{"id":11528,"date":"2009-05-20T00:00:00","date_gmt":"2009-05-20T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/por-ocasiao-da-celebracao-de-um-centenario-duas-singelas-sugestoes\/"},"modified":"2009-05-20T00:00:00","modified_gmt":"2009-05-20T03:00:00","slug":"por-ocasiao-da-celebracao-de-um-centenario-duas-singelas-sugestoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/por-ocasiao-da-celebracao-de-um-centenario-duas-singelas-sugestoes\/","title":{"rendered":"Por ocasi\u00e3o da celebra\u00e7\u00e3o de um centen\u00e1rio: duas singelas sugest\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Escrever ou falar sobre dom H\u00e9lder C\u00e2mara ser\u00e1 f\u00e1cil ou dif\u00edcil em decorr\u00eancia do ponto de partida ou do \u00e2ngulo de vis\u00e3o de quem pretenda assumir essa tarefa. Ser\u00e1 f\u00e1cil, porque, independente de quanto j\u00e1 se escreveu ou j\u00e1 se disse, ainda resta muito que dizer ou escrever. Dif\u00edcil, porque a vida, a pessoa, a pr\u00f3pria personalidade, os gestos e atitudes de Dom H\u00e9lder, os seus ideais e, sobretudo, as suas intui\u00e7\u00f5es se projetam para al\u00e9m dos nossos tempos e at\u00e9 das realiza\u00e7\u00f5es (algumas verdadeiramente revolucion\u00e1rias) que ele em vida conseguiu levar a termo, consolidar e perpetuar at\u00e9 os nossos dias.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Da\u00ed porque bem mais do que a escreverem uma p\u00e1gina ou artigo, melhor seria incentivar os seus admiradores \u2013 gra\u00e7as ao bom Deus, t\u00e3o numerosos! \u2013 a aprofundar, a interpretar para depois transmitir \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es n\u00e3o apenas a sua biografia mas principalmente os horizontes que ele divisou e visualizou de maneira a possibilitar-lhes a realiza\u00e7\u00e3o do que nele, por sinal, tamb\u00e9m j\u00e1 era vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esse, o legado maior e o verdadeiro desafio que ele nos deixou e que despertaria uma atra\u00e7\u00e3o maior e comunicaria especial encanto \u00e0s solenidades comemorativas do primeiro centen\u00e1rio do seu nascimento no dia 7 de fevereiro deste ano. Tal encaminhamento ajudaria a construirmos o Brasil dos seus e dos nossos sonhos e poderia reavivar na Igreja a face de Cristo, luz do mundo ontem, hoje e para sempre. (Hb 13,8)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Supondo j\u00e1 assumido, sobretudo pelo grupo de Recife, o desafio acima insinuado, limito-me agora a uma contribui\u00e7\u00e3o bem modesta ao livro que deve ser lan\u00e7ado aqui em Fortaleza por ocasi\u00e3o das comemora\u00e7\u00f5es do pr\u00f3ximo dia 7.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Trata-se de uma sugest\u00e3o muito singela mas que importa, se aceita, seja realizada integralmente. Quero dizer: que a obra apresente de entrada a lista, ou seja, a rela\u00e7\u00e3o completa, exaustiva, de todos os t\u00edtulos de \u201cDoctor Honoris Causa\u201d, de todos os pr\u00eamios, de todas as men\u00e7\u00f5es honrosas, de todos os cargos e encargos, no campo religioso (n\u00e3o s\u00f3 cat\u00f3lico) e civil que lhe foram conferidos, seja no Brasil, seja em outros pa\u00edses que de diversos modos o homenagearam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o disponho infelizmente de todos esses dados. De uma coisa, por\u00e9m, tenho certeza: assim publicados, eles ocupariam espa\u00e7o n\u00e3o de uma sen\u00e3o de muitas p\u00e1ginas, deixariam claro a grandeza de Dom H\u00e9lder e por n\u00e3o serem o parecer ou um parecer, julgamento ou opini\u00e3o de uma pessoa por mais competente ou autorizada e sim o julgamento de institui\u00e7\u00f5es, muitas delas de grande isen\u00e7\u00e3o e alta compet\u00eancia, representariam por tudo