{"id":11480,"date":"2008-08-26T00:00:00","date_gmt":"2008-08-26T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/terra-para-a-vida\/"},"modified":"2008-08-26T00:00:00","modified_gmt":"2008-08-26T03:00:00","slug":"terra-para-a-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/terra-para-a-vida\/","title":{"rendered":"Terra para a Vida"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify\">Um dos coment\u00e1rios que em toda a minha vida mais me chocou e por isso ficou indelevelmente gravado em minha mem\u00f3ria se refere aos povos ind\u00edgenas do Xingu. Havia chegado h\u00e1 pouco tempo em Bel\u00e9m, cheio de entusiasmo e muito esperan\u00e7oso quanto ao meu futuro. N\u00e3o tive nenhuma d\u00favida que, mesmo com apenas 26 anos, fizera um passo decisivo em minha vida. Ordenei-me padre e queria ser \u201cmission\u00e1rio\u201c com toda conota\u00e7\u00e3o que essa palavra ainda carregou nos idos de 1965. <!--more--><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">Aprendi o portugu\u00eas brasileiro com muito empenho e carinho e logo que dispus do vocabul\u00e1rio indispens\u00e1vel para entabular uma conversa\u00e7\u00e3o dirigi-me a pessoas queridas e atenciosas que em Bel\u00e9m do Par\u00e1 me cercavam nas primeiras semanas. Perguntei a respeito dos \u00edndios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Dois tios, irm\u00e3os da minha m\u00e3e, chegavam a essas plagas em 1934. O tio Padre Eurico muito escrevia sobre a sorte dos ind\u00edgenas no Xingu e todo o seu empenho em favor deles. Suas palestras, recheadas de slides tirados nas aldeias tornaram-se inesquec\u00edveis, quando de sua primeira visita \u00e0 terra natal depois de 14 anos de Amaz\u00f4nia. Escrevia um livro intitulado \u201cSepultada nas selvas do Xingu\u201c que contava a hist\u00f3ria da menina Carminha raptada pelos Kayap\u00f3 e posteriormente libertada pelo \u00edndio Patoit. Tornou-se um \u201cbest-seller\u201c na d\u00e9cada de 50. Assim minhas perguntas foram absolutamente compreens\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Bem eu sabia que era imposs\u00edvel dedicar-me logo mais \u00e0 causa ind\u00edgena. Teria que inculturar-me primeiro na nova p\u00e1tria, aprender a l\u00edngua portuguesa, assimilar usos e costumes da Amaz\u00f4nia, seguir as tradi\u00e7\u00f5es queridas, os ritos e a religiosidade do povo que me acolheu e que doravante seria meu povo. Mas no horizonte de meu \u201cprojeto de vida\u201c j\u00e1 figuravam os \u00edndios, cuja causa queria assumir. N\u00e3o foi mero romantismo de mission\u00e1rio novo, inexperiente, sonhador. Foi algo que pertencia ao meu imagin\u00e1rio desde a inf\u00e2ncia, desde que ouvi pela primeira vez o meu tio imitar as dan\u00e7as rituais dos Kayap\u00f3 e emitir os sons que acompanham os movimentos r\u00edtmicos. Patoit, Aib\u00ed, Kanhok s\u00e3o nomes de caciques que j\u00e1 constavam de meu mundo de inf\u00e2ncia. De Patoit e sua mulher existe at\u00e9 hoje uma quadro na casa da minha fam\u00edlia. Falava-se do casal como se os dois fossem parentes, morando somente \u00e0 uma certa dist\u00e2ncia, \u201cnas selvas do Xingu\u201c.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E agora simplesmente queria saber dos amigos se conheciam os Kayap\u00f3. Para minha surpresa, s\u00f3 ouviram falar desse povo pelas hist\u00f3rias que o pr\u00f3prio Padre Eurico, meu tio, contava. O Xingu mesmo era para eles apenas mais um rio, bem distante de Bel\u00e9m, habitado por \u201c\u00edndios ferozes e selvagens\u201c.