{"id":11455,"date":"2009-03-19T00:00:00","date_gmt":"2009-03-19T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-hino-a-ser-cantado-sempre\/"},"modified":"2009-03-19T00:00:00","modified_gmt":"2009-03-19T03:00:00","slug":"o-hino-a-ser-cantado-sempre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-hino-a-ser-cantado-sempre\/","title":{"rendered":"O hino a ser cantado sempre"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">O Documento de Aparecida afirma: \u201cA vida social em conviv\u00eancia harm\u00f4nica e pac\u00edfica est\u00e1 se deteriorando gravemente (&#8230;) pelo crescimento da viol\u00eancia, que se manifesta em roubos, assaltos, sequestros e, o que \u00e9 mais grave, em assassinatos que cada dia destroem mais vidas humanas e enchem de dor as fam\u00edlias e a sociedade inteira\u201d(DA 78).<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Documento, por\u00e9m, n\u00e3o registra apenas as desgra\u00e7as do mundo em que vivemos, mas nos ensina o caminho como devemos enfrentar essa dura realidade: \u201cA radicalidade da viol\u00eancia s\u00f3 se resolve com a radicalidade do amor redentor\u201d. Evangelizar sobre o amor de plena doa\u00e7\u00e3o, como solu\u00e7\u00e3o ao conflito, deve ser o eixo cultural \u201cradical\u201d de uma nova sociedade. S\u00f3 assim o Continente da esperan\u00e7a pode chegar a tornar-se verdadeiramente o Continente do amor\u201d(DA 543).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No dia 24 de setembro de 1978, quatro dias antes da partida inesperada ao para\u00edso do Papa Jo\u00e3o Paulo I, na emocionante \u201chora do \u00e2ngelus\u201d feito da janela papal aos domingos, ele narra a hist\u00f3ria das dezesseis carmelitas do Mosteiro da Encarna\u00e7\u00e3o de Campi\u00e9ge, na Fran\u00e7a, que em 1794 foram condenadas \u00e0 morte \u201cpor fanatismo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Uma das Irm\u00e3s pergunta ao Juiz: \u201cPor favor, o que quer dizer fanatismo? Responde o Juiz: \u00c9 pertencerdes totalmente \u00e0 religi\u00e3o\u201d. \u201c\u00d3 irm\u00e3s\u201d! Exclama ent\u00e3o a religiosa,\u201d ouvistes, condenam-nos pelo nosso apego a f\u00e9. Que felicidade morrer por Jesus Cristo!\u201d. Na carreta que as levava ao cadafalso cantam hinos religiosos. Chegando ao palco da guilhotina, uma atr\u00e1s da outra ajoelham diante da Priora e renova seus votos. Depois entoam o hino ao\u00a0 Esp\u00edrito Santo \u201cVeni Creator\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O canto se torna cada vez mais d\u00e9bil, \u00e0 medida que caem uma a uma, na guilhotina, as cabe\u00e7as das pobres irm\u00e3s. Ficou para o fim, a Priora, Irm\u00e3 Tereza de Santo Agostinho. Antes de ser executada exclama: \u201cO amor sempre vencer\u00e1, o amor tudo pode\u201d. E o Papa Jo\u00e3o Paulo I acrescenta: \u201cEis a palavra exata: n\u00e3o \u00e9 a viol\u00eancia que tudo pode, \u00e9 o amor que tudo pode!\u201d Foram as \u00faltimas palavras do Papa \u201csorriso de Deus\u201d, dirigidas naquela ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No dia 14 de mar\u00e7o do ano passado, faleceu Chiara Lubich, sem d\u00favida uma das figuras femininas mais expressivas das \u00faltimas d\u00e9cadas. N\u00e3o s\u00f3 o Papa, mas tamb\u00e9m representantes de outras religi\u00f5es, pol\u00edticos e artistas enaltecem essa mulher extraordin\u00e1ria. O cen\u00e1rio em que Chiara Lubich ouviu o chamado de Deus \u00e9 a cidade de Trento, It\u00e1lia, destru\u00edda pelo mais violento bombardeio que sofreu em 13 de maio de 1944.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Entre os escombros, ela abra\u00e7a uma mulher enlouquecida pela dor. Uma m\u00e3e brada todo o desespero causado pela morte de seus quatro filhos. Neste contexto de extrema afli\u00e7\u00e3o, Chiara Lubich, estreitando nos seus bra\u00e7os mais uma \u201cRaquel que chora seus filhos, e n\u00e3o quer ser consolada, pois n\u00e3o existem mais\u201d(MT 2,18), se sente chamada a abra\u00e7ar os sofrimentos da humanidade e descobre que a mais poderosa revolu\u00e7\u00e3o, capaz de incendiar tudo com um s\u00f3 fogo, \u00e9 o amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na primeira Enc\u00edclica do Papa Bento XVI, \u201cDeus \u00e9 Amor\u201d, afirma que Paulo ap\u00f3stolo, na sua primeira carta aos Cor\u00edntios no cap\u00edtulo 13, canta um verdadeiro hino, que de ser a \u201cMagna Carta\u201d para toda a humanidade. Diz o Papa: \u201cS\u00e3o Paulo ensina-nos que a caridade \u00e9 sempre algo mais do que mera atividade. A a\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica resulta insuficiente e n\u00e3o for palp\u00e1vel nela o amor pelo ser humano, um amor que se nutre do encontro com Cristo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Bento XVI insiste ainda que o amor n\u00e3o se deve restringir a dar ao pr\u00f3ximo alguma coisa, o amor \u00e9 muito mais: trata-se de um dar-se a si mesmo, de \u201cestar presente no dom como pessoa\u201d (Enc\u00edclica Deus \u00e9 Amor n.34). Neste mundo sedento de seguran\u00e7a e de paz, quem sabe somente quando formos capazes de cantar com a vida este hino, poderemos construir um mundo melhor.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Anuar Battisti<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Documento de Aparecida afirma: \u201cA vida social em conviv\u00eancia harm\u00f4nica e pac\u00edfica est\u00e1 se deteriorando gravemente (&#8230;) pelo crescimento da viol\u00eancia, que se manifesta em roubos, assaltos, sequestros e, o que \u00e9 mais grave, em assassinatos que cada dia destroem mais vidas humanas e enchem de dor as fam\u00edlias e a sociedade inteira\u201d(DA 78).<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/11455"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=11455"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/11455\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=11455"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=11455"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=11455"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}