isso e por isso mesmo um singular e privilegiado enc\u00f4mio, um alt\u00edssimo louvor e o reconhecimento mais abalizado da grandeza \u00edmpar do nosso homenageado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Outra sugest\u00e3o, em continua\u00e7\u00e3o \u00e0 que acaba de ser exposta e a ela semelhante, por\u00e9m muito mais exigente seria um estudo minucioso, exaustivo, da hist\u00f3ria, do que motivou, do quanto significou, das circunst\u00e2ncias em que lhe foi conferido ou outorgado, cada t\u00edtulo, cada pr\u00eamio, cada men\u00e7\u00e3o honrosa, cada cargo ou encargo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">S\u00f3 para se entender melhor: considerem-se, por exemplo, quantos apelos, quantas sugest\u00f5es, quantos pedidos que lhe fosse conferido, em dado momento e no auge do seu prest\u00edgio no plano internacional, o Pr\u00eamio Nobel da Paz! Quem, efetivamente, mais do que Dom H\u00e9lder, mais justa e acertadamente o teria merecido naquele exato momento? Estava-se, por\u00e9m, nos tempos do regime autorit\u00e1rio de exce\u00e7\u00e3o, e o nosso Dom H\u00e9lder tivera a coragem, a ousadia, cometera aos olhos dos detentores do poder o atrevimento inconceb\u00edvel, a imperdo\u00e1vel loucura, o crime nefando de lesa-p\u00e1tria de denunciar em Paris, logo em Paris a pr\u00e1tica de torturas, de atentados contra a liberdade e a democracia no pa\u00eds que \u00e9 o nosso Brasil, a nossa P\u00e1tria estremecida, e o fizera perante uma multid\u00e3o de milhares de pessoas que passariam a not\u00edcia a todos os pa\u00edses. Exige certamente muito esfor\u00e7o, grande discernimento, apurado crit\u00e9rio, inteira isen\u00e7\u00e3o de \u00e2nimo, coragem e honestidade a toda prova, paci\u00eancia e perseveran\u00e7a a realiza\u00e7\u00e3o desta id\u00e9ia. Mas uma coisa \u00e9 certa: realizada, ela nos dar\u00e1 a imagem perfeita, um foto a corpo inteiro de Dom H\u00e9lder com resultados previs\u00edveis, ser\u00e1 um exemplo ideal capaz de empolgar a nossa juventude e uma gl\u00f3ria aut\u00eantica n\u00e3o s\u00f3 para Fortaleza, sua cidade e ber\u00e7o, para o Recife, ou para o Rio de Janeiro mas para todo o Brasil e qui\u00e7\u00e1 para a Am\u00e9rica latina, sem esquecer tamb\u00e9m que para a Igreja cat\u00f3lica como tal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Porque esse estudo apontaria ao mundo o cidad\u00e3o universal que ele era, o defensor dos direitos humanos, o indormido arauto da justi\u00e7a e da paz, o promotor atento da comunh\u00e3o entre os povos, o profeta maior do s\u00e9culo XX. Recordaria igualmente as suas grandes obras: a Cruzada de S\u00e3o Sebasti\u00e3o, a funda\u00e7\u00e3o e atua\u00e7\u00e3o do Banco da Provid\u00eancia, o seu papel de primeira import\u00e2ncia de Secret\u00e1rio Geral na prepara\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o e celebra\u00e7\u00e3o do XXXVI Congresso Eucar\u00edstico Internacional do Rio de Janeiro, em 1956; destacaria sem d\u00favida a sua admir\u00e1vel intui\u00e7\u00e3o que lhe inspirou a cria\u00e7\u00e3o da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB, da qual foi o primeiro e eficiente Secret\u00e1rio Geral; a cria\u00e7\u00e3o com dom Manuel Larrain e outros do Conselho Episcopal Latino Americano, CELAM, que iria inspirar a cria\u00e7\u00e3o pela Santa S\u00e9 de entidades cong\u00eaneres para outros continentes; a sua decisiva atua\u00e7\u00e3o na prepara\u00e7\u00e3o do Episcopado brasileiro para participar do Conc\u00edlio Vaticano II; a motiva\u00e7\u00e3o e o compromisso do \u201cPacto das Catacumbas\u201d t\u00e3o ligado \u00e0 evang\u00e9lica op\u00e7\u00e3o preferencial, n\u00e3o excludente, pelos pobres e ao novo modelo de vida de bispos e sacerdotes, chegando ele at\u00e9 