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Aconselharam-me n\u00e3o gastar tempo pensando em \u00edndio, pois o Brasil n\u00e3o era um pa\u00eds ind\u00edgena e, al\u00e9m do mais, os \u00edndios que ainda existiam estavam todos em fase de extin\u00e7\u00e3o. Para um mission\u00e1rio novo seria melhor \u2013 assim me recomendaram \u2013 investir a energia em catequizar e ajudar o povo nas cidades, vilas e povoados do interior e visitar as pobres fam\u00edlias ribeirinhas que precisavam de Padre para batizar os seus filhos e rezar com elas, al\u00e9m de fazer coletas em favor delas. Era preciso comprar mosquiteiros para se defenderem dos carapan\u00e3 respons\u00e1veis pelos surtos de mal\u00e1ria que infestaram a regi\u00e3o. Esse povo pobre trabalhava nos seringais e castanhais, na pesca e na agricultura rudimentar, mas o que conseguia com o suor derramado n\u00e3o dava para sustentar-se. J\u00e1 naquele tempo perguntei-me, por que essa gente estava na mis\u00e9ria, j\u00e1 que trabalhava tanto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Finalmente, o coment\u00e1rio a respeito dos \u00edndios que me abalou at\u00e9 o \u00e2mago foi esse: \u201cS\u00e3o uns caboclos trai\u00e7oeiros que roubam e matam crist\u00e3os. Se Deus quiser, daqui a vinte anos n\u00e3o existe mais nenhum deles!\u201c Que ducha de \u00e1gua gelada em pleno ver\u00e3o tropical! Ainda bem, que n\u00e3o acreditei nesse vatic\u00ednio fat\u00eddico de apenas vinte anos de sobreviv\u00eancia para os povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas me perguntei: por que est\u00e3o falando dos \u00edndios desse modo? Nas veias da maioria de meus amigos \u2013 mesmo que se recusem de admiti-lo \u2013 n\u00e3o corre o sangue de ancestrais ind\u00edgenas? Por que agora querem acelerar a morte destes povos? Por que querem esmag\u00e1-los, elimin\u00e1-los da terra? A experi\u00eancia daquele tempo foi apenas um pren\u00fancio de futuras controv\u00e9rsias com pol\u00edticos e contendas com empres\u00e1rios e comerciantes a respeito dos \u00edndios, de lutas e defesas em torno da causa ind\u00edgena que assumimos que n\u00e3o nos trouxeram apenas vit\u00f3rias, mas tamb\u00e9m tremendas hostilidades e agress\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em agosto de 1987, enquanto a Assembl\u00e9ia Nacional Constituinte estava em curso, fomos acusados de todo tipo de crime de lesa-p\u00e1tria por defendermos a dignidade dos povos ind\u00edgenas e pleitearmos a inscri\u00e7\u00e3o de seus direitos na Carta Magna do Brasil. Durante cinco dias o jornal de maior circula\u00e7\u00e3o no pa\u00eds publicou mat\u00e9rias caluniosas e difama\u00e7\u00f5es expl\u00edcitas, documentos falsificados ou inexistentes contra o Conselho Indigenista Mission\u00e1rio \u2013 CIMI \u2013 cujo presidente eu era j\u00e1 naquele tempo, querendo com essa iniciativa colocar em total descr\u00e9dito toda a nossa luta por par\u00e2metros mais favor\u00e1veis aos povos ind\u00edgenas na Constitui\u00e7\u00e3o Federal. Queriam, a todo custo, enfraquecer a presen\u00e7a do CIMI nas articula\u00e7\u00f5es da Assembl\u00e9ia Nacional Constituinte. A criminaliza\u00e7\u00e3o do CIMI teve por consequ\u00eanca a instaura\u00e7\u00e3o de uma Comiss\u00e3o Parlamentar Mista de Inqu\u00e9rito que ouviu os representantes do jornal que comandou a campanha, e examinou os documentos que fundamentavam as den\u00fancias. Tamb\u00e9m eu aguardava o chamado para depor diante da Comiss\u00e3o. Estava plenamente seguro de que iria desmascarar a tram\u00f3ia, pois estava munido de um dossi\u00ea completo que comprovava como infundadas e caluniosas todas as acusa\u00e7\u00f5es. Mas, em vez de viajar a Bras\u00edlia, fui v\u00edtima de um misterioso acidente automobil\u00edstico[1], at\u00e9 hoje n\u00e3o esclarecido, que ceifou a vida de um jovem Padre e me confinou por seis semanas numa enfermaria do Hospital Guadalupe em Bel\u00e9m. Quebrei literalmente a cara, mas o Dr. Cl\u00e1udio Brito, cirurgi\u00e3o paraense muito experiente e competente uniu por fios met\u00e1licos meus ossos faciais e um famoso cirurgi\u00e3o dentista, desta vez austr\u00edaco, implantou na minha boca a terceira dentadura que, assim espero, seja a \u00faltima. Depois de ter alta do hospital, a Comiss\u00e3o Parlamentar Mista de Inqu\u00e9rito n\u00e3o achou mais necess\u00e1rio chamar-me para depor. Mesmo assim, o parecer final do relator da comiss\u00e3o concluiu pela total falsidade dos documentos mencionados pelo jornal denunciante, e prop\u00f4s a remessa do material e do relat\u00f3rio ao Minist\u00e9rio P\u00fablico, dadas as evid\u00eancias de falsidade ideol\u00f3gica. Mas nada mais aconteceu! Mesmo com muitas dores sofridas para completar \u201co que falta \u00e0s