3o. Eu era um fervedouro de paix\u00f5es, entregava-me ao furor da satisfa\u00e7\u00e3o sexual, mas, n\u00e3o pude evitar a dor e a amargura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tinha vergonha de parecer menos pecador e lascivio que meus companheiros. Queria ser louvado e admirado por minhas torpezas. Inventava cenas de orgias e mentia para n\u00e3o parecer inocente e casto. Refocilava na lama como se fosse precioso perfume. Descobri, diz Agostinho, que esses desejos impuros n\u00e3o eram sen\u00e3o, fome de Deus. Mesmo assim, atei-me \u00e0s pesadas correntes do prazer que depois acoitam como varas incandescentes feitas de ci\u00fame, de suspeitas, \u00f3dios, rixas e temores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Deleitei-me nas torpezas sensuais, revolvi-me no abismo da lama, nas trevas do erro e tornei-me um tumor abrasador, um chaga que me apodreceria por dentro, tudo em nome de uma fugitiva liberdade. Descobri as Escrituras Sagradas, mas na minha soberba ria-me dos patriarcas e profetas, mas quem ria-se de mim era Deus. Fui seduzido e sedutor, enganado e enganador, soberbo na a\u00e7\u00e3o, supersticioso na religi\u00e3o e vazio de cora\u00e7\u00e3o. Buscava popularidade, aplauso e \u00eaxito, fazendo o que diziam os antigos: \u201ca necessidade de pecar vem do c\u00e9u\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tornava-me cada vez mais miser\u00e1vel e Deus se aproximava cada vez mais de mim. Sua m\u00e3o estava pr\u00f3xima, prestes a arrancar-me do p\u00e2ntano dos meus v\u00edcios e a lavar-me. Como Deus \u00e9 excelso nas alturas e profundo nos abismos. Ele n\u00e3o se afasta de n\u00f3s. Queria ir para Deus mas tinha medo de libertar-me de toda a minha equipagem de barro. Deus bom e misericordioso p\u00f4s seus olhos no meu abismo de morte. Ele \u00e9 o descanso de todas as fadigas. Deus \u00e9 radiante e atrai. Sua gra\u00e7a torna forte aquele que \u00e9 fraco e responde a todos mas nem todos o escutam e entendem. Todos perguntam o que querem, mas nem todos ouvem o que n\u00e3o querem ou o que precisam ouvir. Toda minha esperan\u00e7a se ap\u00f3ia na grande miseric\u00f3rdia de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A carne n\u00e3o basta para saciar a sede de amor e de Deus. Eu ia pelo amplo e f\u00e1cil caminho do mundo, mas , Deus n\u00e3o me abandonava. Eu pensava que n\u00e3o podia ser feliz sem os deleites carnais. Qu\u00e3o tortuosas e inc\u00f4modos s\u00e3o os caminhos sem Deus. A alma quer descansar nas coisas que ama mas eu amava o que foge, a beleza que murcha e caminhava para o abismo. Deus \u00e9 a eterna verdade, verdadeiro amor, amada eternidade. Por Ele eu suspirava noite e dia porque estava na palma de sua m\u00e3o. Mesmo assim, meu costume carnal fazia-me cair no ch\u00e3o. Eu pensava que seria muito infeliz sem o amor das mulheres e desconhecia o rem\u00e9dio do amor de Deus que cura esta enfermidade. Eu continuava acorrentado \u00e0 mort\u00edfera suavidade do prazer da carne e ia arrastando as minhas cadeias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Deus concede a castidade para quem grita aos seus ouvidos, implora com gemidos e Nele confia. Ningu\u00e9m \u00e9 casto se Deus n\u00e3o lho concede. Ele concedeu-me a gra\u00e7a de ver minha cara. Vi como era horr\u00edvel, sujo, manchado e coberto de chagas, por\u00e9m Deus movia-me gritando no meu interior e me atraindo a Si.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Orlando Brandes<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem fez estas experi\u00eancias de modo original foi Santo Agostinho. Ele as relata no seu livro \u201cOs Convertidos\u201d. S\u00e3o poucos os que querem ir contra a corrente do costume e da moda escreve Agostinho. 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