a inspirar, com o apoio do Santo Padre Paulo VI, seu grande amigo, uma poss\u00edvel reforma da C\u00faria romana; seu di\u00e1logo aberto e caloroso com l\u00edderes mundiais e a sua iniciante pr\u00e1tica de ecumenismo que pouco a pouco a vai se firmando nas diferentes igrejas e do di\u00e1logo inter-religioso entre diversas cren\u00e7as, antes inconcili\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A esta altura conv\u00e9m chamar a aten\u00e7\u00e3o para este ponto: n\u00e3o fiz neste coment\u00e1rio at\u00e9 aqui nenhuma refer\u00eancia \u00e0 rica e variada correspond\u00eancia de Dom Helder; n\u00e3o mencionei, como era de esperar, o seu relacionamento sempre voltado para aquelas que em feliz express\u00e3o ele chamava \u201cminorias abra\u00e2micas\u201d, nas quais ele depositava uma imensa esperan\u00e7a; n\u00e3o me referi aos livros que ele escreveu, tantos e t\u00e3o preciosos, obras que n\u00e3o desapareceram no passado, livros que conservam plena atualidade e se projetam certamente para o futuro. Da sua leitura resultaria certamente a descoberta do poeta, do homem de ora\u00e7\u00e3o e do admir\u00e1vel m\u00edstico que ele era.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Procedi assim por duas raz\u00f5es. Primeira: ser\u00e1 impens\u00e1vel que todo esse tesouro seja esquecido por aqueles que est\u00e3o cuidando de publicar toda a obra liter\u00e1ria de Dom H\u00e9lder. A segunda: as duas sugest\u00f5es acima expostas, singelas, despretensiosas e ing\u00eanuas, sim, mas que podem passar at\u00e9 como simpl\u00f3rias, s\u00e3o tamb\u00e9m um artif\u00edcio no sentido acima esclarecido, ou seja, em vez de emitir a minha opini\u00e3o pessoal de admirador quase apaixonado de dom H\u00e9lder, preferi apresentar o conceito que emitiram a seu respeito entidades ou personalidades do mais alto n\u00edvel. Em o fazendo s\u00f3 podia valorizar a modesta homenagem que ora lhe estou prestando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o se encerrem, todavia, estas considera\u00e7\u00f5es sem alguma refer\u00eancia pessoal a gestos ou atitudes de Dom H\u00e9lder, de uma das quais sou testemunha ocular e pessoal, aquela que aconteceu no aeroporto internacional de Lisboa a\u00ed pelos anos finais da d\u00e9cada de 80. L\u00e1 nos encontramos casualmente. Dom H\u00e9lder, de passagem para um pa\u00eds da Escandin\u00e1via e eu, para Roma. Havia uma conex\u00e3o de voos e por isso tivemos de aguardar por umas quatro horas. Ent\u00e3o ocorreu o que era de esperar: dom H\u00e9lder logo cercado de admiradores falou-lhes por todo esse tempo, com aquela vibra\u00e7\u00e3o e vivacidade de comunica\u00e7\u00e3o caracter\u00edsticas, t\u00e3o suas, sobre importantes e variados temas, em dia com todos eles e atendendo a todos. Mas o que mais me impressionou, apesar da sua idade, ficou de p\u00e9 durante todo aquele tempo, tendo gentilmente dispensado, embora mais de uma vez oferecida, uma cadeira para sentar-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A segunda, conforme me contaram, sucedeu logo ap\u00f3s a sua posse como Arcebispo Metropolitano de Olinda e Recife, ao receber em audi\u00eancia uma Comiss\u00e3o de Coron\u00e9is que, em nome do seu comando, lhe apresentaram uma lista com mais de vinte nomes de sacerdotes, entre os quais o nome do Bispo Auxiliar dom Jos\u00e9 Lamartine Soares que, por serem subversivos, n\u00e3o poderiam ser tolerados pelas autoridades militares. Dom H\u00e9lder recebeu a lista, leu-a calmamente, e, para surpresa dos coron\u00e9is, tranquilamente lhes declarou: \u201cA lista est\u00e1 incompleta. \u00c9 preciso acrescentar-lhe mais um nome\u201d. E, para maior surpresa e indigna\u00e7\u00e3o, acrescentou: \u201cO nome do