tribula\u00e7\u00f5es de Cristo\u201c (Col 1,24) e\u00a0 l\u00e1grimas vertidas pela morte de um Padre entusiasmado pela Amaz\u00f4nia, festejamos juntos com os povos ind\u00edgenas a vit\u00f3ria de serem inscritos os seus direitos na Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A pergunta crucial que se levanta diante da causa ind\u00edgena, h\u00e1 muito tempo exige uma resposta: Por que essas posi\u00e7\u00f5es anti-indigenas, essas ondas de hostilidade contra os descendentes dos primeiros habitantes do Brasil, que sempre de novo se levantam e conspurcam inclusive a imagem do Brasil no concerto internacional das na\u00e7\u00f5es? Qual \u00e9 a raz\u00e3o profunda ou primordial que motiva as agress\u00f5es abertas e veladas contra esses povos? A resposta \u00e9 curta e simples! O problema n\u00e3o consiste no fato de terem uma l\u00edngua materna diferente. N\u00e3o s\u00e3o suas tradi\u00e7\u00f5es culturais, seus ritos e mitos, suas dan\u00e7as e festas que atrapalham. O problema consiste na terra que ocupam, a terra que poderosas for\u00e7as neste Pa\u00eds continuamente negam a eles. Quando meus amigos de Bel\u00e9m nos idos de 1965 prenunciaram a morte dos \u00edndios do Xingu, n\u00e3o se preocupavam com os Kayap\u00f3 como povo diferenciado da sociedade envolvente, mas como povo que defende seu h\u00e1bitat, que se levanta contra intrusos e guerreia contra aqueles que invadem suas aldeias. Os \u00edndios t\u00eam que ser eliminados para que se tenha acesso \u00e0s suas terras e \u00e0s riquezas naturais nelas existentes, tanto no solo como no subsolo. Essa \u00e1 a quest\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Amaz\u00f4nia \u00e9 na realidade de hoje uma regi\u00e3o habitada por \u201ctoda ra\u00e7a, l\u00edngua, povo e na\u00e7\u00e3o\u201c (Ap 5,9). Creio que n\u00e3o haja no mundo inteiro algo semelhante em termos de encontro de ra\u00e7as e culturas. Mas, o que geralmente \u00e9 esquecido, na Amaz\u00f4nia h\u00e1 tamb\u00e9m diversas l\u00ednguas. S\u00f3 no Xingu, existem todos os troncos lingu\u00edsticos da Am\u00e9rica. N\u00e3o se trata de dialetos como muitas vezes se afirma no af\u00e3 de descaracterizar um idioma reduzindo-o a uma g\u00edria ou um regionalismo idiom\u00e1tico. S\u00e3o l\u00ednguas com toda uma esmerada gram\u00e1tica e vocabul\u00e1rio expressivo, mesmo que n\u00e3o t\u00e3o volumoso como o da \u201c\u00faltima flor do L\u00e1cio\u201c.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na hist\u00f3rica Marcha dos Povos Ind\u00edgenas, realizada em 2000 no contexto dos 500 anos em Porto Seguro, BA, os \u00cdndios da Amaz\u00f4nia carregaram uma faixa com os dizeres: \u201cReduzidos sim, vencidos nunca!\u201d. De fato, h\u00e1 milhares de anos, a Amaz\u00f4nia \u00e9 seu lar, sua p\u00e1tria, o ch\u00e3o de seus mitos e ritos, a ambiente pr\u00f3prio para suas dan\u00e7as e cren\u00e7as, a terra em que sepultaram seus ancestrais. A idade cientificamente provada das pinturas rupestres na Caverna da Pedra Pintada em Monte Alegre (PA), mostrando mulheres e crian\u00e7as saindo para colher castanha-do-par\u00e1 e homens no meio da mata \u00famida ca\u00e7ando anta, derruba definitivamente a tese da ocupa\u00e7\u00e3o do continente h\u00e1 somente 12.000 anos. Esses \u201cpaleo\u00edndios\u201c viviam na Amaz\u00f4nia j\u00e1 h\u00e1 muito mais tempo. Atrav\u00e9s dos mil\u00eanios se adaptaram \u00e0s florestas tropicais criando uma cultura superior \u00e0 de outros pr\u00e9-hist\u00f3ricos de sua \u00e9poca[2]. Os \u00edndios de hoje s\u00e3o os descendentes e remanescentes de outrora vigorosos povos que atrav\u00e9s dos s\u00e9culos foram dizimados em persegui\u00e7\u00f5es implac\u00e1veis, guerras de exterm\u00ednio ou por doen\u00e7as criminosamente introduzidas. Foram escravizados e deportados ou ent\u00e3o submetidos a programas de \u201cintegra\u00e7\u00e3o\u201c compuls\u00f3ria \u00e0 sociedade que orgulhosamente se autodenomina de \u201cnacional\u201c.