{"id":11479,"date":"2008-08-25T00:00:00","date_gmt":"2008-08-25T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-justica-a-luz-da-caridade\/"},"modified":"2008-08-25T00:00:00","modified_gmt":"2008-08-25T03:00:00","slug":"a-justica-a-luz-da-caridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-justica-a-luz-da-caridade\/","title":{"rendered":"A justi\u00e7a \u00e0 luz da caridade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Toda virtude humana se engrandece praticada com amor-caridade. Ao contr\u00e1rio, sendo esvaziada dessa dimens\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 se apequena como se anula. Aprendi essa li\u00e7\u00e3o com o ap\u00f3stolo Paulo: \u201cSem amor-caridade, eu nada sou\u201d (1Cor 13). \u00c9 uma regra que n\u00e3o admite exce\u00e7\u00e3o. A caridade que d\u00e1 esmola passando por cima da justi\u00e7a n\u00e3o dando, por exemplo, sal\u00e1rio justo, \u00e9 hipocrisia, caricatura da caridade, al\u00e9m de desrespeito \u00e0 dignidade da esmola.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A caridade que se mostra sens\u00edvel \u00e0 mis\u00e9ria alheia identifica-se com a miseric\u00f3rdia. A miseric\u00f3rdia abrange tr\u00eas momentos: ver a situa\u00e7\u00e3o da mis\u00e9ria alheia, compadecer-se dela e socorr\u00ea-la. A compaix\u00e3o \u00e9 pr\u00f3pria de quem v\u00ea com o cora\u00e7\u00e3o a necessidade do outro e s\u00f3 \u00e9 miseric\u00f3rdia quando se converte em socorro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quando Deus chamou Mois\u00e9s para a miss\u00e3o de libertar o povo hebreu da escravid\u00e3o do Egito assim se expressou: \u201cEu vi a mis\u00e9ria do meu povo. Ouvi seu clamor contra seus opressores, conhe\u00e7o os seus sofrimentos. Por isso desci para libert\u00e1-lo. Vai, eu te enviarei para fazer sair do Egito o meu povo\u201d (Ex 3, 7-10). Na passagem do Evangelho que narra a multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es, Jesus \u201cviu uma grande multid\u00e3o e teve compaix\u00e3o\u201d. Perguntou aos disc\u00edpulos que o acompanhavam quantos p\u00e3es tinham. Eles responderam: cinco p\u00e3es e dois peixes. Ent\u00e3o Jesus mandou que todos se sentassem, pegou os cinco p\u00e3es e dois peixes, pronunciou\u00a0 a b\u00ean\u00e7\u00e3o, partiu os p\u00e3es e ia dando aos disc\u00edpulos para que os distribu\u00edssem. (cf. Mc. 6, 34-44)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quem procura praticar a miseric\u00f3rdia, conforme ensina a b\u00edblia, n\u00e3o pode ficar apenas na \u201ccomo\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o\u201d mas deve chegar \u00e0 a\u00e7\u00e3o. \u00c9 bom insistir: miseric\u00f3rdia \u00e9 o amor que v\u00ea a mis\u00e9ria alheia, procura senti-la como se fosse pr\u00f3pria e se decide ajudar a remedi\u00e1-la. Vale perguntar: quem n\u00e3o necessita de miseric\u00f3rdia? Em conseq\u00fc\u00eancia: quem pode dispensar-se de ser misericordioso? Ser misericordioso como Jesus o foi h\u00e1 de ser sempre motivo de esc\u00e2ndalo. \u00c9 a incapacidade de aceitar esse amor que explica o \u201cesc\u00e2ndalo da cruz\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O amor-caridade v\u00ea no pr\u00f3ximo nada menos que um irm\u00e3o. Essa vis\u00e3o evang\u00e9lica ajuda a entender a justi\u00e7a social que tem como espec\u00edfico o interesse do bem-comum acima do pr\u00f3prio interesse e empenha o crist\u00e3o a cobrar do poder p\u00fablico o ressarcimento da divida social com o pobre: falta de trabalho, de moradia, de tudo que impe\u00e7a o crescimento da concentra\u00e7\u00e3o de renda e da desigualdade social.\u00a0 A op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres, o empenho na luta pela justi\u00e7a e a defesa dos direitos humanos, em certo sentido, v\u00e3o al\u00e9m das exig\u00eancias da justi\u00e7a. S\u00e3o express\u00f5es da miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esse amor-caridade abrange tr\u00edplice dimens\u00e3o: assistencial, promocional e libertadora. A caridade assistencial v\u00ea o pobre como indigente e procura atender de imediato suas necessidades b\u00e1sicas: \u201cEstava com fome, com sede, sem roupa, doente. E quanto a v\u00f3s: todas as vezes que fizerdes isso (socorrerdes) a um dos menores de meus irm\u00e3os \u00e9 a mim que o fazeis\u201d (Mt 25, 35ss). A caridade promocional v\u00ea o pobre como marginalizado, fora do progresso e do bem-estar da sociedade. Dedica-se a dar-lhe condi\u00e7\u00f5es de \u201caprender a pescar\u201d, \u201cgerar renda\u201d, integrar-se no processo do desenvolvimento e combater as causas que impedem esse desenvolvimento: o anseio de lucros e a sede do poder. Por fim, a caridade libertadora v\u00ea no pobre o explorado no seu trabalho. Procura despertar o crist\u00e3o \u00e0 solidariedade na luta pelos direitos dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A verdadeira caridade n\u00e3o pode identificar-se nos gestos de assist\u00eancia paternalista. Para o crist\u00e3o, a caridade \u00e9 um amor desinteressado pela pessoa humana em raz\u00e3o da sua excelsa dignidade. \u00c9 amor ao pr\u00f3ximo enquanto imagem de Deus. Baseia-se na mais profunda fraternidade de todos os homens pela participa\u00e7\u00e3o na vida de Deus. Ela tem uma fun\u00e7\u00e3o social enquanto complementa as exig\u00eancias da justi\u00e7a sem substitu\u00ed-la; ela \u00e9 o esp\u00edrito que deve inspirar todos os gestos do nosso relacionamento com o pr\u00f3ximo e particularmente os da justi\u00e7a. Ela faz exig\u00eancia de justi\u00e7a e sua fun\u00e7\u00e3o nunca foi, segundo atesta Pio XI na \u201cQuadragesimo anno\u201d, n. 4, \u201ca de estender um v\u00e9u para encobrir a manifesta viola\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, viola\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 tolerada mas, por vezes, at\u00e9 sancionada pelo poder p\u00fablico\u201d. \u00c9 por exig\u00eancia da caridade que a Igreja testemunha sua presen\u00e7a ao lado dos pobres.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Eduardo Koaik<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Toda virtude humana se engrandece praticada com amor-caridade. 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