Pe. H\u00e9lder\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A terceira tamb\u00e9m a ouvi de outros. Alta noite, na sua modesta resid\u00eancia junto \u00e0 Igreja das Fronteiras, Dom H\u00e9lder acordou surpreendido pela presen\u00e7a de um ladr\u00e3o, um negro em sua casa. Num relance ele j\u00e1 estava conversando com o assaltante: \u201cVoc\u00ea deve estar com fome, meu irm\u00e3o\u201d. Levou-o para a mesa, abriu a geladeira, e continuando naquele seu jeito inimit\u00e1vel de conversar e de convencer, ia servindo alimento ao novo irm\u00e3o. Foi a\u00ed que o inesperado h\u00f3spede, ao percorrer com os olhos a sala de jantar, fixou a vista num retrato na parede: o retrato de dom H\u00e9lder. Chegava-se ao pat\u00e9tico. Olhou para dom H\u00e9lder, olhou outra vez para o retrato, e agora, entre l\u00e1grimas: \u201cDom H\u00e9lder, me perdoe, por amor de Deus me perdoe! Nunca pensei na vida em atacar o senhor em sua casa!\u201d. Acalmado por Dom H\u00e9lder e j\u00e1 em plena confian\u00e7a, pede ao Arcebispo que lhe deixe ir-se embora. A resposta foi tamb\u00e9m outra surpresa: \u201cSim, meu irm\u00e3o, mas eu vou acompanhar voc\u00ea at\u00e9 \u00e1 porta porque o vigia n\u00e3o deixaria voc\u00ea sair assim t\u00e3o \u00e0 vontade\u201d! E, \u00e0 despedida, a surpresa maior: \u201cV\u00e1 em paz, meu irm\u00e3o. E quando quiser, pode voltar!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cEsto brevis et placebis\u201d, isto \u00e9, sede breve e agradareis. Assim nos adverte o velho ad\u00e1gio latino. Mas antes do ponto final, conv\u00e9m tecer ainda algumas considera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Um pergunta: a imagem de Dom H\u00e9lder \u00e9 imagem de um tipo popular? De um rom\u00e2ntico, de um sonhador? De populista ele foi acusado muitas vezes. De minha parte eu observaria que ele n\u00e3o se ajusta facilmente a tais par\u00e2metros ou \u00edcones criados por pessoas entendidas. O que, ou antes, quem ele era e foi por toda vida \u00e9 bem mais o homem inteiramente devotado a viver intensamente e a propagar ardentemente seus ideais, ideais em que ele cria vitalmente. Foi assim que eu, quando menino, o vi pela primeira vez em minha cidadezinha de Acara\u00fa: integralista, de batina preta, camisa verde, em plena campanha em prol do Integralismo de Pl\u00ednio Salgado. Ele, padre novo, um tribuno na express\u00e3o perfeita da palavra, via sinceramente no Integralismo, naquela hora, a salva\u00e7\u00e3o da P\u00e1tria e a confirma\u00e7\u00e3o da f\u00e9. Por isso n\u00e3o se limitava, como muitos outros, ao simples apoio. Ele era coerente. Comprometido. E percorreu o Cear\u00e1, sabe Deus com quantos sacrif\u00edcios, at\u00e9 que os olhos se lhe abriram e ele passou a chamar essa fase da sua vida \u201cO pecado da minha juventude\u201d. Mudou de convic\u00e7\u00e3o, n\u00e3o de comportamento. Foi sempre um batalhador, um ardoroso ap\u00f3stolo, um grande mission\u00e1rio do Reino de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O seu encontro com o Pe. C\u00edcero, quando, ainda di\u00e1cono, a pedido do Mons. Vig\u00e1rio Geral percorreu o Cear\u00e1 a fim de renovar ou angariar novas assinaturas para o di\u00e1rio arquidiocesano \u201cO Nordeste\u201d. Vale a pena conhecer o que ele diz a respeito do Pe. C\u00edcero. Registro o epis\u00f3dio, sem coment\u00e1rio, por julg\u00e1-lo conhecido pelos estudiosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Que conceito fazia de si mesmo o nosso Dom H\u00e9lder? Num encontro com madre Tereza de Calcut\u00e1 durante o XLI Congresso Eucar\u00edstico Internacional de Filad\u00e9lfia nos Estados Unidos, em 1975, perguntou-lhe a santa Religiosa como era que ele se sentia, ou digamos, quem era que ele se considerava ao receber tantos e t\u00e3o