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A chegada das naus de Pedro \u00c1lvares Cabral mudou a hist\u00f3ria deste pa\u00eds continental e tamb\u00e9m da Amaz\u00f4nia. O Monte Pascal, na realidade, nada tem de P\u00e1scoa \u2013 Ressurrei\u00e7\u00e3o para os povos que habitavam at\u00e9 ent\u00e3o este mundo de selvas e \u00e1guas, de praias douradas e paisagens ex\u00f3ticas, ainda do jeito como Deus as criou. Uma arrasadora invas\u00e3o que posteriormente em todos os livros de hist\u00f3ria, desde o ensino fundamental, seria chamada e enaltecida como \u201cdescobrimento\u201c, deu in\u00edcio ao Calv\u00e1rio dos Povos aut\u00f3ctones destas plagas, \u00e0 Sexta-feira Santa da Paix\u00e3o e Morte que perdura at\u00e9 os dias de hoje. Para esses povos ainda n\u00e3o alvoreceu o dia da P\u00e1scoa, em que a vida vence a morte, a paz, como \u201cfruto de justi\u00e7a\u201c (Is 32, 17), triunfa sobre a guerra de exterm\u00ednio e da desapropria\u00e7\u00e3o for\u00e7ada. Chegaram os colonizadores do velho continente. Para eles sim, este continente foi uma descoberta! Vieram para que? Queriam o que? \u00c1vidos de terras e das riquezas do solo e subsolo, conquistaram o espa\u00e7o a ferro e fogo. \u201cFidalgos\u201c em miss\u00f5es oficiais e simultaneamente em busca de fortunas fabulosas aportaram ao lado de delinquentes e degredados, expulsos de Portugal e at\u00e9 marinheiros desertores. Outras na\u00e7\u00f5es europ\u00e9ias, especialmente os holandeses, estavam igualmente interessadas na Amaz\u00f4nia. A ocupa\u00e7\u00e3o portuguesa consolidou-se definitivamente em 1616 com a funda\u00e7\u00e3o do Forte do Pres\u00e9pio na ba\u00eda do Guajar\u00e1, que deu origem \u00e0 cidade de Santa Maria de Bel\u00e9m do Gr\u00e3o-Par\u00e1. E o resultado da investida europ\u00e9ia na Amaz\u00f4nia deixou profundas marcas. Padre Ant\u00f4nio Vieira lamenta j\u00e1 no ano 1662 em seu famoso serm\u00e3o da Epifania diante da coorte de Portugal: \u201cQuerem que tragamos os gentios \u00e0 f\u00e9, e que os entreguemos \u00e0 cobi\u00e7a; querem que tragamos as ovelhas ao rebanho, e que as entreguemos a Herodes. (&#8230;) (Hoje) est\u00e3o destru\u00eddas e desabitadas todas aquelas terras em t\u00e3o poucos anos; e de tantas e t\u00e3o numerosas povoa\u00e7\u00f5es, de que s\u00f3 ficaram os nomes, n\u00e3o se v\u00eaem hoje mais que ru\u00ednas e cemit\u00e9rios\u201c[3].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os ind\u00edgenas n\u00e3o estavam acostumados a trabalhos for\u00e7ados e morriam extenuados. Para compensar esta m\u00e3o de obra perdida, outro continente foi assaltado. Milhares e milhares de homens e mulheres foram trazidos da \u00c1frica como escravos. Muitos nem chegaram vivos neste lado do Atl\u00e2ntico. Os que chegaram \u00e0 Amaz\u00f4nia tornaram-se em sua grande maioria escravos de engenhos. Muitos morreram de banzo[4].Todos choraram inconsol\u00e1veis a p\u00e1tria perdida. Ainda hoje cantam e dan\u00e7am emocionados os cantares e ritmos que a m\u00e3e \u00c1frica lhes legou. As festas dos santos padroeiros na Amaz\u00f4nia t\u00eam caracter\u00edsticas negras misturadas com ind\u00edgenas. As novenas e ladainhas cantadas e batucadas e noites dan\u00e7adas ao som de tambores e tamborins, de curimb\u00f3 e marac\u00e1, de reco-reco e xeque-xeque espelham a alma africana nos amaz\u00f4nidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No s\u00e9culo XIX a extra\u00e7\u00e3o do l\u00e1tex das seringueiras da Floresta Amaz\u00f4nica adquiriu grande import\u00e2ncia econ\u00f4mica e atraiu dezenas de milhares de migrantes do nordeste brasileiro e despertou o interesse de grandes companhias extrativistas europ\u00e9ias e norte-americanas. O l\u00e1tex foi elevado \u00e0 categoria de mat\u00e9ria-prima industrial a partir de 1823, com a descoberta da impermeabiliza\u00e7\u00e3o por MacIntosh, nesse mesmo ano, e da vulcaniza\u00e7\u00e3o, por Goodyear, em 1839. At\u00e9 1850, a explora\u00e7\u00e3o da borracha estava restrita \u00e0 regi\u00e3o de Bel\u00e9m e \u00e0s ilhas. Os primeiros rios a serem utilizados para o transporte comercial foram o Xingu e o Tapaj\u00f3s, depois o Amazonas at\u00e9 atingir o Solim\u00f5es, o Purus, o Alto Madeira e o Juru\u00e1. Nessa \u00e9poca, iniciou-se tamb\u00e9m a migra\u00e7\u00e3o de