{"id":11505,"date":"2010-03-18T00:00:00","date_gmt":"2010-03-18T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/mulher-eu-tambem-nao-te-condeno\/"},"modified":"2010-03-18T00:00:00","modified_gmt":"2010-03-18T03:00:00","slug":"mulher-eu-tambem-nao-te-condeno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/mulher-eu-tambem-nao-te-condeno\/","title":{"rendered":"Mulher, eu tamb\u00e9m n\u00e3o te condeno"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">O \u00faltimo domingo da Quaresma, antes de chegar \u00e0 Semana Santa, apresenta-nos uma p\u00e1gina bem conhecida do evangelho de Jo\u00e3o: a cilada armada contra Jesus para que ele julgue se a ad\u00faltera devia ser ou n\u00e3o apedrejada. Podemos assim olhar um pouco para tr\u00e1s e entender melhor o caminho que a catequese quaresmal deste ano nos ajudou a percorrer. Como \u00e9 o Deus que Jesus veio nos fazer conhecer melhor? No terceiro domingo entendemos que n\u00e3o \u00e9 um Deus caprichoso, imprevis\u00edvel na puni\u00e7\u00e3o de supostos culpados e de supostos inocentes. Ao contr\u00e1rio, Deus nos foi apresentado como algu\u00e9m muito paciente, que manda limpar e adubar a figueira incapaz de produzir frutos; tudo na esperan\u00e7a de que algo de melhor aconte\u00e7a. Com a par\u00e1bola do pai misericordioso e dos dois irm\u00e3os entendemos a miseric\u00f3rdia de Deus, Ele fica feliz em acolher de volta o filho perdido e pede tamb\u00e9m ao filho maior a gra\u00e7a do perd\u00e3o. O Deus de Jesus \u00e9 um Deus paciente, misericordioso e justo, sempre. Por\u00e9m de um jeito surpreendente, muito maior do que n\u00f3s pobres homens chegar\u00edamos a pensar.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Assim tamb\u00e9m aconteceu com a mulher pecadora. De fato foi uma cilada para Jesus, porque lhe foi pedido de confrontar-se com a Lei de Mois\u00e9s. Lei amparada nada menos que pela autoridade de Deus. Mais uma vez Jesus n\u00e3o somente consegue se sair bem, como deixa claro o ensinamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As quest\u00f5es podem ser duas. Uma \u00e9: que Deus \u00e9 este que permite a morte de uma pessoa? A Lei devia ser para a vida e n\u00e3o para a morte. J\u00e1 nesse sentido Jesus aponta a verdadeira finalidade da Lei quando, repetindo as palavras dos profetas, diz: Deus n\u00e3o quer a morte do pecador, mas que se converta e viva (cfr. Ez 18,32). Deus, portanto, \u00e9 o Deus da vida e o seu nome n\u00e3o pode ser usado \u2013 nem amparado por uma Lei &#8211; para condenar \u00e0 morte. Talvez n\u00f3s n\u00e3o tenhamos mais esse problema, visto que, gra\u00e7as a Deus, n\u00e3o apedrejamos mais em pra\u00e7a p\u00fablica. Contudo de uma forma ou de outra, em nome dos nossos princ\u00edpios morais, dos quais nos achamos leg\u00edtimos defensores, nos consideramos autorizados a julgar, condenar e excluir irm\u00e3os e irm\u00e3s que n\u00e3o entram no esquema dos nossos valores. Depois, talvez, abrimos brechas ou abismos nesses princ\u00edpios, quando for de nosso interesse. Acontece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A outra quest\u00e3o \u2013 a do pecado \u2013 diz respeito a todos n\u00f3s, e n\u00e3o simplesmente \u00e0s palavras de Jesus: &#8211; Quem \u00e9 sem pecado jogue a primeira pedra &#8211; mas pela pr\u00f3pria realidade do pecado. Com efeito, o pecado n\u00e3o \u00e9 somente a transgress\u00e3o de uma lei, \u00e9 muito mais. N\u00e3o \u00e9 a simples ou cega obedi\u00eancia a uma lei que torna o homem justo. \u00c9 a medida do amor que deve orientar as nossas a\u00e7\u00f5es, decis\u00f5es e crit\u00e9rios de vida. O pecado \u00e9 uma falta de amor, com Deus e com o pr\u00f3ximo.\u00a0 O senso do pecado \u00e9 diferente do senso de culpa. Culpado \u00e9 aquele que infringe uma lei e, talvez, deva ser punido. Se pagar a pena volta a se sentir limpo. Mas no caso do pecado o importante \u00e9 reconhecer a falta de amor e, portanto, o pecado s\u00f3 pode ser recompensado com mais amor. N\u00e3o ser\u00e1 a puni\u00e7\u00e3o a absolver o pecado, mas o perd\u00e3o. Reconhecendo a bondade de Deus e a sua grandeza e miseric\u00f3rdia em nos amar de novo, o perd\u00e3o nos coloca, mais uma vez, no caminho de poder amar mais. Nesse sentido, o pecado e o relativo perd\u00e3o nos permitem conhecer o verdadeiro amor de Deus, que n\u00e3o condena o pecador, mas o perdoa, para que tendo feita a experi\u00eancia enriquecedora e insubstitu\u00edvel do amor-perd\u00e3o, saiba ter tamb\u00e9m miseric\u00f3rdia com os seus irm\u00e3os pecadores.\u00a0 &#8211; A quem pouco foi perdoado, pouco ama &#8211; disse Jesus ao fariseu que o havia hospedado e que o criticava por ter acolhido as l\u00e1grimas da prostituta (Lc 7,47).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00f3s continuamos a julgar-nos uns aos outros, sempre disputando quem \u00e9 melhor e quem \u00e9 pior, transformando-nos todos em ju\u00edzes, na maioria das vezes em causa pr\u00f3pria. Sem contar as vezes que somente enxergamos as falhas dos outros, sem nunca reconhecemos as nossas. Dever\u00edamos admitir as nossas faltas de amor, ou seja, os nossos pecados. Se a todos Deus oferece o perd\u00e3o e a todos ele amou enviando o seu pr\u00f3prio Filho que, por sua vez, nos amou entregando a sua pr\u00f3pria vida, por que continuamos a nos querer condenar? Unamo-nos no bem e na paz. Desarmemos os nossos cora\u00e7\u00f5es e as nossas m\u00e3os. Assim conheceremos melhor a Deus.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Pedro Jos\u00e9 Conti<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O \u00faltimo domingo da Quaresma, antes de chegar \u00e0 Semana Santa, apresenta-nos uma p\u00e1gina bem conhecida do evangelho de Jo\u00e3o: a cilada armada contra Jesus para que ele julgue se a ad\u00faltera devia ser ou n\u00e3o apedrejada. 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