vibrantes aplausos de multid\u00f5es de tantos pa\u00edses do mundo: \u201cEu me sinto como se eu fosse aquele jumentinho em que Jesus ia montado na sua entrada triunfal em Jerusal\u00e9m\u201d. \u201cJumentinho de Jesus\u201d e \u201cPe. H\u00e9lder\u201d foram de fato os t\u00edtulos de sua prefer\u00eancia, o primeiro, a partir daquele momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Se assim \u00e9 que ele mesmo se chamava, como foi que o chamaram outras pessoas? O Santo Padre Jo\u00e3o Paulo II, seu grande amigo, em sua visita ao nosso pa\u00eds e ao Recife em 1980, num abra\u00e7o fraterno que emocionou todo o Brasil, o chamou: \u201cDom H\u00e9lder, irm\u00e3o dos pobres, meu irm\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nos pa\u00edses por onde ele passou, aplaudido por multid\u00f5es, ele era considerado o grande profeta da Igreja cat\u00f3lica no s\u00e9culo XX. A ele se pode aplicar o t\u00edtulo atribu\u00eddo ao Santo Padre Pio XI que enfrentou o fascismo e o nazismo do seu tempo: \u201cFides intr\u00e9pida,\u201d isto \u00e9: F\u00e9 intr\u00e9pida, ou o t\u00edtulo que, segundo a profecia de S\u00e3o Malaquias, iria ser dado ao Santo Padre Jo\u00e3o Paulo II \u2013 \u201cPastor et Nauta\u201d, quer dizer: \u201cPastor e navegante.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E, finalmente, sobre a sua pessoa, incluindo o seu legado, qual seria a sua contribui\u00e7\u00e3o para a Hist\u00f3ria?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em primeiro lugar, observe-se que por toda parte se multiplicam institui\u00e7\u00f5es, col\u00e9gios, escolas que se intitulam com o seu nome neste nosso pais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Al\u00e9m disso, do Santo Padre Jo\u00e3o Paulo II permanece em plena atua\u00e7\u00e3o a palavra inspirada no evangelho que em boa hora ele proclamou como apelo e desafio a toda a Igreja do nosso tempo: \u201cAvancem para \u00e1guas mais profundas\u201d (Lc 5,4) com extraordin\u00e1ria repercuss\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o em toda parte;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Se a orienta\u00e7\u00e3o de Dom Alo\u00edsio Lorscheider expressa nestas tr\u00eas palavras: \u201cMantenham as l\u00e2mpadas acesas\u201d \u2013 retrato vivo da sua pessoa e correta express\u00e3o da sua vis\u00e3o e a\u00e7\u00e3o pastoral \u2013 foi escolhida para t\u00edtulo de uma obra publicada por um grupo de seus amigos e admiradores na comemora\u00e7\u00e3o do primeiro anivers\u00e1rio do seu falecimento (23\/12\/2008);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ent\u00e3o, em se tratando de Dom H\u00e9lder, poder\u00edamos gravar para a Hist\u00f3ria estes tr\u00eas pensamentos:<\/p>\n<div style=\"text-align: justify\">\n<ol>\n<li>\u201cFeliz de quem entende que \u00e9 preciso mudar muito para ser sempre o mesmo\u201d.<\/li>\n<li>Meu irm\u00e3o, quando descordas de mim, tu me completas. Muito obrigado!<\/li>\n<li>H\u00e1 criaturas como cana. Mesmo tendo passado pela moenda, mesmo reduzidas a baga\u00e7o, mesmo esmagadas de todo, s\u00f3 sabem dar do\u00e7ura.<\/li>\n<\/ol>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">Grande e santo Dom H\u00e9lder, junto de Deus ora por n\u00f3s!<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Manoel Edmilson da Cruz<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrever ou falar sobre dom H\u00e9lder C\u00e2mara ser\u00e1 f\u00e1cil ou dif\u00edcil em decorr\u00eancia do ponto de partida ou do \u00e2ngulo de vis\u00e3o de quem pretenda assumir essa tarefa. Ser\u00e1 f\u00e1cil, porque, independente de quanto j\u00e1 se escreveu ou j\u00e1 se disse, ainda resta muito que dizer ou escrever. 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