{"id":11478,"date":"2009-05-04T00:00:00","date_gmt":"2009-05-04T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-colegialidade-e-comunhao-eclesial\/"},"modified":"2009-05-04T00:00:00","modified_gmt":"2009-05-04T03:00:00","slug":"cnbb-colegialidade-e-comunhao-eclesial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-colegialidade-e-comunhao-eclesial\/","title":{"rendered":"CNBB: colegialidade e comunh\u00e3o eclesial"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Mais uma vez, os bispos cat\u00f3licos do Brasil est\u00e3o reunidos no Mosteiro de Itaici, em Indaiatuba, na realiza\u00e7\u00e3o da 47\u00aa Assembl\u00e9ia Geral da CNBB \u2013 Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil. Iniciada no dia 22 de abril, estende-se at\u00e9 o dia 1\u00ba de maio. S\u00e3o dias de muita ora\u00e7\u00e3o, trabalhos, interc\u00e2mbio de opini\u00f5es, consulta rec\u00edproca e colabora\u00e7\u00e3o em favor do bem comum da Igreja.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A assembl\u00e9ia geral \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o supremo da confer\u00eancia. Segundo o estatuto da CNBB, \u00e9 a \u201ca express\u00e3o e a realiza\u00e7\u00e3o maiores do afeto colegial, da comunh\u00e3o e co-responsabilidade dos pastores da Igreja no Brasil\u201d. \u00c9 um evento de grande import\u00e2ncia que manifesta o esp\u00edrito de colegialidade e revigora a comunh\u00e3o eclesial, contribuindo de forma decisiva para a uni\u00e3o entre os bispos e para a unidade da Igreja no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esse esp\u00edrito de colegialidade sempre foi a marca da CNBB que nasceu em 14 de outubro de 1952. Nasceu do sonho e do empenho em dar ao episcopado maior unidade de pensamento e a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A CNBB nasceu no \u00e2mbito do esp\u00edrito renovador da A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica especializada. Era um movimento de evangeliza\u00e7\u00e3o que marcava, na sociedade brasileira, uma presen\u00e7a de Igreja com caracter\u00edsticas de atua\u00e7\u00e3o de &#8220;fermento na massa&#8221; e, ao mesmo tempo, despida de qualquer triunfalismo. Na fonte inspiradora de ambas \u2013 CNBB e AC \u2013 encontra-se a figura carism\u00e1tica de Dom H\u00e9lder C\u00e2mara, que, por ambas, consumiu grande parte de sua vida. Pode-se dizer que sua impressionante capacidade de di\u00e1logo conseguia reunir e unir os mais irreconcili\u00e1veis. S\u00f3 n\u00e3o conseguia convencer o dem\u00f4nio. Seu testemunho de pobreza evang\u00e9lica dava-lhe autoridade e coragem de pregar, com veem\u00eancia, pelo mundo afora, as reformas sociais mais radicais com os meios da n\u00e3o viol\u00eancia. Sua determinada vontade de concretizar sonhos e planos levava-o aonde fosse necess\u00e1rio. Tudo isso constitu\u00eda a personalidade do &#8220;padre H\u00e9lder&#8221;, homem de estatura pequena e franzina, m\u00edstica e alma de poeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nos 56 anos de exist\u00eancia, nossa Confer\u00eancia Episcopal dedicou-se, de corpo e alma, ao fortalecimento da comunh\u00e3o fraterna entre os bispos e esmerou-se no exerc\u00edcio da colegialidade. Empenhou-se, sem medir esfor\u00e7os, na pr\u00e1tica da corresponsabilidade da miss\u00e3o de testemunhar o Evangelho neste pa\u00eds continental e desafiador, rico e pobre, com diferen\u00e7as regionais acentuadas no campo social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quase ao final do Conc\u00edlio Vaticano II (1962-1965), impulsionada pelo sopro renovador que dele emergiu, realizou-se em Roma uma Assembl\u00e9ia Geral da CNBB que definiu o prop\u00f3sito de conduzir a Igreja no Brasil pelos caminhos que acabavam de ser abertos com a presen\u00e7a e a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo. A express\u00e3o consagrada para expressar esse novo rumo: &#8220;aggiornamento&#8221;. Era a Igreja propondo-se assumir &#8220;as alegrias e esperan\u00e7as, as tristezas e as ang\u00fastias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos que sofrem&#8221;&#8230; e fazendo-se &#8220;solid\u00e1ria com o g\u00eanero humano e sua hist\u00f3ria&#8221;\u00a0\u00a0 (Gaudium et Spes, n\u00ba 1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Fiel a esse prop\u00f3sito, durante a chamada Revolu\u00e7\u00e3o de 1964 na qual, por mais de 20 anos o povo brasileiro fez o vel\u00f3rio da democracia, a CNBB entendeu n\u00e3o calar-se ao ouvir os clamores que subiam dos por\u00f5es da repress\u00e3o. Com atitude prof\u00e9tica mas serena, procurou ser a voz dos que se viram amorda\u00e7ados em sua voz. Face ao agravamento das quest\u00f5es sociais, posicionou-se ao lado dos exclu\u00eddos e nunca se fechou ao di\u00e1logo com os dominadores, cobrando deles respeito aos direitos humanos. Dentro de seus pr\u00f3prios m\u00e9todos de atua\u00e7\u00e3o, sempre em busca da reconcilia\u00e7\u00e3o entre irm\u00e3os, envolveu-se decididamente no processo de retorno \u00e0 democracia. Fiel \u00e0 sua op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres, n\u00e3o poupou esfor\u00e7os para estar \u00e0 altura do sofrimento e da luta do povo. Os bispos colocados \u00e0 frente da nossa Confer\u00eancia nesses anos dif\u00edceis, pela prud\u00eancia e coragem por eles testemunhadas, h\u00e3o de merecer imorredoura admira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nestes 56 anos, um dos permanentes desafios enfrentados foi, e espero continue a ser, situar o lugar a ser dado aos pobres em nossa sociedade, na fidelidade ao Evangelho a anunciar-nos que &#8220;os \u00faltimos ser\u00e3o os primeiros&#8221;. Do ponto de vista interno, a CNBB consolidou a experi\u00eancia de uma estrutura colegial, a meu ver modelar, e uma nova forma de exerc\u00edcio do poder que seja mais servi\u00e7o do que vontade de dominar. Procurou inspirar-se na vis\u00e3o de Povo de Deus proposta pela eclesiologia do Conc\u00edlio Vaticano II; esfor\u00e7ou-se por harmonizar a autonomia das dioceses com a pastoral de conjunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Fa\u00e7o votos para que a CNBB n\u00e3o perca de vista a tradi\u00e7\u00e3o que construiu. Isso significa um compromisso de transmitir aos que vierem depois o que recebeu dos que vieram antes: o testemunho de colegialidade e de profetismo, abertura ao di\u00e1logo com a contemporaneidade e firmeza na evang\u00e9lica op\u00e7\u00e3o pelos pobres.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Eduardo Koaik<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais uma vez, os bispos cat\u00f3licos do Brasil est\u00e3o reunidos no Mosteiro de Itaici, em Indaiatuba, na realiza\u00e7\u00e3o da 47\u00aa Assembl\u00e9ia Geral da CNBB \u2013 Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil. Iniciada no dia 22 de abril, estende-se at\u00e9 o dia 1\u00ba de maio. 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