turcos, s\u00edrios, libaneses e judeus que praticavam o com\u00e9rcio baseado na troca de mercadorias. O monop\u00f3lio brasileiro de produ\u00e7\u00e3o e os altos pre\u00e7os da borracha no mercado mundial enriqueceram durante algum tempo os donos de seringais e fizeram de Manaus e Bel\u00e9m \u201ccapitais de fausto e dissipa\u00e7\u00e3o\u201c. Nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, com a concorr\u00eancia da borracha asi\u00e1tica, a borracha amaz\u00f4nica perdeu mercado e a economia regional entrou em r\u00e1pido decl\u00ednio, deixando milhares de fam\u00edlias de seringueiros na mis\u00e9ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A partir de 1929 os nip\u00f4nicos come\u00e7am a fixar-se em v\u00e1rios pontos da regi\u00e3o amaz\u00f4nica. Tom\u00e9-A\u00e7u, no Par\u00e1, tornou-se o assentamento mais importante, ficando famosa pela produ\u00e7\u00e3o de pimenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Durante a II Guerra Mundial, quando os japoneses cortaram o fornecimento de borracha para os Estados Unidos, milhares de brasileiros foram enviados para os seringais da Amaz\u00f4nia, em nome da luta contra o nazismo, dando origem \u00e0 \u201cBatalha da Borracha\u201c. Os nordestinos recrutados para trabalhar nos seringais foram chamados de \u201csoldados da borracha\u201c, mas n\u00e3o receberam nem soldo nem medalhas. O saldo final foi terr\u00edvel: Dos quase 60 mil soldados da borracha, cerca da metade desapareceu na selva amaz\u00f4nica. S\u00f3 \u00e0 guisa de compara\u00e7\u00e3o: dos 20 mil brasileiros combatentes na It\u00e1lia morreram 454[5].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Frequentemente os seringueiros entraram em confronto com os \u00edndios que rejeitaram sua presen\u00e7a. A rea\u00e7\u00e3o ind\u00edgena provocou a vingan\u00e7a dos bar\u00f5es da borracha que mandaram massacrar os \u00edndios. Aldeias inteiras foram sacrificadas e os rios se tingiram da cor do sangue.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A partir da d\u00e9cada de 70 a Amaz\u00f4nia tornou-se mais uma vez palco de grandes migra\u00e7\u00f5es. A constru\u00e7\u00e3o de imensas estradas que cortam as selvas at\u00e9 ent\u00e3o intocadas provocou uma corrida de milhares de fam\u00edlias do nordeste \u00e0 Amaz\u00f4nia. Sobrevoando o nordeste, o presidente General Medici teria exclamado, olhando para o norte, \u201cTerra sem homens\u201c e acrescentado \u201cpara homens sem terra\u201c, mirando das alturas os nordestinos duramente castigados pela seca. A reportagem da Folha de S\u00e3o Paulo em 10 de outubro de 1970, com o t\u00edtulo \u201cMedici implanta na selva marco inicial da Transamaz\u00f4nica\u201c, \u00e9 emblem\u00e1tica para aquela \u00e9poca. Diz a reportagem: \u201cO general Medici presidiu ontem no munic\u00edpio de Altamira, no Estado do Par\u00e1, a solenidade de implanta\u00e7\u00e3o, em plena selva, do marco inicial da constru\u00e7\u00e3o da grande rodovia Transamaz\u00f4nica, que cortar\u00e1 toda a Amaz\u00f4nia, no sentido Leste-Oeste, numa extens\u00e3o de mais de 3.000 quil\u00f4metros e interligar\u00e1 esta regi\u00e3o com o Nordeste. O presidente emocionado assistiu \u00e0 derrubada de uma arvore de 50 metros de altura, no tra\u00e7ado da futura rodovia, e descerrou a placa comemorativa (&#8230;)\u00a0 incrustada no tronco de uma grande castanheira com cerca de dois metros de di\u00e2metro, na qual estava inscrito: &#8220;Nestas margens do Xingu, em plena selva amaz\u00f4nica, o Sr. Presidente da Rep\u00fablica d\u00e1 inicio \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da Transamaz\u00f4nica, numa arrancada hist\u00f3rica para a conquista deste gigantesco mundo verde&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A destrui\u00e7\u00e3o da selva milenar estava programada! Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, derrubar e queimar a floresta tornou-se sin\u00f4nimo de desenvolvimento e progresso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E l\u00e1 v\u00e3o os nordestinos para o norte, fugindo da seca, atra\u00eddos por promessas governamentais. Mas poucos, apenas 15%, permanecem. O outros desanimaram e abandonaram e voltaram num pau-de-arara ao nordeste da caatinga e das secas peri\u00f3dicas, ou ent\u00e3o refugiaram-se nas cidades que da noite para o dia incharam, duplicando e triplicando o n\u00famero de seus habitantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A chamada segunda coloniza\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m incentivada pelo Governo, trouxe fam\u00edlias do sudeste, do centro e do sul do Brasil a esta nova fronteira. Vieram em busca de terras para a agricultura ou cria\u00e7\u00e3o de gado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Muitos dos pioneiros, sujeitos \u00e0s mais diversas doen\u00e7as, \u00e0 mal\u00e1ria, ao esgotamento f\u00edsico, sem assist\u00eancia m\u00e9dica, sem estradas para o escoamento do produto, sem escola, desanimaram e venderam a pre\u00e7o \u00ednfimo seu lote para fazendeiros, concentrando assim terras j\u00e1 tituladas nas m\u00e3os de uns poucos que compraram tantos lotes quantos apareciam \u00e0 venda, degradando os pequenos lavradores \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de pe\u00f5es, de agregados ou fazendo-os trabalhar \u201c\u00e0 meia\u201d nos lotes dos quais at\u00e9 pouco tempo eram donos com t\u00edtulo definitivo. Os lotes familiares de 100 hectares paulatinamente desapareceram, cedendo lugar para grandes fazendas de milhares de hectares. O dinheiro auferido pela venda do lote deu para sustentar a fam\u00edlia s\u00f3 por pouco tempo. Repentinamente sem eira nem beira, tentaram a sorte nos garimpos. Se l\u00e1 n\u00e3o acharam ouro, a mal\u00e1ria encontraram com certeza. Em consequ\u00eancia de doen\u00e7as, muitos morreram \u201cde morte morrida\u201c, outros tantos, pela viol\u00eancia que reina nos garimpos, \u201cde morte matada\u201c. N\u00e3o existem estat\u00edsticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">D\u00e9cadas passaram, desde ent\u00e3o. Os que permaneceram na Transamaz\u00f4nica e se tornaram detentores de maiores extens\u00f5es de terra, em parte at\u00e9 conseguiram bons resultados. Pela primeira vez em significativas manchas de terra roxa, no atual munic\u00edpio de Medicil\u00e2ndia, PA, vastos canaviais substitu\u00edram a floresta tropical. No entanto, o epis\u00f3dio do Pacal (1983) entrou na hist\u00f3ria como a grande rebeli\u00e3o dos canavieiros contra os maus tratos, a falta de pagamento da safra entregue e a quebra da Usina Abraham Lincoln. Os canaviais desapareceram. Os colonos, pequenos e m\u00e9dios fazendeiros, come\u00e7aram a investir na pecu\u00e1ria ou ent\u00e3o, o que trouxe bem melhores resultados, no cacau. Criou-se uma classe m\u00e9dia rural mas sempre sujeita \u00e0 oscila\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os no mercado internacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nos \u00faltimos dec\u00eanios surgiu uma nova categoria de conquistadores da Amaz\u00f4nia. S\u00e3o os famigerados grileiros que usurpam terras da Uni\u00e3o e atrav\u00e9s de manobras escusas mandam confeccionar t\u00edtulos definitivos de propriedade artificialmente envelhecidos! Disp\u00f5em como nos velhos tempos do canga\u00e7o de for\u00e7as para-militares para defender os seus interesses. Usam de suas influ\u00eancias pol\u00edtico-financeiras para manter-se em imensas \u00e1reas. Querem apropriar-se tamb\u00e9m de terras pertencentes \u00e0s fam\u00edlias de agricultores, destinadas a projetos de desenvolvimento sustent\u00e1vel. N\u00e3o respeitam nada e ningu\u00e9m e avan\u00e7am sem escr\u00fapulos. As fam\u00edlias dos pequenos agricultores sempre estiveram na mira desses pseudo-propriet\u00e1rios. Nas d\u00e9cadas passadas centenas de homens e mulheres perderam a vida de modo violento sem nenhuma investiga\u00e7\u00e3o, sem nenhuma apura\u00e7\u00e3o do crime. S\u00e3o homens e mulheres enterrados como indigentes. H\u00e1 cemit\u00e9rios na Amaz\u00f4nia com in\u00fameras cruzes sem nomes, h\u00e1 cemit\u00e9rios clandestinos sem cruzes! A mata cresce por cima das sepulturas e esconde o sangue derramado. A Justi\u00e7a, se n\u00e3o \u00e9 conivente, \u00e9 ausente! Completam-se