{"id":11450,"date":"2009-05-15T00:00:00","date_gmt":"2009-05-15T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/quero-ser-escravo\/"},"modified":"2009-05-15T00:00:00","modified_gmt":"2009-05-15T03:00:00","slug":"quero-ser-escravo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/quero-ser-escravo\/","title":{"rendered":"Quero ser escravo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Diante da comemora\u00e7\u00e3o do dia da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, realizada em 13 de maio 1888, pela Princesa Isabel e o Conselheiro Rodrigo Augusto da Silva, com a assinatura da lei \u00e1urea, pensei que essa data pudesse despertar, em todos n\u00f3s, um reconhecimento,\u00a0 pelo direito \u00e0 liberdade, mas principalmente nossa gratid\u00e3o e pedido de perd\u00e3o pelos milhares de escravos que derramaram o pr\u00f3prio sangue no trabalho for\u00e7ado, em nosso pa\u00eds. Sei que ainda tem muitos, n\u00e3o s\u00f3 negros, vivendo em situa\u00e7\u00e3o deprimente para arranjar riqueza para patr\u00f5es ambiciosos. A escravid\u00e3o n\u00e3o terminou, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 o grande desafio da sociedade moderna, fazer com que todos \u201cganhem o p\u00e3o com o suor do pr\u00f3prio rosto\u201d, com dignidade.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Hoje, constatamos uma s\u00e9rie de novas escravid\u00f5es que vai al\u00e9m do trabalho bra\u00e7al. A t\u00e9cnica, os avan\u00e7os da inform\u00e1tica, os novos e modernos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, como a internet, s\u00e3o sinais de progresso, de moderniza\u00e7\u00e3o cuja finalidade \u00e9 aproximar pessoas, construir valores, criar relacionamentos verdadeiros. Ao mesmo tempo, gerou uma mentalidade que est\u00e1 cravada na mente e no cora\u00e7\u00e3o desde os mais pequenos e humildes, de consumo desenfreado e absurdo. Somos hoje, escravos do celular,\u00a0 carregando at\u00e9 nos momentos mais sagrados, nos templos de ora\u00e7\u00e3o, obrigando expor avisos de \u201cdesligue o celular por favor aqui \u00e9 lugar de ora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Outra escravid\u00e3o \u00e9 a da internet, que tr\u00e1s mil e uma vantagem, mas que mal usada, cria depend\u00eancia e escraviza de tal forma, que j\u00e1 n\u00e3o se dialoga mais com os da aldeia e sim com os da \u201caldeia global\u201d . Os amigos j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o mais os pais ou os filhos, j\u00e1 n\u00e3o importa quem est\u00e1 ao lado e se dele precisar \u00e9 para o estritamente necess\u00e1rio. As rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o frias e formais, n\u00e3o tem espa\u00e7o para o afeto e o calor humano que forma a mente e o cora\u00e7\u00e3o de quem ama e ensina a amar. Escravos porque queremos ser livres, livres para fazer o que mais conv\u00e9m ou para ser perfeitos \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de quem nos criou? As coisas de Deus, nunca podem ocupar o lugar do Deus das coisas. Tudo tem como finalidade promover a dignidade de todos e Gl\u00f3ria do Pai Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Criados como seres livres e para a liberdade, nos sentimos escravizados pelo rel\u00f3gio que corre contra o tempo, pela agenda que transborda de compromissos, pelos desejos que se somam intermitentemente numa corrente sem fim, pela vontade de querer fazer tudo e mais um pouco, dentro do menor tempo poss\u00edvel. Assim, dominados pelas exig\u00eancias da vida moderna, sentimos a necessidade de sermos escravos, n\u00e3o das coisas e dos desejos, mas sim dos deveres e dos direitos de ser gente capaz de trabalhar com dignidade, de cultivar\u00a0 auto-estima acreditando nos pr\u00f3prios talentos, o gosto de viver e defender a vida, de ter tempo para trocar id\u00e9ias e criar rela\u00e7\u00f5es de amizades que perduram,de ter um tempo para orar e medir com o criador a for\u00e7a da perseveran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esse \u00e9 um tempo de nos deixar escravizar pela pr\u00e1tica do bem e da verdade, pela busca incans\u00e1vel de justi\u00e7a e de paz, pela capacidade de dialogar com o outro e com o totalmente outro. Esse \u00e9 um tempo que jamais se repetir\u00e1 em nossas vidas, seremos gente livre e com for\u00e7a de libertar quando formos escravos do amor a n\u00f3s mesmos, para poder amar o outro, garantindo assim o maior amor ao Pai Deus. Quem sabe poderemos repetir como a menina de Nazar\u00e9: \u201cEis aqui a escrava do Senhor, fa\u00e7a-se em mim segundo a tua Palavra\u201d(Lc 1,38).<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Anuar Battisti<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diante da comemora\u00e7\u00e3o do dia da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, realizada em 13 de maio 1888, pela Princesa Isabel e o Conselheiro Rodrigo Augusto da Silva, com a assinatura da lei \u00e1urea, pensei que essa data pudesse despertar, em todos n\u00f3s, um reconhecimento,\u00a0 pelo direito \u00e0 liberdade, mas principalmente nossa gratid\u00e3o e pedido de perd\u00e3o pelos &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/quero-ser-escravo\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Quero ser escravo<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/11450"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=11450"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/11450\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=11450"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=11450"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=11450"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}