hoje sete anos desde a morte de Dema, Ademir Alfeu Federicci. Como dirigente de comunidade, sindicalista, vereador sempre defendeu os direitos do pequeno agricultor e lutou por dias melhores para o homem e a mulher do campo. Denunciou a explora\u00e7\u00e3o ilegal de madeira na \u00e1rea ind\u00edgena Arara, pr\u00f3xima ao km 75 da Rodovia Transamaz\u00f4nica. No dia 23 de agosto de 2001 Dema, escreveu uma carta em apoio ao trabalho de investiga\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal em rela\u00e7\u00e3o aos grileiros da SUDAM. Dois dias depois, na madrugada do dia 25 de agosto de 2001, foi brutalmente executado na sua casa em Altamira. Caiu aos p\u00e9s de Maria da Penha, sua mulher. Deu apenas para balbuciar ainda: \u201dMaria, tome conta de nossos filhos!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A realidade \u00e9 que a Reforma Agr\u00e1ria n\u00e3o avan\u00e7ou e a concentra\u00e7\u00e3o da propriedade fundi\u00e1ria est\u00e1 aumentando. Os planos econ\u00f4micos voltados para o campo brasileiro n\u00e3o s\u00e3o direcionados para atender as expectativas para um novo modelo agr\u00edcola. A produ\u00e7\u00e3o familiar e cooperativada consegue apenas incentivos irris\u00f3rios, enquanto a produ\u00e7\u00e3o das grandes empresas estrangeiras e nacionais ligadas ao capital financeiro receberam do Banco do Brasil s\u00f3 no ano passado R$ 7 bilh\u00f5es.[6] O atual governo prioriza o modelo agroexportador e discrimina a agricultura camponesa, respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o de alimentos em nosso pa\u00eds. As terras improdutivas que deveriam ser usadas para a Reforma Agr\u00e1ria, est\u00e3o sendo destinadas a empresas estrangeiras, para a produ\u00e7\u00e3o de eucalipto, soja, gado e agrocombust\u00edveis, em vez de alimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Paradigm\u00e1tico para toda essa conjuntura nacional \u00e9 o caso Raposa Serra do Sul. A\u00ed, os dois projetos de pa\u00eds nitidamente se confrontam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nesta quarta-feira, dia 27 de agosto, o Supremo Tribunal Federal (STF) ir\u00e1 finalmente julgar o caso da Terra Ind\u00edgena Raposa Serra do Sol, \u00e1rea h\u00e1 mil\u00eanios habitada pelos povos Macuxi, Wapichana, Taurepang, Ingaric\u00f3 e Patamona. Todos sabemos o quanto custou, de mobiliza\u00e7\u00e3o, de trabalho, de luta, mesmo de vidas de lideran\u00e7as ind\u00edgenas, ao longo dos \u00faltimos 34 anos, para se conseguir a demarca\u00e7\u00e3o daquele territ\u00f3rio, em 2002, pelo governo Fernando Henrique, e a sua homologa\u00e7\u00e3o em 2005, pelo governo Lula.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Todos sabemos tamb\u00e9m como os grandes interesses econ\u00f4micos est\u00e3o se movendo para anular essa homologa\u00e7\u00e3o e como os seus aliados v\u00eam atuando para que n\u00e3o s\u00f3 a homologa\u00e7\u00e3o seja desfeita, mas para que esta \u00e1rea como qualquer outro territ\u00f3rio n\u00e3o seja reconhecido mais como terra ind\u00edgena. Os aliados dos invasores atuam tanto no STF como no Congresso Nacional, em setores do Executivo e nos grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o, mais uma vez espalhando mentiras e preconceitos com rela\u00e7\u00e3o aos povos ind\u00edgenas do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">De um lado est\u00e3o os povos ind\u00edgenas da Raposa Serra do Sol e seus aliados: os movimentos sociais, do campo e da cidade, como a Via Campesina e o Grito dos Exclu\u00eddos, a Igreja Cat\u00f3lica e suas pastorais sociais, a Diocese de Roraima, o CIMI (Conselho Indigenista Mission\u00e1rio) e as congrega\u00e7\u00f5es que atuam na Amaz\u00f4nia junto aos povos ind\u00edgenas, as entidades de defesa dos Direitos Humanos, todos agindo em defesa dos direitos ind\u00edgenas conforme reconhecidos pela Constitui\u00e7\u00e3o de 1988.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Do outro lado batalham contra os direitos ind\u00edgenas inscritos na Constitui\u00e7\u00e3o Federal os invasores, arrozeiros do agro-neg\u00f3cio, as grandes empresas de minera\u00e7\u00e3o, os pol\u00edticos e os militares que agem a seu servi\u00e7o. Todos eles atuam para anular os direitos constitucionais dos povos ind\u00edgenas. Para conseguir o seu intento n\u00e3o agem s\u00f3 no Congresso, mas junto a sociedade nacional, buscando desconstituir os direitos ind\u00edgenas assim como os direitos dos quilombolas, ribeirinhos e demais comunidades tradicionais, da Amaz\u00f4nia como do pa\u00eds todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Afirmei que Raposa Serra do Sol \u00e9 um caso paradigm\u00e1tico. Realmente, dependendo de como os ministros do Supremo Tribunal Federal votarem, diferentes perspectivas estar\u00e3o tra\u00e7adas para os povos do campo no Brasil. Se votarem favor\u00e1veis aos povos ind\u00edgenas, seus direitos, seus territ\u00f3rios, seu futuro como povos estar\u00e3o mais uma vez assegurados. Se os ministros votarem contra os povos ind\u00edgenas, escancaram-se as portas para o avan\u00e7o dos grandes interesses econ\u00f4micos sobre os demais territ\u00f3rios ind\u00edgenas, como sobre os territ\u00f3rios de todas as comunidades tradicionais, incluindo tamb\u00e9m as \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o nos iludamos! O que est\u00e1 em jogo neste caso de Raposa Serra do Sol \u00e9 o fato da Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira garantir a exist\u00eancia de terras fora do mercado capitalista. E \u00e9 exatamente contra este fato que o agro-neg\u00f3cio e seus aliados se insurgem. Sua palavra de ordem \u00e9: \u201cNenhuma terra fora do mercado!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nosso lema afirma o contr\u00e1rio: \u201cToda a terra a favor da Vida e da Paz para os povos ind\u00edgenas e para os povos do Campo!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">S\u00e3o dois projetos que est\u00e3o em confronto:um a favor da terra para a Vida,o outro a favor da terra para o neg\u00f3cio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Que a Vida seja vitoriosa!<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt\">[1] O acidente aconteceu em 16 de outubro de 1987, no km 23 da Rodovia Transamaz\u00f4nica Altasmira \u2013 Itaituba (BR 230). O Padre Salvatore Deiana, xaveriano, natural da Sardenha, It\u00e1lia, 31 anos, sofreu morte instant\u00e2nea.<br \/>\n[2] cfr. A Civiliza\u00e7\u00e3o Perdida da Amaz\u00f4nia, por Fl\u00e1vio Dieguez de Monte Alegre e Carlos Eduardo Lins da Silva, de Washington. http:\/\/super-abril.uol.com.br<br \/>\n[3] VIEIRA, Ant\u00f4nio, Serm\u00f5es, tomo II, Serm\u00e3o da Epifania, n. 5, Ed. Anchieta, S\u00e3o Paulo: 1943, (Facsimile da Edi\u00e7\u00e3o de 1679).<br \/>\n[4] Uma enfermidade que os Bantus chamaram de \u201eKubanza\u201c. Os portugueses transformaram esta palavra em \u201eBanzo\u201c. Trata-se de uma\u00a0 imensa saudade que chega a propor\u00e7\u00f5es patol\u00f3gicos, levando a uma melancolia e resigna\u00e7\u00e3o que causam a morte.<br \/>\n[5] cfr. Hist\u00f3ria Viva, Edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 8 &#8211; junho de 2004<br \/>\n[6] cfr. MST Informa, n. 152, 11 de agosto de 2008.<\/span><\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Erwin Kr\u00e4utler<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos coment\u00e1rios que em toda a minha vida mais me chocou e por isso ficou indelevelmente gravado em minha mem\u00f3ria se refere aos povos ind\u00edgenas do Xingu. Havia chegado h\u00e1 pouco tempo em Bel\u00e9m, cheio de entusiasmo e muito esperan\u00e7oso quanto ao meu futuro. N\u00e3o tive nenhuma d\u00favida que, mesmo com apenas 26 anos, &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/terra-para-a-vida\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Terra para a Vida<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/11480"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=11480"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/11480\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=11480"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=11480"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=11480"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}